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Quase 20 anos de estreia de Hannah Montana, a série que moldou uma nova geração da música pop

Miley Cyrus planeja fazer algo especial em homenagem aos 20 anos da série

O primeiro episódio do programa  Lilly, Do You Want to Know a Secret foi lançado no dia 24 de março de 2006, no Disney Channel. A série conta a história de Miley Stewat (Miley Cyrus), uma adolescente que precisa equilibrar uma rotina normal, com sua vida secreta como Hannah Montana, em shows e eventos de celebridades.

A personagem esconde sua verdadeira identidade com uma peruca loira e compartilha o segredo apenas com seu pai Robbie Ray (Billy Ray Cyrus), seu irmão Jackson (Jason Earles) e seus melhores amigos Lilly (Emily Osment) e Oliver (Mitchel Musso).

A série teve quatro temporadas no Disney Channel, até 2011, e deu origem ao Hannah Montana: O filme que arrecadou mais de 70 milhões de bilheteria. 

hannah montana
Foto: reprodução/Disney Channel

O impacto do seriado está marcado em toda criança que acompanhava a vida dupla de Hannah Montana ao longo das temporadas. E é claro, também serviu de inspiração para inúmeros artistas da música pop. 

A exemplo disso, a artista Sabrina Carpenter disse em uma entrevista com Gibson Johns, do programa In The Know, de que forma Hannah Montana inspirou ela a seguir uma carreira artística, voltada para a música pop: 

Lembro de ter seis anos e assistir ao episódio piloto de Hannah Montana e pensar: ‘Eu quero fazer isso, eu quero cantar, atuar e dançar. Eu quero fazer todas essas coisas.’

Em 2009, Sabrina conquistou o terceiro lugar no concurso de Miley Cyrus chamado The Next Miley Cyrus Project. Essa colocação abriu espaço para a carreira musical da cantora, além de garantir espaço na série Garota Conhece o Mundo, também do Disney Channel.

Confira a apresentação da Sabrina:

Mas Carpenter não foi a única que levou a série como inspiração para a construção da sua carreira. O que é chamado de efeito Hannah Montana pela Rolling Stones, também atingiu Chappell Roan e Olivia Rodrigo.

Roan até fez uma performance de Hannah Montana em um de seus shows, no ano de 2023.

hannah montana

Agora, Olivia Rodrigo teve uma história parecida com a de Carpenter, atuando na mesma emissora e logo em seguida alavancando a carreira musical. A artista descobriu o seu amor pela música pop quando começou a assistir a série estrelada por Miley Cyrus. 

Olivia tem fotos de quando era criança, que mostra a sua paixão pela música, e principalmente pelas estrelas da Disney, como Miley, Demi Lovato, Jonas Brothers e mais.

hannah montana
Foto: reprodução/Reddit

Essas artistas conseguiram construir seu próprio estilo baseado em uma série que aborda a autodescoberta, amor próprio, frustrações, relacionamentos amorosos, amizade, e muito mais. 

E as músicas das cantoras também se aproximam muito dessa narrativa. Músicas que fazem sucesso no meio pop, como Manchild, de Sabrina; Femininomenon, de Chappel ou Good 4 u, de Olivia Rodrigo, carregam a essência e a estética da série.

Quais os planos de Miley para comemorar os 20 anos de Hannah?

Além de moldar uma geração inteira de fãs e artistas, falta pouco para a comemoração de 20 anos do primeiro episódio de Hannah Montana.

Em uma entrevista para a rádio SiriusXM, Miley diz: “Quero criar algo realmente muito especial, porque foi realmente o começo de tudo isso que está aqui hoje. Sem Hannah, realmente não existiria esse eu“.

Em 2016, na comemoração de dez anos de estreia, a cantora fez um post especial e muito emocionante nas suas redes sociais. Na publicação, Miley agradece a oportunidade de ter interpretado a personagem e diz que sempre vai ter um lugar especial no seu coração.

hannah montana
Foto: reprodução/Disney Channel

Nas últimas semanas, alguns fãs da artista foram às redes sociais depois de receberem um convite do Spotify para  o evento An Evening With Hannah Montana (Uma Noite com Hannah Montana).

Os fãs da cantora especulam nas redes sociais que o convite foi exclusivo para quem estava escutando o novo álbum da cantora, Something Beautiful, com frequência. E essa é uma das estratégias para aumentar o número de reproduções do álbum na plataforma.

Depois dessa surpresa, os fãs da cantora e da série já estão ansiosos, e criam expectativas para as comemorações deste aniversário. Miley afirmou que está planejando algo, mas que não pretende fazer nenhuma turnê por enquanto.

E aí, também está animado para saber o que vem por aí? Conta pra gente e siga o Entretê nas redes sociais — Insta, Face e X — para ficar por dentro de outras notícias do mundo do entretenimento.

Leia também: Miley Cyrus lança Something Beautiful, seu mais recente álbum de estúdio

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana

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Cinema Notícias

Streaming anuncia data de estreia, pôster oficial e primeiras imagens de Caramelo, novo filme com Rafael Vitti e o cãozinho Amendoim

Longa chega dia 8 de outubro ao catálogo e promete emocionar com uma história de amizade e superação

Prepare-se para se emocionar: Caramelo, novo filme estrelado por Rafael Vitti e o carismático cão-astro Amendoim, estreia em 8 de outubro no streaming. O lançamento ganhou pôster oficial e um teaser inédito divulgado pela Netflix, abordando os desafios da vida de quem é pai de pet e como alguns encontros entre o homem e seu melhor amigo podem transformar vidas.

No filme, Pedro, interpretado por Rafa Vitti, é um dedicado chef de cozinha próximo da realização de um sonho: comandar o próprio restaurante. Até que sua vida vira de cabeça para baixo quando um diagnóstico inesperado muda a rota de seus planos. Ao lado do vira-lata caramelo Amendoim, ele embarca em uma jornada emocionante de redescoberta, aprendendo a valorizar o presente.

Carismático e cheio de personalidade, Amendoim vai deixar corações quentinhos. O cãozinho não é apenas o “melhor amigo” do protagonista, mas também o coração do filme. Como um ator nato, suas interações naturais em cena dão autenticidade à trama e reforçam a força da relação entre humanos e pets, que é o tema central de Caramelo.

TEASER

Sob a direção de Diego Freitas, Caramelo ganha vida com um elenco de peso. A produção conta com: Arianne Botelho, Noemia Oliveira, Ademara, Kelzy Ecard, Bruno Vinicius, Roger Gobeth e Olívia Araújo, além de Cristina Pereira, Carolina Ferraz, e uma participação especial da chef Paola Carosella.

Em sua primeira colaboração com a Netflix, a Migdal Filmes assina a produção de Caramelo. O roteiro nasce de uma ideia original de Diego Freitas, desenvolvida em parceria com Rod Azevedo e Vitor Brandt, com colaborações de Carolina Castro e Marcelo Saback. Para garantir a segurança e todo o cuidado necessário aos animais, o filme contou também com o treinador Luis Estrelas e a consultoria do treinador americano de Mike Miliotti (Garfield – O Filme, 2004).

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Leia também: Passagrana: tudo sobre a trama intensa do novo filme nacional

 

Texto revisado por Cristiane Amarante

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Entrevista | M.G. Ferrey: “O livro de fantasia não serve para escapar da realidade, mas para olhá-la de outro ângulo”

Autora é a mente criadora de Aquorea, reino subaquático repleto de mistérios

M.G. Ferrey, escritora portuguesa, escolheu o Brasil para ambientar a romantasia Aquorea: Inspira — obra que se passa em um universo fantástico e subaquático. O livro, sucesso de vendas em Portugal, acaba de chegar às livrarias brasileiras pela Editora Galera e promete fisgar os amantes de fantasia e de romances mágicos. 

Ferrey, na verdade, é formada em Psicologia Clínica, mas seu sonho era viver da escrita. Intrigada pela mente humana, afirma que este histórico profissional a acompanha no momento de desenvolver suas histórias e personagens. “A minha escrita é muito emocional — e isso vem, em parte, da escuta ativa, da empatia e da observação clínica que a psicologia me ensinou”, explica. 

Nas páginas de Aquorea, o leitor conhecerá Arabela, uma jovem que vê seu mundo virar de cabeça para baixo ao desvendar segredos familiares. A trama se desenrola a partir do momento que Arabela realiza uma viagem ao Brasil para o funeral do avô. Quando ela acorda após sofrer um acidente — é arrastada pelas cataratas da Garganta do Diabo — acaba se surpreendendo ao encontrar o avô que deveria estar morto. Arabela tem, assim, a sua vida revirada, tendo que descobrir e se adaptar a uma realidade completamente diferente.

A garota será resgatada pelo estranho Kai, um guerreiro subaquático e mal-humorado que a levará para conhecer Aquorea, mundo milenar que prosperou a milhares de metros abaixo do nível do mar. Embora tenham algumas diferenças entre eles, os dois precisarão abandoná-las, já que uma onda de misteriosos assassinatos chega para desestabilizar o reino.

Em entrevista, M.G. Ferrey discorre sobre a construção de universos fantasiosos, mitologia e a importância de se preocupar com a complexidade psicológica dos personagens. Confira!

Foto: reprodução / Galera Record

Entretetizei: Como surgiu a ideia de ambientar a história num reino submarino situado no Brasil?

M.G. Ferrey: A ideia de Aquorea nasceu da vontade de criar um mundo que fosse simultaneamente mágico e possível. E quando comecei a desenvolver o universo da saga, quis que fosse o Brasil — pela sua riqueza cultural, biodiversidade e força simbólica — a acolher um portal para este mundo escondido sob as águas. Quis ligar o real ao imaginário de uma forma emocionalmente poderosa, e isso ressoava com o que eu queria construir: um lugar onde a vida pulsa de forma visceral.

E: A Arabela vive uma experiência transformadora logo no início do livro. O que representa essa jornada para si, enquanto autora?

M.G. F: Para mim, a jornada da Arabela é também a jornada de quem escreve — e de quem lê. Ela é empurrada para um abismo, para um mundo que desconhece, mas onde, de alguma forma, pertence. A sua transformação representa a coragem de se desfazer das certezas, de questionar tudo o que sempre acreditou, e de mergulhar — literalmente — no desconhecido. Como autora, escrever essa queda e essa reconstrução foi quase terapêutico. Foi como revisitar os meus próprios medos e confiar que, mesmo nas profundezas, há sempre um caminho de volta à luz.

E: O Kai, o guerreiro subaquático, é uma personagem enigmática e cheia de camadas. Como foi o processo de criação desta figura?

