Cultura e entretenimento num só lugar!

enptes
O Macaco
Foto: reprodução/paris filmes

Crítica | O Macaco – nem ruim o suficiente para ser bom

Quando até um pneu assassino entrega mais do que isso…

Existe um nicho muito específico no cinema de terror no qual filmes absurdos se tornam memoráveis justamente por não se levarem a sério. São aqueles longas que assumem a própria premissa ridícula e entregam algo tão inesperado que beira o genial – caso de O Pneu Assassino (2010), A Geladeira Diabólica (1991), O Ataque dos Tomates Assassinos (1978) e até A Camisinha Assassina (1996). O problema de O Macaco (The Monkey) é ele não abraçar o próprio absurdo. Ele tenta equilibrar terror e comédia, mas isso simplesmente não funciona, resultando em um filme pouco assustador para ser um bom terror, e nem divertido o suficiente para ser um trash memorável.

A adaptação do conto de Stephen King, dirigida por Osgood Perkins (A Filha do Casaco Preto, Longlegs), tinha potencial para algo muito mais impactante. A história original já trazia um conceito intrigante: um macaco de brinquedo que bate os pratos antes de cada morte acontecer. No entanto, no filme, Perkins decide trocar os pratos por baquetas (supostamente para evitar comparações com Toy Story), o que já tira um pouco da identidade visual icônica do conto. Mas o real problema não é a mudança de detalhe, e sim o tom inconsistente do filme como um todo.

O Macaco
Foto: reprodução/paris filmes

Ao contrário de Longlegs, no qual a lentidão e a atmosfera ajudam a criar tensão, O Macaco se perde na tentativa de fazer uma comédia de terror que nunca se decide. A premissa absurda do brinquedo assassino poderia ter sido explorada de maneira mais exagerada, ao estilo Brinquedo Assassino ou até Premonição, mas em vez disso, o filme parece querer ser mais inteligente do que realmente é.

A trama foca na relação de Hal (Christian Convery na infância e Theo James na fase adulta), seu filho Petey (Adam Scott), e seu irmão gêmeo, Bill, tentando inserir camadas emocionais sobre trauma e herança familiar. O problema é que essas camadas nunca se desenvolvem de um jeito satisfatório, e a parte do terror acaba ficando completamente diluída no processo.

O Macaco
Foto: reprodução/paris filmes

Osgood Perkins claramente tem talento para criar filmes perturbadores, mas aqui ele parece incerto sobre o que quer entregar. As cenas de morte, por exemplo, poderiam ser o grande atrativo do filme, mas são sem impacto, previsíveis e sem a criatividade exagerada que faz um slasher funcionar. Se a ideia era homenagear filmes como Premonição, então faltou ousadia para criar sequências que realmente impressionassem. O resultado são mortes genéricas, sem peso e sem impacto,reforçando a sensação do filme não conseguir se destacar nem como horror, nem como comédia.

O elenco não é ruim – Adam Scott e Elijah Wood fazem o que podem com os personagens que receberam (e com os menos de três minutos de tela)  –, mas o roteiro não lhes dá material suficiente para realmente brilhar. Wood, por exemplo, aparece como um escritor de livros sobre paternidade e traz alguns dos momentos mais interessantes do filme,porém, sua breve participação não faz diferença no todo. O próprio brinquedo assassino, que deveria ser o grande astro da história, acaba não tendo carisma nem presença suficiente para se tornar um novo ícone do terror.

O Macaco
Foto: reprodução/paris filmes

E é por isso que filmes como O Pneu Assassino acabam sendo melhores: eles entendem o próprio conceito absurdo e fazem dele um espetáculo.Um filme sobre um pneu com poderes telepáticos matando pessoas nunca deveria funcionar, mas funciona justamente porque não tem medo de ser ridículo. O Ataque dos Tomates Assassinos é sobre vegetais homicidas, A Geladeira Diabólica transforma um eletrodoméstico em vilão e A Camisinha Assassina consegue misturar terror e humor sem nunca parecer sem graça. O que todos esses filmes têm em comum? Eles sabem exatamente o que são e entregam isso sem medo.

O Macaco parece querer ser mais profundo do que sua premissa permite, mas sem a coragem de se aprofundar de verdade. O resultado é um filme sem impacto suficiente para ser um bom terror, nem carisma o bastante para ser um trash cult.

Ele fica no meio do caminho, nunca assumindo uma identidade clara, o que o torna simplesmente… esquecível. E no mundo dos filmes de terror absurdos, ser esquecível é o pior destino possível.

 

Quem aí vai assistir ao filme? Conta pra gente nas redes sociais do Entretê – Instagram, Facebook, X – e nos siga para atualizações sobre a indústria cinematográfica.

 

Texto revisado por Larissa Suellen

plugins premium WordPress