Nesta lista, reunimos obras que emocionam, provocam lágrimas e deixam ensinamentos que ficam além da última página
[Contém gatilhos e spoilers]
Alguns livros não são apenas histórias, são experiências. Eles nos fazem rir em um capítulo, chorar no seguinte e, acima de tudo, refletir sobre as nossas próprias vidas através dos temas apresentados nas páginas. A literatura tem esse poder raro de atravessar o tempo, o espaço e até as diferenças pessoais para nos tocar de forma íntima, dentro das paredes do nosso quarto, quase como se fosse uma velha amiga. Com poucas palavras, um autor consegue despertar memórias adormecidas, cicatrizar feridas ou, ao contrário, abrir outras que nos fazem encarar verdades difíceis.
Contudo, o impacto das páginas não se limita à tristeza ou à recordação: existem livros que nos fazem, literalmente, chorar de raiva. É aquela indignação que surge diante das injustiças, de personagens que sofrem sem merecer ou de realidades tão cruéis que parecem ecoar fora da ficção. Essa mistura de emoções — da dor silenciosa ao grito revoltado — é o que torna a literatura tão única. Diferente de qualquer outra arte, os livros nos convidam a caminhar junto com personagens que, mesmo fictícios, sempre têm algo profundamente humano para revelar — e, nesse espelho, reconhecemos as nossas próprias dores, amores, esperanças e fúrias.
Pensando nisso, fizemos um compilado de obras que mexem com o coração, emocionam de diferentes formas e permanecem ecoando na memória mesmo depois que a leitura termina.
Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven (2015)

Violet Markey e Theodore Finch se conhecem em um momento delicado e em um local inusitado: ambos estão no alto da torre do colégio, enquanto, em seus corações, cada um carrega seus próprios traumas. A amizade que surge entre eles cresce de forma intensa, transformando-se em uma conexão adorável e amorosa, que mistura ternura e dor.
Por Lugares Incríveis é uma obra que fala sobre saúde mental, luto e relações adolescentes de maneira sensível e, por vezes, devastadora. Ao acompanhar a jornada dos personagens, o leitor é levado às lágrimas pela crueza com a qual Jennifer Niven escreve sobre o sofrimento dos protagonistas, mas também encontra reflexões sobre empatia, esperança e a urgência de enxergar quem sofre em silêncio ao nosso redor antes que seja tarde demais.
Publicado no Brasil pela Editora Seguinte, o romance também inspirou o filme homônimo lançado pela Netflix em 2020.

Eleanor & Park – Rainbow Rowell (2012)

Eleanor e Park são adolescentes completamente diferentes, mas encontram, um no outro, um espaço de acolhimento em meio ao caos de suas vidas. Unidos pela música e pelos quadrinhos, vivem uma relação que traduz a intensidade e a delicadeza do primeiro amor.
Mais do que uma simples história romântica, o livro mergulha em temas como bullying, preconceito e violência familiar. A cada página, a trama provoca indignação e lágrimas nos leitores por conta das humilhações vividas por Eleanor — uma garota que está fora dos padrões de beleza e que tem cachos ruivos indomáveis, que não combinam com suas roupas inusitadas —, ao mesmo tempo em que desperta uma reflexão sobre como lidamos com as nossas próprias vulnerabilidades e sobre como o estabelecimento de laços de afeto podem iluminar existências marcadas pela dor.
Publicado no Brasil pela Editora Seguinte, o livro ainda não foi adaptado para o cinema — apesar da Picturestart ter adquirido os direitos em 2019 —, mas segue vivo graças a uma base de fãs apaixonada que mantém a obra em evidência.

Proibido – Tabitha Suzuma (2015)

Entre responsabilidades adultas e uma infância roubada, Lochan e Maya encontram um no outro a única forma de afeto e segurança em meio ao caos familiar. Tabitha Suzuma aborda, com coragem, temas delicados, como abuso, negligência parental e o romance tabu entre irmãos, construindo uma trama angustiante que arranca lágrimas de raiva e desperta uma indignação palpável.
A leitura provoca uma sensação constante de impotência diante da realidade dos protagonistas, ao mesmo tempo em que convida à reflexão sobre os limites do amor, a fragilidade das convenções sociais e o peso das escolhas impossíveis.
Publicado no Brasil pela Editora Valentina, em 2015, Proibido já havia conquistado o Prêmio Speciale Cariparma em 2011 — apenas um ano após sua publicação em inglês. Até hoje permanece como uma das obras mais comentadas e controversas da literatura contemporânea.
todas as coisas que eu te escreveria se pudesse – Igor Pires (2021)

Nesta coletânea poética, o autor de Textos Cruéis Demais para Serem Lidos Rapidamente transcreve para o papel as palavras que permaneceram mudas, imbuídas de amor, saudade e perda em uma síntese devastadora do adeus. Cada poema soa como uma confissão íntima e universal, capaz de ter sido escrita por qualquer um ao longo da vida.
A obra explora o silêncio das palavras não ditas e o peso do que fica guardado, despertando lágrimas por ausências não pronunciadas e trazendo uma reflexão de que escrever pode ser um caminho de cura, mesmo quando ninguém mais lê.
Publicado pela Editora Globo Livros sob o selo Alt, o livro traz as ilustrações coloridas do artista Jônatas Moreira, conferindo ao formato visual uma dimensão sensorial que amplia o impacto emocional da leitura. A escrita, nascida em meio à pandemia, enfatiza a força de uma voz que fala da ausência com presença e intensidade.

