Cultura e entretenimento num só lugar!

Créditos: Julio Andrade

Entrevista | Rodrigo Tardelli fala sobre sucesso de Estranho Jeito de Amar e os bastidores da produção

Com mais de 10 milhões de acessos e 11 indicações internacionais, Rodrigo Tardelli celebra o sucesso de Estranho Jeito de Amar, série em que assumiu sua voz criativa e transformou uma narrativa delicada em um marco do audiovisual independente

Rodrigo Tardelli é um nome conhecido quando o assunto é: webséries nacionais independentes com temática LGBTQIAP+. Após integrar elencos fortes e de sucesso, agora ele dá vida ao intenso personagem Gael, na série Estranho Jeito de Amar, produção independente disponibilizada gratuitamente no YouTube e que aborda temas como dependência emocional e relacionamento abusivo na realidade de um casal gay. A série já ultrapassou a marca de 10 milhões de acessos e soma 11 indicações em diferentes festivais internacionais. 

A série também representa um marco na carreira de Rodrigo Tardelli, que assumiu o controle criativo do projeto, imprimindo sua visão artística com liberdade e coragem. Ao optar por uma produção independente, ele não apenas deu voz a uma narrativa urgente e sensível, mas também consolidou seu nome como criador, roteirista e ator de projetos autorais. 

Estranho Jeito de Amar conta com duas temporadas e aborda o abuso emocional de maneira intensa e sensível, jogando luz sobre um tipo de violência que, muitas vezes, passa despercebido, apesar de devastador. A trama acompanha a intensa e conturbada relação entre Gael (Rodrigo Tardelli) e Noah (Allan Ralph), um modelo paulista que conhece Gael durante uma pool party no Rio de Janeiro. Convidado a morar com ele, Noah se vê envolvido em uma relação marcada por controle e dependência emocional. 

Na recente fase estreada no YouTube, o modelo tenta se libertar, mas Gael não aceita o fim e faz de tudo para reconquistá-lo, desencadeando novos conflitos e reviravoltas emocionantes.

As duas temporadas foram um grande sucesso e alcançaram público em todo o território nacional e em diferentes países como México, Argentina, Índia e muito mais. 

Além de atuar no projeto, a idealização da série também partiu do ator. Ele se dedicou profundamente à construção do tema central e personagens. Consciente da responsabilidade de tratar um assunto tão delicado, mergulhou em pesquisas, ouviu relatos reais e procurou entender os silêncios e traumas que cercam esse tipo de relação. Interpretar Gael foi também um convite à sensibilidade — e à coragem de expor o que tantas vezes permanece escondido.

Gael é um personagem denso, que oscila entre gestos de carinho e atitudes de controle, um homem que confunde amor com posse e afeto com manipulação. Mas para saber mais detalhes da série, desafios da produção independente, preparação do Gael, indicações e demais detalhes, confira uma entrevista exclusiva com o ator. Leia agora: 

Entretetizei: Estranho Jeito de Amar marcou não apenas um sucesso estrondoso na sua trajetória, mas também um momento de virada, onde você assume ainda mais autonomia criativa, produzindo seus próprios projetos e sem estar vinculado fixamente a uma produtora. Como tem sido viver essa fase mais independente da sua carreira? Quais os desafios e conquistas que vêm junto com isso?

Rodrigo: Essa fase tem sido libertadora e desafiadora ao mesmo tempo. Pela primeira vez, me senti dono da minha própria voz criativa, podendo contar histórias da forma como eu realmente acredito, com liberdade estética e narrativa.

Mas isso também significa assumir todos os riscos: financeiros, emocionais e até de exposição. Cada conquista vem com muito suor nos bastidores, mas o retorno do público, as mensagens que recebo, os números que a série alcança… tudo isso mostra que vale a pena. É exaustivo, mas extremamente gratificante.

Rodrigo Tardelli posa de camiseta branca e jaqueta preta
Foto: divulgação/Júlio Andrade

E: Qual foi o maior desafio em transformar um tema tão delicado como o abuso emocional em uma narrativa audiovisual?