M.G. F: O Kai foi uma espécie de tormenta criativa. Queria que ele não fosse “descodificado” facilmente. Era uma personagem que guarda tanto dentro de si, que me obrigou a escrever com mais silêncio, nas entrelinhas. Criei o Kai como um espelho quebrado — alguém que, por fora, parece forte e contido, mas por dentro carrega dores, perdas e um senso de dever que beira a obsessão. Foi uma das personagens mais desafiadoras de escrever… e das mais recompensadoras.

E: Consegue equilibrar elementos de fantasia com temas mais profundos, como o luto e a descoberta pessoal. Foi algo intencional desde o início?

M.G. F: Totalmente intencional. Para mim, a fantasia não serve para escapar da realidade — serve para a olhar de outro ângulo. Sempre quis que Aquorea fosse mais do que um lugar mágico: que fosse um reflexo das dores humanas, das nossas lutas internas, daquilo que tentamos esconder até de nós mesmos. O luto, a identidade, a pertença, a perda — tudo isso está ali. A magia é apenas o veículo. O que move a história são as emoções.

E: Há uma presença muito forte de mitologia e magia em Aquorea. Inspirou-se em mitologias existentes ou criou uma mitologia original para este universo?

M.G. F: Criei uma mitologia original, mas fui buscar inspiração a várias tradições. A ideia era construir uma cosmogonia própria — uma explicação simbólica da origem e funcionamento deste mundo subaquático — com uma lógica interna que respeitasse o equilíbrio entre natureza, poder e espiritualidade. É um sistema com regras, marcado por feridas antigas e memórias profundas. Quis que a magia fizesse parte do ecossistema, e não fosse apenas um adorno estético.

E: Os assassinatos misteriosos em Aquorea introduzem um elemento de suspense na narrativa. O mistério sempre fez parte do seu estilo de escrita, ou foi um novo desafio?

M.G. F: Foi um delicioso desafio. Sempre gostei de leituras que me deixam desconfiada, atenta, a tentar montar o quebra-cabeça. Quis trazer esse elemento de mistério para Aquorea como uma forma de manter o leitor alerta, mas também para mostrar que nem tudo o que parece mágico é inofensivo. A fantasia torna-se mais interessante quando tem sombras, quando há segredos perigosos e perguntas sem resposta. O suspense é um convite à curiosidade, à dúvida, à inquietação — e é isso que faz virar página atrás de página.

E: É formada em Psicologia Clínica. De que forma essa formação influenciou a criação das personagens e dos seus conflitos internos?

M.G. F: Influencia tudo. Costumo dizer que escrevo de dentro para fora. A formação em Psicologia ajudou-me a compreender as camadas do comportamento humano, os silêncios que dizem mais do que as palavras, os traumas que moldam quem somos. Gosto de criar personagens com profundidade, contradições, feridas que não são óbvias. A minha escrita é muito emocional — e isso vem, em parte, da escuta ativa, da empatia e da observação clínica que a psicologia me ensinou.

E: O que a levou a trocar o consultório pela escrita? Foi uma decisão repentina ou algo que amadureceu com o tempo?

M.G. F: Foi um processo. A escrita sempre esteve comigo, desde criança. Mas durante muito tempo, foi apenas um refúgio — um lugar onde eu podia ser livre. O consultório ensinou-me muito, mas também me drenava emocionalmente. Chegou um momento em que percebi que queria falar ao mundo de outra forma. A escrita não foi uma fuga. Foi um reencontro. Um lugar onde posso continuar a explorar a alma humana — mas através da ficção, com liberdade criativa e voz própria.

E: Já conquistou milhares de leitores em Portugal. Como tem sido a recepção do público brasileiro ao lançamento do livro no Brasil?

M.G. F: Está a ser um momento muito especial. O livro chegou ao Brasil há muito pouco tempo — foi lançado a 30 de junho — e os leitores estão agora a começar a recebê-lo, a mergulhar nesta história e a partilhar as primeiras impressões. Tem sido emocionante ver esse início de conexão. Sinto uma curiosidade genuína e uma abertura muito bonita para este universo. Claro que ainda é cedo, mas começo a sentir o calor e o entusiasmo do público brasileiro — e isso deixa-me profundamente grata e esperançosa. Mal posso esperar para acompanhar essa viagem com eles.

E: Como é o seu processo de escrita? Tem uma rotina definida ou escreve consoante a inspiração?

M.G. F: Tenho disciplina, mas não rigidez. Escrevo quase todos os dias, mesmo que sejam apenas frases soltas, ideias, diálogos que surgem. A inspiração, para mim, é uma consequência do hábito — aparece mais facilmente quando me sento e dou espaço para ela surgir. Claro que há dias em que tudo flui… e outros em que parece que estou a escrever com pedras. Mas faz parte. Escrever é resistência e entrega.

E: Que autores ou obras marcaram a sua formação como leitora e influenciaram a sua escrita?

M.G. F: Muitos. Clarice Lispector ensinou-me o poder do silêncio e do subtexto. V. E. Schwab, a construir mundos com alma. Margaret Atwood, a usar a ficção como faca política. Também me influenciam autores portugueses como Lídia Jorge, Dulce Maria Cardoso e José Luís Peixoto, cuja escrita me tocou em diferentes fases da vida. E, claro, o cinema, a música, a poesia… tudo o que me emociona e me faz pensar acaba por deixar marcas naquilo que escrevo.

E: Qual foi o maior desafio ao escrever Aquorea: Inspira — e qual foi o momento mais gratificante do processo?

M.G. F: O maior desafio foi manter o equilíbrio entre o mundo fantástico e a dor real que atravessa as personagens. Queria que os leitores se envolvessem emocionalmente, mas sem perder o ritmo da aventura. O momento mais gratificante? Quando comecei a receber mensagens de leitores a dizer: “Este livro salvou-me num momento difícil.” Aí percebi que Aquorea tinha deixado de ser só meu — e isso é o que dá verdadeiro sentido à escrita.

E você, ficou com vontade de ler Aquorea: Inspira? Nos conte em nossas redes sociais — Instagram, X e Facebook. E, se você gosta de trocar experiências literárias, venha participar do Clube de Leitura do Entretê, para conversar sobre leituras incríveis!

Leia também: Entrevista | Tigest Girma traz a mitologia da África Oriental em suas histórias

 

Texto revisado por Simone Tesser @simone_alleotti

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A Cor que nos Separa: o rosto do racismo por trás das máscaras

Em novo romance, o advogado gaúcho Daniel Tonetto expõe as feridas históricas do preconceito racial no Sul do país

Em 2026, Theodora Borges, após uma vida dedicada à Medicina, à Física Quântica e ao estudo do comportamento humano, é consagrada mundialmente ao receber o Prêmio Nobel. No discurso de agradecimento, ela revisita a trajetória da família, especialmente do tio Stéfano Veras, que nasceu pobre e foi criado em uma fazenda marcada pelo racismo. A partir dessa narrativa, Tonetto entrelaça passado, presente e futuro para denunciar as cicatrizes deixadas pelo racismo estrutural no Brasil.

Foto: reprodução/Avec Editora

O leitor é levado ao século XX, às planícies dos pampas gaúchos, onde Stéfano cresceu. Filho de uma benzedeira e de um tratador de animais, o jovem se destacava por sua inteligência e bondade. Contudo, logo se deparou com as desigualdades sociais e o preconceito, materializados na figura de Eunice, uma mulher rica conhecida por sua crueldade. Fugindo da violência e em busca de novas oportunidades, Stéfano muda-se para Santa Maria, mas encontra novos obstáculos e mais discriminação.

— O preconceito precisa ser vencido, e para isso acontecer não será através das sombras da violência ou de xingamentos.
— E como seria, então? — perguntou, indignado.
— Através do perdão! Acreditem, as pessoas realizadas e felizes jamais serão preconceituosas. Esse sentimento mesquinho nasce das frustrações daqueles que não alcançam o sonho que almejam.
(A Cor que nos Separa, p. 131)

Inspirado pela professora Suilnira — cujo principal objetivo de vida era combater a violência racial por meio dos livros —, Stéfano mostra como a educação pode ser uma ferramenta de libertação, mesmo quando tudo parece conspirar contra ele. Em contrapartida, Eunice representa como o ódio é perpetuado de geração em geração. Assim, ao entrelaçar a trajetória de personagens marcados pela dor e pela resistência, Daniel Tonetto convida os leitores a enxergarem as feridas históricas do Brasil que ainda permanecem abertas.

Misturando elementos de fé, cultura popular e luta social, o livro também homenageia figuras reais como Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela. A Cor que nos Separa apresenta uma narrativa tocante e necessária, que nos lembra: para construir um futuro mais digno, é preciso reconhecer os fantasmas do passado e enfrentá-los com coragem, verdade e humanidade.

A história de Theodora, Stefano e Eunice é, em muitos aspectos, um espelho das contradições que encontrei ao longo da vida: a brutalidade do preconceito, o peso da herança familiar, a força da redenção e o silêncio que habita tantos afetos interrompidos. Ao situar parte da narrativa nos pampas gaúchos, revisitei não apenas geografias físicas, mas memórias ancestrais, de terra, de luta, de sangue e de amor”, conclui o autor.

A Cor que nos Separa, de Daniel Tonetto, é publicado pela AVEC e pode ser adquirido em e-book na Amazon ou em formato físico no site da própria editora.

Sobre o autor

Graduado em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria, o escritor Daniel Tonetto é advogado criminalista, sócio fundador do MMT Advogados e professor universitário. Especialista em Ciências Criminais e mestre em Direito pela Universidade Autónoma de Lisboa, atualmente é doutorando pela histórica Universidade de Salamanca, na Espanha. É membro da Academia Santa-Mariense de Letras e da Academia de Letras e Artes de São Sepé-RS. A Cor que nos Separa já é considerado pela crítica seu melhor livro, entre obras de sucesso como a trilogia Crime em Família e Dois Caminhos. Para conhecer melhor o trabalho do escritor, não deixe de segui-lo no Instagram.  

Foto: divulgação/Daniel Tonetto

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Leia também: Em novos livros, autora do best-seller As Garotas discute liberdade feminina e disputas de poder entre homens e mulheres

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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Notícias Resenhas Séries

Resenha | The Sandman – O fim do Senhor dos Sonhos como o conhecemos

Entre despedidas e mudanças inevitáveis, o futuro do Sonhar permanece incerto, marcado por tensão, melancolia e reviravoltas dolorosas

[Contém spoiler]

Você sonhou na noite passada ou teve um pesadelo?

Saiba que, ao dormir, há um mundo de possibilidades: aventuras a viver, pessoas a conhecer e um lugar repleto de magia. Um reino misterioso, governado pelo Senhor dos Sonhos… talvez você já o tenha visitado.

