Ator fala sobre os desafios físicos e emocionais do musical em cartaz em São Paulo e destaca o mergulho na cultura judaica para construir Menashe, personagem marcado por humor, caos e transformação
Depois de ganhar projeção em grandes produções do teatro musical, como O Rei Leão e Elvis – A Musical Revolution, o ator Gustavo Waz vive uma virada em sua trajetória artística ao integrar o elenco de Dibuk, espetáculo em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Na montagem, ele interpreta Menashe, personagem que atravessa mudanças bruscas ao longo de uma narrativa que mistura suspense, humor, religiosidade, sexualidade e elementos sobrenaturais.
Longe da estrutura tradicional dos musicais mais comerciais, a peça aposta em uma atmosfera pouco convencional, algo que, para Gustavo, costuma impactar o público logo nas primeiras cenas. “Dibuk é um musical nada convencional, não só pelos temas que ele aborda como religião, exorcismo, sexualidade e dogmas sociais, mas pelo jeito que cada tópico é retratado. Ao mesmo tempo que existe um clima de suspense e até terror, há momentos de muita piada e diversão, tudo isso costurado com um ótimo elenco e ilusões de mágica que dão o charme final da obra”, afirma.
Dentro desse universo, Menashe surge como uma das figuras mais imprevisíveis da história. Segundo o ator, o maior desafio nos ensaios estava justamente em encontrar o equilíbrio do humor dentro de uma trama carregada de tensão e dramaticidade. “As cenas de drama foram as mais fáceis de montar, já as cenas de comédia, em especial a de iniciação sexual, foram mais complexas. Nós queríamos um humor refinado, mas que contraste com as outras cenas que são mais polidas e politicamente corretas. Encontrar o ponto exato de comédia pro Menashe, que funcionasse para todas as plateias, foi a parte mais difícil”, conta.

Para construir o personagem, Gustavo mergulhou em estudos sobre a cultura judaica e admite que o processo mudou sua percepção sobre o tema. “Depois de me preparar pro Menashe, eu descobri que eu não sabia nada sobre a cultura judaica. O judaísmo é muito amplo e cheio de riquezas culturais que não chegavam até a minha ‘bolha’. Para além das questões religiosas, é muito bonito ver como a comunidade é unida e se fortalece entre si”, revela.
Além da carga emocional, Dibuk também exige preparo físico constante. Em cena, Gustavo participa de momentos de interação direta com a plateia, sequências intensas e efeitos que demandam precisão e concentração ao vivo. “O Menashe exige esse ‘estado de alerta’ o tempo inteiro e isso sem dúvida é o maior desafio. Desde as cenas mais complexas até as ‘mais simples’, exigem uma atenção redobrada, seja por algo que envolva risco físico ou para dialogar com a plateia”, explica.
Para manter o ritmo da temporada, o ator afirma que adotou uma rotina rigorosa de preparação. “Eu ativo meu modo nerd, que basicamente é uma rotina bem regrada de descanso, alimentação balanceada e exercícios físicos de manutenção. É uma dedicação integral para guardar energia e me preservar pra hora da peça”, diz.
Vivendo uma ascensão rápida no teatro musical paulistano, Gustavo afirma que hoje busca personagens que provoquem transformação tanto nele quanto na plateia. “Gosto de mirar em papéis que me desafiem e que tenham algo para comunicar com o público. Acredito muito no poder que a arte tem de mudar a vida das pessoas, então personagens que o público possa identificar de alguma maneira sempre são um diferencial”, conclui.
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Texto revisado por Thaís Figueiredo









