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Além de Loquinha: Romances LGBTQIAPN+ das novelas que você precisa conhecer 

Histórias que romperam tabus, emocionaram o público e abriram caminho para novas narrativas no horário nobre da televisão brasileira 

As novelas brasileiras têm, cada vez mais, aberto espaço para abarcar e representar a diversidade sexual e de gênero em suas tramas, trazendo profundidade, densidade e complexidade para as histórias de casais LGBTQIAPN+. Quebrando tabus, preconceitos e estereótipos, essas narrativas em novelas se tornam mais visíveis e passam a conquistar o espaço que sempre mereceram na teledramaturgia nacional.

Ao longo das décadas, essa representação passou por uma transformação significativa, saiu do apagamento completo e da censura , atravessou períodos de hiperssexualização e, hoje, caminha em direção a uma pluralidade e representatividade mais respeitosa e bem construída. Atualmente, as novelas exploram essas histórias com mais sensibilidade, humanidade e realismo. 

Um exemplo recente é o casal Lorena e Juquinha da novela Três Graças (2025). A relação entre elas tem sido representada com respeito, amor e dignidade, algo pelo qual a comunidade LGBTQIAPN+ lutou por muitos anos para ver no horário nobre da maior emissora do país. Com cenas de afeto mais explícitas, beijos prolongados e demonstrações de intimidade mais intensas tratadas com a mesma naturalidade dada a casais heteronormativos, a trama marca uma importante quebra de barreiras históricas. E é nesse contexto que o Entretetizei preparou uma lista de casais LGBTQIAPN+ que marcaram o público e ajudaram a abrir caminho para que histórias como a de Loquinha existissem e alcançassem tanto sucesso atualmente. Confira:

Clara e Rafaela – Mulheres Apaixonadas (2003)
Foto: divulgação/AcervoGlobo

Começar essa lista sem mencionar Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) é um desserviço total e seria um grande erro. O casal se tornou um verdadeiro marco lá no início dos anos 2000, sendo o primeiro a representar um romance jovem de um casal LGBTQIAPN+ na TV brasileira e em horário nobre. A história foi conduzida com sensibilidade, respeito e afeto, abordando temas como aceitação e preconceito. O relacionamento entre elas começa como uma amizade, mas à medida que a história avança, as duas estudantes se descobrem apaixonadas uma pela a outra, evoluindo para um romance. Ao longo do folhetim, elas enfrentam grandes dramas como a resistência da família e os ataques homofóbicos dos colegas do colégio. No capítulo final da novela, elas protagonizaram um  rápido selinho ao encenarem uma releitura da peça Romeu e Julieta, de Shakespeare na escola.

Jennifer e Eleonora – Senhora do Destino (2005)
Foto: Reprodução/Gianna Carvalho/Globo

O relacionamento entre a médica Eleonora (Mylla Christie) e a estudante Jenifer (Bárbara Borges) trouxe à tona discussões sobre o amor, preconceito e a aceitação em uma das novelas mais populares da teledramaturgia nacional. Eleonora enfrenta dificuldades para assumir sua homossexualidade para a família, especialmente diante do pai, Sebastião (Nelson Xavier), um conservador fervoroso e que não aceitava o fato de sua única filha ter se apaixonado por uma mulher. Ao longo da trama, o casal conquistou o apelo e a torcida do público e, ao fim da novela, terminam juntas, felizes, formando uma família ao adotarem uma criança, o que provocou diversos debates sobre adoções de crianças realizadas por casais homoafetivos na época.

Marina e Marcela – Amor e Revolução (2011-2012)
Foto: Reprodução/Lourival Ribeiro/Sbt

Protagonistas do primeiro beijo entre duas mulheres na televisão brasileira, Marina (Giselle Tigre) e Marcela (Luciana Vendramini) tiveram a ajuda do público para conquistarem um final feliz no folhetim do SBT. Na época, a emissora lançou uma enquete para decidir o destino da personagem Marina e 82% do público votou a favor de um desfecho positivo para o casal. A história das duas caiu no gosto popular e chegou a ter um spin-off, lançado em 2025, mais de dez anos após o desfecho da trama. A narrativa do casal fez elevar os índices de audiência da novela, que chegou a alcançar recorde no capítulo que apresentou o beijo entre elas. “As personagens nos surpreenderam de um jeito que nunca imaginamos. Eu e Gisele fomos arrebatadas pelo carinho do público, não fazíamos ideia da força dos fã-clubes, das mensagens, do amor que chegava de todos os cantos do país”, contou Luciana Vendramini, intérprete de Marcela na trama, em entrevista ao Portal Léo Dias. 

Clara e Marina– Em Família (2014)
Foto: Reprodução/Inês Lampreia/Globo

O casal Clarina, como apelidado pelos fãs, conquistou o grande público e uma grande base de fãs fiéis e apaixonados. Na trama, a relação entre Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Muller), começa com uma amizade que, aos poucos, se torna algo profundo, bonito e verdadeiro. Clara nunca havia se apaixonado por uma mulher antes e passa por um momento de auto descoberta e reflexão, enfrentando o dilema de estar casada enquanto desenvolve sentimentos pela fotógrafa que a deixa confusa e dividida. Clara reprime seus sentimentos enquanto o marido passa por problemas de saúde. Marina se esforça para conquistá-la e consegue. Cansado das brigas por causa da fotógrafa, Cadu (Reynaldo Gianecchini) pede a separação e vai morar na casa de uma amiga. Com o fim do casamento, Clara, enfim, assume o romance com Marina e se entrega à paixão, que é aprovada pelo filho Ivan (Vitor Figueiredo). No fim da trama, Cadu acaba ficando com a pianista Verônica (Helena Ranaldi) e os dois são padrinhos do casamento de Clara e Marina, que terminam a novela felizes e casadas, reforçando a ideia que quando se tem amor, ele sempre vence no final.