Sandman está de volta com sua aguardada segunda temporada, dividida em duas partes. A série mais uma vez nos conduz a um universo denso e poético, onde sonhos, tragédias e dramas familiares se entrelaçam com perfeição. Baseada nos quadrinhos de Neil Gaiman, publicados pela Vertigo em 1989, a produção segue nos presenteando com uma narrativa profunda e visualmente cativante — desta vez, mergulhando ainda mais fundo nas feridas emocionais de Morpheus.

Foto: reprodução/ Instagram @thesandmanofficial

Logo nos primeiros episódios, percebemos que o aprisionamento de Morpheus na temporada anterior não passou em vão. Há mudanças sutis — e outras nem tanto — em sua forma de encarar o mundo desperto e próprias responsabilidades. 

Durante uma reunião familiar, acompanhamos o confronto entre os Perpétuos, em especial o embate entre Sonho e Desejo. Com sua língua afiada, Desejo lança verdades incômodas, daquelas que muitos pensam, mas poucos têm coragem de dizer. A cena evidencia que, mesmo entre famílias tão distintas, os desentendimentos são comuns e, acima de tudo, humanos.

Entre os irmãos, é Morte quem assume a voz da razão, trazendo reflexões  que forçam o Senhor dos Sonhos a olhar para si mesmo. Em um desses momentos, Sonho encara um antigo erro: seu romance com Nada, a primeira rainha de seu povo. Um amor intenso e impossível, que terminou em tragédia. Pela dor causada ao desafiar regras e destinos, Nada foi condenada ao inferno por dez mil anos — um castigo imposto por Morpheus, movido pelo egoísmo e pelo orgulho. 

Foto: reprodução/ Instagram @thesandmanofficial

Agora, arrependido após seu longo cativeiro, o Rei dos Sonhos recebe de Lúcifer a chave do Inferno. A entrega acontece de forma inesperadamente pacífica: o Reino está vazio, os demônios foram libertados e Lúcifer está pronto para partir.

Com a chave em mãos, Morpheus se vê diante de uma responsabilidade imensa. O objeto sagrado atrai convidados de diferentes reinos e dimensões, transformando-se em um banquete repleto de interesses e ameaças veladas. Após longas conversas e ponderações, a chave acaba retornando às mãos do próprio Criador, em um desfecho surpreendentemente.

É também neste momento que conhecemos Delírio, a irmã caçula de Morpheus. Frequentemente ignorada pelos irmãos, ela embarca com Sonho em uma jornada em busca de Destruição, o primogênito que decidiu abandonar seu posto. Essa busca, porém, cobra um preço alto: todos que se aproximam de Delírio e Sonho acabam enfrentando destinos trágicos, já que Destruição não deseja ser encontrado.

Foto: reprodução/ Instagram @thesandmanofficial

Durante a jornada, Morpheus reencontra seu filho, Orfeu, em um encontro de partir o coração. A relação entre pai e filho é marcada pelo distanciamento, pela dor e por lembranças não resolvidas. Apesar de ausente, Sonho sempre observou Orfeu à distância e agora carrega o peso de uma promessa: conceder ao filho a dádiva da morte, encerrando sua imortalidade. 

 

Ao lado da ilha onde estava Orfeu, Morpheus finalmente encontra Destruição, que reafirma sua decisão de não retornar. Ainda assim, deixa conselhos valiosos e oferece um presente a Delírio: um cachorro falante.

Essa primeira parte da segunda temporada deixa claro o quanto Morpheus mudou desde o início da série. O encontro com Nada, a busca pelo irmão perdido e, principalmente, a despedida do filho revelam um lado mais humano do Rei dos Sonhos. Pela primeira vez, vemos lágrimas em seus olhos. Pela primeira vez, ele lava as mãos ensanguentadas e se permite sentir a dor. É uma cena de agonia e beleza profundas, capaz de tocar até os corações mais céticos.

A segunda parte da série entrega uma narrativa intensa, marcada por tensão constante e uma melancolia crescente. Desde o primeiro episódio, paira a dúvida sobre o destino de Morpheus: seria possível que o Senhor dos Sonhos, tão poderoso, encontrasse seu fim? 

À medida que a morte se aproxima, Morpheus tenta, em vão, mudar o curso dos acontecimentos. Busca ajuda junto às Bondosas, mas ouve que as leis não podem ser quebradas. Nem mesmo seus pais, criadores das regras, estão dispostos a intervir — uma revelação que, ainda assim, permite ao público vislumbrar um pouco mais da origem do personagem.

Foto: reprodução/ Instagram @thesandmanofficial

O ponto de virada chega com a nomeação de Daniel, a criança concebida no Sonhar, como novo Senhor dos Sonhos. Antes de assumir, porém, ele é sequestrado, e sua mãe, ressentida com Morpheus, recorre às Bondosas com um pedido que não pode ser negado. O desfecho marca a despedida definitiva de Morpheus, acompanhado por sua irmã Morte, em uma cena de forte carga poética.

O funeral reúne figuras marcantes, incluindo seus irmãos eternos. Até Destruição, que havia se afastado, retorna brevemente para encontrar o sucessor e partir sem assistir à cerimônia. No final, a imagem de uma mãe abraçando o filho sela o encerramento dessa jornada. 

Ao final da primeira temporada, poucos poderiam imaginar o que a segunda revelaria. Dividida em duas partes, cada episódio foi permeado por incerteza e tensão crescentes. A morte de Morpheus e a ascensão de Daniel ao trono do Sonhar trouxeram não apenas surpresa, mas também uma profunda decepção para aqueles que acreditavam que o todo-poderoso Senhor dos Sonhos encontraria uma saída para o seu destino. Após essa reviravolta trágica, o encerramento da temporada deixou no ar a dúvida: The Sandman ainda merece figurar entre as séries favoritas de muitos espectadores?

E aí, ficou com vontade de assistir a nova temporada de Sandman? Conte para a gente e siga o Entretê nas redes sociais — Instagram, Facebook e X — para ficar por dentro de outras notícias do mundo do entretenimento.

Leia também: Ulaş Tuna Astepe e Deniz Baysal protagonizam a nova dizi Taşacak Ha Bu Deniz (Este Mar Vai Transbordar)

 

Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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Especial | Quais as novas dizis estreiam na TV na próxima temporada?

Confira os nomes e alguns detalhes das produções que estreiam na próxima temporada da Turquia

O outono no hemisfério norte se aproxima! Isso significa que o início da temporada principal de séries turcas vai começar. E neste ano de 2025, superando a temporada anterior, são planejadas – até o momento – o lançamento de quase 30 novas dizis. Divididas entre os principais canais de televisão do país, as produções irão estrear a partir do mês de setembro.

O Entretê apurou todas as produções anunciadas até o momento e preparou uma lista completa, separada por emissoras, para os fãs da diziland não perderem nenhum detalhe. Confira a seguir quais irão se juntar às outras séries que se encontram em hiatus nas programações de TV, além de todos os detalhes já revelados sobre cada uma delas.

Vale destacar que as informações podem mudar até a estreia das produções, além de não irem ao ar, caso as produtoras desistam dos projetos.

ATV

A.B.İ – Aile Bir İmtihandır (tradução livre: A Família é Um Teste)

Elenco: Kenan İmirzalıoğlu (Doğan) e Diren Polatoğulları (Behram)

Produção: OGM Pictures (Produtor -)

Roteiro: Eylem Canpolat, Deniz Gürlek, Melih Özyılmaz e Melek Seven

Direção: Yağmur Taylan e Durul Taylan

Data de estreia: Outubro

Foto nova dizi ABI.
Foto: reprodução/Instagram @ogm.pictures

Aynadaki Yabancı (tradução livre: O Estranho no Espelho)

Elenco: Simay Barlas (Azra/Defne), Onur Tuna (Alihan), Caner Topçu (Kaan), Nazlı Senem Ünal (Melda), Kerem Arslanoğlu (Serhan), Asuman Dabak (Hanzade), Ayten Soykök (Melahat), Emre Taşkıran e Sara Yılmaz (Leyla)

Produção: MF Yapım (Produtora – Asena Bülbüloğlu)

Roteiro: Pelin Gülcan, Lara Bulut Tecim e Batuhan Özbay 

Direção: Eda Teksöz

Data de estreia: a partir de setembro

Foto atores nova dizi.
Foto: reprodução/Instagram @1birsenaltuntas

Gözleri KaraDeniz (tradução livre: Olhos do Mar Negro)

Elenco: Halit Özgür Sarı (Azil), Özge Yağız (Güneş), Mehmet Özgür (Osman), Yonca Şahinbaş (Nermin), Mustafa Açılan (Mehmet), Ayten Uncuoğlu (Asiye), Erol Babaoğlu (Sado), Ebru Aykaç (Havva), Eren Ören (Dursun), Osman Albayrak (Kınalı), Onur Özaydın (Haki), Gizem Arıkan (Ayla), Berk Ali Çatal (Sancar), Türkü Su Demirel (Fatoş) e Özgür Çınar Deveci (Yunus)

Produção: O3 Medya (Produtor -)

Roteiro: Supervisionado por Ali Can Yaraş e escrito por Ayberk Çınar, Ayşin Akbulut e Simge Ayvazoğlu (episódios 1 e 2). A partir do terceiro episódio, assinados por Gamze Arslan e Cenk Boğatur, com Ali Can Yaraş como consultor de roteiro

Direção: Altan Dönmez e Orkun Çatak

Data de estreia: 2 de setembro (previsão)

Foto nova dizi Gözleri KaraDeniz.
Foto: reprodução/Instagram @dizilah

Aşk ve Gözyaşı (tradução livre: Amor e Lágrimas) / Adaptação do romance sul-coreano Rainha das Lágrimas (Queen of Tears, 2024)

Elenco: Hande Erçel (Meyra), Barış Arduç (Selim), Berk Cankat (Ercan), Ali İpin (Çetin), Senan Kara (Zuhal), Kubilay Tunçer (Aziz), Şenay Gürler (Yeliz), Sanem Çelik (Dilşah), Öznur Serçeler (Sema), Feri Güler (Menekşe), Necat Bayar (Emin), Aslı İnandık (Eda), Gürhan Altundaşar (Oğuz), Mert Denizmen (amigo de Selim), Ali Pınar (Fuat), Merve Engin (Nuran) e Eda Yazıcı (Zeynep), Lorin Merhart (Harun) e Afra Karagöz (Işıl)

Produção: O3 Medya em parceria com a Dass Yapım (Produtora – Selen Sevigen)

Roteiro: Dilara Pamuk

Direção: Engin Erden

Data de estreia: Setembro

Foto protagonistas Aşk ve Gözyaşı.
Foto: reprodução/Instagram @dizilah
Kanal D

Afet Bambaşka Biri (tradução livre: Uma Pessoa Diferente) / Adaptação do drama sul-coreano O Nascimento de uma Beleza (Birth of a Beauty, 2014)