Indecifrável – Fernanda Santana (2023)

Em Indecifrável, acompanhamos a história de Lorenzo Viana, um jovem que vive com HIV, e Valentina Alonso, uma garota autista. Juntos, eles enfrentam o peso do preconceito, das próprias inseguranças e das barreiras impostas pela sociedade. A narrativa conduz o leitor por uma trama intensa, na qual segredos e escolhas delicadas moldam não apenas o relacionamento, mas também o amadurecimento dos protagonistas.
Ao mesmo tempo em que a trama emociona com momentos de ternura, conexão e acolhimento do casal, o livro pode provocar lágrimas de indignação diante da intolerância, assim como de tristeza diante das angústias sentidas pelos protagonistas. A narrativa evoca diversas reflexões, sobretudo sobre a importância de compreender e respeitar as diferentes formas de existir.
Recomendado para maiores de 18 anos, o livro entrega um slow burn muito bem construído e um fake dating que arranca suspiros, sem deixar de lado cenas hot que potencializam a carga emocional da trama.
Publicado primeiramente em e-book pela Amazon e, depois, em formato físico na loja da autora, Indecifrável rapidamente se firmou como um dos new adult mais comentados nas redes sociais, especialmente entre leitores que valorizam narrativas com personagens neurodiversos.
Para conhecer mais sobre o trabalho da autora, acompanhe seu perfil no Instagram e conheça mais sobre as suas histórias.
O Prelúdio da Paixão: Entre Dois Corações em Chamas – Caroline Andrade (2023)

A história da corajosa Cindi Parker e do italiano Petros Greco é marcada pela tragédia desde o início, assim como por uma paixão intensa e feridas emocionais profundas o suficiente para não serem esquecidas. Ao longo da trama, os personagens lidam com desejos profundos, segredos do passado e desafios que ameaçam o sentimento que eles cultivaram ardentemente um pelo outro durante anos.
Caroline Andrade constrói um romance visceral, que causa lágrimas de dor e raiva, mas também uma reflexão sobre amor-próprio, superação e o poder de recomeçar, mesmo diante de perdas que estraçalham o nosso coração. A obra apresenta um intenso age gap com found family, gravidez inesperada e um romance proibido com direito a surto pelo famoso “quem fez isso com você?” — ingredientes que fazem da narrativa um verdadeiro turbilhão emocional.
Contudo, é o mistério que se ergue de pano de fundo que fará a sua respiração parar quando todas as verdades vierem à tona. Nessa obra, todos os detalhes foram devidamente pensados e desenvolvidos pela autora para construir o plot final, portanto agarre-se a cada palavra, a cada cheiro descrito e a cada localização dos personagens, pois, acredite, nada está ali por acaso. Além disso, por conter cenas sensuais (provavelmente você nunca mais verá uvas da mesma forma), temas maduros e muitos gatilhos, trata-se de uma leitura indicada para maiores de 18 anos — e, ouso dizer, com coração forte.
Publicado inicialmente em e-book na Amazon e, posteriormente, em edição física pela Editora Cabana Vermelha, O Prelúdio da Paixão é prova de que histórias intensas e marcantes continuam a conquistar leitores — e também trazer a doçura de uma bambina inesquecível, capaz de iluminar cada página e o coração de um certo carcamano.
Para não perder nenhuma novidade, acompanhe a autora no Instagram.
Prometa não se Apaixonar – N.S. Park (2023)

A aspirante a escritora Amelie Sanchez só queria passar o Natal tranquila, com filmes açucarados e chocolate quente. Contudo, seu plano desmorona quando recebe a notícia devastadora de que seu avô está doente, obrigando-a a voltar à pequena cidade onde cresceu e enfrentar a família que a abandonou no pior momento de sua vida.
Para não encarar a situação sozinha, Amy recorre a uma solução improvável: Sebastian Wang, seu colega de quarto, que é um músico irritante e barulhento, se torna seu namorado de aluguel por um final de semana, com a condição de que nenhum dos dois se apaixone.
Entre encontros familiares desastrosos e memórias dolorosas, a história mescla um enemies to lovers cheio de humor com o clichê do “só tem uma cama” que os fãs de romance amam. A narrativa criada por Park aborda temas como abuso psicológico, relacionamento tóxico e traumas com uma sensibilidade única, assim como provoca reflexões sobre perdão e resiliência.
Publicado em e-book na Amazon, o livro também ganhou uma versão física pela Editora Unicorn Books. Para conhecer mais sobre o trabalho da autora e ter acesso a outras ilustrações lindas de Prometa não se Apaixonar, siga ela no Instagram.