Félix e Niko – Amor à Vida (2013)
Foto: Reprodução/Globo

Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Mateus Solano) formaram um casal icônico que marcou época na novela Amor à Vida. Eles protagonizaram o primeiro beijo gay masculino na TV Globo, consolidando um marco importante na teledramaturgia brasileira. A relação evoluiu de uma amizade super fofa e leve entre os dois para uma união estável entre o vilão mais amado do Brasil e o carismático cozinheiro. Niko surgiu na vida de Félix em uma fase de profunda transformação do personagem. Renegado pela família após as atrocidades que ele cometeu durante a trama serem reveladas, ele precisou se abrigar na casa de Márcia (Elizabeth Savalla), onde aprendeu a se tornar mais humano, íntegro e leal, além de descobrir novas formas de viver por meio de atos de bondade. Nesse contexto, a aproximação com o chef Niko, que aos poucos, conseguiu despertar o lado bom e sensível de Félix e contribuiu para a reconciliação com sua mãe, Pilar (Susana Vieira), é fundamental. Após ser traído por Eron (Marcello Anthony), o chef parecia não acreditar mais no amor, até reconhecer em Félix a possibilidade de um recomeço e de um companheiro ideal para o resto de sua vida. Félix, por sua vez, relutou inicialmente com a ideia do romance e demorou a admitir que sentia algo mais profundo por Niko. Ainda assim, no fim, prevaleceu o amor e o afeto entre os dois. Na reta final da novela, eles conquistam o esperado final feliz, criam os filhos juntos em uma casa de praia e passam a cuidar de César (Antonio Fagundes), pai de Félix, formando uma linda família. O casal se tornou uma verdadeira febre entre o público brasileiro e permanece até hoje como um dos romances mais marcantes da televisão. 

André e Tolentino – Liberdade, Liberdade (2016)
Foto: Reprodução/Felipe Monteiro/Gshow

A novela das 23h de época da Globo deixou o público estarrecido e impactado com o casal interpretado por Ricardo Pereira e Caio Blat, que protagonizaram a primeira cena de sexo entre dois homens na TV aberta brasileira. Infelizmente aqui, o final não foi feliz. “Se algum crime cometi, foi ter amado demais”. Esta foi a última frase dita por André (Caio Blat) antes de sua execução. O irmão de criação de Joaquina (Andreia Horta) foi condenado ao enforcamento, sob acusação de sodomia. Ambientada em um período onde a relação entre dois homens era considerada crime, a trama mostra a condenação e morte do personagem. Ainda assim, isso não tira o marco que foi. O casal viveu um lindo e intenso romance que surgiu da amizade entre dois homens completamente diferentes.

Lica e Samantha – Malhação: Viva a Diferença (2017-2018)
Foto: Reprodução/Globo

Aqui temos o primeiro romance sáfico teen em Malhação. Lica (Manoela Aliperti) e Samantha (Giovanna Grigio) viveram um romance fofo e repleto de descobertas durante a adolescência em Malhação: Viva a Diferença (2017) e se tornaram um verdadeiro fenômeno. A temporada foi tão marcante que rendeu um spin-off chamado As Five, disponível no Globoplay, onde as duas meninas se descobrem em fases diferentes da vida. O romance entre as duas revelava uma paixão intensa enquanto elas lidavam com as diferenças e a diversidade sexual. O beijo entre as duas meninas na novelinha teen roubou a cena e marcou o primeiro beijo gay de Malhação em seus mais de 20 anos de história. A delicadeza e a sensibilidade entre elas conquistou uma legião de fãs, apelidados de Limantha

Clara e Helena, Vai Na Fé
Foto: Reprodução/Globo

Clara (Regiane Alves) é uma mulher que, inicialmente, vive um casamento infeliz com Theo (Emílio Dantas), um homem controlador e abusivo. Helena (Priscila Stenman) é uma personal-trainer bem-sucedida, segura de si e determinada, que conhece Clara na academia do prédio, quando esta decide voltar a se exercitar para tentar resgatar a autoestima destruída por Theo. As duas se tornam amigas, confidentes e, com o tempo, se descobrem apaixonadas uma pela outra. Com a ajuda de Helena, Clara se torna uma mulher mais confiante e forte, tomando coragem para enfrentar o marido tóxico e a relação das duas fica cada vez mais estreita. O fandom Clarena fez barulho, com fãs fervorosos que se mobilizaram nas redes sociais, os telespectadores ainda reclamaram quando os beijos das personagens foram censurados pela direção da Globo e fizeram campanhas para que o gesto de carinho fosse exibido normalmente, gerando debates sobre representatividade e respeito. 

Kelvin e Ramiro – Terra e Paixão (2023)
Foto: Reprodução/Paulo Belonte/Globo

Desde as primeiras cenas, Kelmiro, como são conhecidos entre os fãs do casal, mostraram uma excelente química, sintonia e afeto genuíno, algo que chamou a atenção do público e conquistou os corações dos telespectadores. Kelvin (Diego Martins) e Ramiro (Amaury Lorenzo) foram um dos casais mais shippados da novela Terra e Paixão. Ramiro, inicialmente é apresentado na trama como um matador, frio e violento, um assassino que mata pessoas a mando de seu patrão, Antônio La Selva (Tony Ramos). A raiva do público foi instantânea, mas aos poucos, a verdadeira história por trás de toda essa vilania foi sendo contada e o Brasil foi se afeiçoando pelo capanga, entendendo suas convicções e o seu jeito. Mostrou-se que por trás de tudo aquilo, existia um homem magoado, frustrado e com um coração imenso, tudo isso graças a presença de Kelvin, que investe nele sem dó e medo. Mesmo se esquivando e sem graça, Ramiro vai se deixando levar pelas cantadas e apertãozinhos e começa a gostar do rapaz. Os dois se tornam parceiros, confidentes, e a relação vai se estreitando aos poucos, com declarações de amizade, afeto e demonstrações de carinho. O casal virou uma verdadeira febre nas redes sociais e teve direito a um beijão na reta final da novela; um grande marco para a representatividade Lgbtqiapn+ na televisão brasileira, o público em geral amou a história e torceu fervorosamente por eles. No final, chegaram a se casar com uma festa digna de protagonistas, algo que era impensável até certo tempo atrás. Foi histórico e inesquecível.

