Volume reúne poemas completos, fortuna crítica e registros históricos sobre a vida do autor
Referência incontornável da literatura brasileira, Augusto dos Anjos segue atravessando gerações com uma poesia marcada pela intensidade existencial, pela reflexão sobre a morte e pela observação crua da condição humana. Conhecido como o Poeta da Morte, o autor paraibano construiu uma obra singular, capaz de unir rigor formal, linguagem científica e temas profundamente humanos em versos que permanecem atuais e impactantes.
A nova edição de Toda Poesia de Augusto dos Anjos reúne a produção completa do escritor, incluindo Eu (1912) – seu único livro publicado em vida – e textos fundamentais para compreender a dimensão de sua obra. A publicação conta ainda com um ensaio crítico de Ferreira Gullar, responsável por recuperar e reposicionar o prestígio da poesia augustiana no cenário literário brasileiro, além de um caderno exclusivo de imagens, com fotografias, documentos e informações biográficas raramente reunidos em livro.

Caso raro de poeta erudito na forma e popular no alcance, Augusto dos Anjos transformou temas como a deterioração da matéria, a solidão, a dor e a morte em matéria poética de enorme força estética. Em poemas célebres, como Versos Íntimos, o cotidiano surge atravessado por uma perspectiva visceral e inquietante, em que o escatológico ganha dimensão sublime e a morte aparece de maneira concreta, inevitável e profundamente humana.
A força literária de sua escrita frequentemente aproxima Augusto dos Anjos de autores como Edgar Allan Poe e Charles Baudelaire. Assim como esses escritores, o poeta brasileiro construiu uma obra marcada pela exploração da angústia, da crise existencial e das contradições da vida. Ao mesmo tempo, referências autobiográficas e o contexto político de sua época ajudam a compor um universo poético que, durante muitos anos, desconcertou a crítica literária por sua originalidade.
Em 1976, Ferreira Gullar – vencedor do Prêmio Camões e integrante da Academia Brasileira de Letras – organizou esta edição da poesia completa de Augusto dos Anjos e escreveu um ensaio decisivo para a reavaliação crítica da obra do poeta. No texto, Gullar destaca a singularidade do autor paraibano ao afirmar: “Há poetas que apenas escreveram alguns poemas […]. E poucos são aqueles que conseguiram realmente criar uma obra poética, um universo poético próprio. Augusto é um destes.”
A relevância de Augusto dos Anjos também foi reconhecida por importantes nomes da literatura e da crítica brasileira. Carlos Drummond de Andrade definiu a leitura de Eu como “uma aventura milionária”, destacando a dramaticidade e a permanência dos versos do poeta na memória do leitor. Já Antônio Houaiss ressaltou a forma como Augusto compreendia vida e morte como dimensões inseparáveis da experiência humana.
Além do estudo crítico assinado por Ferreira Gullar, a edição, publicada pela Editora Record sob o selo José Olympio, traz um caderno especial de imagens com fotografias, documentos e registros pouco conhecidos da trajetória de Augusto dos Anjos, oferecendo ao leitor contemporâneo uma aproximação inédita com a vida e a obra do escritor.

Sobre os autores
Augusto dos Anjos (1884-1914) foi escritor, poeta e professor. Publicou seus primeiros poemas aos 17 anos, no jornal paraibano O Commercio. Em 1912, lançou Eu, seu único livro publicado em vida e uma das obras mais emblemáticas da poesia brasileira.

Ferreira Gullar (1930-2016) foi escritor, poeta, dramaturgo, crítico de arte e tradutor. Vencedor do Prêmio Camões em 2010, destacou-se como um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea e figura central do movimento neoconcreto. Entre suas obras mais conhecidas estão Poema sujo e Dentro da noite veloz. Em 2014, foi eleito para a cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras.

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Texto revisado por Alexia Friedmann









