Os figurinos dessas séries se tornaram tendência graças ao trabalho criativo de alguns principais figurinistas do audiovisual
Patricia Field, Eric Daman e Michele Clapton são nomes conhecidos entre os figurinistas do audiovisual, mas você sabe quais as produções em que eles participaram? A verdade é que muitas das séries famosas pelos seus figurinos trazem um responsável por toda a criação e comunicação visual do personagem que as pessoas ainda não conhecem bem.
Desde os anos 90, com uma forte popularização das séries de televisão, os jovens passaram a cada vez mais se sentirem inspirados pelo modo como os personagens se vestem, e até mesmo pelo estilo e gostos pessoais deles, mas todo o processo de criação do personagem vai além de dar personalidade a ele. As roupas são a principal forma de trazer essa expressão para o público e, para escolher os melhores trajes, os figurinistas fazem uma pesquisa aprofundada da melhor forma de trazer isso para as cenas.
Além desses nomes, por aqui você vai conferir mais designers que fizeram parte de séries conhecidas.
Sex and the City: Patricia Field com a revolução do luxo maximalista

A série lançada nos anos 90 se passa em Nova Iorque, uma das principais capitais de influência da moda, um perfeito cenário para trazer fashionistas para o público. A história traz a Carrie, Charlotte, Samantha e Miranda, que são amigas com personalidades e estilos diferentes, mas que fizeram sucesso com suas roupas cada uma da sua forma. Sex and the city teve um grande sucesso entre o público por trazer a vida das mulheres no auge dos seus 30 anos falando sobre carreira, amores e amizades, e acima de tudo, os figurinos que cativaram o público
A responsável por esse trabalho é Patricia Field, conhecida por ser uma das maiores figurinistas da televisão, ela tem um talento em transformar as roupas em narrativa. Sendo stylist, figurinista e empresária, seus trabalhos passaram a ganhar reconhecimento ao unir moda de luxo, streetwear e peças vintage dentro do enredo da série. Ela tinha como principal método criativo construir as narrativas visuais de forma que era possível entender o perfil de cada personagem

Carrie Bradshaw por exemplo, com seu estilo irreverente e livre, a transformou em um ícone fashion, usando do maximalismo e peças vintage. Já Charlotte representa a clássica elegância do estilo romântico, sempre com roupas mais delicadas que exalam feminilidade e sofisticação.
O figurino da Samantha traz o símbolo de independência e confiança, reforçando constantemente a sua personalidade forte e liberdade sexual, a qual é possível ver através dos decotes, tecidos brilhantes e alfaiataria marcante. Mas entre todas as quatro protagonistas, Miranda apresenta o estilo mais minimalista, de forma que é possível compreender seu amadurecimento pessoal.
Além desse trabalho, a Patricia esteve presente na construção de visual das personagens Miranda Priestley e Andy Sachs para o filme O Diabo Veste Prada, e também conta com indicações ao Oscar e Emmy, chegando a ganhar um prêmio por Sex and the City.
Gossip Girl: Eric Daman e o nascimento do preppy moderno

Figurinista norte-americano, Eric Daman chegou a trabalhar como assistente da Patricia Field durante três temporadas de SATC e revolucionou a moda na TV para uma nova geração ao assinar os figurinos de Gossip Girl no início dos anos 2000. Conhecido por ser responsável pelo boom do que ficou conhecido como preppy moderno, seu trabalho ganhou reconhecimento internacional ao retratar o modo de se vestir dos adolescentes da alta sociedade nova-iorquina.
Trazendo métodos aprendidos para seus figurinos, a construção visual entre os personagens é feita de forma diferente entre eles, ressaltando as personalidades e gostos pessoais de cada. É possível ver essa diferença entre as protagonistas Serena e Blair, onde, mesmo vivendo no mesmo ciclo social e eventos, Serena traz um estilo glamouroso e despojado, enquanto Blair possui peças perfeitamente planejadas, do estilo old money.
Eric, durante seu trabalho na série, trouxe ao público algumas tendências como o uso da estética de uniformes escolares, as tiaras entre adolescentes e também reconhecimento para algumas grifes como Elie Saab e Oscar de la Renta. Além de Gossip Girl, séries como The Carrie Diaries e Younger entram em seu portfólio.
Emily in Paris: o maximalismo colorido de Marylin Fitoussi

Com grande destaque para o maximalismo da protagonista desde a estreia, Emily in Paris deu o que falar na internet com a presença da americana na cidade do amor. A verdade é que, durante as duas primeiras temporadas, Patricia Field foi responsável pela assinatura dos figurinos, mas, a partir da 3ª temporada, Marylin Fitoussi foi quem assumiu o posto após trabalhar anteriormente com Patricia.
A figurinista francesa Marylin tem um trabalho principalmente marcado pelo uso de cores vibrantes e a mistura entre diferentes marcas de luxo. Em entrevista, chegou a compartilhar que a equipe tinha liberdade criativa para misturarem o que quisessem e aproveitou disso para criar a identidade visual da Emily. Sua proposta nunca foi representar a forma comum como uma parisiense se veste, mas sim criar um impacto de forma que desperta emoções e reforça a personalidade de cada personagem da série.
“ Bom gosto demais é chato”