Jania e Otilia – Guerreiros do Sol (2025)
Foto: Reprodução/Globo

O casal interpretado por Alinne Moraes e Alice Carvalho conquistou o público com uma história sensível, delicada e cheia de intensidade na novela Guerreiros do Sol. Ao longo da trama, as personagens enfrentam inúmeros obstáculos e vivem um romance marcado por idas e vindas, ambientado entre as décadas de 1920 e 1930, período em que uma relação como a delas era vista como proibida. Em meio aos perigos do cangaço, o amor das duas resiste mesmo diante das dificuldades do caminho. A química avassaladora entre as atrizes, aliada a cenas carregadas de emoção, amor intenso e uma narrativa envolvente, fez com que o público torcesse fervorosamente por um desfecho feliz e digno. No último capítulo, após um longo período separadas, acontece um reencontro quente e cheio de amor super marcante entre elas. Otilia volta para a fazenda e as duas finalmente conquistam o final feliz tão esperado por quem acompanhou o romance. “Pela primeira vez na TV um casal sáfico é coprotagonista e tem final feliz, além de importância na trama. Que doideira fazer parte disso”, afirmou Alice Carvalho, intérprete de Otilia na novela. O casal era pura poesia, arte e intensidade com uma narrativa sensível, potente e bonita que merece ser apreciada e que se firma como um marco de representatividade e emoção na teledramaturgia brasileira. 

E aí, gostou de relembrar esses casais maravilhosos e tão representativos? Conta para gente nas redes sociais do Entretê! Nos siga no X, no Facebook e no Instagram e não perca as novidades.

Leia também: Do subtexto ao protagonismo:Três décadas de transformação lésbica na TV

Crítica: Novelinha vertical Loquinha entrega mais profundidade ao casal

Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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Especiais Livros

Especial | Charlotte Brontë e a força silenciosa que atravessa gerações

Em celebração ao aniversário da autora de Jane Eyre, o Clube do Livro do Entretê revisita a trajetória de uma das vozes mais marcantes da literatura inglesa e seu impacto na atualidade

No dia 21 de abril, leitores ao redor do mundo celebram o nascimento de Charlotte Brontë, uma autora cuja voz permanece atual até hoje. Sua obra mais conhecida, Jane Eyre (1847), não apenas conquistou gerações, mas também ajudou a transformar a forma como as mulheres passaram a ser representadas na literatura.

Foto: reprodução/Poetry Foundation

Mais do que um clássico, o romance permanece atual ao abordar temas como autonomia, desejo, moralidade e pertencimento. Em um cenário literário que frequentemente limitava as vozes femininas, Brontë criou personagens que não apenas existiam – elas questionavam, escolhiam e resistiam.

Uma voz à frente do seu tempo

Nascida em 1816, na região de Yorkshire, Charlotte cresceu em um ambiente marcado por contrastes: de um lado, o incentivo à leitura; de outro, uma sucessão de perdas familiares que atravessaram sua infância. Filha de um pastor anglicano, ela perdeu a mãe ainda muito jovem e, pouco depois, viu duas irmãs mais velhas morrerem após passarem por um internato cujas condições eram duras e insalubres.

Esse contexto de luto constante e isolamento não ficou restrito à vida pessoal, ele atravessou sua escrita de forma profunda. Ao lado das irmãs Emily Brontë (1818-1848) e Anne Brontë (1820-1849), Charlotte encontrou na imaginação uma forma de expandir os limites daquele cotidiano restrito.

Foto: reprodução/Adoro Cinema

Ainda na infância, as irmãs criaram universos ficcionais complexos, com geografia própria, disputas políticas e personagens recorrentes. Essas histórias eram registradas em cadernos minúsculos, escritos com letras quase imperceptíveis – um exercício contínuo de criação que funcionava como um verdadeiro laboratório literário doméstico. Essa prática intensa ajuda a compreender a densidade emocional e a força dramática que marcariam suas obras anos depois.

Jane Eyre e a revolução silenciosa

Quando publicou Jane Eyre, em 1847, sob o pseudônimo Currer Bell, Charlotte Brontë apresentou ao público uma protagonista que desafiava as convenções da época. A história acompanha uma jovem órfã, sem recursos e aparentemente comum, que constrói sua trajetória com base em princípios próprios, inclusive ao se apaixonar pelo enigmático Sr. Rochester.

Foto: reprodução/Clube de Literatura Clássica

Misturando elementos do romance gótico com um forte realismo psicológico, a obra vai além de uma narrativa romântica. Trata-se de uma crítica às limitações impostas às mulheres e às estruturas sociais do século XIX.

Foto: divulgação/Martin Claret/Entretetizei

Jane não se encaixa no modelo passivo frequentemente atribuído às personagens femininas daquele período. Ela sente intensamente, enfrenta dilemas morais e, acima de tudo, toma decisões – algo que, à época, soava profundamente disruptivo.

