Jonathan Anderson, Matthieu Blazy, Pharrell Williams, Raf Simons e outros nomes assumiram o desafio de atualizar o legado das maiores maisons da moda
No mercado da moda, uma grife não é marcada apenas pelo estilo da roupa. Toda sua identidade visual é composta por silhuetas, cores, materiais e referências, e é nessa parte que o diretor criativo se torna a peça importante para as grandes marcas. Por trás de toda essa construção, eles interpretam e reinterpretam o legado desses nomes da moda e transformam em novas coleções
Quando um novo diretor criativo assume uma grande grife, sua chegada costuma movimentar toda a indústria. A mudança costuma representar uma nova era para as marcas, de forma que até mesmo redefine a maneira como o público enxerga.
As quatro grandes semanas de moda se aproximam e marcas como Chanel, Dior e Saint Laurent são nomes que estão sempre presentes entre a lista de desfiles, mas você sabe quais são os criadores por trás das roupas? Conheça alguns nomes para se manter por dentro!
Dior por Jonathan Anderson

Em Junho de 2025, Dior apresentou ao mundo da moda seu novo diretor criativo Jonathan Anderson. Ele assume as principais coleções: masculinas, femininas e de alta-costura da maison, o que se tornou um marco pois foi o primeiro designer desde o próprio Christian Dior a comandar as três principais coleções.
Nascido na Irlanda do Norte em 1984, Anderson se formou na London College of Fashion no início dos anos 2000. Sua carreira iniciou ao trabalhar com Manuela Pavesi, como visual merchandiser da Prada, e anos depois ele fundou sua própria marca, a JW Anderson, que costuma estar presente na London Fashion Week. Inicialmente, era focada em moda masculina, com um estilo andrógino, mas logo se expandiu para a moda feminina. Em 2013 o estilista foi nomeado como diretor criativo da Loewe e trouxe para a marca uma revolução visual mais autêntica aproximando mais do artesanato, design e cultura pop.

Em março de 2025, ele deixou a Loewe, e logo no mesmo ano veio o anúncio da sua entrada como diretor criativo da Dior, inicialmente para a linha masculina, mas em seguida também recebeu a nomeação para a linha feminina e alta costura. Para o seu trabalho, o estilista carrega as tradições da Dior, unindo-se à abordagem experimental das técnicas artísticas e artesanais.
Sua estreia para a Dior foi com a coleção Ready-to-wear de Primavera/Verão de 2026, trouxe uma coleção que transita entre a dualidade do legado histórico da grife e uma estética moderna com silhuetas e volumes de forma que representa o cotidiano através da paleta suave de cores.
Alguns trabalhos pelos quais Jonathan Anderson teve reconhecimento e destaque, pode-se citar como: a roupa usada pela Rihanna no Super Bowl de 2023, onde ela anunciou sua segunda gravidez, e também a assinatura do vestido de noiva da Taylor Swift em maio deste ano.
Prada por Miuccia Prada e Raf Simons em co-criação

Diferente de outras grifes, a Prada possui uma configuração diferente. Dentro da direção criativa, Miuccia Prada e Raf Simons trabalham em parceria desde Abril de 2020, onde compartilham as responsabilidades criativas da Prada.
Miuccia Prada é neta do fundador da grife, e assim que assumiu a empresa da família, trouxe um novo momento para a criação da marca. Transformando artigos de couro em uma potência internacional de luxo, chamando até mesmo a atenção da Anna Wintour em seu desfile de estreia. Em 1993, a estilista também fundou a Miu Miu, da qual continua à frente da direção criativa. Enquanto a Prada segue um estilo mais sofisticado, a Miu Miu — também conhecida como a irmã mais nova — trabalha com uma estética mais jovem e experimental.
Do outro lado da criação está Raf Simons, nascido em 1968 na Bélgica, o designer conta, na verdade, com uma formação em Design Industrial e Mobiliário, mas assim que se formou, ele criou sua própria marca masculina em 1995. Sua experiência na moda traz grandes nomes como: Jil Sander, Dior e Calvin Klein, todos como diretor criativo.