Elenco: Fahriye Evcen (rumor – a atriz não foi confirmada oficialmente)

Produção: Dass Yapım (Produtora – Selen Sevigen)

Roteiro: Kemal Hamamcıoğlu

Direção:

Data de estreia: sem previsão

Foto possível atriz da nova dizi.
Foto: reprodução/Instagram @evcenf

Güller ve Günahlar (tradução livre: Rosas e Pecados)

Elenco: Murat Yıldırım (Serhat), Cemre Baysel (Zeynep) e Ahmet Saraçoğlu (Arif)

Produção: NGM (Produtora – Nazlı Heptürk)

Roteiro: Yelda Eroğlu

Direção: Deniz Can Çelik

Data de estreia: Setembro

Foto resumo turco.
Foto: reprodução/Instagram @gullervegunahlar
NOW

Ben Annemin Rüyasıyım (tradução livre: Eu Sou o Sonho da Minha Mãe) / Adaptação da drama sul-coreano Enganos e Mentiras (Lies of Lies, 2020)

Elenco: Funda Eryiğit (Ayşe), Caner Cindoruk (Kemal), Zerrin Tekindor (İlter), Azra Aksu (Öykü), Serhat Özcan (Memduh), Günay Karacaoğlu (Sevtap), Sema Öztürk (Pelin), Cem Sürgit (Caner), Zeynep Özder (Pınar) e Gürsu Gür

Produção: Medyapım (Produtor -)

Roteiro: Özge Aras

Direção: Yunus Ozan Korkut

Data de estreia: a partir de setembro

Foto atores nova dizi.
Foto: reprodução/Birsen Altuntaş

Ben Leman (tradução livre: Eu Sou Leman)

Elenco: Burçin Terzioğlu (Leman), Gökçe Eyüboğlu (Suzi), Duygu Sarışın (Şahika), Selin Şekerci (Mine), Şebnem Sönmez (Meryem), Durukan Çelikkaya (Can), Tansel Öngel (Güney), Tayanç Ayaydın (Demir Arıkan), Ceren Ayruk (Ada) e Erhan Alpay (Burak)

Produção: NTC Medya (Produtor – Mehmet Yiğit Alp)

Roteiro:

Direção: Semih Bağcı

Data de estreia: Setembro

Foto atrizes nova dizi.
Foto: reprodução/Birsen Altuntaş

Halef: Köklerin Çağrısı (tradução livre: Sucessor: O Chamado das Raízes)

Elenco: İlhan Şen (Serhat), Aybüke Pusat (Melek), Biran Damla Yılmaz (Yıldız), Onur Bilge, Sezin Bozacı, Mazlum Çimen, Mert Doğan, Ümit Çırak, Benian Dönmez, Beril Kayar, Ayşegül Cengiz, Ozan Çelik, İnci Sefa Cingöz, Ceyda Ceren Edis, Eren Demircan, Birgül Ulusoy, Gökçe Şen, Serhat Kurtay, Veda Yurtsever (Sultan Yelduran) e Hakan Salınmış

Produção: Most Production (Produtora – Gül Oğuz)

Roteiro: Ercan Uğur

Direção: Deniz Çelebi Dikilitaş

Data de estreia: a partir de setembro

Foto dizi Halef.
Foto: reprodução/Instagram @dizilah

Kıskanmak (tradução livre: Invejar) / Adaptação do romance de mesmo nome de Nahid Sırrı Örik

Elenco: Özgü Namal (Seniha), Selahattin Paşalı (Nüzhet), Mehmet Günsür (Halit), Hafsanur Sancaktutan (Mükerrem), Beril Pozam (Nalan), Ayda Aksel (Mediha), İştar Gökseven (Enver), Cem Uslu (Cemil), Dilara Aksüyek (Şükran), Zeynep Yüce (Feride), Rozet Hubeş (Şerife), Hande Doğandemir (Türkan), Lila Gürmen (Rukiye) e İpek Tuzcuoğlu (Şaziye)

Produção: Ay Yapım (Produtor -)

Roteiro: Yılmaz Şahin

Direção: Nadim Güç

Data de estreia: a partir de setembro

Foto nova dizi.
Foto: reprodução/Instagram @dizilah

Sahtekârlar (tradução livre: Impostores)

Elenco: Hilal Altınbilek (Reyhan), Burak Deniz (Ertan), Tamer Levent (Hidayet Kutman) e Perihan Savaş (Hüma), Elçin Afacan (Feraye), Naz Göktan (Neslihan) e Emre Bulut (Eymir)

Produção: Ay Yapım (Produtor -)

Roteiro: Sema Ergenekon

Direção: Ali Bilgin

Data de estreia: a partir de setembro

Foto nova dizi.
Foto: reprodução/Instagram @1birsenaltuntas

Sakıncalı (tradução livre: Questionável)

Elenco: Özge Özpirinçci (Süreyya), Salih Bademci (Çetin), Cem Bender (Nazım) e Olgun Toker (Faysal) 

Produção: Gold Film (Produtor – Faruk Turgut)

Roteiro: Ayça Üzüm

Direção: Arda Sarıgün

Data de estreia: a partir de setembro

Foto nova dizi.
Foto: reprodução/Instagram @1birsenaltuntas

Dizi sem título / Adaptação da série italiana DOC Uma Nova Vida (Doc – Nelle Tue Mani, 2020)

Elenco:

Produção: Dass Yapım (Produtores – Selen Sevigen e Berke Sevigen)

Roteiro:

Direção:

Data de estreia: 2026

 

Mahrem (tradução livre: Privado)

Elenco:

Produção: Gold Film (Produtor -)

Roteiro: Deniz Madanoğlu

Direção:

Data de estreia: sem previsão

 

Avcı (tradução livre: Caçador) 

Elenco:

Produção: Gold Film (Produtor -)

Roteiro: Kerem Deren

Direção:

Data de estreia: sem previsão

 

Show TV

Bereketli Topraklar (tradução livre: Terras Férteis) / Adaptação das obras de Safa Önal Bodrum Hakimi (tradução livre: Juiz de Bodrum) e Derviş Bey (tradução livre: Senhor Derviş)

Elenco: Engin Akyürek (Ömer Bereketoğlu), Gülsim Ali (Nevin Yılmaz), Sarp Akkaya (Ferit), Bilal Yiğit Koçak (Salih), Bahar Süer (Seyhan), Hakan Çelebi (Bilal), İlayda Akdoğan (Fatma), Zehra Kelleci (Karaca) e Belçim Bilgin (Zehra Karahanlı)

Produção: Süreç Film (Produtor -)

Roteiro: Hasan Tolga Pulat e Ozan Ağaç

Direção: Yağız Alp Akaydın

Data de estreia: a partir de setembro

Foto nova dizi.
Foto: reprodução/Instagram @1birsenaltuntas

Bulutların Üstünde (tradução livre: Acima das nuvens)

Elenco:

Produção: BKM (Produtor -)

Roteiro: Onur Koçal

Direção:

Data de estreia: sem previsão

 

İnce Sızı (tradução livre: Dor Sutil)

Elenco:

Produção: Pastel Film (Produtor – Yaşar İrvül e Efe İrvül)

Roteiro: Erkan Birgören

Direção:

Data de estreia: sem previsão

 

Kadife Kelepçe (tradução livre: Algemas de Veludo)

Elenco: Seda Bakan (Aydan), Uğur Güneş (Emir), Ahsen Eroğlu (Çiğdem), Emre Bey (Efe), Celil Nalçakan (Tarık), Devrim Yakut (Hayriye), Şebnem Bozoklu (Fikriye), Yeliz Korkmaz (Sezen), Yağmur Özbasmacı (Sevda) e Menderes Samancılar (Muhittin)

Produção: TMC Film (Produtor – Erol Avcı)

Roteiro: Emre Özdür, Hazar Kozice e Ezgi İdil Esen

Direção: Selim Demirdelen

Data de estreia: Setembro

Foto nova dizi.
Foto: reprodução/Birsen Altuntaş

Veliaht (tradução livre: Herdeiro)

Elenco: Akın Akınözü (Timur), Serra Arıtürk (Reyhan), Ercan Kesal (Zülfikar), Erkan Kolçak Köstendil (Yahya), Hazal Türesan (Derya), Derya Karadaş (Kudret), Tansu Biçer (Vezir), Bora Akkaş (Zafer), Erdem Şenocak (Beyazıt), Arif Pişkin, Ayşegül Ünsal, Burak Altay, Kayhan Açıkgöz, Sabahattin Yakut, Selin Köseoğlu, Selin Dumlugöl, Volkan Kıran e Ufkum Kalaoğlu.

Produção: Faro Company (Produtores – Yamaç Okur e Mehmet Eryılmaz)

Roteiro: história original de Tunahan Kurt e roteiro co escrito por ele, junto de Berrin Tekdemir e Necip Güleçer 

Direção: Sinan Öztürk

Data de estreia: 11 de setembro

Foto resumo turco.
Foto: reprodução/Instagram @veliahtdizi
Star TV

Çarpıntı (tradução livre: Palpitação)

Elenco: Kerem Bürsin (Aras Alkan), Lizge Cömert (Aslı Güneş), Deniz Çakır (Hülya Güneş), Sibel Taşçıoğlu (Tülin Alkan), Helin Elveren (Sezin Güneş), Mehmet Fatih Obuz (Murat Güneş), Pınar Çağlar Gençtürk (Meryem Alkan), Okan Cabalar (Okan), Ogün Kaptanoğlu (Selim Alkan), Şerif Sezer (Figen Alkan), Asya Kasap (Biricik Alkan), Gürberk Polat (Emre), Ceren Taşçı (Emel Alkan), Reşit Berker Enhoş (Cahit) e Şevval Kaya (Melisa)

Produção: OGM Pictures (Produtor -)

Roteiro: Deniz Dargı, Cem Görgeç e Mevsim Yenice

Direção: Burcu Alptekin

Data de estreia: Setembro

Foto mundo turco.
Foto: reprodução/Star TV

Sevdiğim Sensin (tradução livre: Você é Quem Eu Amo)

Elenco: Aytaç Şaşmaz (Erkan Aldur), Helin Kandemir (Rojda), Hüseyin Avni Danyal (Esat), Umutcan Ütebay (Kadir), Özlem Conker (Fatoş), Yılmaz Kunt (Koray), Barış Baktaş (Civan), Cihat Süvarioğlu (Tahir), Elçin Zehra İrem (Burçin), Deniz Işın (Nilüfer), Deniz Karaoğlu (Teoman) e Nihan Büyükağaç (Havva)

Produção: Ay Yapım (Produtor -)

Roteiro: Yeşim Aslan

Direção: Gökçen Usta

Data de estreia: a partir de setembro

Foto nova dizi.
Foto: reprodução/Instagram @aytacsasmaz/@_helinkandemir
TRT1

Cennetin Çocukları (tradução livre: Filhos do Paraíso)