O peso de ser mulher no século XIX

A publicação das obras das irmãs Brontë aconteceu em um contexto em que mulheres escritoras eram frequentemente recebidas com desconfiança. Para contornar esse cenário, Charlotte, Emily e Anne optaram por assinar seus trabalhos com pseudônimos masculinos: Currer, Ellis e Acton Bell.

Foto: reprodução/History

Longe de ser um detalhe, essa escolha revela as barreiras estruturais enfrentadas por mulheres no campo literário. Ainda assim, suas narrativas não buscavam suavizar temas ou se adequar a expectativas: eram histórias intensas, atravessadas por conflitos morais, emoções extremas e personagens complexos.

Foto: reprodução/Instagram @trechosdelivros

Nesse sentido, Charlotte Brontë não apenas conquistou espaço, ela ajudou a transformá-lo. Ao colocar a experiência feminina no centro da narrativa, deu forma a uma escrita marcada pela interioridade, pela força emocional e por uma perspectiva até então pouco explorada na literatura inglesa.

Em Jane Eyre, essa ruptura se manifesta também na forma. A narrativa em primeira pessoa aproxima o leitor da protagonista de maneira direta, criando uma conexão íntima com seus pensamentos, dilemas e desejos, um recurso que intensifica o impacto emocional da obra.

Foto: reprodução/Instagram @trechosdelivros

Ao mesmo tempo, Brontë dialoga com a tradição do romance gótico, mas a ressignifica. Elementos como a atmosfera carregada de Thornfield Hall, os segredos que atravessam a narrativa e a figura perturbadora de Bertha Mason não funcionam apenas como recurso de suspense: eles refletem tensões sociais e psicológicas profundas.

Foto: reprodução/Instagram @rafaelnobrestudio

O gótico, aqui, deixa de ser apenas cenário e passa a operar como linguagem, uma forma de expressar angústias, repressões e conflitos internos, especialmente aqueles impostos às mulheres em uma sociedade rigidamente estruturada. Ao trazer esse imaginário para um contexto mais realista e doméstico, Brontë contribuiu para renovar o gênero, aproximando-o da experiência cotidiana e ampliando suas possibilidades.

Foto: reprodução/Instagram @canyayinlari

Não por acaso, essa simbologia segue sendo revisitada em diferentes linguagens artísticas. Um exemplo contemporâneo é a canção Madwoman in the Attic, da banda Blackbriar, inspirada na figura da louca no sótão. Ao recuperar a história de Bertha Mason, a música reforça como os conflitos presentes em Jane Eyre permanecem vivos e continuam encontrando novas formas de expressão.

Um legado que atravessa gerações

A trajetória das irmãs Brontë também foi marcada por perdas precoces. Emily Brontë e Anne Brontë morreram poucos anos após a publicação de suas obras, enquanto Charlotte viveu o suficiente para acompanhar o crescimento do reconhecimento literário e contribuir para a consolidação do legado familiar.

Foto: reprodução/Dark Blog

Sua própria história, no entanto, também seria interrompida de forma abrupta. Charlotte Brontë morreu em 1855, aos 38 anos, durante a gestação de seu primeiro filho, menos de um ano após o casamento. À época, a causa registrada foi tuberculose – uma doença que já havia atingido outros membros da família –, mas análises posteriores apontam que seu quadro pode ter sido agravado por complicações severas da gravidez, que a deixaram extremamente debilitada.

Com o passar do tempo, a história das três irmãs – frequentemente associada à imagem de jovens geniais isoladas – ajudou a construir um imaginário quase lendário em torno de seus nomes. No entanto, por trás dessa narrativa, havia disciplina, leitura constante e um compromisso rigoroso com a escrita.

Décadas depois, Jane Eyre continua sendo revisitado, adaptado e reinterpretado, mantendo-se relevante ao dialogar com questões que ainda atravessam a experiência contemporânea.

Foto: reprodução/MUBI

Celebrar Charlotte Brontë é, portanto, reconhecer não apenas sua contribuição para a literatura, mas também a potência de histórias que se recusam a ser esquecidas. Em cada página, sua escrita reafirma que, mesmo em silêncio, algumas vozes são capazes de atravessar gerações.

Foto: reprodução/Literatura Inglesa Brasil

Você se aventuraria pelos mistérios de Thornfield Hall para celebrar o aniversário de Charlotte Brontë? Compartilhe com a gente através das nossas redes sociais – Instagram, Facebook e X – e, se você gosta de trocar experiências literárias, junte-se ao Clube do Livro do Entretê!

 

Leia também: Top 5 filmes sobre a vida de escritoras

 

Texto revisado por Alexia Friedmann

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Cinema Notícias

Michael Jackson: quem foi o Rei do Pop e o que esperar de sua cinebiografia?

Michael chega como um dos filmes mais ambiciosos do cinema musical recente.

Mais de uma década após sua morte, Michael Jackson continua sendo um fenômeno cultural difícil de traduzir em palavras, imagine então condensar toda essa bagagem em apenas um único filme. A cinebiografia dirigida por Antoine Fuqua não pretende ser apenas um retrato, quer ser um evento.

O artista que virou linguagem

Michael Jackson não foi apenas um cantor, ele se tornou uma linguagem da cultura pop contemporânea. Isso significa que sua obra não impactou só o que era produzido, mas como se passou a produzir, consumir e interpretar música e imagem.

