A 29ª edição da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de São Paulo já tem data e tema marcados; venha relembrar a história e importância do movimento
A Avenida Paulista, palco de eventos famosos que marcaram a história do Brasil durante toda sua existência, está se preparando para receber mais uma vez a maior Parada do Orgulho LGBTQIA+ do mundo. A 29ª edição da Parada LGBTQIA+ de São Paulo está marcada para acontecer no dia 22 de junho de 2025, num domingo, a partir das 10h, na avenida mais famosa do país. Neste ano, o evento traz como tema Envelhecer LGBT+: Memória, Resistência e Futuro.

É muito importante que um evento dessa magnitude traga aos holofotes uma questão tão delicada quanto a urgência de iniciar debates sobre a realidade das pessoas idosas LGBTQIA+ no Brasil. A Parada celebra o orgulho de uma maneira linda, e é uma das festas mais bonitas de se acompanhar anualmente no país, mas não podemos nos deixar cegar pela bolha que ela cria. É indispensável analisarmos o tema a fundo e refletirmos sobre os problemas que o evento busca iluminar.
Segundo dados divulgados pelo estudo da Organização Grupo Gay da Bahia (GGB) — a mais antiga associação brasileira em defesa dos direitos LGBTQIA+ ainda em atividade —, o Brasil liderou, em 2024, o ranking mundial de homicídios e suicídios de pessoas da comunidade LGBTQIA+. Esses são números que jamais devem ser ignorados, pois nos evidenciam que falar sobre idosos dentro da comunidade é também falar sobre pessoas que resistiram à violência, ao preconceito e à rejeição interna e social. É falar sobre pessoas que superaram a expectativa de vida num país que se nega a reconhecer sua brutalidade contra essas vidas. Por isso, essas pessoas merecem um espaço seguro para serem celebradas, e servirem de exemplo para as próximas gerações que estão por vir.
“Celebrar o orgulho LGBT+ também é honrar quem abriu caminho antes de nós. Envelhecer é uma conquista, mas, para muitas pessoas LGBT+, ainda é um desafio marcado pelo abandono, pelo silenciamento e pela ausência de políticas públicas. Em 2025, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo levanta a voz por quem resistiu, construiu e segue sendo exemplo de coragem. Lutar pelo envelhecimento com dignidade é lutar para que nenhuma pessoa seja deixada para trás”, comenta Nelson Matias Pereira, presidente da APOLGBT-SP.

História
Como o propósito da edição deste ano é celebrar a memória e recuperar histórias, é justo também relembrarmos a trajetória do próprio movimento até se tornar o que é hoje.
A ParadaSP, hoje reconhecida como a maior Parada do Orgulho LGBTQIA+ do mundo, é organizada pela APOLGBT-SP, uma ONG que surgiu da mobilização de ativistas e voluntários que se uniram para construir um espaço de visibilidade e resistência. O evento teve sua primeira edição em 28 de junho de 1997, inspirado por movimentos semelhantes que já aconteciam nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, e reuniu, de cara, cerca de 2 mil pessoas na Avenida Paulista.
Desde então, como a maior parte das festividades de rua no país, a Parada passou a crescer a cada ano, se consolidando aos poucos como uma celebração já aguardada no mês de junho — o Mês do Orgulho — na cidade. Segundo a Secretaria Municipal de Turismo de São Paulo (SPTuris), o evento é o que mais atrai turistas para a capital paulista. Autoridades estimam que, em 2011 e 2022, o evento tenha reunido 4 milhões de pessoas, nos maiores atos da Parada até hoje.
Ano passado, a 28ª edição levou à Avenida Paulista o tema Basta De Negligência E Retrocesso No Legislativo: vote consciente por direito da população LGBT+, que buscava reafirmar o compromisso de combater o preconceito e apoiar representantes que promovam políticas públicas afirmativas, o auge de público foi de 73,6 mil pessoas.

E se hoje tanta gente pode ocupar as ruas com orgulho, é porque, antes disso, muitas pessoas enfrentaram repressão, preconceito e violência para abrir o caminho. Uma delas, talvez a mais importante de todas, foi a Drag Queen Kaká Di Polly (1960-2023), artista lendária, reconhecida até hoje por seu ato de coragem em 1997, quando deitou no asfalto da Paulista, para parar o trânsito, e permitir que a Parada acontecesse pela primeira vez. Kaká, e muitos outros que ajudaram a erguer esse evento infelizmente já partiram, mas deixaram para trás uma herança de luta que segue viva.

Destaques
Com décadas separando sua estreia dos dias de hoje, a Parada já foi cenário de muitos momentos que valem a pena serem relembrados enquanto nos preparamos para a 29ª edição.
Todos os anos temos presença marcada de celebridades brasileiras — aliadas da causa ou parte da comunidade — entre o público. Só no ano passado, por exemplo, tivemos nomes como Pabllo Vittar (São Amores e Alibi), Sandra Sá (Retratos e Canções) e Glória Groove (Nosso Primeiro Beijo) em cima dos trios elétricos, além de nomes como o da atriz e apresentadora Adriane Galisteu, do ator Tiago Abravanel e da influenciadora Blogueirinha entre os presentes.
Mas também, como a maior parada do mundo, a festa de SP não deixa a desejar no quesito atenção internacional. Destaques para a edição de 2016, quando o elenco de Sense8 marcou presença com a gravação de cenas da segunda temporada da série — que na época ressoava muito com o público gay, à medida que convidava os espectadores a questionarem preconceitos — enquanto a Parada acontecia, e para 2019, quando a ex-Spice Girl, Mel C, foi a atração principal de um dos trios.

Outras edições já contaram com a participação de grandes nomes da música brasileira, como Daniela Mercury, Anitta, Iza, Ludmilla, Karol Conká, Lexa, e muitos outros artistas que ajudaram a dar visibilidade ao evento.
O impacto da Parada é tão grande que, em 2006, sua 10ª edição reuniu cerca de 2,5 milhões de pessoas e entrou para o Guinness Book (o Livro Mundial dos Recordes) como a maior parada do gênero no mundo até então.
Por fim, é importante ressaltar que além do caráter festivo, a Parada sempre foi um espaço de reivindicação e transformação política, como os protestos marcantes que exigiam o fim da proibição da doação de sangue por homens gays — medida que só veio a ser derrubada pelo STF em 2020 — e o surgimento da Marcha do Orgulho Trans, em 2018, que desde então acontece paralelamente à Parada e fortalece ainda mais a luta por direitos e visibilidade para pessoas trans no Brasil.
A Parada já nos entregou de tudo: looks icônicos, uniões estáveis sendo oficializadas, shows inesquecíveis… Mas, acima de tudo, ela renova, ano após ano, a esperança de um futuro onde a luta não precise mais existir, e que só reste a festa e o amor. A edição de 2025 vem aí prometendo fazer jus a tudo isso, e a gente vai estar de olho em cada detalhe!
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Texto revisado por Laura Maria Fernandes de Carvalho









