José Szwako investiga como a extrema direita mobiliza a ciência para enfraquecer instituições democráticas
Em Negacionismos & Extrema-Direita (2025), lançado pela Editora Telha, o professor de sociologia José Szwako analisa como o negacionismo se consolidou como um fenômeno político e cultural estratégico no ataque à ciência, à democracia e aos direitos. Longe de ser um simples erro de informação ou desvio irracional, o negacionismo é apresentado como uma prática organizada, com raízes profundas e impactos concretos na vida pública.

A obra investiga de que maneira discursos reacionários lançam dúvidas infundadas sobre instituições democráticas e corroem um dos pilares centrais da vida em sociedade: a confiança coletiva. Ao questionar consensos acadêmicos e substituí-los por narrativas conspiratórias, esses movimentos capturam o debate público, fragilizam eleições, desacreditam órgãos de controle e a imprensa e criam um ambiente propício à desinformação. O resultado é a erosão gradual da legitimidade do regime democrático.
“O livro nasce do desejo de contribuir para o debate público sobre o negacionismo de forma nuançada e informada, partindo da ideia de que ele não pode ser entendido como mero problema individual ou cognitivo. A obra reúne o conhecimento acumulado sobre o tema no Brasil e no mundo, aproximando pesquisas e experiências que costumam circular separadamente. Ao mesmo tempo, procura escutar e valorizar as vozes de grupos democráticos da sociedade civil, que enfrentam essas disputas no cotidiano e ajudam a pensar caminhos possíveis para a defesa das ciências e da democracia”, afirma José Szwako.
O autor também demonstra como o negacionismo intensifica a polarização social e alimenta a instabilidade política. Ao sustentar a ideia de que governos democraticamente eleitos seriam, por definição, ilegítimos, abre-se espaço para práticas antidemocráticas, como a recusa ao diálogo e a naturalização da violência política. Nesse cenário, adversários passam a ser vistos como inimigos, dificultando consensos mínimos para enfrentar problemas complexos.

Mais do que denunciar distorções, Negacionismos & Extrema-Direita (2025) propõe uma mudança de perspectiva. A obra questiona a narrativa de que a ciência estaria em crise e aponta um paradoxo: no Brasil, ela ainda desfruta de amplo prestígio social. É justamente essa autoridade reconhecida que possibilita sua instrumentalização política e econômica. O negacionismo, portanto, não nega simplesmente a ciência; ele a mobiliza de forma estratégica para produzir dúvidas artificiais sobre políticas públicas, intelectuais e sobre a própria democracia.
Sobre o autor

José Szwako é professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). É pesquisador do CEBRAP e do INCT Participa, bolsista da FAPERJ e Procientista. Ao lado de Maria Carlotto, coordenou o GT Negacionismos e Autoritarismos da ANPOCS e, com José Luiz Ratton, organizou o livro Dicionário dos Negacionismos no Brasil (CEPE Editora), finalista do Prêmio Jabuti em 2023.
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Texto revisado por Kaylanne Faustino