Desde os tempos no Jackson 5 até o sucesso de sua carreira solo, Michael construiu uma gramática própria baseada na fusão entre som, corpo e imagem. Seus videoclipes deixaram de ser peças promocionais para se tornarem narrativas audiovisuais completas, com estrutura dramática, estética cinematográfica e forte apelo simbólico

Michael Jackson
Foto: reprodução/CNN Brasil

Michael não apenas inovou, ele estabeleceu padrões que perpetuam até hoje na indústria, como a ideia de que um lançamento musical pode ser um evento global, o videoclipe como extensão narrativa da canção, a performance como linguagem visual – e não apenas execução vocal – e o artista como diretor de sua própria imagem.

Depois de um fenômeno chamado Michael Jackson, não bastava cantar. Era preciso encenar, coreografar, construir atmosfera e contar histórias com o corpo e com a câmera. Seus shows deixaram de ser apresentações musicais e passaram a operar como espetáculos que misturam teatro e cinema, com narrativa, iluminação dramática e tudo cuidadosamente planejado.

Por esse motivo, falar de Michael Jackson é falar de alguém que ajudou a reescrever as regras do entretenimento global. Essa dimensão audiovisual é central para entender por que sua trajetória resiste a abordagens mais simplistas e por que a cinebiografia aposta tanto na recriação desses momentos.

Quem foi Michael Jackson para além dos palcos?

Apesar de uma aura tão inalcançável – quase mitológica –, Michael Jackson era feito de detalhes muito concretos que ajudam a desconstruir essa ideia de uma figura inacessível. 

Nos bastidores, ele cultivava um humor quase infantil, o que é possível observar em diversos vídeos da época. Michael adorava ligar anonimamente para amigos e celebridades, só para brincar com as reações, e era conhecido por pregar sustos em integrantes da equipe durante turnês.

Em hotéis, se escondia em corredores ou atrás de portas apenas para surpreender alguém – um comportamento completamente distante da imagem silenciosa e controlada que Jackson exibia em público.

Esse lado leve coexistia com um processo criativo musical extremamente singular. Sem formação musical tradicional, ele compunha vocalizando todos os instrumentos, gravando guias inteiras com a própria voz – bateria, baixo, sintetizadores – para depois repassar aos músicos. Produtores relatam que algumas faixas surgiam praticamente completas dessa forma, como se ele estivesse ouvindo tudo na cabeça. 

Michael Jackson
Foto: reprodução/MJ Beats

Michael Jackson era um artista movido por uma obsessão quase espiritual pela perfeição sonora. E mesmo sem ser um multi-instrumentista, conduzia músicos como um maestro que escuta antes de todos aquilo que o mundo ainda não pode ouvir.

Por mais que tocasse piano, sua verdadeira maestria vinha de outro lugar – da boca, do peito, do estalo de dedos. Ele simulava cada instrumento com uma precisão assustadora. Criava linhas de baixo com a garganta, reproduzia o som da caixa de bateria com os lábios, murmurava acordes complexos com uma naturalidade desconcertante. 

Há também um aspecto quase sensorial nessa criação. Michael dizia que não apenas ouvia música, ele a via como se cada som tivesse forma, cor e emoções próprias. Isso ajuda a entender por que suas canções sempre carregam uma dimensão visual tão forte, algo que era naturalmente explorado em seus videoclipes.

E é aí que entra outra curiosidade bastante reveladora: nada em sua imagem era aleatório. A famosa luva brilhante de Billie Jean, por exemplo, foi pensada para destacar os movimentos sob a luz do palco e guiar o olhar do público. Cada gesto, pausa ou inclinação do corpo funcionava como parte de uma coreografia visual calculada.

Michael Jackson
Foto: reprodução/MJ Beats

Nos palcos, esse controle atingia níveis extremos. Michael ensaiava até que o movimento deixasse de parecer ensaiado, buscando um efeito quase impossível de naturalidade. O moonwalk, que ele ajudou a eternizar, é o melhor exemplo. Ele não é apenas um passo de uma coreografia, mas uma ilusão cuidadosamente refinada.

Fora do ambiente profissional, surgiam contrastes ainda mais marcantes. Ele tinha uma fascínio declarado por universos infantis e parques de diversão, o que levou à criação de Neverland, um espaço que misturava refúgio pessoal e extensão de sua imaginação. Além de uma mansão, o local contava com um parque de diversões, cinema privativo, uma ferrovia que atravessava a propriedade e um zoológico, onde Michael recebia seus convidados. 

Rancho Neverland
Foto: reprodução/O Globo

O cantor tomou conhecimento do espaço em 1983, quando visitou Paul McCartney, que estava hospedado no local enquanto gravavam o clipe de Say Say Say

Neverland, além de um lugar excêntrico, também fazia parte de uma dimensão muito maior. Michael frequentemente recebia crianças em situação de vulnerabilidade e doenças graves, oferecendo experiências que, para muitas delas, eram únicas na vida.

Ao mesmo tempo, o rancho se tornou palco de momentos históricos e midiáticos, como a entrevista com Oprah Winfrey em 1993 e até o casamento de Elizabeth Taylor dentro da propriedade.

Em público, Jackson mantinha hábitos relativamente estranhos para a maior parte do público. Como o uso frequente de máscaras e uma preocupação constante com saúde e preservação da voz – muito antes disso sequer se tornar comum.

Além de sua relação com os fãs, que beirava o fenômeno coletivo. Em países como o Brasil, suas visitas provocavam mobilizações imediatas, com multidões ocupando ruas e hotéis. Michael, por sua vez, frequentemente quebrava protocolos para retribuir esse afeto, criando momentos espontâneos de contato.

Em fevereiro de 1996, Michael Jackson gravou o clipe They Don’t Care About Us no Brasil, com direção de Spike Lee. As filmagens ocorreram no Pelourinho, em Salvador, com o Olodum, e na favela Santa Marta, no Rio de Janeiro. O clipe focou em questões sociais e gerou um enorme impacto no país, retratando locais que sofreram com a falta de atenção governamental, seguindo o tema da música.