Uma Vida Pequena – Hanya Yanagihara (2015)

Considerado um dos romances mais devastadores das últimas décadas, Uma Vida Pequena acompanha a vida de Jude St. Francis — um homem quebrado por conta de seu passado traumático — e de seus amigos Willem, JB e Malcolm, que tentam, a todo custo, cercá-lo com afeto ao longo dos anos.
A narrativa desse calhamaço é profundamente emocional, abordando temas como abuso, violência e a luta diária contra traumas que nunca cicatrizam por completo. Portanto, é necessário saber que essa leitura pode sensibilizar e, em alguns momentos, causar desconforto. Afinal, a autora não escreve para poupar o leitor, pelo contrário: Hanya coloca uma lupa sobre cada uma das feridas de Jude, expondo-as além de sua profundidade.
A fama do livro o precede e realmente provocará lágrimas incessantes — de dor, tristeza e, muitas vezes, de raiva pelas injustiças impostas ao protagonista — ao mesmo tempo em que te convidará a refletir sobre a importância da amizade, da resiliência e do impacto duradouro das feridas da infância. A leitura provoca diversos choques de realidade, assim como é um exercício de empatia, mostrando a grandeza e versatilidade da obra.
Publicado no Brasil pela Editora Record, o livro foi candidato ao Prêmio Pulitzer de Literatura em 2016, além de finalista do Man Booker Prize e do National Book Award.
Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada – Carolina Maria de Jesus (1960)

Quarto de Despejo é o diário real de Carolina Maria de Jesus, catadora de papel e moradora da favela do Canindé, em São Paulo. Com uma escrita simples, mas poderosa, ela retrata a fome, a miséria e a desigualdade social sem suavizar a dureza de sua experiência. É um livro que desperta lágrimas de indignação pelas injustiças, que permanecem atuais, mas também reflexões profundas sobre exclusão, racismo estrutural e a força de uma mulher que encontrou na literatura a possibilidade de resistir e, sobretudo, existir em meio a uma realidade que, de forma cruel, ansiava pelo contrário.
Publicado em 1960 e traduzido para mais de dez idiomas, a narrativa ultrapassou fronteiras e permanece como um dos relatos mais potentes da literatura brasileira. Ao longo das décadas, a obra recebeu o selo Altamente Recomendável da FNLIJ por sua relevância literária e inspirou adaptações para o teatro.
Mais do que reconhecimentos, o impacto da autora reverbera em distinções simbólicas, como a criação do Prêmio Carolina Maria de Jesus, que celebra novas vozes literárias. Assim, a sua escrita resiste como denúncia, memória e herança cultural, reafirmando a atualidade urgente de sua voz.
Campo Geral – João Guimarães Rosa (1964)

Nesta novela, Guimarães Rosa narra sobre a vida de Miguilim, um menino do sertão mineiro que observa o mundo com a pureza e a vulnerabilidade da infância. O olhar infantil contrasta com a dura e violenta realidade que o cerca, criando uma narrativa poética e emocionante, mas sobretudo dolorida.
Conforme acompanhamos as aventuras do protagonista, ficamos com o choro entalado na garganta, pois os temas abordados por Rosa, de forma tão poética, são, por vezes, quase cruéis: o luto pelos olhos de uma criança que ainda não conhece muito da vida e a solidão que decorre dele são destrinchados com crueza, assim como o fim da infância marcado pela violência.
Ainda assim, a narrativa traz contornos de esperança, que são apresentados com a pureza que apenas uma criança seria capaz de descrever: “alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa alguma.”
Nessa história, através de Miguilim — que, nas palavras de Henriqueta Lisboa, em seu ensaio O Motivo Infantil na Obra de Guimarães Rosa, é “todo sentimento e ternura” — o leitor é levado a refletir sobre a importância de contar estórias para escrever a própria, da força da imaginação em realidades cruéis e do sonhar em mensurar a grandeza do mundo que ainda é desconhecido.
Campo Geral é uma das obras que compõem a série de livros de Corpo de Baile, e foi publicada junto com outra novela (Uma Estória de Amor), em 1964. Hoje, é distribuído nesse mesmo formato pela Global Editora e também está disponível em audiolivro no Spotify e no YouTube.
É válido ressaltar que o projeto linguístico de Rosa pode soar como um desafio grande demais para alguns leitores, no entanto, sua obra transmite a pluralidade do Brasil e as muitas formas de ser da literatura. Portanto, seja corajoso como Miguilim e permita-se encarar essa travessia.
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Texto revisado por Ketlen Saraiva









