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Foto: Reprodução/Beatriz Dammy/Globo

Além de Loquinha: Romances LGBTQIAPN+ das novelas que você precisa conhecer 

Histórias que romperam tabus, emocionaram o público e abriram caminho para novas narrativas no horário nobre da televisão brasileira 

As novelas brasileiras têm, cada vez mais, aberto espaço para abarcar e representar a diversidade sexual e de gênero em suas tramas, trazendo profundidade, densidade e complexidade para as histórias de casais LGBTQIAPN+. Quebrando tabus, preconceitos e estereótipos, essas narrativas em novelas se tornam mais visíveis e passam a conquistar o espaço que sempre mereceram na teledramaturgia nacional.

Ao longo das décadas, essa representação passou por uma transformação significativa, saiu do apagamento completo e da censura , atravessou períodos de hiperssexualização e, hoje, caminha em direção a uma pluralidade e representatividade mais respeitosa e bem construída. Atualmente, as novelas exploram essas histórias com mais sensibilidade, humanidade e realismo. 

Um exemplo recente é o casal Lorena e Juquinha da novela Três Graças (2025). A relação entre elas tem sido representada com respeito, amor e dignidade, algo pelo qual a comunidade LGBTQIAPN+ lutou por muitos anos para ver no horário nobre da maior emissora do país. Com cenas de afeto mais explícitas, beijos prolongados e demonstrações de intimidade mais intensas tratadas com a mesma naturalidade dada a casais heteronormativos, a trama marca uma importante quebra de barreiras históricas. E é nesse contexto que o Entretetizei preparou uma lista de casais LGBTQIAPN+ que marcaram o público e ajudaram a abrir caminho para que histórias como a de Loquinha existissem e alcançassem tanto sucesso atualmente. Confira:

Clara e Rafaela – Mulheres Apaixonadas (2003)
Foto: divulgação/AcervoGlobo

Começar essa lista sem mencionar Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) é um desserviço total e seria um grande erro. O casal se tornou um verdadeiro marco lá no início dos anos 2000, sendo o primeiro a representar um romance jovem de um casal LGBTQIAPN+ na TV brasileira e em horário nobre. A história foi conduzida com sensibilidade, respeito e afeto, abordando temas como aceitação e preconceito. O relacionamento entre elas começa como uma amizade, mas à medida que a história avança, as duas estudantes se descobrem apaixonadas uma pela a outra, evoluindo para um romance. Ao longo do folhetim, elas enfrentam grandes dramas como a resistência da família e os ataques homofóbicos dos colegas do colégio. No capítulo final da novela, elas protagonizaram um  rápido selinho ao encenarem uma releitura da peça Romeu e Julieta, de Shakespeare na escola.

Jennifer e Eleonora – Senhora do Destino (2005)
Foto: Reprodução/Gianna Carvalho/Globo

O relacionamento entre a médica Eleonora (Mylla Christie) e a estudante Jenifer (Bárbara Borges) trouxe à tona discussões sobre o amor, preconceito e a aceitação em uma das novelas mais populares da teledramaturgia nacional. Eleonora enfrenta dificuldades para assumir sua homossexualidade para a família, especialmente diante do pai, Sebastião (Nelson Xavier), um conservador fervoroso e que não aceitava o fato de sua única filha ter se apaixonado por uma mulher. Ao longo da trama, o casal conquistou o apelo e a torcida do público e, ao fim da novela, terminam juntas, felizes, formando uma família ao adotarem uma criança, o que provocou diversos debates sobre adoções de crianças realizadas por casais homoafetivos na época.

Marina e Marcela – Amor e Revolução (2011-2012)
Foto: Reprodução/Lourival Ribeiro/Sbt

Protagonistas do primeiro beijo entre duas mulheres na televisão brasileira, Marina (Giselle Tigre) e Marcela (Luciana Vendramini) tiveram a ajuda do público para conquistarem um final feliz no folhetim do SBT. Na época, a emissora lançou uma enquete para decidir o destino da personagem Marina e 82% do público votou a favor de um desfecho positivo para o casal. A história das duas caiu no gosto popular e chegou a ter um spin-off, lançado em 2025, mais de dez anos após o desfecho da trama. A narrativa do casal fez elevar os índices de audiência da novela, que chegou a alcançar recorde no capítulo que apresentou o beijo entre elas. “As personagens nos surpreenderam de um jeito que nunca imaginamos. Eu e Gisele fomos arrebatadas pelo carinho do público, não fazíamos ideia da força dos fã-clubes, das mensagens, do amor que chegava de todos os cantos do país”, contou Luciana Vendramini, intérprete de Marcela na trama, em entrevista ao Portal Léo Dias. 