O legado de Jackson na defesa da natureza e da humanidade

Entre as muitas fases de Michael, poucas são tão reveladoras quanto seu engajamento com causas sociais e ambientais. O cantor usou sua música durante toda sua carreira como uma plataforma global para despertar a consciência social. 

We are the world
Foto: reprodução/Rolling Stone Brasil

Um grande exemplo disso é a canção Man in the Mirror, que pede uma autorreflexão do ouvinte. Aqui, o rei do pop defende que, para consertar as injustiças e a pobreza no mundo, o primeiro passo deve ser interno. Ele canta sobre olhar para si mesmo e fazer a mudança de dentro para fora antes de tentar mudar a sociedade.

Já em We Are the World, coescrita com Lionel Richie, foi um chamado à ação humanitária coletiva. Seu foco era a fome na África – através do projeto USA for Africa –, mostrando que o mundo é uma única família e que a sobrevivência de um depende da generosidade e união de todos.

Alguns anos depois, Michael lançou a música considerada por ele sua canção mais orgulhosa. O foco? Na preservação do planeta para as próximas gerações e no cuidado com as crianças. Ela prega o amor incondicional e a criação de um lugar melhor, livre de guerras e sofrimento. 

Heal the world
Foto: reprodução/MJ Beats

Lançada no álbum Dangerous em 1991, a canção se constrói como uma balada humanitária direta e acessível, pensada para alcançar o maior número de pessoas possível. Diferente de outras canções mais densas de sua carreira, Heal the World optou por uma abordagem mais simples, quase didática, para transmitir a mensagem de que a ideia de um mundo melhor depende, acima de tudo, de escolhas individuais

A estrutura da música funciona como um convite coletivo, com um efeito de um hino compartilhado, pensado para ser cantado e interpretado em conjunto. Aqui, o debate está no campo da empatia. Em vez de simplesmente apontar culpados, ele insiste na responsabilidade coletiva ao reforçar a ideia de que o cuidado com o outro é o ponto de partida para qualquer transformação real.

A canção ainda deu origem à Heal the World Foundation, organização criada pelo artista para apoiar crianças em situação de vulnerabilidade e promover ações humanitárias ao redor do mundo. Apesar do tom idealista demais – para alguns –, Heal the World nunca pretendeu ser realista, e sim aspiracional. Ela projeta um mundo possível, ainda que distante, e convida o público a imaginá-lo junto.

Earth song
Foto: reprodução/MJ Beats

No entanto, foi com Earth Song que Michael revelou sua maior preocupação com o planeta. Lançada em 1995, dentro do álbum History, a canção se distancia do formato tradicional do pop para assumir um tom quase dramático. Mais do que uma música, ela funciona como um apelo direto ao mundo, questionando a forma como a humanidade lida com a natureza, com os animais e com a própria vida.

A construção da faixa é emocional e crescente, combinando elementos de gospel e balada para amplificar a sensação de urgência. Na letra, Michael não oferece respostas fáceis, mas insiste em perguntas. A mais marcante delas foi “E quanto a nós?”, que ecoa como um questionamento coletivo, direcionado à humanidade como um todo.

A inspiração surgiu após o artista entrar em contato com narrativas sobre a destruição ambiental, especialmente relacionadas à Amazônia. Impactado, ele buscou traduzir em uma música não apenas a degradação da natureza, mas também suas consequências sociais e em como ela atinge comunidades, culturas e espécies inteiras.

O que diferencia Earth Song de outras músicas não é apenas o fato de se tratar de ecologia, mas por ser uma crítica direta e afiada à indiferença humana diante do sofrimento – seja ele ambiental, social ou político. O impacto foi global, mesmo sem seguir estratégias convencionais de lançamento, e conseguiu alcançar o topo das paradas em diversos países e se tornou uma das mais reconhecidas da carreira de Michael.

O que mais impressiona? A atualidade da mensagem. Questões como crise climática, desmatamento e extinção de espécies, já apontadas há décadas, se intensificaram. Essa realidade faz com que Earth Song soe menos como um retrato de seu tempo e mais como um alerta contínuo que o mundo continua a ignorar.

O sofrimento eternizado em um completo silêncio

Fala de Michael Jackson sem abordar as denúncias que atravessaram sua vida seria ignorar uma parte fundamental, e dolorosa, da sua história.

As primeiras acusações de abuso sexual surgiram nos anos 90, no auge de sua carreira, e o impacto foi imediato. O cantor teve turnês canceladas, contratos rompidos e uma exposição midiática que rapidamente deixou de ser cobertura para se tornar um julgamento público.

Embora o caso tenha sido encerrado sem acusação criminal formal e com um acordo civil que, segundo a defesa, não representava admissão de culpa, o dano já estava feito. 

Michael Jackson
Foto: reprodução/The New York Times

Uma década depois, em 2005, Michael enfrentou o momento mais crítico dessa trajetória, um julgamento criminal que mobilizou o mundo. Durante meses, o caso foi tratado como espetáculo global, acompanhado em tempo real pela imprensa, em um cenário frequentemente descrito como um circo midiático.

No fim, o veredito foi claro, Michael Jackson foi absolvido de todas as acusações. Mas a absolvição jurídica não significou absolvição pública. Mesmo inocentado, ele permaneceu sob suspeita. Muitos consideraram que o artista havia sido condenado na opinião pública, carregando o peso das acusações até o fim de sua vida.

O impacto psicológico dessas acusações, somado a décadas de fama extrema, foi devastador. As denúncias não foram apenas um escândalo, mas sim um ponto de ruptura. Após o julgamento, Michael se afastou dos Estados Unidos, deixou Neverland – para onde nunca retornou – e passou períodos vivendo fora do país.