Elenco: İsmail Hacıoğlu (İskender Demir/Kamil), Özgü Kaya (Gönül), Ali Gözüşirin (Adem), Ecem Çalhan (Sezen), Melisa Şenolsun (Ayla), Yurdaer Okur (Baytar Ahmet), Münire Apaydın (Firdevs), Zafer Algöz (Şeref), Ali Seçkiner Alıcı (Sarı Dayı), Şebnem Doğruer (Cennet), Abdurrahman Yunusoğlu (Lokmacı Hayri), Evliya Aykan (Oltacı Bayram), Melis Kızılaslan (Şebnem), Eren Hacısalihoğlu (Arif), Birand Tunca (Bekir) e Ali Düşenkalkar (Süleyman)

Produção: Motto Yapım (Produtor -)

Roteiro: Ali Kara

Direção: Soner Caner

Data de estreia: a partir de setembro

Foto nova dizi.
Foto: reprodução/Instagram @cennetin.cocuklaritrt

Taşacak Ha Bu Deniz (tradução livre: Este Mar Vai Transbordar)

Elenco: Ulaş Tuna Astepe (Adil), Deniz Baysal (Esme), Burak Yörük (Oruç), Ava Yaman (Eleni) e Onur Dilber (Süleyman/Ğezep)

Produção: OGM Pictures (Produtor -)

Roteiro: Ayşe Ferda Eryılmaz e Nehir Erdem

Direção: Çağrı Bayrak

Data de estreia: a partir de setembro

Foto nova dizi.
Foto: reprodução/NOW/Instagram @denizbaysal_
Kanal 7

Hasret Rüzgârı (tradução livre: Vento da Saudade)

Elenco: Selen Güney (Hasret), Mert Altınışık (Rüzgar), Sevkan Köylü (Ferhat), Hakan Aydın (Abbas), Elif Sima Kurt (Verda), Şenay Kösem (Suzan), Ufuk Kaplan (Nigar), Hakan Güner (Kemal), Burcu Derya (Zühre), Yağmur Uzunoğlu (Nurgül), Başak Azra Kaymak (Emine), Birhan Tut (Cesur) e Oğuz Yağcı (Doğan)

Produção: Baraka Fikir Sanatları (Produtor – Salih Tamer)

Roteiro: Ahmet Köşeoğlu

Direção: Ayhan Özdemir

Data de estreia: Setembro

Foto nova dizi Kanal 7.
Foto: reprodução/Birsen Altuntaş

Kayıp Yıllar (tradução livre: Anos Perdidos)

Elenco: Aslıhan Karalar (Sevda), Burak Sarımola (Cihan), Sultan Sarohan, Özcan Varaylı, Şebnem Özinal, Turan Selçuk, Merve Canikli, Metin Yıldırım, Cem Kılıç, Büşra Açar e Shahad Salman

Produção: Altın Adam Medya (Produtor – Savaş Sancak)

Roteiro:

Direção: Savaş Sancak

Data de estreia: Setembro

Foto nova dizi.
Foto: reprodução/Birsen Altuntaş
Sem canal

Kızgın Topraklar (tradução livre: Terras Furiosas)

Elenco: Yağmur Yüksel (Eylül), Taha Baran Özbek (Aras), Yaprak Medine (Sude), Batuhan Sezer (Yusuf), İlayda Mine Çopur (Zahide), Nizam Namidar (Yıldıray), Atilla Olgaç (İbrahim), Berrin Arısoy (Şefika), İncinur Başdemir (Mihriman), Ahmet Varlı (Rıza), Yalçın Dümer (Fuat), Neslihan Acar (Belma Yılmaz), Münir Can Cindoruk (Mustafa), Zeynep Dreyfi Zuhri (Döne) e Lena Naz Kalaycı

Produção: Limon Film (Produtor -)

Roteiro: Esen Ali Bilen

Direção: Cemal Şan

Data de estreia: sem previsão

Foto dizi sem canal.
Foto: reprodução/Instagram @kizgintopraklar_dizi

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Leia também: Aşk ve Gözyaşı: primeiras imagens dos bastidores da dizi com Hande Erçel e Barış Arduç

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana

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Cultura Latina Latinizei Música Notícias

MTV VMA 2025: Ricky Martin receberá o inédito Latin Icon Award

A premiação ocorre em Nova York no dia 7 de setembro

Também conhecido como Rei do Pop Latino, Ricky Martin fará história mais uma vez. No próximo MTV Video Music Awards, marcado para o dia 7 de setembro de 2025, o astro porto-riquenho será o primeiro artista a receber o Latin Icon Award. O prêmio criado pela MTV é inédito e reconhece o legado e a influência de artistas latinos que transformaram a cultura pop mundial.

Com uma carreira de mais de quatro décadas, Martin é considerado um dos grandes responsáveis pela explosão da música latina no cenário internacional. Desde sua apresentação no Grammy de 1999, que se tornou um marco da Latin Explosion, o cantor consolidou sua trajetória com mais de 70 milhões de álbuns vendidos e quase 200 prêmios acumulados entre música, atuação e iniciativas humanitárias.

A ligação do cantor, compositor, ator e filantropo com o VMA também é histórica: no final dos anos 1990, ele conquistou cinco estatuetas em uma única edição, incluindo Best Pop Video — sendo o primeiro homem latino a vencer nessa categoria.

A cerimônia do MTV VMA 2025 será realizada no UBS Arena e, além da homenagem a Ricky Martin, o evento contará com apresentações de artistas como Sabrina Carpenter, J Balvin com DJ Snake, Busta Rhymes e outros nomes da cena musical atual.

Ao receber o Latin Icon Award, o artista reforça sua importância como um símbolo da cultura latina e uma referência global que abriu portas para novas gerações. O prêmio inaugura uma nova tradição dentro do VMA e destaca o papel dos artistas latinos como protagonistas da música global.

Qual é a sua música favorita do Ricky Martin? Conta pra gente! Siga o Entretetizei nas redes sociais – Facebook, Instagram e X – e não perca as novidades do mundo do entretenimento.

Leia também: Opinião | A passagem da Shakira pelo Brasil e a reconexão com sua latina interior

 

Texto revisado por Cristiane Amarante

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Cultura Entretenimento Notícias Teatro

O Último Canto das Cigarras: filme musicado com Alirio Netto e Lívia Dabarian inicia gravações no Brasil

Casal de artistas retorna ao país exclusivamente para protagonizar longa que une drama e música original em uma história de recomeço e superação

As filmagens de O Último Canto das Cigarras, novo filme musicado estrelado por Alirio Netto e Lívia Dabarian, já começaram em Brasília. Atualmente vivendo na Espanha, os artistas retornaram ao Brasil exclusivamente para integrar o projeto, que une drama, música e uma narrativa sensível sobre recomeços. A previsão de estreia ainda não foi divulgada.

Com roteiro e direção de Tercio Garofalo, o longa conta a história de Sebastian, um cantor com carreira internacional que, após perder a voz em um trágico acidente, vê sua identidade ruir. Em meio ao silêncio que o cerca, ele conhece Aurora, filha do dono de uma fábrica de pianos e cantora frustrada, que teve sua voz reprimida desde a juventude. É nesse encontro, entre dois artistas feridos, que a música reaparece como força transformadora. Juntos, eles encontram nela – e um no outro – a possibilidade de um novo começo.

A ideia do projeto nasceu do desejo de Tercio e Alirio de contar uma história que explorasse também o outro lado da vida artística – aquele que nem sempre é feito de palcos iluminados e sonhos realizados, mas das frustrações, perdas e reconstruções que fazem parte do caminho de quem vive da arte.

Foto: divulgação/Adasat Barroso

Esse filme é um sonho antigo. Essa história e esse personagem nasceram de uma conversa com o diretor Tercio Garofalo há muito tempo, entre 10 e 15 anos atrás. E o mais bonito é que eu não só estou interpretando esse personagem, como também estou compondo a trilha sonora do filme. Todas as músicas, todas as letras, nascem dessa jornada dele. Não é só um background musical, é o que ele sente, é a voz interna que ainda grita mesmo quando a voz física some. É um processo muito intenso, porque enquanto escrevo essas canções, eu estou mergulhado na dor e na transformação do personagem. E isso me transforma também”, conta Alirio.

A música é parte central do projeto – e será executada ao longo da narrativa, com os próprios atores cantando em cena. Para isso, o casal mergulha em uma preparação artística intensa. Alirio tem se dedicado a encontrar, tecnicamente, um ponto vocal em que possa soar como alguém sem voz sem, de fato, comprometer sua saúde vocal. Lívia, por sua vez, participa de um laboratório focado em piano, já que o instrumento é elemento-chave na trajetória de sua personagem.

Música é uma das melhores formas de comunicação, e não só para nós que somos cantores e atores, mas para todos! Quando uma pessoa se sente feliz, vai num show ou numa festa com música animada para comemorar ou, quando se sente melancólica, vai num concerto ou escuta aquela música que toca o seu coração. Então isso faz dessa história ainda mais profunda para nós, porque temos a possibilidade de mostrar na telona uma conexão genuína guiada pelas notas de uma música, como aconteceu com a gente quando estávamos ensaiando o musical We Will Rock You”, diz Lívia.

Totalmente imersos no projeto, Alirio e Lívia fizeram uma pausa estratégica em suas agendas internacionais – envolta pelo universo de Freddie Mercury – para se dedicarem ao filme. Vocalista do Queen Extravaganza – tributo oficial da banda Queen -, Alirio aproveitou o hiato da turnê europeia para focar na produção. Já Lívia conciliou as filmagens com sua participação no musical We Will Rock You, em cartaz na Espanha. As decisões de ambos permitiram um mergulho profundo na construção dos personagens e na narrativa intensa do longa, unindo suas experiências pessoais e artísticas ao processo de criação.

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Leia também: Meu Remédio: espetáculo solo de Mouhamed Harfouch chega a São Paulo com relatos íntimos e comoventes

 

Texto revisado por Gabriela Fachin

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Entrevistas Notícias

Entrevista | Marco França conquista os palcos, as telas e os ouvidos com sua sensibilidade e talento

Ator, músico e diretor fala sobre sucesso de seu personagem em Guerreiros do Sol e de carreira artística diversa

A trajetória de Marco França escancara a sensibilidade e o talento de um artista reconhecido pela crítica e pelo público, seja no teatro, nas redes sociais, na música ou, mais recentemente, no audiovisual. Diretor musical da peça Rita Lee – Uma Autobiografia Musical, ele também já gravou com nomes como Chico César e Juliana Linhares, além de somar atuações marcantes na TV e no cinema. Como resultado de toda essa trajetória, coleciona indicações e prêmios importantes, como o Shell e o Bibi Ferreira.

Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, Marco honra suas raízes da forma mais pura. No Instagram, entrega uma mistura cativante de entretenimento, reflexões e valorização da cultura nordestina. Utilizando canções como plano de fundo em seus posts, gravando vídeos para divulgar seus trabalhos ou até recomendando o trabalho de outros artistas, o potiguar traz um tom divertido e poético às suas publicações. Grande parte dos posts refletem bem o que ele resume em uma de suas legendas: o olhar de quem “põe o coração nos seus sonhos”.

Morando em São Paulo desde 2016 e comemorando 35 anos de carreira, Marco fez sua estreia na televisão em 2022, na novela Mar do Sertão, da TV Globo. O jeitinho divertido do personagem e a química com atores como Giovana Cordeiro e Enrique Diaz conquistaram tanto o público, que Fubá Mimoso voltou em 2024, na trama de Rancho Fundo.

Foto: divulgação/Caio Oviedo

Mais recentemente, o artista deu vida a Fabiano, sanfoneiro na série Guerreiros do Sol, disponível no Globoplay. Na trama, ele constrói um personagem feito de muitas camadas: um homem atravessado pela perda, mas também pela memória e pela arte, que enfrenta, com resistência e uma certa beleza melancólica, a vida de cangaceiro. O projeto, gravado em 2023, possui um enredo denso, com muitas emoções e reviravoltas que se passam no sertão nordestino. 

Além de fazer parte do elenco, Marco também assina composições presentes na trilha sonora da série, como a faixa Aboio Guerreiro. Em paralelo, ele também interpreta o maestro Justino, no filme Homem com H, produção que transitou com muito sucesso das salas de cinema para o streaming e agora integra o catálogo da Netflix.

Direcionando toda essa energia para a conexão com a primeira arte, Marco investe na sua carreira solo como músico, com o lançamento de um EP programado para sair no segundo semestre. Tendo uma trajetória consolidada nos palcos, ele já assinou a direção musical de inúmeros espetáculos. Agora, depois da estreia do clipe de Colo Cais, uma das faixas de seu projeto autoral,  disponível no YouTube, e da canção Pipoca, parceria com Juliana Linhares, o artista deixa seus fãs curiosos com os próximos passos. 

Acontece que Marco não para. Seu trabalho como compositor e diretor musical é amplamente reconhecido: são cinco indicações ao Prêmio Shell (com vitórias em 2016 e 2019, respectivamente pelas trilhas de A Tempestade e Estado de Sítio), além do Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem por Peer Gynt (2016) e oito indicações ao Prêmio Bibi Ferreira, que lhe rendeu a estatueta de Melhor Arranjo Original por Tatuagem, em 2022.

Ao lado de Márcio Guimarães, Marco também assina a direção musical de Rita Lee — Uma Autobiografia Musical, que está em turnê com sessões em várias cidades do Brasil. A montagem, que estreou em abril de 2024, já foi vista por mais de 90 mil pessoas e levou prêmios como o Arcanjo de Cultura. Também rendeu à protagonista, Mel Lisboa, o Shell de Melhor Atriz, além de ter sido lembrada em premiações como APCA, DID e Prêmio PRIO do Humor, este que destacou a direção e a atuação da também atriz Débora Reis.

Entre memórias afetivas, o sertão que pulsa como personagem, a música e a poesia, Marco França compartilha sua trajetória com o Entretetizei. Na entrevista, abaixo, ele fala sobre a carreira, o primeiro álbum autoral, colaborações especiais e os bastidores de projetos no teatro, na televisão e na música, sempre com o olhar inquieto de quem vê, além do chapéu, a cobra que engoliu o elefante: 

Entretetizei: Você está à frente da direção musical e dos arranjos da peça Rita Lee — Uma Autobiografia Musical. Como tem sido fazer parte de um projeto de tanto sucesso como esse, que, além de homenagear a história de uma das maiores cantoras do país, Rita Lee, exalta a atriz Mel Lisboa, que brilha nos palcos interpretando a cantora? E como foi fazer as releituras musicais apresentadas, mantendo a essência e irreverência de Rita Lee?

Marco França: Sim, estou ao lado de Marcinho Guimarães na direção musical deste sucesso que é Rita Lee – Uma Autobiografia Musical. Foi um grande deleite botar a mão nesse repertório tão poderoso, a convite do amigo e diretor Márcio Macena. Esse espetáculo já estreou com os ingressos esgotados para toda a temporada, que, inicialmente, teria três meses de duração e acabou ficando mais de um ano em cartaz no mesmo teatro. E agora circula pelo país. Claro que existem vários predicados que justificam esse sucesso, a exemplo da brilhante composição de Mel fazendo a Rita, que, por vezes, nos confunde achando estarmos vendo a própria Rita no palco. Mas certamente o fenômeno Rita Lee, essa bruxona incrível, é o grande responsável por tudo isso.

Foto: divulgação/Caio Oviedo

E: Marco, depois de 35 anos de travessias artísticas, você se prepara para lançar seu primeiro álbum autoral. Que marés te conduziram até aqui? Como nasceu esse projeto e como tem sido o mergulho nesse processo criativo?

MF: Tem sido um processo natural ao longo desse tempo, uma vez que esse álbum é uma fotografia dos anos até aqui. Fui compondo e gravando gradativamente e sem pretensões imediatas. Tanto que levou muito tempo até lançar o primeiro single. Compor, para mim, é quase que um processo diário de criação. Seja para o repertório de uma peça musical de teatro ou fruto de um transbordar poético pessoal.

E: A música Pipoca, feita com Juliana Linhares, mistura camadas e texturas que parecem brincar com a ideia de movimento e leveza. Como nasceu essa parceria de vocês?

MF: Conheço a Ju há muitos anos. Desde quando ela fazia parte de um grupo de teatro em Natal, o Estandarte. Muita gente não sabe, mas ela, além de uma das maiores artistas da música contemporânea brasileira atual, é também uma atriz brilhante! Acompanho, com muito orgulho, seu voo. E quando compus essa canção, que vocês podem ouvir em qualquer streaming de áudio, já pensei nela cantando junto. E assim de pronto, a convidei pra cantar comigo. Aproveitamos um pouso dela por São Paulo e gravamos. Sou fã da Ju e, sempre que posso, estou no gargarejo de seus shows.

E: Em uma legenda no Instagram, você fala da sorte de ter a fantasia como matéria-prima daquilo que estuda. Como esse encantamento se manifesta no seu dia a dia de criação, seja compondo, atuando ou produzindo?

MF: Ahhhh… acho que o que melhor me define como artista é ser um poeta. Não apenas dos que escrevem poemas literários, mas como as crianças que enxergam o mundo de maneira plena. Me vejo dessa forma, através desses olhos inquietos que veem além do chápeu, tal qual a história do Pequeno Príncipe. Penso que minha função na arte é despertar no outro a capacidade de ver a cobra que engoliu o elefante. Lembra daquela imagem?

E: Em Guerreiros do Sol, o sertão é mais que cenário, é personagem, é território simbólico e pulsante. Você contou nas redes que compôs Aboio Guerreiro ainda no set da série. Como foi esse processo criativo? E de que forma essa atmosfera, marcada pelo sertão e pelo cangaço como símbolo popular e político, influenciou sua música? Sua experiência na direção musical de peças como Tatuagem e Rita Lee – Uma Autobiografia Musical, nas quais a trilha carrega identidade e afeto, ajudou a moldar esse olhar narrativo?

MF: O que trago em mim, o que me moldou como ser humano e artista, que se misturam, fazendo o que sou, as experiências que vivi, o lugar de onde venho (Natal/RN), os encontros que tive com pessoas, artistas, grupos e obras que vi, ouvi ou participei como criador me ajudam a traduzir a minha arte nos meus processos criativos. Estar nas paisagens sertanejas, gravando, me impulsionou, de maneira muito natural, para compor as canções em Guerreiros. Estava sempre com minha sanfona, dedilhando, cantando uma loa, uma cantiga e, assim, as demandas e necessidades foram surgindo. Papinha, nosso mestre e diretor ia sugerindo, perguntando, e eu seguia devolvendo em canções. Como já disse, compor é um exercício diário para mim. Foi lindo!

Foto: divulgação/Caio Oviedo

E: O clipe de Colo Cais tem direção de Badu Moraes, sua conterrânea de Natal, artista multifacetada. O que significou, pra você, dividir esse trabalho com ela e ver sua música através do olhar sensível e potente de outra artista potiguar?

MF: Badu é também uma artista inquieta e cheia de paixão pela vida, o que transborda naturalmente para tudo que ela faz. Gosto de estar perto de pessoas assim, que me devolvem paixão! Já fizemos alguns trabalhos como parceiros de cena no teatro. É muito óbvia a nossa conexão desde o início, o que faz tudo fluir com muita naturalidade. Ela também participa no meu show como uma presença mais que especial, que é o que ela é. Sou fã dela. E como é bom ser fã dos amigos!

E: O Fubá Mimoso conquistou o público com carisma e complexidade, e, curiosamente, sua estreia na TV teve como trilha a música Homem com H, que você já tocava na sanfona muito antes. Agora, anos depois, você está no filme que homenageia Ney Matogrosso. O que esse percurso diz sobre a força simbólica desse personagem na sua trajetória e sobre como a arte vai costurando encontros?

MF: Fubá foi meu abre-alas de luxo na TV. [Foi] Muita sorte debutar nas telinhas numa história que já tinha, como linguagem, o farsesco e que me permitiu compor, desenhar esse personagem de maneira mais próxima a minha experiência de criar personagens no teatro. E tudo isso ao lado de tanta gente incrível, alguns parceiros de longa data, como Titina Medeiros, Cesar Ferrario, Quitéria, Suzy Lopes, Thardelly Lima e Giovana Cordeiro. Gravei a minha primeira cena, dirigida por Bernardo Sá, ao som de Homem com H. Foi incrível, mesmo que, no fim, essa não tenha sido a que tenha ficado na edição. Falo do momento em que estou dançando no bar e entra o Coronel, personagem do querido José de Abreu. Como diz o próprio Fubá Mimoso na sequência, “o mundo girou, girou…” e eis que estreei no cinema justamente no filme que tem como título a mesma canção. Acho que tudo está conectado, alinhado. Pensar assim me ajuda a seguir com menos medo.

Foto: divulgação/Caio Oviedo

E: Você interpreta o maestro Levino na cinebiografia de Ney Matogrosso. Como foi mergulhar no universo de um artista tão visceral, e o que esse papel te ensinou como músico e ator?