R: O maior desafio foi a responsabilidade. A gente sabia que estava falando de algo que dói, que é real, que muita gente vive em silêncio. Então o cuidado era diário, tanto no roteiro quanto nas atuações, para não romantizar, não suavizar, mas também não cair no sensacionalismo. A intenção sempre foi provocar reflexão. Mostrar como o abuso emocional pode ser sutil, envolvente, e como ele corrói a identidade de alguém aos poucos.

E: Você imaginava, no início, que a série teria tamanha repercussão e alcançaria mais de 10 milhões de acessos?

R: Nunca imaginei que iria tão longe. A gente começou a série com o coração na mão, com uma equipe reduzida e recursos bem limitados. O foco era contar uma história honesta. Quando os números começaram a crescer, eu fiquei em choque. Hoje, ver mais de 10 milhões de acessos e tantos comentários emocionados é surreal. Me lembra que o público está sedento por histórias reais e representativas.

E: Como você lidou com o peso emocional de interpretar alguém que comete abusos, sem cair na caricatura ou julgamento?

R: Foi um dos papeis mais difíceis da minha vida. Gael é denso, manipulador, mas humano. Eu precisei entender a dor dele, sua necessidade de controle, seu vazio. Não para justificar, mas para dar verdade ao personagem. O mais difícil foi não julgar. Eu queria que o público julgasse, não o ator. Muitas vezes eu saía das cenas exausto, me questionando sobre limites, sobre o impacto daquilo em mim e nos outros. Mas foi um processo transformador.

E: Você recebeu relatos de pessoas que reconheceram vivências abusivas após assistirem à série. Qual foi a mensagem mais marcante que chegou até você?

R: Recebi muitas mensagens emocionantes, mas me marcam as pessoas que dizem que muitas vezes não conseguem continuar algumas cenas ou episódios porque acabam vendo no Gael na tela, alguém do passado que machucou muito, uma situação, uma fala parecida… Aquilo me desmontou. É por isso que eu faço o que faço, para atravessar as pessoas. 

Rodrigo Tardelli posando em estúdio
Foto: divulgação/Julio Andrade

E: Como foi viabilizar uma produção independente com poucos recursos, mas com tanta qualidade artística e técnica?

R: Foi um verdadeiro milagre coletivo. A gente teve que ser criativo em tudo: locações, iluminação, cronograma. Muita coisa foi feita na base da amizade, do afeto e da garra. Eu tenho um time talentoso e comprometido, que vestiu a camisa do projeto mesmo sem garantias. Cada detalhe foi pensado com muito cuidado, porque sabíamos que, mesmo sendo independente, o público merecia qualidade.

E: O que representa para você as indicações da série em festivais internacionais?

R: É um reconhecimento que aquece o coração. Significa que, mesmo com todas as dificuldades, conseguimos tocar pessoas além das fronteiras. Que uma história LGBT brasileira, feita de forma independente, pode sim ser celebrada no mundo todo. Me sinto muito orgulhoso da nossa trajetória e de estar colocando o Brasil no mapa das narrativas queer com verdade.

E: Você pretende continuar abordando temas delicados em futuros projetos? Há algo novo que já pode nos contar?

R: Com certeza. Eu acredito que o audiovisual tem o poder de provocar mudanças, seja emocionando, incomodando ou gerando empatia. Já estamos desenvolvendo novos projetos que continuam nesse caminho: trazendo temas complexos, com representatividade e profundidade. Ainda não posso revelar muito, mas vem coisa forte por aí. E mais uma vez… Feita com o coração na frente de tudo.

Gostou da entrevista? Conta pra gente e nos siga nas nossas redes sociais — Facebook, Instagram e X —para mais informações sobre o mundo turco.


Leia também: Entrevista|Nursel Köse comenta sobre sua personagem em Uzak Şehir, com direito a bastidores da novela turca

 

Texto revisado por Karollyne de Lima

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Acesse nossa política de privacidade atualizada e nossos termos de uso e qualquer dúvida fique à vontade para nos perguntar!