Entre as duas personagens femininas que possuem mais destaque ao longo da série, é possível ver a diferença em suas personalidade e também no modo de se expressar através das roupas. Emily com seu visual chamativo traz o conceito do dopamine dressing, forma de se vestir intencionalmente com cores e acessórios que libera a dopamina, além da presença de muitas cores e estampas, fazendo das roupas uma extensão da sua personalidade. Já Sylvie representa a clássica elegância francesa em seu estilo cotidiano e também em eventos, esclarecendo entre esse contraste as personagens
Antes do trabalho em Emily in Paris, Marylin já acumulava produções francesas em seu portfólio, mas, com a série, passou a ter reconhecimento internacional. Com indicações ao Primetime Emmy Awards por melhor figurino contemporâneo e para o Costume Designers Guild, a figurinista chegou a receber condecoração como Chevalier des Arts et des Lettres pelo governo francês em 2024.
Game of Thrones: Michele Clapton e sua criação medieval fantasiosa

Com um sucesso mundial pela temática fantasiosa e medieval, Game of Thrones chama atenção dos fãs pela sua história, mas também teve seu destaque pelo figurino perfeitamente encaixados para o desenvolvimento, e Michele Clapton esteve por trás de todo esse processo.
A figurinista britânica foi a principal responsável por essa parte do projeto desde o início da série, e tornou-se uma das mais reconhecidas em produções de fantasia e de época. Seu trabalho teve como principal propósito realizar a construção visual de grande parte dos personagens e também da vestimenta característica das diferentes regiões de Westeros, mostrando que o figurino não é apenas estética, mas sim posicionamento.

Ao longo da série, é possível entender a origem e posição social do personagem só pela roupa. O trabalho da figurinista trouxe diferentes cores, silhuetas e materiais para cada povo ou famílias. Uma personagem que pode ser citada como exemplo é a Sansa Stark, a qual o figurino muda conforme suas experiências, de uma aparência romântica e delicada a quando assume sua posição de uma jovem nobre, seu estilo passa a ficar com cores escuras e peças mais estruturadas e resistentes.
Graças ao sucesso de Game of Thrones, Michele recebeu quatro Emmys pelos figurinos na série, como também diversos reconhecimentos do Costume Designers Guild. O reconhecimento da estética de GOT se tornou referência até mesmo para coleções de alta costura e desfiles.
Bridgerton: Ellen Mirojnick e o regencycore

Além dos romances desenvolvidos em Bridgerton, a série fez um grande sucesso com a estética bem estruturada do regencycore, e a figurinista Ellen Mirojnick foi a responsável por dar início a essa identidade visual. Desde o uso das cores até o estudo do período, ela trouxe para as vestimentas dos personagens uma mistura de referências de diferentes períodos e da moda contemporânea.
Ellen esteve à frente do figurino da série apenas na primeira temporada, mas seu trabalho durante ela foi o suficiente para trazer uma certa popularidade entre os fãs da série, especialmente com os vestidos das personagens e a composição de cores para cada família. Dentro da história, é possível entender um pouco mais sobre cada família olhando apenas para suas roupas: a família Bridgerton, com os tons de cores mais suaves e tecidos mais delicados, trazia o elemento tradicional e sofisticado, já a família Featherington usava cores extravagantes e tecidos com mais estampas como forma intencional de chamar mais atenção entre a sociedade.

Além de servir como uma forma de diferenciar as famílias, as vestimentas também servem para entender as posições dentro da sociedade. Para a primeira temporada, Daphne tem o papel principal, e seu figurino acompanha perfeitamente sua narrativa, desde a jovem debutante estreando no mercado matrimonial da alta sociedade até o momento que se torna a esposa do Duque de Hastings.
O início da produção de Bridgerton chegou a ter mais de 7.500 peças de figurinos pois, além dos protagonistas, o desenvolvimento também envolve os figurantes estarem totalmente situados no universo da série. Mas o trabalho da Ellen não é reconhecido apenas por Bridgerton, ela também já trabalhou em outros sucessos como O Rei do Show, Malévola e Oppenheimer, chegando a ser indicada ao Emmy pela série e ao Oscar e ao BAFTA por Oppenheimer.
Friends: o casual dos anos 90 continua em alta

Com uma carreira de quase 50 anos, Debra McGuire é o nome responsável pelo figurino do grande sucesso dos anos 90, Friends, e esteve nas 10 temporadas da série. Ambientada em Nova Iorque, traz uma moda mais cotidiana para os personagens, na qual peças mais casuais como jeans, regatas, camisetas e vestidos se tornam composições estilosas, mas ainda assim diversificadas para cada personagem.
A construção dos personagens esteve voltada para peças que fossem fáceis de encontrar no guarda roupa dos jovens adultos da época, tornando os looks mais reconhecíveis e, décadas depois, ainda voltando como referências de moda. As escolhas de cores e peças de roupa eram totalmente influenciadas pela personalidade e acontecimentos da narrativa dos personagens. Enquanto as meninas tinham seus estilos pessoais de forma distinta mas ainda assim dentro do contexto casual, os meninos também possuíam suas identidades visuais de forma bem evidente.

Rachel é um exemplo que, no início da sua história, possui roupas mais simples e confortáveis devido sua condição de trabalhar como garçonete, mas ao passar a trabalhar em uma grife, suas peças se tornam mais elegantes. Mônica não foi pensada para ser uma personagem fashionista como a sua companheira de apartamento, mas seu guarda roupa acabou se tornando referência graças à casualidade. Para os homens, um exemplo curioso é como Joey, um ator desempregado, possuía uma jaqueta armani sem ter dinheiro, visto que, para a figurinista, o importante era as roupas ser coerente ao visual do personagem, e não para trazer uma realidade econômica.
Em 1999, McGuire recebeu indicação ao Emmy por Friends, mas seu trabalho também se estende a outros títulos como Freaks and Geeks (1999), 90201 (1998) e New Girl (2011). A figurinista também conta com indicações ao Costume Designers Guild e reconhecimento internacional em diversas séries que fizeram sucesso.
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Texto revisado por Luana Chicol