MF: O maestro Levino foi uma pessoa muito importante na história do Ney por ter sido a pessoa que disse “SIM” a ele, quem o acolheu com toda sua essência, permitindo que ele fosse quem era, com sua personalidade forte e voz peculiar, diferente e especial. Me lembro de, quando criança, ficar fascinado com a figura do Ney quando aparecia na TV. Era um encantamento! E ele foi um artista que quebrou muitos paradigmas, preconceitos e elevou a performance do cantar a um nível que somente os gênios fazem. Certamente sou fruto também desse menino encantado ao vê-lo em cena, que virou músico e ator. Um privilégio fazer essa participação, com esse personagem, nesse filme tão lindo.

E: Voltando a Guerreiros do Sol, você contracena com Irandhir Santos, ator que você já admirava e com quem sonhava dividir cena. Como foi viver essa parceria dentro de uma obra que mergulha tão fundo no imaginário do cangaço? Que memórias ou aprendizados essa experiência te deixa, tanto artística quanto pessoalmente?

MF: Nossa… Irandhir é um dos maiores atores que já vi na vida! Sim, já o admirava há tempos! E foi uma aula vê-lo criando. Cada proposta de desenho de cena, a sua concentração e a maneira como ele joga com os parceiros de tela… um luxo! E, para completar, ele é uma das pessoas mais gentis e doces que já conheci! Uma honra ter “morrido” pelas mãos dele (risos). Falar sobre Irandhir é colocar exclamações ao final de cada frase! Assim!! Assim!!!

E: Em muitas de suas postagens nas redes sociais, é nítido o seu amor pelas raízes, pela beleza e cultura do Nordeste. O que mais te orgulha dessa herança e como ela te ajuda a abraçar a própria autenticidade como artista?

MF: Meu sotaque é o hino de onde venho através do meu falar. É a minha identidade maior, a tradução de quem sou. São essas lentes que me fazem enxergar o mundo e deixar, através de meu trabalho, a impressão de onde venho. Não tem como não sermos afetados pelo sol que incide sobre nossas cabeças. Sou inventado, parido, vindo de um Nordeste Ficção, o qual insistem em massificar, tornar uma coisa só. Mas somos milhões, somos vários sotaques, somos nove Estados, diversos e únicos. E essa é a beleza que nos define. O Brasil, aos poucos, está conhecendo o Brasil.

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Texto revisado por Ketlen Saraiva

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Fábio Assunção: o ator que atravessa gerações

Autêntico, versátil e super talentoso. Fábio sempre será o momento e só melhora com o tempo.

Além de galã, o ator Fábio Assunção conquista gerações por meio de suas atuações e história de vida; a superação de problemas relacionados à saúde mental e as drogas são exemplos de vida, resiliência, muita força e fé. 

O ator completou 54 anos no último domingo (10) e só tem motivos para comemorar: nova fase de vida e novos rumos em sua carreira. 

Fábio atravessou diferentes fases e segue sendo um dos nomes mais admirados da TV brasileira. Pensando nisso, o Entretetizei preparou um especial para revisitar a vida e a obra desse ator tão querido por todos. Vem com a gente!

Primeiros passos
Foto: reprodução/Acervo Globo/Nelson Di Rago

Fábio Assunção Pinto nasceu em 10 de agosto de 1971, em São Paulo, e é um ator e diretor teatral amplamente conhecido por seus trabalhos em novelas e séries, na televisão e no cinema. Na infância, Fábio teve aulas de piano por dois anos e meio, depois de violão, canto e coral. Aos 15 anos, chegou a formar uma banda chamada Delta T, que por falta de recursos e tempo, não seguiu adiante. “Foi um fracasso colossal”, disse ele, com bom humor, ao programa Fantástico em 2010. 

Apesar do fim da banda, a música nunca deixou de ser uma paixão. Essa ligação foi tão forte que, anos depois, ele resgataria suas habilidades musicais para viver o cantor e compositor Herivelto Martins na minissérie Dalva e Herivelto: Uma Canção de Amor (2010), exibida pela TV Globo; papel que lhe renderia indicações e aplausos.

Da publicidade aos palcos
Foto: divulgação/Acervo Globo

Antes da fama, Fábio chegou a iniciar o curso de publicidade e propaganda, mas bastaram seis meses para perceber que seu caminho era outro. O destino deu um empurrão final quando, um dia, por acaso, viu um anúncio que mudou os rumos de sua vida por completo: um curso profissionalizante de dois anos em Artes Cênicas na Fundação das Artes, em São Caetano do Sul. Decidiu se inscrever e, dali em diante, iniciou uma virada na própria vida. 

Assim começou uma carreira brilhante e gigante que renderia frutos inimagináveis! 

Apenas uma semana depois, Fábio levou seu currículo à Rede Globo e foi escolhido em um teste para sua primeira novela: Meu Bem, Meu Mal (1990), onde interpretou o tímido e frágil Marco Antônio Veturini, personagem envolvido em jogos de poder e manipulação, dominado pela mãe, a ambiciosa Isadora (Silvia Pfeifer). Com seu talento e carisma, rapidamente conquistou cada vez mais o público! 

A estreia logo no horário nobre, foi um marco na vida de Fábio, que com apenas 19 anos, já mostrava que havia chegado para ficar. “Meu Bem, Meu Mal não foi só uma novela, para mim, foi uma mudança de vida. Eu tinha 19 anos e muita expectativa de que essa era minha vida: ser ator!”, contou Fábio em entrevista ao site Memória Globo. 

Novelas que marcaram época
Foto: divulgação/TV Globo

A partir daí ele não parou mais! Emendou vários papéis, um atrás do outro! Seus olhos azuis, seus cabelos loiros e seu jeito tímido e atraente ajudaram a conquistar os corações de muita gente nos anos 90, principalmente das meninas! Em 1991, interpretou um dos mocinhos jovens da novela Vamp, Lipe, filho mais velho de Jonas (Reginaldo Faria), que vivia um romance com a vampira Natasha (Claudia Ohana). A novela foi um fenômeno de audiência, principalmente entre os jovens, e consolidou sua imagem de galã na juventude. 

Logo após esse sucesso, já foi chamado para outra novela: De Corpo e Alma (1992), onde viveu o romântico Caio, par de Yasmin, interpretada pela atriz Daniella Perez, filha da autora Glória Perez, assassinada no meio da trama por um colega de elenco. O choque do crime impactou a produção e o Brasil como um todo, de maneira profunda, fazendo com que toda trama fosse mudada. Caio, abalado pelo afastamento da amada, passou a interagir com outros personagens, enfrentou conflitos e teve uma nova relação amorosa menos marcante. A tragédia nos bastidores fez com que o personagem perdesse o centro de sua história, seu arco de redenção e sua força; Fábio, que era o protagonista jovem da novela, acabou virando um mero coadjuvante em subtramas paralelas. 

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Depois desse trauma, em 1993, surpreendeu a todos ao viver Jorge, seu primeiro vilão, em Sonho Meu, um empresário sem escrúpulos, neto de Paula (Beatriz Segall). Logo depois, emendou uma longa parceria com o autor Gilberto Braga, que o escalou para Pátria Minha (1994), onde interpretou o honesto Rodrigo. Braga se tornaria desde então um de seus maiores incentivadores. Juntos fariam ainda obras marcantes como Celebridade (2003), onde Fábio brilhou como o inescrupuloso jornalista Renato Mendes, papel que lhe rendeu prêmios como o Qualidade Brasil e o Contigo! de Melhor Ator. “Foram cinco décadas de produção cultural muito relevante, ele era um observador do mundo contemporâneo. Com o Gilberto, construí parte da minha vida profissional, foram 15 anos participando de tramas dele. Gilberto se comunicava como poucos com o público brasileiro”, afirmou o ator sobre o autor, em entrevista ao portal Gshow.  

Em O Rei do Gado (1996), fez sucesso com Marcos Mezenga, um estouro nacional e um divisor de águas em sua carreira. A novela era considerada a maior audiência da década de 90 e o ator teve até que aprender a tocar berrante por causa do personagem. 

Logo depois, foi um dos protagonistas do grande sucesso de Manoel Carlos, a emblemática Por Amor (1997), onde viveu o complexo empresário Marcelo de Barros Mota. A novela foi um sucesso que marcou época e levantou diversos questionamentos sobre machismo, ética, moral, entre outros dilemas, e dividiu opiniões: a cena da troca de bebês feita por sua sogra na trama, interpretada por Regina Duarte, foi emblemática na teledramaturgia. “Foi prazeroso dividir a cena e aprender com tanta gente. A novela foi polêmica, principalmente na ética médica. A troca de bebês, um segredo que custaria a felicidade de muitos personagens, representava este amor incondicional da mãe pela filha. Esse erro trágico foi um grande acerto”, recordou Fábio em entrevista ao Jornal Extra. 

Entre mocinhos, vilões e minisséries 
Foto: divulgação/TV Globo/Nelson Di Rago

Depois desse sucesso gigantesco, ele não parou um só minuto. Sempre em tramas relevantes, o galã nunca mais passou despercebido. Ele realmente veio para brilhar e conquistar todos por onde passa! 

Em 1999, interpretou outro protagonista em Força de um Desejo, o herói Inácio, em uma trama de época belíssima, onde fez par com Malu Madder, com quem firmou uma parceria de sucesso, com química e beleza invejáveis. Nesse meio tempo fez diversas peças e chegou a interpretar Cristo por dois anos nas encenações da Paixão de Cristo na cidade-teatro Nova Jerusalém, em Pernambuco entre 1997 e 1998. 

Depois viveria outro mocinho protagonista: o professor Edu, em Coração de Estudante (2002). Protagonizou diversas minisséries como Labirinto e Os Maias. Sua entrega aos papéis era tamanha que, para Labirinto, chegou a mudar radicalmente de visual: tingiu o cabelo, fez bronzeamento artificial e perdeu peso para viver André. “Estava ali com a dupla Gilberto Braga e Dennis Carvalho, que me davam muito estímulo. E claro, Malu Mader estava ao meu lado quase em todas as cenas. Este foi um trabalho muito especial para mim”, recordou o ator em entrevista ao Gshow.  

Também atuou em produções de época como Mad Maria e Copas de Mel. Ao longo desse período, acumulou indicações ao Troféu Imprensa por sua atuação e consolidou espaço como um dos atores mais versáteis da TV. 

Em 2007 viveu outro protagonista: o apaixonado e honesto Daniel, de Paraíso Tropical, e em 2008 foi escalado para interpretar Dodi, em A Favorita, porém desistiu de fazer a novela e o seu papel foi feito por Murilo Benício.

As pausas, o vício e o retorno 
Foto: reprodução/Nelson Alves

Ainda em 2008, deixou o elenco de Negócios da China, no capítulo 50, para tratar da dependência química. Foi um momento difícil de sua carreira, Fábio faltava muito às gravações e aparecia cansado, dormindo entre as cenas. 