Clara e Marina– Em Família (2014)
Foto: Reprodução/Inês Lampreia/Globo

O casal Clarina, como apelidado pelos fãs, conquistou o grande público e uma grande base de fãs fiéis e apaixonados. Na trama, a relação entre Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Muller), começa com uma amizade que, aos poucos, se torna algo profundo, bonito e verdadeiro. Clara nunca havia se apaixonado por uma mulher antes e passa por um momento de auto descoberta e reflexão, enfrentando o dilema de estar casada enquanto desenvolve sentimentos pela fotógrafa que a deixa confusa e dividida. Clara reprime seus sentimentos enquanto o marido passa por problemas de saúde. Marina se esforça para conquistá-la e consegue. Cansado das brigas por causa da fotógrafa, Cadu (Reynaldo Gianecchini) pede a separação e vai morar na casa de uma amiga. Com o fim do casamento, Clara, enfim, assume o romance com Marina e se entrega à paixão, que é aprovada pelo filho Ivan (Vitor Figueiredo). No fim da trama, Cadu acaba ficando com a pianista Verônica (Helena Ranaldi) e os dois são padrinhos do casamento de Clara e Marina, que terminam a novela felizes e casadas, reforçando a ideia que quando se tem amor, ele sempre vence no final.

Félix e Niko – Amor à Vida (2013)
Foto: Reprodução/Globo

Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Mateus Solano) formaram um casal icônico que marcou época na novela Amor à Vida. Eles protagonizaram o primeiro beijo gay masculino na TV Globo, consolidando um marco importante na teledramaturgia brasileira. A relação evoluiu de uma amizade super fofa e leve entre os dois para uma união estável entre o vilão mais amado do Brasil e o carismático cozinheiro. Niko surgiu na vida de Félix em uma fase de profunda transformação do personagem. Renegado pela família após as atrocidades que ele cometeu durante a trama serem reveladas, ele precisou se abrigar na casa de Márcia (Elizabeth Savalla), onde aprendeu a se tornar mais humano, íntegro e leal, além de descobrir novas formas de viver por meio de atos de bondade. Nesse contexto, a aproximação com o chef Niko, que aos poucos, conseguiu despertar o lado bom e sensível de Félix e contribuiu para a reconciliação com sua mãe, Pilar (Susana Vieira), é fundamental. Após ser traído por Eron (Marcello Anthony), o chef parecia não acreditar mais no amor, até reconhecer em Félix a possibilidade de um recomeço e de um companheiro ideal para o resto de sua vida. Félix, por sua vez, relutou inicialmente com a ideia do romance e demorou a admitir que sentia algo mais profundo por Niko. Ainda assim, no fim, prevaleceu o amor e o afeto entre os dois. Na reta final da novela, eles conquistam o esperado final feliz, criam os filhos juntos em uma casa de praia e passam a cuidar de César (Antonio Fagundes), pai de Félix, formando uma linda família. O casal se tornou uma verdadeira febre entre o público brasileiro e permanece até hoje como um dos romances mais marcantes da televisão. 

André e Tolentino – Liberdade, Liberdade (2016)
Foto: Reprodução/Felipe Monteiro/Gshow

A novela das 23h de época da Globo deixou o público estarrecido e impactado com o casal interpretado por Ricardo Pereira e Caio Blat, que protagonizaram a primeira cena de sexo entre dois homens na TV aberta brasileira. Infelizmente aqui, o final não foi feliz. “Se algum crime cometi, foi ter amado demais”. Esta foi a última frase dita por André (Caio Blat) antes de sua execução. O irmão de criação de Joaquina (Andreia Horta) foi condenado ao enforcamento, sob acusação de sodomia. Ambientada em um período onde a relação entre dois homens era considerada crime, a trama mostra a condenação e morte do personagem. Ainda assim, isso não tira o marco que foi. O casal viveu um lindo e intenso romance que surgiu da amizade entre dois homens completamente diferentes.