A parceria entre Miuccia e Raf se iniciou em 2020, com a apresentação da coleção de Primavera/ Verão de 2021. A coleção com o nome Dialogues traz a proposta de apresentar ao público a conversa entre dois criadores que possuem suas visões próprias, Prada com o experimental e Simons com minimalismo e juventude.
O trabalho em co-criação dos designers chegou para o mundo da moda como forma de mostrar que as grandes grifes não precisam ter apenas um “gênio criativo”. A coleção atual de Outono/Inverno de 2026 traz uma relação com essa conversa mostrando que moda e elementos narrativos podem atuar lado a lado, assim como Miuccia e Raf.
Louis Vuitton por Pharrell Williams

Diferente dos outros criadores mencionados, Pharrell Williams entra na posição de cuidar apenas da divisão masculina da Louis Vuitton, mas sua trajetória dentro da grife é marcada por uma criação que relaciona moda e música. Ele sucede Virgil Abloh, que faleceu em 2021 devido a um câncer
Pharrell possui um currículo admirável, desde empresário à artista, criou uma forte relação com a moda nos últimos anos. Antes de chegar a LV, realizou desenvolvimento de colaborações com marcas como Adidas, Chanel e até mesmo com a própria grife. Se tornando uma figura importante na relação entre música, cultura pop e mundo fashion, sua entrada para a Louis Vuitton, como diretor criativo, se iniciou em 2023 ao assumir a linha masculina.

O desfile de estreia que marcou seu início na direção criativa foi da temporada Primavera/Verão de 2024. A Pont Neuf, uma das pontes mais famosas de Paris, se tornou uma passarela aos olhos de Williams com a presença de celebridades e convidados importantes que estiveram na primeira fila. A coleção traz silhuetas revitalizadas e uma forte presença das estampas Damier e Monogram, em uma visão inovadora para a maison.
Pharrell Williams representa uma mudança importante na relação entre celebridade e direção criativa ao estar à frente da Louis Vuitton. Sua presença mostrou que a estratégia de grandes maisons de aproximarem a moda e cultura pop pode dar certo. Seus trabalhos procuram trazer conceitos experimentais para o streetstyle masculino e representações de culturas, como a masculinidade negra e e a conexão Paris e Índia como na coleção de Primavera/Verão de 2026
Chanel por Matthieu Blazy

O estilista Matthieu Blazy assumiu o cargo de diretor criativo da Chanel no final de 2024, tornando-se o responsável pelas coleções ready to wear, alta costura e acessórios da maison. Ele sucede Virginie Viard, que assumiu após a morte de Karl Lagerfeld, trazendo o início de um novo capítulo para a Chanel, trabalhando com uma das identidades mais fortes do mundo da moda. Ele se torna apenas o quarto a assumir a direção criativa da Chanel desde a fundação da maison por Gabrielle Chanel.
Blazy teve uma infância com forte presença da arte e da história por influência de seus pais, e seu caminho para o ramo da moda iniciou-se ao estudar na Le Cambre em Bruxelas. Seu histórico profissional passa por Maison Margiela, Céline, e trabalhou ao lado de Raf Simons para a Calvin Klein. Seu grande destaque aconteceu na Bottega Veneta, onde foi criador entre 2012 a 2024.

Sua primeira coleção para a marca foi apresentada no Grand Palais com a coleção de Primavera/Verão de 2026, carregada de referências passadas da grife de forma cotidiana, em um cenário planetário e imersivo. Matthieu possui uma visão criativa que eleva a experiência do público para além das roupas e traz um estilo mais contemporâneo, de forma que há um diálogo entre o patrimônio da Chanel e suas perspectivas para a grife.
Matthieu possui uma assinatura mais voltada para um minimalismo sofisticado, artesanato e silhuetas precisas. Um de seus trabalhos mais notáveis foi a criação da máscara cravejada de pedrarias utilizada por Kanye West em 2014, como também a assinatura de uma linha artesanal feminina para a Maison Margiela.
Versace por Pieter Mulier

Em 2026, Versace iniciou um novo capítulo ao anunciar em 6 de fevereiro Pieter Mulier como novo Chief Creative Officer, iniciando seu trabalho no dia 1 de julho e seu primeiro desfile ocorrerá apenas em setembro. Mas seu nome foi apresentado após a aquisição da grife pelo Prada Group, sucedendo Dario Vitale, que ficou apenas uma temporada na direção.
O designer belga, antes mesmo de entrar na moda chegou a estudar direito por dois anos e possui um histórico ao trabalhar em outras marcas como Dior, Jil Sander e Calvin Klein, também ao lado de Raf Simons, mas em 2021 ele foi o primeiro diretor criativo a assumir a Alaïa após a morte de Azzedine Alaïa. Nessa renomada marca de luxo francesa, Mulier conseguiu um trabalho admirável de continuar o legado do fundador sem transformar a marca em uma clara reprodução do passado.