O isolamento ficou cada vez mais evidente. Sua imagem pública já não era controlada por ele, mas por manchetes, especulações e narrativas externas.

E independente da verdade jurídica, o desgaste emocional foi real

Michael Jackson
Foto: reprodução/Rolling Stone

Ao longo dos anos, Michael evitou falar sobre o assunto, mas quando falou, ele foi desacreditado.

Ele negou repetidamente todas as acusações, mas sua voz diante da escala da mídia parecia insuficiente. O artista que dominava multidões no palco parecia incapaz de controlar a própria narrativa fora dele.

Michael sofreu sob o olhar constante do público, mas muitas vezes em silêncio. Um silêncio que não significava ausência de dor, mas sim a impossibilidade de expressá-la de forma que fosse realmente compreendida. E esse silêncio atravessa sua trajetória até o fim.

Michael: um espetáculo construído nos detalhes
Michael
Foto: reprodução/MJ Beats

Antes mesmo de estrear, Michael já se impõe não como um filme, mas como uma reconstrução ambiciosa de um fenômeno cultural que, por definição, sempre foi maior que o cinema.

Dirigido por Antoine Fuqua e produzido por Graham King, o mesmo responsável por Bohemian Rhapsody, o longa nasce com uma proposta muito clara. O objetivo não é apenas contar a história de Michael Jackson, mas recriar a experiência de ser testemunha de sua grandeza

E isso começa pela escala.

Com um orçamento estimado entre US$155 milhões e US$200 milhões, o filme se posiciona como uma das cinebiografias musicais mais caras já produzidas, um indicativo direto de sua ambição estética e narrativa. Mas o que realmente diferencia Michael não é apenas o investimento, e sim a sua obsessão por autenticidade.

O filme percorre diferentes fases da carreira – do Jackson 5 aos anos de consagração solo –, reconstruindo performances, figurinos e atmosferas que não são apenas icônicos, mas quase intocáveis dentro da cultura pop. 

A trilha sonora do longa também desempenha um papel central na busca por autenticidade. Com acesso completo ao catálogo musical do artista, viabilizado pelo envolvimento da família na produção, o filme utiliza faixas originais para construir sua narrativa emocional. 

Michael
Foto: reprodução/MJ Beats

Nas primeiras reações da imprensa mundial, esses aspectos aparecem com força. Sequências inspiradas em apresentações como Thriller e Beat It foram descritas como impossíveis de assistir de forma passiva.

Jornalistas ainda destacaram que o filme provoca reações físicas – gente se mexendo na cadeira, acompanhando o ritmo, se emocionando – como se estivesse diante de um show ao vivo.

Não por acaso, um dos comentários mais repetidos resume bem o tom geral, o filme seria “o motivo pelo qual vamos ao cinema”

As cenas de show foram filmadas com centenas de figurantes e banda ao vivo, em uma tentativa de reproduzir não apenas a imagem, mas a energia dos espetáculos originais. Durante as gravações, segundo relatos da própria produção, o efeito foi tão imersivo que os próprios figurantes reagiram espontaneamente, gritando, chorando e dançando como se estivessem diante do próprio rei do pop. 

Câmeras adicionais foram usadas para capturar essas reações, transformando o público em parte ativa da narrativa, quase como um personagem coletivo que ajuda a traduzir o impacto do artista. Críticos descreveram esses momentos do filme como quase espirituais, especialmente em cenas construídas em torno de músicas mais sensíveis, como Human Nature.

Michael
Foto: reprodução/CNN Brasil

Jaafar Jackson, sobrinho de Michael Jackson que interpreta o Rei do Pop, surge como o eixo central da construção do espetáculo. As primeiras impressões são consistentes ao descrevê-lo como hipnotizante, elétrico e extremamente fiel ao artista – não apenas em aparência, mas em presença de palco.

Ao seu lado, Colman Domingo chama atenção por uma abordagem mais densa e desconfortável ao interpretar Joe Jackson, trazendo complexidade a uma relação familiar fundamental para entender a trajetória do cantor.

No entanto, nem só de aplausos consiste a crítica. Alguns apontam problemas de ritmo e um desfecho menos impactante do que o restante da obra. 

Isso, provavelmente, se deve ao fato de o material gravado ser absurdamente maior do que o tempo de tela que eles teriam no filme. E, nos bastidores, há fortes indícios de que uma parte dois esteja nos planos, possivelmente cobrindo as décadas de 90 e 2000, com chance de lançamento entre 2027 e 2028.

No geral, o consenso crítico parece bastante claro, Michael entrega espetáculo, emoção e performances marcantes. Junior Felix, crítico de cinema, foi ainda mais direto ao classificar o filme como um dos melhores filmes biográficos musicais já feitos.

E não teria como ser diferente. Se ele foi o artista que transformou a música em linguagem audiovisual, faz sentido que sua história no cinema não pudesse ser contada de forma convencional. Michael entende isso e traz uma trama que não apenas mostra o ícone, mas tenta fazer o público senti-lo novamente.

Assista ao trailer oficial:

O longa estreia nos cinemas de todo Brasil na próxima terça-feira (21) e aborda a vida do artista até a era da Bad World Tour, final dos anos 80. E apesar de ainda não ter uma confirmação oficial do estúdio para uma sequência, a parte dois é tratada como provável. 