Lica e Samantha – Malhação: Viva a Diferença (2017-2018)
Foto: Reprodução/Globo

Aqui temos o primeiro romance sáfico teen em Malhação. Lica (Manoela Aliperti) e Samantha (Giovanna Grigio) viveram um romance fofo e repleto de descobertas durante a adolescência em Malhação: Viva a Diferença (2017) e se tornaram um verdadeiro fenômeno. A temporada foi tão marcante que rendeu um spin-off chamado As Five, disponível no Globoplay, onde as duas meninas se descobrem em fases diferentes da vida. O romance entre as duas revelava uma paixão intensa enquanto elas lidavam com as diferenças e a diversidade sexual. O beijo entre as duas meninas na novelinha teen roubou a cena e marcou o primeiro beijo gay de Malhação em seus mais de 20 anos de história. A delicadeza e a sensibilidade entre elas conquistou uma legião de fãs, apelidados de Limantha

Clara e Helena, Vai Na Fé
Foto: Reprodução/Globo

Clara (Regiane Alves) é uma mulher que, inicialmente, vive um casamento infeliz com Theo (Emílio Dantas), um homem controlador e abusivo. Helena (Priscila Stenman) é uma personal-trainer bem-sucedida, segura de si e determinada, que conhece Clara na academia do prédio, quando esta decide voltar a se exercitar para tentar resgatar a autoestima destruída por Theo. As duas se tornam amigas, confidentes e, com o tempo, se descobrem apaixonadas uma pela outra. Com a ajuda de Helena, Clara se torna uma mulher mais confiante e forte, tomando coragem para enfrentar o marido tóxico e a relação das duas fica cada vez mais estreita. O fandom Clarena fez barulho, com fãs fervorosos que se mobilizaram nas redes sociais, os telespectadores ainda reclamaram quando os beijos das personagens foram censurados pela direção da Globo e fizeram campanhas para que o gesto de carinho fosse exibido normalmente, gerando debates sobre representatividade e respeito. 

Kelvin e Ramiro – Terra e Paixão (2023)
Foto: Reprodução/Paulo Belonte/Globo

Desde as primeiras cenas, Kelmiro, como são conhecidos entre os fãs do casal, mostraram uma excelente química, sintonia e afeto genuíno, algo que chamou a atenção do público e conquistou os corações dos telespectadores. Kelvin (Diego Martins) e Ramiro (Amaury Lorenzo) foram um dos casais mais shippados da novela Terra e Paixão. Ramiro, inicialmente é apresentado na trama como um matador, frio e violento, um assassino que mata pessoas a mando de seu patrão, Antônio La Selva (Tony Ramos). A raiva do público foi instantânea, mas aos poucos, a verdadeira história por trás de toda essa vilania foi sendo contada e o Brasil foi se afeiçoando pelo capanga, entendendo suas convicções e o seu jeito. Mostrou-se que por trás de tudo aquilo, existia um homem magoado, frustrado e com um coração imenso, tudo isso graças a presença de Kelvin, que investe nele sem dó e medo. Mesmo se esquivando e sem graça, Ramiro vai se deixando levar pelas cantadas e apertãozinhos e começa a gostar do rapaz. Os dois se tornam parceiros, confidentes, e a relação vai se estreitando aos poucos, com declarações de amizade, afeto e demonstrações de carinho. O casal virou uma verdadeira febre nas redes sociais e teve direito a um beijão na reta final da novela; um grande marco para a representatividade Lgbtqiapn+ na televisão brasileira, o público em geral amou a história e torceu fervorosamente por eles. No final, chegaram a se casar com uma festa digna de protagonistas, algo que era impensável até certo tempo atrás. Foi histórico e inesquecível.

Jania e Otilia – Guerreiros do Sol (2025)
Foto: Reprodução/Globo

O casal interpretado por Alinne Moraes e Alice Carvalho conquistou o público com uma história sensível, delicada e cheia de intensidade na novela Guerreiros do Sol. Ao longo da trama, as personagens enfrentam inúmeros obstáculos e vivem um romance marcado por idas e vindas, ambientado entre as décadas de 1920 e 1930, período em que uma relação como a delas era vista como proibida. Em meio aos perigos do cangaço, o amor das duas resiste mesmo diante das dificuldades do caminho. A química avassaladora entre as atrizes, aliada a cenas carregadas de emoção, amor intenso e uma narrativa envolvente, fez com que o público torcesse fervorosamente por um desfecho feliz e digno. No último capítulo, após um longo período separadas, acontece um reencontro quente e cheio de amor super marcante entre elas. Otilia volta para a fazenda e as duas finalmente conquistam o final feliz tão esperado por quem acompanhou o romance. “Pela primeira vez na TV um casal sáfico é coprotagonista e tem final feliz, além de importância na trama. Que doideira fazer parte disso”, afirmou Alice Carvalho, intérprete de Otilia na novela. O casal era pura poesia, arte e intensidade com uma narrativa sensível, potente e bonita que merece ser apreciada e que se firma como um marco de representatividade e emoção na teledramaturgia brasileira. 

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Crítica: Novelinha vertical Loquinha entrega mais profundidade ao casal

Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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