Kafka e a Boneca chega ao Teatro do SESI-SP, com ingressos gratuitos

Produção baseada em história real, vivida pelo escritor Franz Kafka, resgata valores e reflete sentimentos como amor, amizade, confiança, perda e entendimento

Adaptado pela primeira vez no formato musical para os palcos, Kafka e a Boneca, baseado em fatos reais vividos pelo autor Franz Kafka, chega ao Teatro do SESI-SP, em São Paulo. Com estreia marcada para 05 de março, a temporada, com ingressos gratuitos, tem sessões às quintas e às sextas-feiras fechadas para escolas, e aos sábados e domingos abertas para o público – essas com opções de acessibilidade em Libras e audiodescrição.

Produzido pela Marcenaria de Cultura, Rega Ínicio Produções e com realização SESI-SP, a peça tem a direção de Marllos Silva, responsável também pelo roteiro, e a direção musical de Daniel Rocha, que assina canções e arranjos dessa história que completa 100 anos em 2023.

Embora muito conhecido por suas obras modernistas, pouco se sabe acerca da história de Kafka com a garotinha que o fez redescobrir sentidos e motivações para voltar a escrever, dando mais cor aos meses que antecederam sua morte. Foi durante um passeio pelo parque de Steglitz, em Berlim, junto de sua companheira Dora, que ele se viu tocado pela tristeza de uma criança que havia perdido sua boneca preferida. As lágrimas sentidas da pequena Lia Hillel, como é chamada na peça, acompanhadas de seus questionamentos inconformados, o fizeram pensar em formas de ajudá-la a superar sentimentos que lhe eram familiares, como a solidão e a melancolia.

Lançando mão de recursos lúdicos, criatividade e imaginação, Kafka, vivido por Marcos Lanza, se transforma no “carteiro de bonecas”, e passa a escrever cartas para Lia, papel em que as atrizes mirins Bibi Valverde e Isa Camargo se alternam. Na tentativa de acalmá-la, ele cria uma história na qual sua boneca, Marielle, viaja pelo mundo em busca de sua própria jornada e, a cada correspondência, uma aventura diferente por lugares como Itália, China e o deserto do Saara, é detalhada. Tudo vai bem até que se vê diante de outro desafio: entender como finalizar essa história sem gerar novas frustrações na menina.

À frente da missão de, ao longo de 75 minutos, entreter, despertar e emocionar, refletindo mensagens  que podem ser levadas para a vida por pessoas de todas as idades, estão também os atores Marcel Octavio como o amoroso e permissivo pai Joseph Hillel, Renata Vilela como a firme e cautelosa mãe Berta Hillel e Giovanna Sassi como a sensível e espirituosa Dora Diamant. Completam o elenco Fernando Palazza e os swings Luiza Francabandieira e Rafael Aragão.

Para o produtor e criativo Marllos Silva, que teve a ideia de fazer o espetáculo há alguns anos ao ler o livro para a filha, todo o projeto é pautado em um grande cuidado com a vida e obra do artista. Embora baseada em um acontecimento real, a história não possui vestígios históricos, o que, em meio a muitas pesquisas, lhe permitiu uma construção mais aberta em torno dos fatos e personagens. Em uma delicada mescla de realidade e ficção, é possível identificar falas de Kafka, ditas pelo próprio em algum momento da vida, e vê-lo em uma versão mais “desconstruída” daquela conhecida.

A grande diferença das demais obras de Kafka para esta é que as demais são escritas sobre o olhar dele para o mundo, já este espetáculo fala sobre o Kafka. Para quem conhece sua história e a forma como ele se relacionou com a família, vê neste recorte de vida um homem diferente do imaginário que o mundo conheceu. De repente, o homem avesso a relações familiares e sem filhos, é visto completamente entregue em um esforço para curar a dor de uma criança da qual ele não tinha nenhuma relação, conta Silva.

As muitas camadas que giram em torno dessa relação ganham ainda mais força e sentido com a ajuda da trilha sonora, com letras divididas entre Silva e o diretor musical e arranjador Daniel Rocha, que revelou ter usado a cultura Klezmer, gênero de música não-litúrgica judaica, como fonte.

Ao primeiro contato com o texto uma melodia melancólica soou dentro de mim dando lugar, ao passar da história, para uma harmonia aventureira. A ideia de um Kafka que vive um drama pessoal intercalado com momentos de epifania por conta da perda de uma boneca sugere uma trilha sonora audaz. Suas referências tanto sefarditas como askenazitas e suas canções entoadas em iídiche foram a base para criar canções que contassem essa saga. E, ainda, a cada tema que um personagem ganha e cada desdobramento em leitmotiv que esse material é explorado, uma paisagem sonora do início do século XX é disparada envolvendo o público na atmosfera do parque onde a peça se desenrola. Trazendo, assim, luz e sons a um pós-guerra árduo e abrindo a temporada de sonhos!, detalha Rocha sobre a concepção e execução de sua criação.

Abrindo a programação de espetáculos originais realizados pelo SESI-SP e com uma equipe de criativos renomada e premiada, o inédito e original “Kafka e a Boneca” traz a cenografia de Marco Lima, o figurino de Kleber Montanheiro, o desenho de luz de Tulio Pezzoni, o desenho de som de Tocko Michelazzo, o visagismo de Anderson Bueno, conta com a direção de movimento de Fabrício Licursi, a preparação de manipulação de bonecos de Lenita Ponce, a direção assistente de Marcelo Soldá, a direção musical assistente de Diego Salles e a produção executiva de Renata Alvim e Marllos Silva.

As reservas podem ser feitas acessando esse link

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*Crédito da foto de destaque: Caio Gallucci

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