Entenda a importância do período sagrado para a comunidade muçulmana ao redor do mundo
O Ramadã começa hoje (28) e preparamos um especial para você entender a importância desse período para a comunidade muçulmana. Mais do que um mês de jejum, é um período de conexão espiritual, reflexão e caridade.
O início do Ramadã muda a cada ano, pois é determinado pela observação da lua crescente ao final do oitavo mês islâmico. Em 2025, ele se inicia hoje (28) e termina com o Eid al-Fitr, a celebração do fim do jejum, marcando o início do próximo mês lunar, Shawwal.
O que é o Ramadã?
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O Ramadã é o nono mês do calendário lunar islâmico e o mais sagrado para os muçulmanos. Acredita-se ter sido nesse período que o profeta Muhammad recebeu a revelação do Alcorão, através do arcanjo Gabriel.
Durante o Ramadã, os fiéis se dedicam ao aprimoramento espiritual e ao autocontrole. As práticas incluem: aumento das orações diárias, jejum (saum) de alimentos e bebidas (incluindo água) e proibição da prática do fumo e relações sexuais do amanhecer ao pôr do sol. A leitura do Alcorão e atos de caridade e ajuda humanitária são encorajados pelos praticantes. Mais do que uma prática religiosa, o jejum é visto como um teste de autodisciplina e uma forma de se aproximar de Deus.
Como funciona?
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O jejum é uma das principais práticas do Ramadã e é recomendado para todos os muçulmanos que atingiram a puberdade e possuem saúde para realizá-lo. Ele começa antes do nascer do sol e se encerra ao anoitecer.
A primeira refeição do dia, chamada Sahur, é essencial para fornecer energia ao longo do período de jejum. Já a refeição de quebra do jejum, o Iftar, costuma ser feita em comunidade e começa tradicionalmente com o consumo de tâmaras e água.
Os turcos são muçulmanos?
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A Turquia é um estado laico, assim como o Brasil. No entanto, cerca de 97% da população é muçulmana, sendo a maioria sunita. Aproximadamente 66% dos turcos seguem os preceitos do Islã de forma ativa.
Apesar da forte influência religiosa no país, muitos artistas preferem manter suas crenças privadas. Alguns nomes conhecidos da mídia turca que seguem o Islã são os atores Burak Özçivit, Barış Baktaş, Yağmur Yüksel, Hande Erçel, Burak Deniz, Elçin Sangu e Fahriye Evcen.
Relato de Jaque Çetin, professora de turco
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A brasileira Jaqueline Rosa Çetin, natural de Santa Catarina, converteu-se ao Islamismo quando tinha 15 anos. Ela foi criada em uma família tradicionalmente católica e enfrentou desafios para colocar em prática a sua religião:
“Eu me tornei muçulmana aos 15 anos, em um momento de busca e questionamento. Cresci em uma família católica, mas queria respostas que fizessem sentido para mim. Através da internet, conheci pessoas que me orientaram e me enviaram materiais sobre o Islã.
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Meu primeiro Ramadã foi um desafio. Eu ainda morava com minha família, que não aceitava minha escolha religiosa. Eles tentavam me proteger, tinham uma visão baseada em estereótipos. Mesmo assim, consegui jejuar algumas semanas e esse período simbolizou minha persistência e fé. Não consegui realizar todas as práticas do Ramadã, mas a primeira vez foi linda e muito significativa para mim.
O Ramadã não é para ser fácil. Ele é um desafio, um momento de desconforto para que possamos evoluir, mudar hábitos e nos conhecer melhor. Com o tempo, aprendi a me alimentar de forma adequada para suportar o jejum e a me concentrar nos benefícios espirituais do período.
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No final do Ramadã, sinto uma energia renovada, uma melhora psicológica e percebo que minha concentração aumenta. A prática também traz benefícios comprovados para a saúde.”
Ponto humanitário segundo Jaque
O Ramadã também é um momento de reflexão sobre as dificuldades dos mais necessitados. Segundo a declaração de Jaque, o jejum faz sentir na pele o que muitas pessoas vivem diariamente: a fome e a fraqueza humana. A caridade é um dos pilares do Ramadã. Todos os muçulmanos devem realizar doações obrigatórias ao final do período, ajudando aqueles que precisam. O objetivo é desenvolver mais empatia e gratidão, para ficarem mais atentos às dificuldades dos outros.
Mais do que uma prática religiosa, o Ramadã é um período aguardado com alegria pelos muçulmanos. Ele é visto como um momento de renovação espiritual, purificação e crescimento pessoal. Um convite para a reflexão e para se tornar uma versão melhor de si mesmo.
Relato de Hava Beyazitli Teixeira, tradutora e professora de turco
Hava Beyazitli Teixeira é uma turca residente no Brasil, CEO da empresa Mehraba Cultura Turca, professora e tradutora de turco, sendo responsável por várias traduções simultâneas de entrevistas no canal do YouTube do Entretetizei. Hava participou de entrevistas de atores como Mahassine Merabet, Yağmur Yüksel, Barış Baktaş, Devrim Özkan e Aytaç Şaşmaz. Ela cresceu em uma família tradicional turca e nasceu nos preceitos do Islã.
“Minha família é muçulmana e tradicional turca, mas não sou uma muçulmana 100% praticante. Estudei em uma escola tradicional islâmica e aprendi a ler o Alcorão. Para ler o Alcorão, você tem que aprender o alfabeto em árabe, mas tem a versão turca do livro sagrado que utilizamos para estudar a fundo. Morando no Brasil, tenho o Alcorão em português na minha casa.
Nunca usei véu no dia a dia, apenas em momentos especiais, como durante as orações e ao entrar em mesquitas. Na Turquia, as escolas religiosas oferecem cursos de três meses no verão para ensinar o Alcorão. Lá, aprendemos a recitá-lo em árabe, mas estudamos seu significado em nossa própria língua, já que o árabe é uma língua desafiadora. No meu país, a pessoa que memoriza o Alcorão inteiro é chamada de hafiz. Além disso, matérias sobre religião fazem parte do currículo escolar, desde o ensino básico até a universidade.
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Quando chega o período do Ramadã, as crianças ficam muito animadas. Quando eu era criança, acordava de madrugada com meus pais. Às vezes, minha mãe permitia que eu fizesse metade do jejum, então, ao meio-dia, após a oração, eu precisava comer algo. Durante esse período, as pessoas ficam mais unidas. Visitamos amigos e parentes para quebrar o jejum juntos. Comemos e conversamos bastante. Para aqueles que não têm família por perto, há organizações e casas de Ramadã que preparam refeições para que todos possam se alimentar e compartilhar esse momento especial. O Ramadã que mais me marcou foi o de 2021, pois foi o último que passamos juntos como uma única família.”
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Texto revisado por Larissa Suellen