Em parceria com a jornalista Mariana Oliveira, ministra do STF apresenta obra que explica cidadania, Constituição e voto para crianças de 8 a 11 anos
Democracia pode ser um assunto bem complicado até para adultos, e para crianças não seria diferente. Explicar conceitos como cidadania, Constituição, participação política e voto exige mais do que simplesmente apresentar definições e seus significados. É a partir dessa ideia que a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia e a jornalista Mariana Oliveira lançam O Livro da Democracia, publicado pela Editora Mostarda, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
Com lançamento previsto para a primeira quinzena de setembro, a obra chega ao evento, que acontece de 4 a 13 de setembro no Distrito Anhembi, com uma proposta voltada para os leitores de 8 a 11 anos. Em vez de seguir o formato tradicional de uma cartilha escolar, o livro utiliza perguntas, curiosidades históricas e recursos visuais para apresentar conceitos fundamentais da democracia de maneira acessível e interativa.
Uma história que começa na Grécia Antiga e chega ao Brasil

O Livro da Democracia percorre diferentes momentos da história para mostrar como a ideia de democracia foi construída e transformada ao longo do tempo. A narrativa passa pela origem do conceito na Grécia Antiga, pela ditadura militar brasileira e pela Constituição de 1988, além de explicar o funcionamento dos Três Poderes e a importância do voto.
A proposta é não entregar respostas prontas, mas incentivar os leitores a fazer perguntas e entender como a participação de cada pessoa se relaciona com a construção da sociedade.
“Democracia não é um conceito que se explica de uma vez só. É algo que se aprende perguntando, discordando, participando”, afirma Cármen Lúcia. “Este livro nasce da vontade de colocar essas perguntas nas mãos de quem vai, um dia, sustentar a democracia brasileira.”
Entre os temas abordados estão ainda os direitos, a urna eletrônica, a faixa presidencial e as lutas históricas pelo direito ao voto. O livro também apresenta o trabalho realizado diariamente para garantir que esses direitos sejam preservados.
Crianças ajudaram a construir a linguagem do livro
A produção da obra contou com a participação da produtora literária Sabichinho, responsável por projetos como Quem Manda Aqui? (2015) e Eleição dos Bichos (2018). A metodologia desenvolvida para o projeto partiu de oficinas com crianças, utilizadas para orientar tanto a linguagem quanto as ilustrações do livro.
A experiência prática também aparece em uma proposta que permite aos leitores simular uma votação em urna eletrônica. A atividade está disponível gratuitamente no site do projeto, ampliando a experiência para além das páginas da obra.
Outro diferencial é que a obra foi lançada sob a licença Creative Commons, que permite o uso e compartilhamento não comercial do livro por professores, bibliotecas e famílias.
Literatura como porta de entrada para a cidadania
A parceria entre Cármen Lúcia e Mariana Oliveira aproxima a experiência jurídica e a cobertura política de uma linguagem pensada especialmente para o público infantojuvenil. Enquanto a ministra atua como professora de Direito Constitucional e integra o STF desde 2006, Mariana Oliveira é jornalista profissional com atuação nas áreas política e jurídica.
A publicação também está alinhada à proposta da Editora Mostarda, que desenvolve projetos voltados à educação, à representatividade e à valorização de identidades historicamente invisibilizadas. O catálogo da editora inclui a Coleção Black Power, com biografias ilustradas de personalidades negras, e a Coleção Kariri, dedicada a lideranças indígenas brasileiras, além de iniciativas de acessibilidade, como edições em braile e versões com fonte ampliada.
Com O Livro da Democracia, a proposta é colocar um tema que costuma aparecer associado ao universo adulto no alcance das crianças, não para simplificá-lo demais, mas para mostrar que entender como a sociedade funciona também pode começar com uma pergunta aparentemente simples: afinal, o que é democracia?
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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz










