Nos cinemas desde a última quinta-feira (28), a nova produção da A24 vem quebrando recordes e conquistando um público cada vez maior através das peculiaridades de sua trama
O novo filme da A24, Backrooms: Um Não-Lugar, estreou nos cinemas do Brasil em primeiro lugar nas bilheterias. No mundo todo, o longa arrecadou mais de 118 milhões de dólares em seu primeiro fim de semana, tornando-se a maior abertura da história da produtora e a maior estreia de um terror original na história do cinema.
Mas o destaque maior vai para o diretor da obra, Kane Parsons. Aos 20 anos de idade, Kane se tornou o cineasta mais jovem a estrear um filme na liderança das bilheterias mundiais. O filme desperta a curiosidade à medida que é difícil de se explicar sua trama, que surgiu de modo tão diferente de qualquer outro roteiro.
“Para quem já conhece a história das Backrooms, é empolgante ver essa versão maior e mais elaborada do universo. Para quem chega agora, a visão do Kane é única, e esse mundo vai prender do começo ao fim”, afirma Chiwetel Ejiofor, que interpreta Clark, protagonista do longa.
Assista ao trailer de Backrooms: Um Não-Lugar:
Então, para acabar com essa sensação de quem caiu nas Backrooms e não sabe como sair, o Entretê explica tudo que você precisa saber sobre o novo terror peculiar e psicológico adotado pela Geração Z.
Surgimento nos Fóruns da Internet
A história das chamadas Backrooms foi construída na internet muito antes de chegar às telas. Feita por jovens e para jovens, não é à toa que o filme virou um fenômeno da geração Z, com impressionantes 86% dos espectadores da semana de estreia tendo menos de 35 anos.
A história online que inspirou o filme começou em 2019, com uma única foto de um escritório vazio acompanhada da descrição de um lugar que “não deveria existir”. A imagem viralizou e a narrativa se espalhou pelo Reddit e outros fóruns, por onde milhares de usuários foram adicionando detalhes, imagens e versões alternativas ao longo dos anos.

Foi assim que as Backrooms se tornaram uma das maiores creepypastas, criações online coletivas e sem dono, da história da internet. E foi dentro dessa comunidade que Kane Parsons, que viria a ser o diretor do filme, cresceu.
Em janeiro de 2022, aos 16 anos, Kane transformou essa lenda em uma série no YouTube que obteve resultados imediatos: mais de 300 milhões de visualizações globais e uma contratação pela A24 ainda aos 17 anos. “Imediatamente reconheci e conectei aquilo a uma história maior que eu queria explorar. Juntei os dois e virou a série que as pessoas conhecem”, conta o diretor.

A sinopse de um terror peculiar
Ambientada em 1990, a história acompanha Clark (Chiwetel Ejiofor), um arquiteto frustrado, em colapso silencioso, que um dia se depara com luzes inexplicáveis que o levam ao porão de sua loja. Lá ele descobre uma passagem para um lugar onde nada faz sentido: um labirinto aparentemente infinito de corredores amarelados, cômodos vazios e arquitetura impossível, sem saída, sem janelas, sem lógica. E esse lugar que não deveria existir, mas existe, recebe o nome de Backrooms.
Perturbado e ao mesmo tempo fascinado pelo que encontra, Clark começa a voltar ao labirinto repetidamente, tentando mapear sua arquitetura. Para alguém que perdeu tudo, as Backrooms oferecem uma estranha sensação de clareza e propósito.
Porém, quando ele desaparece nesse ambiente, sua terapeuta, a Dra. Mary Kline (Renate Reinsve), decide entrar para encontrá-lo. O que começa como uma busca vai se transformando em algo muito mais perturbador, tanto para Mary quanto para o espectador.

Still Lifes: As Criaturas
As Backrooms não são apenas um lugar físico: elas agem sobre quem está dentro, distorcendo a percepção da realidade e confrontando cada pessoa com seus próprios medos e traumas. E não estão vazias. O espaço abriga entidades conhecidas como “Still Lifes”, criaturas que habitam aqueles corredores.

Para o diretor, essas criaturas representam algo que o próprio Kane Parsons define de forma perturbadora: “E se não fossem apenas prédios e objetos que pudessem ser replicados, mas também seres humanos? E se fôssemos apenas aglomerados de células passíveis de serem copiados por esse lugar, como mutações?”
Instituto de Pesquisa Async
O filme também apresenta a Async Research Institute, uma organização misteriosa que estuda as Backrooms desde 1989 e que tem planos para esse espaço que vão muito além da simples exploração. Mas o que a Async quer? Como as Backrooms funcionam? E o que realmente acontece com quem entra lá? Todas são perguntas que o filme levanta, mas sem entregar respostas fáceis.
Para o diretor, esse desconforto é intencional: “Padrões e repetições na sociedade vão se tornando uma espécie de privação sensorial, e em algum momento o cérebro tenta encontrar sentido a partir de todo aquele ruído incoerente. Imagine o quão aterrorizante seria se essa fosse sua existência para sempre.”
O desconforto dos espaços liminares
Fugindo do terror convencional, Backrooms: Um Não-Lugar explora o conceito de horror liminar, presente na internet há anos. Espaços liminares são ambientes de transição: corredores, escritórios vazios, shoppings abandonados, lugares que, quando esvaziados, carregam uma inquietação difícil de nomear. Esses espaços carregam em si uma sensação de que algo ali não está certo, sem que você consiga explicar exatamente o quê.
“As Backrooms parecem comuns, mas é justamente pela natureza extrema dessa banalidade que elas se tornam tão perturbadoras”, explica o ator Ejiofor. “Você sente que deveria estar minimamente seguro, afinal está em um escritório vazio, mas como há algo errado naquele ambiente, você se sente ainda mais vulnerável. É essa sensação que está na origem do horror das Backrooms.”

Para Kane Parsons, esse desconforto tem raízes profundas: “A sensação liminar, seja na transição entre lugares físicos ou estados emocionais, vira um horror que remete aos detalhes sutis da infância. É uma exploração do passado que ficou para trás e do desejo de retornar a um passado que não existe mais.”
Renate Reinsve, que interpreta a terapeuta no longa, completa: “Há tantas coisas dentro de nós que não conseguimos acessar, e existem aspectos específicos aos quais só temos acesso pelo subconsciente. Nosso conhecimento sobre o vasto sistema neurológico que carregamos é muito limitado.”
Diretor aos 20 anos
A confiança que a A24 depositou em Parsons não foi por acaso. O objetivo do jovem diretor sempre foi claro: “A cada etapa da realização deste filme, eu senti que estávamos avançando a premissa das Backrooms sem perder o respeito pelo público que está ali desde o começo. Nosso objetivo era entregar para quem já conhece Backrooms sem afastar quem está chegando agora.”

James Wan, produtor do filme e criador de franquias como Jogos Mortais, Invocação do Mal e Sobrenatural, se identificou com a forma de trabalhar de Kane Parsons, dada sua própria origem como cineasta independente. “O aspecto de horror desse projeto vem de um lugar muito psicológico, e o Kane mergulha de cabeça nesse fascínio crescente pelos espaços liminares.”
“Com seus curtas de Backrooms, ele provou que era extremamente capaz. Sabe exatamente o que quer e entende esse universo tão profundamente que, como produtores, elenco e equipe, confiamos na visão dele. Ter alguém assim como líder faz uma diferença enorme”, afirma Wan.
Backrooms: Um Não-Lugar está em cartaz e pode ser assistido nos cinemas.
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Texto revisado por Thaís Figueiredo @tinapalooza










