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You Seem Pretty Sad For a Girl So In Love
Imagem: reprodução/Instagram @oliviarodrigo

Crítica | Olivia Rodrigo e a montanha-russa de sentimentos em You Seem Pretty Sad for a Girl so in Love

Terceiro álbum de estúdio da cantora traz amadurecimento sonoro e sentimental para o novo projeto 

You Seem Pretty Sad for a Girl so in Love é o terceiro LP de Olivia Rodrigo, lançado na última sexta (12). O álbum permanece no pop, mas traz novos elementos emocionantes, nostálgicos e pessoais, mas ainda profundamente identificáveis.

O projeto, em parceria de longa data com o produtor musical Dan Nigro, conta com 13 faixas, sendo nove delas completamente inéditas. Isso porque Rodrigo anunciou o álbum e, em seguida, lançou dois EP’s, sendo eles a primeira e oitava faixas, drop dead e the cure, respectivamente. Ainda, poucas semanas antes do lançamento, a artista introduziu a nona faixa begged em uma apresentação durante o programa Saturday Night Live, no dia 2 de maio. 

You Seem Pretty Sad For a Girl So In Love
Imagem: reprodução/Instagram @oliviarodrigo

Também, dias antes do lançamento oficial do disco, Rodrigo anunciou uma parceria com Robert Smith, vocalista da banda britânica The Cure. Durante o Primavera Sound 2026, em Barcelona, a dupla apresentou a décima faixa do álbum, what’s wrong with me, marcando a primeira colaboração musical da carreira da norte-americana. 

Olivia Rodrigo e Robert Smith
Foto: reprodução/Instagram @oliviarodrigo

Olivia e Robert já haviam se apresentado em parceria prévia durante o festival Glastonbury em 2025, o qual a cantora era headliner. A dupla performou clássicos da banda britânica como Just Like Heaven e Friday I’m in Love. 

O disco vem como um passo no amadurecimento, tanto na carreira, quanto na vida pessoal da cantora. Por mais que Olivia Rodrigo dê continuidade nas temáticas as quais aborda desde seu primeiro álbum de estúdio, SOUR, lançado em 2021 – como relacionamentos, suas inseguranças e a sua relação com o mundo e a percepção que as pessoas têm dela —, seu novo álbum nos traz um novo olhar. 

Como a própria artista revelou, o projeto aborda principalmente o que ela considera como “seu primeiro relacionamento maduro”, com o ator britânico Louis Partridge. O terceiro LP é construído de forma a nos levar na jornada de Rodrigo em seu prévio relacionamento, trazendo já nas primeiras músicas a sensação de se apaixonar no início de seus 20 anos. 

No entanto, o álbum possuí uma virada temática por volta da faixa my way, a sexta música a compor o disco, cheia de sintetizadores e irritação. É nesse momento em que o projeto passa a mostrar mais a metamorfose de Rodrigo para sua ruptura com o ideal romântico, o qual ela havia apresentado no início. A música conta sobre seu lado mais possessivo e ciumento, uma quebra em relação à faixa anterior, u+me=<3, balada em que ela se mostra intimamente otimista em relação ao relacionamento. 

Apesar dessa virada, o disco realmente se quebra e introduz as suas baladas mais lentas, melódicas e certamente melancólicas. É a partir de purple que a cantora identifica os possíveis problemas em seu relacionamento, mas, para além disso, é o momento o qual ela começa a refletir sobre seus tumultos e temores pessoais. Em the cure, ela narra momentos de auto sabotagem, os quais recaíram em seu relacionamento, mostrando que a relação nunca seria a “cura” para seus momentos de conflito interno.

São nos momentos finais do disco que a compositora perde o brilho em relação ao romance e devaneia sobre os problemas e dificuldades. Em begged, ela afirma apenas aceitar o que lhe era oferecido, em what’s wrong with me diz não se sentir mais como ela mesma e entender que o problema com ela talvez seja o relacionamento. Já em less, Olivia Rodrigo mostra o desgaste da relação, dizendo desejar que seu parceiro a amasse menos, por não ser “assim que (o amor) deveria ser”.

Encaminhando-se para o fim, é em expectations que a cantora se permite superar e animar novamente. Ao cantar a 12ª e penúltima música de seu projeto, cheia dos sintetizadores do início, Rodrigo afirma retornar a suas expectativas para um relacionamento. 

Não vou beijar nenhum garoto que seja passivo

Sua indecisão é dolorosamente pouco atraente

Erros do passado são apenas novas informações

Hoje em dia, tenho expectativas”    

Por fim, em sua última faixa, cigarette smoke, a cantora parece dar um ponto final e encontrar uma certa serenidade vulnerável. Desejando que tivesse o tempo gasto no relacionamento, Olivia Rodrigo afirma se arrepender e lamentar as noites solitárias, mas ainda preferir esse estado do que os momentos em que implorava – referência à música begged – por apoio e reciprocidade no relacionamento. 

Ainda com as referências musicais vindas do rock e punk do início dos anos 2000, algumas das músicas trazem uma nova sonoridade para a carreira, enquanto outras se mantêm nas baladas clássicas com seu piano ou violão, que emocionam qualquer pessoa que se identifique com as letras. Rodrigo parece conseguir traduzir de forma euforizante seus sentimentos e sensações de forma humorada, profunda e honesta, de maneira que apenas uma artista como Olivia conseguiria. 

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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