Em papo sobre o álbum SOU, a banda reflete sobre suas raízes na MPB e no samba, a força do carinho próprio e a maturidade de construir uma trajetória independente de impacto
A identidade sonora da Soul de Brasileiro nasce, antes de qualquer referência externa, da riqueza da música nacional. Inspirados por nomes como Sandra Sá, Tim Maia, Cassiano, Jorge Ben Jor, Jovelina Pérola Negra e Jorge Aragão, o grupo construiu uma sonoridade em que as influências do soul e do R&B internacional chegam para somar, e não para se impor.
Mais do que uma simples fusão de gêneros, a proposta carrega no próprio nome a premissa de traduzir a “alma” e o “tempero” brasileiro. Valorizando a originalidade, o pertencimento e a capacidade única do país de reinventar a arte, estrutura-se o álbum SOU.
Essa autenticidade reflete diretamente na atmosfera solar e acolhedora que marca as composições do grupo. Partindo de vivências reais e histórias cotidianas, as canções buscam criar uma ponte de empatia e identificação imediata com o ouvinte. Para a banda, o papel da música vai além do entretenimento: trata-se de oferecer um abraço em momentos difíceis, incentivar o amor-próprio e lembrar que fases ruins passam. A grande missão do álbum é fazer com que o público se sinta confortável com quem é e encontre leveza no dia a dia.
Trilhar o caminho da música independente no Brasil, contudo, exige uma boa dose de realismo e persistência diária. A banda destaca que a perseverança envolve disciplina, estudo contínuo e resiliência emocional para manter a essência artística viva em meio ao excesso de informação.
Todo esse empenho ganha um marco histórico com a confirmação do grupo no line-up do Rock in Rio, no dia 12 de setembro. Um passo fundamental na construção de um legado sólido que pretende seguir inspirando e ocupando palcos cada vez maiores nos próximos anos.

Entretetizei: O próprio nome da banda traz essa fusão entre a soul music e os ritmos do nosso país. Como vocês equilibram as referências internacionais do soul e do R&B com a brasilidade na hora de compor e arranjar as músicas?
Negra Silva: Na construção sonora da Soul de Brasileiro, as influências externas vieram depois das nacionais. Os nomes que moldaram nossa forma de sentir a música se baseiam no que a gente teve acesso primeiro. Sandra Sá, Tim Maia e Cassiano foram naturalmente influenciando nossa busca musical. Aliado a isso, o samba de Jovelina Pérola Negra e Jorge Aragão, e a MPB multicultural de Jorge Ben Jor, são matérias que serviram de elemento para criar o que a gente chama de “Soul de Brasileiro”, entende? Não é só a musicalidade, é também a “alma” de brasileiro, com essa capacidade notória de fazer as coisas de um jeito próprio e original. É disso que também se trata nosso álbum “SOU”.
E: As músicas de vocês costumam transmitir uma energia muito solar, positiva e acolhedora. Qual é a principal mensagem ou sensação que vocês querem que o ouvinte leve consigo ao dar o play no trabalho de vocês?
Ge Vieira: A mensagem é justamente essa, que você já está dizendo na pergunta. Tudo que a gente compõe e canta está, de forma íntima, ligado ao que a gente vive e viveu: são histórias reais para pessoas reais. Acho que isso causa uma identificação mútua: é se reconhecer e se reconhecer no outro. Então, se o álbum “SOU” ajudar o ouvinte a entender que está tudo bem em ser quem ele é; que às vezes a vida fica difícil, mas a fase ruim passa; que é preciso se tratar com o mesmo carinho que reservamos pro outro, a gente vai estar feliz. Assim, a música estará operando em um lugar importante mexer.
E: Fazer música independente no Brasil é um desafio e uma arte por si só. Qual tem sido o maior aprendizado da banda nessa jornada e o que vocês enxergam como o futuro da Soul de Brasileiro para os próximos anos?
José Junior: Sim, os desafios são muitos, os aprendizados na mesma proporção. Talvez o maior agora seja se manter perseverante. Essa ação, que às vezes parece subjetiva, envolve um esforço real, emocional, além de estudo, trabalho a todo tempo, sem romantismo. É preciso ter confiança no que se faz e, em meio a tanta informação, não esquecer da arte nunca, porque é ela que toca, que sensibiliza e transforma. Aprendemos isso ao longo desse tempo, manter a nossa essência, e esperamos que a Soul de Brasileiro seja um legado. Esse ano estamos no line up do Rock In Rio, no dia 12 de setembro: essa história estará num dos mais importantes palcos do mundo. Queremos ter muitas oportunidades como essa para os próximos anos.
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Texto revisado por Gabriela Matuk