Ele não escondeu a luta: “chegou um momento que entrei em colapso. Eu precisei sair, foi o momento mais difícil da minha carreira. Mas eu saí para me cuidar, me tratar, botar a vida em ordem!”, afirmou o ator em entrevista ao Fantástico. 

Nos anos seguintes, enfrentou recaídas, principalmente com o álcool. Ele vem enfrentando há anos a luta contra a dependência e se tornou um exemplo de recuperação, força e fé. A dependência química, principalmente contra o álcool, é ainda um tabu em nossa sociedade e por isso se banaliza tanto seu consumo, porém, o ator nunca teve medo de falar abertamente sobre os seus vícios, sua luta e assume suas fraquezas, o que o torna humano e digno de admiração. 

Ele superou seus vícios para levar uma vida normal, contudo, o ator ainda tem bastante medo que o próximo episódio ocorra novamente devido às lembranças ruins que persistem em sua mente e o estigma associado à dependência. “Essa é uma questão  que pauta a vida de qualquer pessoa que tem compulsão. O medo me acompanha sempre. Sei que não posso dar brechas e que há situações que preciso ser firme e dizer não. Por exemplo: posso beber, mas tomei a decisão esse ano de não ingerir nenhuma gota de álcool”, afirmou o ator em entrevista à revista Veja, mostrando o quanto ele ainda está lutando contra o vício; mas que precisa ser forte, corajoso e resiliente para enfrentar tudo isso de frente. 

Ele emagreceu, reencontrou sua fé e começou sua carreira de novo, mostrando que é uma pessoa que enfrenta as adversidades com todas as armas que tem. Sempre volta com mais força ainda, com garra e esperança de dias melhores, inspirando pessoas que também lutam contra esse vício e se aliam à causa. 

O ator  procurou apoio, conseguiu se restabelecer, teve o tratamento adequado em clínicas de recuperação e começou uma nova fase em sua vida. Ele viu seu vício exposto na mídia, foi alvo de críticas, piadas e mesmo assim não se deixou abalar. Hoje, ele se emociona ao falar sobre o recomeço e a atual fase, que define como o melhor momento de sua vida: “a dependência é incurável, mas tratável, dá para mudar de ideia, e ela volta. Hoje, me sinto forte e protegido, isso nem é mais um assunto na minha vida, está acomodado dentro de mim”, disse ele em entrevista ao jornal O Globo

Reviveu toda essa fase pesada de sua vida ao interpretar um pai de uma jovem viciada em crack anos depois, na série Onde Está Meu Coração (2021). Assunto que ele considera importante de ser falado e abordado na TV brasileira: “as famílias precisam discutir esse tema. O que mais agrava o dependente é o silêncio e o estigma. Também devemos refletir sobre como a sociedade contribui, por meio de ganhos financeiros, na manutenção da dependência química. O usuário é colocado num palco, mas, nos bastidores, existe a construção”, analisou Fábio, também em entrevista ao jornal O Globo

Em 2018, o grupo La Fúria lançou uma música chamada Fábio Assunção, que tirava sarro da imagem do ator e de seus vícios. Fábio não gostou nadinha da situação e rebateu, defendendo que ridicularizar uma doença grave e séria não tem graça alguma. Ele sugeriu então que a renda dos direitos autorais fosse doada para o projeto É de Lei, centro de convivência de São Paulo que trabalha com redução de danos e dependência química. A outra parte da verba foi para uma instituição que cuida da gestão política de drogas na Bahia, mostrando toda sua força e seriedade perante à doença. 

Fênix nas telas 
Foto: divulgação/TV Globo/Renato Rocha Miranda

Depois de um tempo afastado, o ator retornou, dessa vez para o cinema, onde já tinha feito alguns filmes, como Biu-A Vida Não Tem Retake (1995), Sexo, Amor e Traição (2004) e Primo Basilio (2007). Aqui ele brilhou com o personagem Ramo Bellini no filme Bellini e o Demônio (2008), mostrando que estava com mais força do que nunca e pronto para recomeçar, ganhando logo de cara um prêmio em 2009 por esse papel no Festival de Cinema Brasileiro de Los Angeles. 

Retornou a televisão como o protagonista da minissérie Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor (2010), reencontrando sua paixão inicial pela música e atuando com a atriz Adriana Esteves. Por esse papel foi indicado ao Emmy Internacional na categoria Melhor Ator, provando que nada o derrubaria mais. No mesmo ano, ganhou os prêmios Arte Qualidade Brasil e o Prêmio Contigo de Televisão. 

Em 2010, foi escalado para interpretar o vilão Leo em Insensato Coração, mas precisou deixar mais uma vez o elenco de uma novela, dessa vez por completo, alegando não estar preparado para o ritmo intenso de gravações de uma novela. Sua atitude foi criticada pelo autor Aguinaldo Silva, pois o ator já havia gravado algumas cenas. Porém, a decisão foi aceita mais uma vez e Fábio se afastou novamente para se tratar de seus vícios, se internando em clínicas nos Estados Unidos e depois em duas clínicas no Brasil. Começou um tratamento mais intenso, com sessões de psicanálise e realizou um detox completo. 

Em 2011, voltou com tudo para viver Jorge, um dono de boate, casado com Sueli (Andrea Beltrão), no seriado de enorme sucesso Tapas e Beijos, onde contracenou com a vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz de 2025, Fernanda Torres e com a atriz Andrea Beltrão. Aqui o ator mostrou uma veia cômica que nunca havia mostrado, a série foi exportada para vários países e até hoje é um dos produtos mais assistidos do Globoplay e da TV por assinatura, onde é reprisada pelo canal Multishow com frequência. Foi super elogiado pelo público e pela crítica por seu papel. 

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Logo após, entre 2015 e 2016, viveu um dos melhores momentos de sua carreira, ao dar vida ao playboy Arthur, dono de uma agência de modelos, na novela de grande sucesso Totalmente Demais. Na trama, seu personagem se envolveu com as atrizes Juliana Paes e Marina Ruy Barbosa. Ele se destacou tanto que seu nome era visto com frequência como um dos mais pesquisados do Brasil e o título de galã que até então estava esquecido voltou com tudo! 

No ano seguinte, protagonizou, ao lado de Drica Moraes, a série A Fórmula (2017) e, em 2018, viveu Ramiro Curió, na supersérie Onde Nascem os Fortes, arrancando elogios da crítica e se destacando com mais vilão. 

Em 2017, após novos problemas com drogas e recaídas, o ator recebeu o apoio da Globo para tratamento do vício na Argentina. Depois de um longo tempo de recuperação, Fábio voltou para as telinhas na novela Todas as Flores (2023), como o vilão Humberto Barreto, e na minissérie Fim (2023).  

Em 2024 com a novela Garota do Momento, interpretou o vilão Juliano. Ele reconheceu esse papel como uma virada de chave e sua entrega mais completa e consciente ao ofício de interpretar. Ele mergulhou de cabeça na história em um processo criativo muito forte que ressignificou sua relação com o trabalho e com sua própria história. 

+Garota do Momento é destaque em revista internacional

Desde os 19 anos, quando comecei, as novelas acompanharam as fases da minha vida. Cada produção marca uma etapa. E agora, com maturidade, pude saborear como nunca esse encontro entre elenco, direção e equipe. Foi uma experiência nova”, contou em entrevista à revista Quem

A experiência, além de intensa e desafiadora, trouxe leveza, descontração e risadas que ele não vivenciava em outras produções, foi um encontro dele mesmo com o palco, com a atuação e com sua alma, sem perder a seriedade, é claro. 

Para este papel, ele precisou tomar uma decisão difícil: precisou trancar sua faculdade de Ciências Sociais na Puc-SP para poder conseguir gravar as cenas da novela. “Já fiz dois períodos, comecei o terceiro, mas tive que parar. Tranquei, mas vou voltar!”, contou o ator em entrevista à revista Veja. 

O ator diz que não passa dificuldades por ser famoso na universidade: “é um ambiente diverso com pessoas que moram em vários lugares de sSão Paulo. Não há nenhuma questão com ninguém da sala, todo mundo está estudando. Quem estuda Ciências Sociais está buscando entender em que sociedade a gente vive”, afirmou Fábio em entrevista à revista Veja. 

O ator está cada vez mais empenhado e após o sucesso de Garota do Momento pretende focar nos estudos e se aprimorar cada vez mais em sua arte, mostrando que é como uma fênix, retornando sempre com mais força e resiliência do que nunca. 

Recentemente, em entrevista ao Fantástico, ele relatou, pela primeira vez, um episódio de assédio que sofreu na infância, mostrando novamente sua coragem para falar sobre temas tabus. Durante a entrevista ao dominical, Fábio disse que sua reação foi contar para a família: “eu não sabia formular que era um assédio, mas eu contei para minha irmã. Ela falou: imagina. Contei para minha mãe: imagina, o nosso vizinho de tantos anos. Então eu fiquei meio assim”, disse o ator, mostrando o receio, a vulnerabilidade e a falta de apoio após o fato. Ele também falou que não acredita que sua experiência possa ser comparada com os tipos de violência enfrentados pelas mulheres e que nunca tinha falado sobre isso justamente para não compararem essas situações.

A Fé e a esperança em dias melhores
Foto: divulgação/Instagram @FabioAssuncao

Fábio tem uma relação profunda com a fé e a espiritualidade. O ator se aproximou recentemente de orixás e da natureza, expandindo sua forma de entender o mundo e a si mesmo. Ele não se define como religioso, mas tenta sempre se conectar com o plano superior de alguma forma. A maneira escolhida é o Obatalá, considerado o criador da humanidade nas religiões de matriz africana.Tenho uma relação com orixás, com a natureza, se bate um vento, já penso em Oyá, Iansã. Busco estabelecer vínculos com essas forças que existem ao nosso redor, e ninguém vai dizer no que posso acreditar. As religiões têm polarizado a sociedade, feito as pessoas se odiarem”, explicou ele durante entrevista para a revista GQ Brasil, reforçando sua conexão com a espiritualidade.

O ator tem três filhos: João, de 22 anos, Ella Filipa, de 15, e Alana Ayó, de 5 anos. É profundamente ligado com cada um deles. Atualmente, solteiro, está em uma nova fase de sua vida, focado na carreira e em sua recuperação integral.  

Ao longo de mais de três décadas, Fábio Assunção construiu uma trajetória marcada pelo talento, versatilidade, coragem e reinvenção constantes. Ele prova que nunca se deixa abalar e sempre renasce das cinzas, voltando ainda mais forte, inspirando o público com sua luta e engajamento e reafirmando seu lugar como um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira. 

E aí? Já conhecia a trajetória desse icônico ator brasileiro? Conte para a gente nas redes sociais do Entretê (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade de cultura e entretenimento!

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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