A escolha de Versace ao trazê-lo para a direção criativa segue o desafio de dialogar com o legado de Gianni e Donatella Versace sem abandonar a evolução da marca. A grife é conhecida pela sua sensualidade, maximalismo e glamour, e o Pieter possui uma linha de criação mais ligada ao artesanato e sensualidade sofisticada.
Seu trabalho traz uma visão sobre o corpo feminino de forma que trabalha com curvas, recortes, criando peças que se transformam com a silhueta. Sua estreia nas passarelas da Versace está marcada para fevereiro de 2027.
Saint Laurent por Anthony Vaccarello

Anthony Vaccarello é o estilista belga à frente da Saint Laurent desde 2016, seu trabalho não se iniciou apenas aqui, mas seu histórico traz trabalhos em sua marca autoral e até mesmo em outros nomes conhecidos. Ele sucede Hedi Slimane, que deixou a grife francesa após 4 anos na direção criativa.
Formado na La Cambre em Bruxelas, Anthony possui experiências em maisons como: Fendi e Versus Versace, mas em 2009 lançou sua própria marca. Com uma assinatura marcante da estética feminina sensual, suas roupas autorais foram como um pontapé para sua contratação na YSL. Ele recebeu a missão de assumir uma das maiores marcas de moda que possuía uma identidade forte por conta do diretor anterior.

Ao estrear no desfile de Primavera/Verão de 2017, a escolha do local foi até então o futuro endereço da Saint Laurent que estava em reforma na época, como uma metáfora para uma nova fase da marca. A estética do desfile revisita a clássica YSL, com peças marcantes como o uso de couro, mini saias, silhuetas curtas e um contraste entre a sensualidade e referências urbanas.
Além da moda, o diretor criativo também ampliou suas ideias para o cinema através da Saint Laurent Productions, de forma que a iniciativa surgiu para produzir filmes em parceria com diretores, chegando a participar de Cannes em 2024. Para ele a moda, cinema, fotografia e música fazem parte de um mesmo universo criativo do qual vale a pena investir.
Gucci por Demna

O anúncio do novo diretor criativo da Gucci chegou em março de 2025. Demna Gvasalia, conhecido apenas como Demna, foi anunciado após a saída de Sabato De Sarno, que havia comandado a maison em 2023. A escolha de Demna para a Gucci foi estratégica para recuperar o seu impacto cultural e também fortalecer sua identidade.
Nascido na Geórgia, se formou na Royal Academy of Fine Arts Antwerp, uma das mais prestigiadas instituições de designers contemporâneos. Dentro do mercado da moda ele carrega nomes como Maison Margiela, Louis Vuitton e Balenciaga em seu currículo, além de fundar a Vetements ao lado de seu irmão Guram. Sua marca ajudou a criar uma relação entre moda e luxo junto da cultura popular ao usar peças banais em semanas de moda.

Sua primeira apresentação após sua nomeação na Gucci, não foi um desfile, mas sim uma coleção cápsula chamada La Famiglia em setembro de 2025, que introduziu sua ideia e proposta para a Maison. Demna estreou suas coleções na passarela com a temporada Outono/Inverno de 2026, apresentada como Primavera, com silhuetas ajustadas, couro e alfaiataria, junto de uma sensualidade, de forma que foram mantidas referências importantes do código histórico da marca.
Diferente de seu trabalho na Balenciaga, que abordou principalmente silhuetas oversized e um streetwear desconstruído, o designer mostrou que possui uma versatilidade em seu trabalho e ainda mantém sua identidade visual sem abandonar a tradição e estética da marca
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Texto revisado por Gabriela Matuk











