Evento inicia no dia 8 de setembro na Avenida Paulista e mostra ligações entre séculos de patrimônio musical coreano e as músicas que ganham o mundo hoje
O Centro Cultural Coreano no Brasil inaugura, na próxima terça(8), em São Paulo, a exposição K-Pop encontra a Música Tradicional Coreana, que apresenta as raízes do gugak, nome dado à música tradicional da Coreia do Sul, e suas conexões com a produção musical contemporânea. Gratuita e com classificação livre, a mostra permanece até 8 de novembro na sede da instituição, reunindo instrumentos, objetos rituais, indumentárias e conteúdos audiovisuais que ajudam a entender a tradição por trás dos ritmos coreanos que, hoje, chega aos palcos e telas de todo o mundo.
A exposição chega ao Brasil em um momento de destaque para o K-Pop no país. Em 2026, pela primeira vez em mais de 40 anos de festival, o Rock in Rio dedica um dia inteiro ao gênero, com o Stray Kids como atração de encerramento do Palco Mundo, em 11 de setembro. Em outubro, o BTS se apresenta por três noites no MorumBIS, em São Paulo, diante do maior público já reunido pelo gênero no país. No cinema, a animação Guerreiras do K-Pop também colocou a cultura coreana em evidência ao conquistar dois Oscars, nas categorias de Melhor Animação e Melhor Canção Original.
É nesse cenário que a mostra propõe um caminho diferente: em vez de olhar apenas para o K-Pop, por que não voltar no tempo para conhecer manifestações musicais que existem há séculos e que continuam influenciando a cultura coreana? O foco está no gugak, nome dado à música tradicional coreana, apresentado na exposição por meio de instrumentos, rituais, formas de canto, vestuário e conteúdos audiovisuais.
A proposta é mostrar que, por trás das músicas, performances e produções audiovisuais que fazem sucesso atualmente, existe uma tradição musical marcada por diferentes práticas artísticas. Assim, o visitante é convidado a descobrir não apenas como esses elementos funcionam, mas de que maneira eles foram preservados e continuam vivos na Coreia contemporânea.
“Há muitos jovens brasileiros que sabem cantar de cor músicas em coreano. A exposição oferece a esses jovens a oportunidade de conhecer uma camada mais profunda da cultura coreana: descobrir de onde vem esse som, quem o preservou ao longo dos séculos e por que ele continua vivo”, afirma Jeonghee Jeong, diretora do Centro Cultural Coreano no Brasil.
Três caminhos pela cultura coreana

A exposição, concebida pelo Centro Nacional de Gugak, instituição responsável pela salvaguarda da música tradicional coreana, é dividida em três eixos: Gut, Gat e Kkun, cada um responsável por apresentar uma dimensão diferente da cultura musical tradicional do país.
O primeiro, Gut, apresenta os rituais e a relação entre o mundo dos vivos e o dos espíritos. O tema também aparece em Guerreiras do K-Pop, estabelecendo uma conexão direta entre a produção contemporânea e elementos da cosmologia tradicional coreana.
Já Gat utiliza o tradicional chapéu coreano como ponto de partida para apresentar o pungryu, conceito relacionado ao refinamento e à fruição artística. O conceito atravessa diferentes manifestações culturais e pode ser encontrado tanto em dramas coreanos quanto em produções audiovisuais contemporâneas, como videoclipes.
O terceiro eixo, Kkun, concentra-se nos gênios da música tradicional. O espaço apresenta artistas ligados ao pansori e ao pungmul, duas manifestações tradicionais de arte folclórica e musical da Coreia. Técnicas e elementos dessas expressões são apresentados como parte de uma herança que também pode ser percebida e transformada nas performances de grupos contemporâneos como Stray Kids e BTS.
Dos instrumentos tradicionais aos videoclipes

Durante o percurso, o público poderá conhecer instrumentos como o gayageum, o haegeum e o janggu, além de objetos rituais e peças de indumentária. O Centro Nacional de Gugak mantém materiais dedicados ao estudo e à preservação desses instrumentos, que fazem parte da tradição musical coreana.
A exposição também aposta em conteúdos audiovisuais para aproximar as manifestações tradicionais da produção cultural atual. A intenção é que o visitante consiga perceber que a música coreana não começou com o K-Pop: existe uma história musical anterior, com instrumentos, técnicas, ritmos e formas de apresentação que continuam sendo preservados e reinterpretados.
Outro destaque é a Árvore Dangsan, atividade interativa em que os visitantes poderão escrever desejos em cartões. A experiência reproduz uma prática comunitária centenária da Coreia e amplia a proposta da mostra para além da observação dos objetos expostos.
Programação também terá música ao vivo

Além da exposição, a programação em São Paulo contará com atividades práticas ao longo dos dois meses em que a mostra permanecerá aberta. No dia 13 de setembro, haverá uma apresentação de música tradicional coreana com grupos brasileiros de gayageum byeongchang e samulnori, além de oficinas práticas.
A exposição pode ser visitada de terça a sábado, das 10h às 18h30, e nos domingos e feriados das 11h às 17h. A realização é do Centro Cultural Coreano no Brasil e do Centro Nacional de Gugak, com patrocínio do Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia e da Fundação Coreana para o Intercâmbio Cultural Internacional (KOFICE), no âmbito do projeto Touring K-Arts.
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Texto revisado por Ludimila Rodrigues











