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Imagem: divulgação/PrimeVideo

Resenha | Sultana: o poder feminino por trás do novo filme turco

O drama revela as noites de Istambul e temas pouco abordados pelas produções turcas

 

O filme turco Sultana, que estreou no último dia 17 no Prime Video, conta a história de Meral (Tuba Büyüküstün), a veterana estrela do famoso clube de striptease Sultana, em Istambul. Ao acolher a jovem e talentosa dançarina bielorrussa Anna (Derya Pınar Ak), Meral, inicialmente, torna-se sua mentora e protetora. Entretanto, à medida que a novata conquista espaço, ela percebe que criou uma possível rival, capaz de ameaçar seu posto no clube. 

Além de Tuba Büyüküstün e Derya Pınar Ak, também estão no elenco: Seray Kaya, Rojbin Erden, Taro Emir Tekin, Şirin Saldamlı, Hakan Kurtaş, Itır Esen, Nur Sümer, Çağlar Çorumlu, Begüm Akkaya.  

Sultana oferece uma abordagem interessante sobre o poder feminino, a rivalidade e a solidariedade entre mulheres. A produção, dirigida por Ali Kemal Güven, coloca em cena a ambição, as contradições e as escolhas das próprias mulheres. A proposta do longa destaca-se por situar sua história em um ambiente noturno pouco convencional para narrativas turcas mais conhecidas. 

Principais acontecimentos de Sultana

Imagem: divulgação/Egetelgraf

A rivalidade entre Meral e Anna

Meral é a figura consolidada do clube. Anna  chega como uma dançarina talentosa e recebe a proteção de Meral. Quando a jovem passa a representar uma ameaça à posição da veterana, a relação entre as duas se transforma em uma disputa por poder e reconhecimento.

A posição das dançarinas está ligada à visibilidade, ao prestígio e à disputa por espaço. O machismo pode ser percebido na transformação das mulheres em objetos de desejo e em figuras cujo valor parece depender de sua aparência, juventude e capacidade de atrair atenção. O corpo feminino deixa de ser apenas uma expressão de identidade e passa a funcionar como instrumento de competição.

A vida dessas mulheres é ditada por homens maus

No longa, o machismo é escancarado a partir das relações de poder estabelecidas entre homens e mulheres, com os personagens masculinos incitando a rivalidade entre as femininas, agindo com extrema violência física e verbal, além do poder absoluto que exercem sobre elas. Esses homens têm total controle sobre suas vidas. 

Políticos e empresários que detêm grande poder e influência usam essas mulheres jovens e bonitas em prol dos próprios interesses econômicos, mantendo sua imagem pública intacta. 

A reflexão ganha força quando se considera como a validação masculina e as hierarquias de poder podem contribuir para essa dinâmica, desviando a atenção das condições que a produzem e concentrando o confronto nas próprias mulheres.

Imagem: divulgação/Cgtnturk

Lições deixadas pelo filme

A solidariedade feminina pode coexistir com a rivalidade

A relação entre Meral e Anna mostra como o apoio entre mulheres pode se transformar quando surgem disputas por reconhecimento. O filme também levanta a possibilidade de que a competição não seja o único caminho para enfrentar as dificuldades.

O poder exige escolhas e tem um preço

A posição de Meral não está garantida para sempre. A chegada de uma nova dançarina evidencia como hierarquias, prestígio e influência podem mudar, colocando em questão até onde alguém está disposto a ir para preservar o que conquistou.

Mulheres podem ser protagonistas da própria história

Em vez de colocar as personagens apenas na posição de vítimas à espera de salvação, a narrativa as apresenta como mulheres que enfrentam conflitos e disputam o controle de seus destinos. Essa perspectiva é destacada pela própria apresentação do filme no Festival de Cinema de Istambul.

Nem toda relação é o que parece

O acolhimento inicial entre Meral e Anna ganha outra dimensão quando os interesses das duas entram em conflito. A história convida o público a refletir sobre confiança, ambição e os limites entre ajudar alguém e temer perder o próprio espaço. 

O que fica

Sultana não aborda apenas os bastidores de uma boate. O ambiente funciona como cenário para discutir a construção do poder feminino, a pressão pela manutenção do próprio lugar e a relação contraditória entre competição e solidariedade. A transformação da relação entre Meral e Anna concentra os principais conflitos e a reflexão sobre o que significa conquistar, dividir e perder poder.

A escolha desse universo também diferencia o longa de narrativas turcas mais familiares ao público internacional, ao colocar mulheres que trabalham à noite no centro da história, com seus próprios interesses, conflitos e decisões. Além de explorar temas pouco habituais nas produções turcas de grande circulação no cinema ou na televisão. 

No longa, as mulheres não são retratadas como vítimas de um conto de fadas, mas como guerreiras que descobrem como o “príncipe encantado” pode se revelar o verdadeiro vilão, e que, apesar de tudo, são capazes de salvar umas às outras.

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Texto revisado por Gabriela Matuk 

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