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Texto revisado por Cristiane Amarante

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Livros Notícias

Lançamento Intrínseca: Adaga e Chama, de Catherine Doyle

Romantasia eletrizante expande os limites do trope literário enemies to lovers

Preparem-se para a mais nova romantasia publicada pela Editora Intrínseca. O primeiro volume da série A Cidade de Fantome, Adaga e Chama, desafia as fronteiras de um dos tropes mais amados pelos leitores: enemies to lovers. A obra apresenta um romance entre membros de guildas inimigas que tentam assassinar um ao outro várias vezes

Indo na contramão de algumas das histórias que também apresentam seus protagonistas como inimigos, mas desfazem a rivalidade entre os dois perto do fim da história, Adaga e Chama resgata a essência desse trope literário ao apresentar seus elementos mais marcantes com originalidade.

Qual é a história de Adaga e Chama?

Fantome é uma cidade com ruas de paralelepípedo, luzes vacilantes, belos edifícios e catacumbas secretas, onde a magia das Sombras é escassa e letal, sendo controlada por grupos rivais: Mantos e Adagas, os ladrões e os assassinos.

Na noite do assassinato de sua mãe, Seraphine Marchant foge para sobreviver e busca abrigo com os Mantos, decidida a se vingar. Mas será que ela é páreo para o garoto de cabelos escuros cujos olhos prateados a seguem por toda parte? 

Nada poderia prepará-la para o encontro com Ransom Hale, herdeiro da Ordem dos Adagas e provável assassino de sua mãe. No entanto, para a surpresa de Ransom, a garota possui uma estranha e poderosa técnica que ele nunca tinha visto. Agora, enquanto Adagas e Mantos disputam o submundo de Fantome, os dois lidam com o poder de suas habilidades… e também com a atração poderosa e a terrível busca por vingança que insistem em aproximá-los.

Sobre a autora
Catherine Doyle
Foto: divulgação/Intrínseca/Entretetizei

Catherine Doyle mora no oeste da Irlanda, é formada em psicologia e possui mestrado em publicação. Sua obra premiada e best-seller internacional, que inclui ficção infanto-juvenil, foi publicada em 30 idiomas.

Seu romance para jovens adultos Adaga e Chama, número um na lista de best-sellers do Sunday Times e do New York Times, foi publicado em setembro de 2024. A sequência, ainda sem data de lançamento no Brasil, foi publicada em 2025, e o terceiro livro será lançado ainda em 2026.

Adaga e Chama é seu primeiro livro publicado pela Editora Intrínseca e já está à venda em todas as livrarias do país.

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Leia também: Lançamento Intrínseca: Até que o Verão nos Separe, de Meghan Quinn

 

Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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Eventos Livros

No Dia do Livro, a Noite é nas livrarias

Primeira edição do evento acontece na quinta (23), em celebração ao Dia Internacional do Livro

Leitores e leitoras, o Dia Internacional do Livro está logo ali na esquina e, para comemorar com a gente, mais de quarenta livrarias de rua de São Paulo vão estender seus horários de funcionamento para acolher atividades culturais gratuitas como oficinas, bate-papos e apresentações musicais. 

A Noite das Livrarias, um festival literário noturno inspirado em iniciativas bem-sucedidas em Buenos Aires e Madri – o evento portenho tem 15 anos e o espanhol 21 –, faz sua primeira edição no Brasil.

Encabeçado pelos mesmos realizadores do Mapa das Livrarias de Rua de São Paulo – lançado em novembro de 2025 –, o projeto iria acontecer somente em estabelecimentos paulistanos, mas despertou o interesse de livrarias em dez estados do país, que acabaram aderindo à programação em suas localidades.

O evento já tem programação confirmada no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, Distrito Federal e São Paulo. O site permite a pesquisa por cidade e estado.

Noite das Livrarias
Foto: reprodução/Noite das Livrarias

A Noite das Livrarias tem como objetivo principal estimular o público a circular pelas livrarias e a conhecer espaços que ainda não frequentam, evidenciando que hoje muitos desses estabelecimentos atuam como pequenos centros culturais, recebendo eventos literários e especializando seus catálogos dentro de temáticas específicas. É preciso fortalecer a ideia de que as livrarias são espaços importantes para valorização da bibliodiversidade, e ao visitar esses locais o público apoia essa cena. 

João Varella, livreiro da Banca Tatuí e da Livraria Gráfica contou à revista Veja que a ideia surgiu em 2023, durante uma viagem dele com a sócia e companheira, Cecilia Arbolave, à Madri. O casal, que não conhecia o evento, se viu em meio a uma edição da tradicional Noche de los Libros enquanto caminhava pelas ruas da cidade, já tarde da noite. 

Noite das Livrarias
Foto: divulgação/Noite das Livrarias/Entretetizei

A proposta da edição brasileira é simples: basta ser uma livraria de rua e promover uma atividade cultural na noite do dia 23 de abril para participar. E, por conta dessa liberdade, o festival reuniu um leque diverso de atrações, que vai desde uma leitura dramática de Hamlet à festa do pijama – para as crianças.

“É bonito, porque cada livraria desenvolveu uma atividade que diz respeito à sua curadoria e à sua visão de mundo”, contou Cecilia à Veja. Até a Livraria Espelho, que foi inaugurada no último sábado (11), em Higienópolis, já aderiu à ideia e fará uma conversa com as escritoras Marília Garcia e Claudia Roquette-Pinto

Noite das livrarias
Foto: divulgação/Noite das Livrarias/Entretetizei

A escala alcançada pelo projeto mostra um desejo crescente por espaços de convivência cultural em todo o país. E a partir das 18h do dia 23, o público poderá acompanhar uma programação diversificada.

A participação na Noite das Livrarias é totalmente gratuita. Como cada local participante é responsável por sua própria agenda de atividades, os interessados devem consultar a programação e os locais por meio do site oficial do evento.

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Leia também: Especial | Manuel Bandeira, o poeta que transformou a simplicidade em eternidade

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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