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Imagem: divulgação/Intrínseca/Entretetizei

R. F. Kuang explora identidade e pertencimento em História de Taipei

Novo romance da premiada autora de Babel acompanha uma jovem em busca de respostas sobre identidade, família e pertencimento

 

Depois de conquistar leitores com fantasias históricas e romances que discutem linguagem, poder e identidade, R. F. Kuang se volta para uma história mais íntima em História de Taipei. O novo livro da autora de A Guerra da Papoula, Babel e Impostora: Yellowface chega ao Brasil em setembro pela Intrínseca e acompanha uma jovem que viaja a Taiwan em busca de uma conexão com a cultura de sua família. Entre aulas intensivas de mandarim, situações constrangedoras, novas relações e uma perda inesperada, Kuang constrói uma narrativa sobre pertencimento, amadurecimento e a dificuldade de encontrar respostas quando parte da história familiar permanece inacessível.

Uma viagem em busca das próprias raízes

Lily Chen é uma estudante sino-americana de Yale que cresceu nos Estados Unidos depois que sua família deixou a China. Embora tenha herdado a cultura e o idioma de seus familiares, ela nunca sentiu que dominava completamente nenhum dos dois. Para tentar diminuir essa distância, Lily decide passar o verão em Taipei participando de um programa intensivo de mandarim, acreditando que aprender a língua pode ajudá-la a entender melhor suas origens.

A experiência, porém, está longe de acontecer como ela imaginava. As aulas são exaustivas, a convivência com a colega de apartamento se torna complicada e uma viagem impulsiva a fontes termais com um rapaz que Lily mal conhece acaba dando origem a uma série de fofocas entre os estudantes do curso. Aos poucos, a sensação de estar finalmente voltando para casa dá lugar à percepção de que ela continua sendo uma estrangeira em um lugar que acreditava que poderia ajudá-la a se sentir pertencente.

Quando o luto muda o caminho

A viagem ganha outro significado quando Lily recebe a notícia da morte do avô, que era originário da China continental. A perda encerra a possibilidade de fazer perguntas que ela ainda esperava responder e transforma a busca pela história familiar em algo muito mais urgente.

Sem poder recorrer diretamente à pessoa que talvez tivesse algumas das respostas que procurava, Lily precisa lidar com memórias e lacunas deixadas pelas gerações anteriores. O luto passa a fazer parte de uma investigação muito mais pessoal: entender de onde veio sua família e, principalmente, o que essa história significa para quem ela é hoje.

Um lado mais pessoal de R. F. Kuang
Foto: reprodução/John Packman

Embora o enredo seja ficcional, História de Taipei parte de experiências bastante próximas da trajetória da própria R. F. Kuang. A autora estudou mandarim em Taipei e também passou por um período marcado pelo luto após a morte do avô, conforme contou à revista People. Essas experiências serviram como uma das bases para a construção da história de Lily, tornando o novo romance um trabalho particularmente pessoal em sua bibliografia.

Com seu novo lançamento, Kuang troca guerras e impérios por uma viagem de verão de uma jovem tentando entender onde exatamente se encaixa. No caminho, porém, encontra perguntas que talvez sejam mais difíceis de responder do que qualquer prova de idioma: o que significa pertencer a uma cultura que também parece não pertencer completamente a você? E quanto da nossa identidade é formada pelo que conhecemos, ou por aquilo que nunca tivemos a chance de conhecer?

R. F. Kuang é escritora e tradutora de mandarim, além de bolsista da Marshall Scholarship. A autora possui mestrado em Filosofia, com foco em Estudos Chineses, pela Universidade de Cambridge e em Estudos Chineses Contemporâneos pela Universidade de Oxford. Atualmente, cursa doutorado em Literatura e Línguas do Leste da Ásia em Yale.

Vencedora dos prêmios Nebula e Locus por Babel ou a Necessidade de Violência, Kuang também é autora da trilogia A Guerra da Papoula, indicada a diferentes prêmios, além de Impostora: Yellowface e Katábasis.

História de Taipei chega às livrarias brasileiras em setembro, pela editora Intrínseca.

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Texto revisado por Crystal Ribeiro

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