Jogos Vorazes, Percy Jackson e Nárnia retornam (quase) simultaneamente
Durante mais de uma década, as grandes sagas juvenis de fantasia e distopia ajudaram a moldar não apenas o mercado editorial, mas também o próprio comportamento do público jovem no audiovisual.
Série de livros, protagonistas em jornadas de amadurecimento e universos expansivos deixaram de ser nicho para se tornarem o centro da cultura pop global, dominando bilheterias, impulsionando plataformas de streaming e criando comunidades de fãs altamente engajadas.
Agora, em um cenário marcado pela disputa por atenção, a indústria volta seus olhos para aquilo que já provou funcionar: narrativas com base emocional consolidada e reconhecimento imediato. Mais do que uma aposta segura, o retorno dessas franquias revela uma estratégia clara de reativação de marcas culturais que atravessam gerações.
E é nesse contexto que três universos emblemáticos ressurgem quase ao mesmo tempo em 2026. De um lado, Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita retorna às origens de Panem com uma narrativa sombria e política. De outro, Percy Jackson se consolida como um projeto de longo prazo no streaming, estreitando os laços com o público. Já a nova adaptação de As Crônicas de Nárnia ganha uma nova vida sob uma proposta autoral e contemporânea.
Jogos Vorazes retorna ao passado de Panem

Desde seu lançamento literário em 2008, Jogos Vorazes conquistou espaço e se consagrou como uma das principais distopias contemporâneas, combinando crítica social, espetáculo midiático e narrativa de sobrevivência. A obra de Suzanne Collins não apenas dialoga com tradições como Battle Royale e 1984, mas também constrói uma reflexão própria sobre autoritarismo, desigualdade e manipulação da opinião pública.
Em 2020, o livro A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes foi publicado. O primeiro prelúdio da trilogia Jogos Vorazes e, dessa vez, focado na juventude do tirano Coriolanus Snow. A obra narra a décima edição dos jogos, 64 anos antes dos eventos com a protagonista da série principal, Katniss Everdeen.

Sua adaptação chegou aos cinemas logo em 2023, quase dez anos depois da estreia do último filme da saga, Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2. Dirigido por Francis Lawrence, o longa foi amplamente elogiado por seguir a mesma linha dos principais e se manter fiel à obra de Suzanne Collins.
A produção levou mais de 250 mil pessoas (somente no Brasil) ao cinema em seu dia de estreia, sendo a maior abertura em uma quarta-feira, em 2023. A partir do sucesso incontestável e do quanto os fãs se animaram com as histórias passadas de personagens bem conhecidos, dessa vez Suzanne Collins escolheu narrar a trama de Haymitch Abernathy, em Amanhecer na Colheita.

O livro aprofunda ainda mais esse universo ao revistar um dos momentos mais traumáticos da história de Panem: o Massacre Quartenário. Acompanhando Haymitch em sua jornada, a obra explora não apenas a brutalidade da arena, mas também os bastidores políticos que sustentam os jogos – além de apresentar um Haymitch praticamente inteiro.
Publicado em 2025, sua estreia foi marcada pela confirmação de uma nova adaptação, que estreia nos cinemas em novembro deste ano. Com Francis Lawrence comandando a direção novamente, esse retorno chega com a proposta de mostrar a construção do sistema, focando na sobrevivência, no trauma da perda e na crueldade da Capital, mostrando que nem todos que vencem saem inteiros.
Assista ao trailer oficial de Amanhecer na Colheita
Percy Jackson fortalece laços com a nova geração

Publicada originalmente em 2005, a saga de livro Percy Jackson e os Olimpianos se destacou por sua proposta acessível: inserir a mitologia grega no cotidiano contemporâneo, aproximando jovens leitores de narrativas clássicas por meio de humor, aventura e identificação.
A primeira adaptação feita, composta pelos filmes O Ladrão de Raios, de 2010, e Mar de Monstros, de 2013, foi mal recebida pelos fãs e pelo próprio autor da série, Rick Riordan, devido a mudanças significativas na trama, como o envelhecimento dos protagonistas para os 16 anos e a omissão de elementos-chave.
E foi essa insatisfação com os filmes que levou à criação de uma série fiel na plataforma de streaming Disney+, que estreou em 2023. A atual adaptação representa uma espécie de correção de rota para a franquia, buscando fidelidade estrutural e contando com a participação ativa de Rick Riordan no desenvolvimento.

