Espetáculo de Milla Fernandez volta em março ao Teatro TotalEnergies, com direção de Rodrigo Portella
TIP (antes que me queimem eu mesma me atiro no fogo) é um corajoso relato de autoficção que partiu da experiência da atriz Milla Fernandez durante a pandemia. Diante das necessidades urgentes de se prover e da falta de perspectivas, Milla encontrou no sexo virtual, com o apoio do marido e da família, a possibilidade de garantir uma fonte de renda imediata. Sem ideia do que encontraria, mergulhou no mundo do entretenimento adulto, satisfazendo, como camgirl, desejos de clientes anônimos em troca de gorjetas (TIPs, em inglês).
A peça, que acaba de ser indicada ao Prêmio APTR na categoria Jovem Talento, volta à cena para curta temporada de duas semanas no Teatro TotalEnergies, antes de seguir para São Paulo.
A vivência que inspirou esse corajoso relato de autoficção provocou na atriz uma reflexão sobre as ilusões de uma sociedade orientada pela imagem. Com humor ácido, Milla Fernandez não se poupa e brinca com o medo do fracasso. A partir das inúmeras situações cômicas, constrangedoras e dolorosas que viveu na área do entretenimento, ela destrincha, com ironia, as consequências de uma vida construída para realizar o desejo dos outros – seja na profissão, no âmbito familiar ou no universo pornô. O que acontece quando uma atriz vive sempre em função da plateia? E ainda, o que acontece quando essa mulher se cansa de tentar agradar?

Nas palavras de Milla Fernandez: “Na pandemia, sem ganhar um centavo como atriz, eu decidi molhar os pés no universo das camgirls. Acabei mergulhando de cabeça, me afogando num mar violento e só quando cheguei no fundo e pensei que ia morrer, descobri que dá pra respirar embaixo d’água. Durante anos meu objetivo foi me sentir segura. Hoje eu quero me sentir cada vez mais confortável na insegurança. Eu pensava que controlar tudo era sinônimo de força. Vivi uma vida inteira tentando estar preparada para quando o mundo caísse. Aí ele caiu e esmagou todas as verdades que eu tinha construído. Essa peça não é uma resposta, é uma pergunta que eu me faço todos os dias.”
Como diretor, Rodrigo Portella direciona seu foco para a visão da atriz sobre a própria experiência: “Eu fico abismado com a coragem dela. Eu jamais me exporia dessa forma. Apesar de que nem tudo corresponde à verdade (no que diz respeito aos fatos), essa é uma das peças mais ‘de verdade’ em que eu já estive envolvido. Essa peça, pra mim, é sobre uma jovem atriz que se atira no abismo, uma mulher que se lança no fogo ao invés de fugir ou paralisar. Não é só um ato de coragem, mas de resiliência e reparação. Uma espécie de revisão do seu processo de constituição como pessoa e artista.”
A MONTAGEM
A peça TIP (antes que me queimem eu mesma me atiro no fogo) foi ensaiada em Barcelona – onde vivem Rodrigo e Milla –, com apoio da Prefeitura da cidade. A encenação de Rodrigo Portella aposta no minimalismo. Como único elemento cenográfico, longos tapetes vermelhos representam a fama e o sucesso. Portella assume a própria arquitetura teatral como cenário, retirando os tradicionais panos pretos da caixa cênica, e assim lembrando aos espectadores que estão num teatro, e que a ilusão dará lugar à imaginação. A trilha de Federico Puppi e Leo Bandeira tem caráter essencialmente percussivo, complementado por Milla Fernandez, que toca sax durante o espetáculo. O figurino de Karen Brusttolin busca desviar dos clichês e dos fetiches.
FICHA TÉCNICA
Dramaturgia e Performance: Milla Fernandez
Direção: Rodrigo Portella
Direção Musical: Federico Puppi
Trilha Sonora Original: Leonardo Bandeira (bateria) e Federico Puppi
Figurino: Karen Brusttolin
Cenário e Luz: Rodrigo Portella
Colaboração: Georgina Vila Bruch
Vídeo Design: Plinio Hit
Visagismo: Neandro Ferreira
Fotos: Ale Catan
Identidade Visual: José Mancini e Diego Navarro
Mídias Sociais e Gestão de Tráfego: Nathália Alves
Captação de Apoio: RumoToloá
Produção: Ártemis e Virgínia Bravo (Ártemis Produções Artísticas)
Realização: Mil Atividades Artísticas
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany
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Texto revisado por Alexia Friedmann