Mais do que uma simples adaptação, o projeto funciona como expansão de universo. A estratégia é clara: transformar Percy Jackson em uma franquia contínua, com potencial para múltiplas temporadas e possíveis spin-offs baseados em outras mitologias exploradas nos livros do autor.
Em 2025, os atores da série – Walker Scobell, Leah Sava Jeffries, Aryan Simhadri e Charlie Bushnell – estiveram na Comic Con Experience (CCXP), no Brasil, e tiveram uma recepção triunfal para anunciar a segunda temporada da série no streaming. Os fãs foram à loucura durante o painel especial exibido no Palco Thunder by Claro TV+ e os atores ficaram emocionados com essa recepção dos fãs brasileiros.

Os produtores executivos, Dan Shotz e Jonathan E. Steinberg, também subiram ao palco. Com participação à distância de Rick Riordan, o painel revelou cenas inéditas de O Mar de Monstros e causou grande euforia. E, no Brasil, a série atingiu números recordes de audiência.
A terceira temporada está confirmada para estreia no Disney+ ainda este ano, com filmagens realizadas em Vancouver. A nova temporada irá adaptar o terceiro livro da série, A Maldição do Titã, focando no resgate de Annabeth e Ártemis.
Nárnia renasce sob o olhar de Greta Gerwig

Clássico da literatura fantástica publicado a partir de 1950, As Crônicas de Nárnia ocupa um lugar singular no imaginário coletivo. A obra de C.S. Lewis combina elementos de fantasia épica com alegorias religiosas e reflexões filosóficas, o que sempre representou um desafio para adaptações audiovisuais.
A primeira adaptação cinematográfica consiste em três filmes principais lançados entre 2005 e 2010: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, Príncipe Caspian e A Viagem do Peregrino da Alvorada. Os longas são geralmente considerados bons, com produção visual grandiosa e cenários imersivos. No entanto, críticos e fãs dividem opiniões sobre a fidelidade ao material original, com alguns achando que eles são fantásticos enquanto outros os consideram inferiores aos livros.

A nova versão dirigida por Greta Gerwig surge com a promessa de reinterpretar esse universo para o público contemporâneo. Escolhendo adaptar O Sobrinho do Mago, história que antecede os eventos mais conhecidos da saga, o projeto indica uma intenção de reconstrução narrativa desde a origem.
A trama acompanha o menino Gregório, interpretado por David McKenna, e sua vizinha Polly, interpretada por Beatrice Campbell, adentrando um bosque mágico que dá acesso a outros mundos.
Durante um evento da Netflix que aconteceu em Hollywood, Gerwig comentou sobre os livros por meio de um vídeo: “Está tudo muito bem guardado por enquanto, mas é algo que me deixa muito entusiasmada, porque foi o livro da minha infância. Foi a série de livros que eu amei, que eu vivi intensamente e na qual passei muito tempo me imaginando dentro de Nárnia. Tem sido uma alegria e uma honra ser a pessoa que tem a oportunidade de imaginar esse universo.”

Foi revelado recentemente que, a partir de 26 de novembro, o filme ficará apenas duas semanas em salas IMAX, contabilizando mil salas em 90 países. A ideia da Netflix é lançar Nárnia nos cinemas durante o Dia de Ação de Graças e esperar até o Natal para incluir o filme no catálogo.
Um novo capítulo para velhas histórias
Se antes essas sagas definiram uma geração, agora elas retornam com uma carga ainda maior: a de reencontrar um público que cresceu, mudou, mas que ainda reconhece nesses universos parte da própria formação.
Voltar a Panem, ao Acampamento Meio-Sangue ou aos portais de Nárnia não é apenas revisitar histórias conhecidas, mas também revisitar versões mais jovens de si mesmo, aquelas que aprenderam sobre coragem, amizade e pertencimento através dessas narrativas. Três das sagas que marcaram época retornam quase juntas, atravessando diferentes formatos e plataformas, mas compartilhando o mesmo efeito: reacender memórias que pareciam adormecidas.
No fim, pouco importa qual delas vai se destacar, porque, para uma geração inteira, o verdadeiro acontecimento é poder voltar, ainda que por algumas horas, para os mundos que nunca foram apenas ficção.
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Texto revisado por Cristiane Amarante










