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Foto: reprodução/Prime Video

Crítica | No Rastro do Perigo exalta as artes marciais em um filme de pura ação

Dirigido e protagonizado por Michael Jai White, o longa conta a história de um investigador particular contratado para desvendar um sequestro

 

[Contém spoiler]

 

No Rastro do Perigo (2025), ou Trouble Man, é um filme de ação e comédia que chegou no dia 7 de maio ao streaming Adrenalina Pura+. Michael Jai White (MR-9: Missão Mortal, 2023), ator, roteirista, diretor e lutador de artes marciais norte-americano, é responsável pela direção e, também, atuação no papel principal do longa-metragem.

O ex-policial Jaxen (Michael Jai White) trabalha como investigador particular e é contratado para encontrar a estrela de R&B Jahari (La La Anthony), que está desaparecida. Porém, o que começa como um caso de sequestro revela uma conspiração muito maior, que obriga Jaxen a duvidar de todos se quiser encontrar a cantora a tempo.

Assista ao trailer de No Rastro do Perigo:

A trama se inicia com o protagonista Jaxen realizando um trabalho como investigador particular. Após denúncias de que um homem estava agredindo sua própria esposa, Jax é chamado para obrigá-lo a prometer parar com a violência, fazendo uso das suas habilidades de artes marciais e mostrando logo no começo o caráter ‘James Bond’ que o personagem de Michael Jai White terá ao longo da história. 

Em um clube que Jax também trabalha como segurança, ele reencontra sua ex-namorada Gina (Gillian White) que, ao longo do filme, se mostra uma mulher forte e independente, e eles se reaproximam. Então, logo no dia seguinte, o protagonista é chamado para uma reunião com o importante produtor Branes Holden (Orlando Jones) da gravadora Swerve City Records, em que descobre sobre o desaparecimento da famosa cantora Jahari e recebe a proposta de um alto pagamento para encontrá-la.

Foto: reprodução/Samuel Goldwyn Films

Assim se inicia sua investigação. Durante a mesma, Jaxen conhece Myron (Method Man), o namorado da cantora, que é um artista mais conhecido pelo seu apelido Money, e a empresária financiadora da gravadora Swerve City, Yuen Song (Levy Tran), uma mulher importante que anda sempre acompanhada de seus dois seguranças.

A busca de Jax por Jahari se mostra complicada, passando por diversos perigos ao longo da investigação, com inimigos escondidos que tentam pará-lo à todo custo, inclusive ferindo pessoas que ele ama. Um desses momentos é quando sua namorada, Gina, vai para o hospital após ser baleada durante uma tentativa de ataque à Jax, o que coloca o relacionamento deles à prova, porque Gina diz ser leal a Jax, mas não está pronta para dar a vida dela por ele. 

Foto: reprodução/Samuel Goldwyn Films

Determinado a vingar Gina e salvar Jahari, Jaxen confronta o produtor Holden para descobrir o que realmente está por trás desse sequestro. Com medo, Holden admite que deve muito dinheiro à empresária Yuen Song e que sabe que foi ela quem sequestrou Jahari, com o plano de que, caso ele não pague a dívida, ela matará a cantora na intenção de fazer seu novo álbum valer ainda mais dinheiro.

Ao descobrir toda a verdade, Jax e Money vão juntos resgatar Jahari dos seguranças de Song, o que dá sequência a mais cenas de luta e ação, mas também momentos surpreendentemente cômicos da dupla. Por fim, eles resgatam Jahari, porém Song, sabendo que foi descoberta, decide matar Holden e também Gina, como vingança.

Foto: reprodução/RottenTomatoes

Jax então volta à gravadora para impedir a empresária, o único momento do filme que ele decide ir contra seus princípios anti-armas e usar uma arma de verdade, porque a vida da mulher que ama está em perigo. A tensão culmina em uma sequência final de luta no terraço, onde Jax derrota todos os inimigos e salva Gina, terminando o filme decidido a largar o cargo de investigador privado e começar uma vida mais calma e segura junto da mulher que ama.

No Rastro do Perigo tem uma velocidade acelerada na sua maneira de contar a história, não se demorando nos diálogos ou acontecimentos, com exceção das cenas de luta, que são diversas e longas. Se, por um lado, o ritmo se mostra favorável para manter o interesse de quem assiste e entregar momentos de humor, por outro, os bons atores acabam prejudicados quando não encontram o espaço necessário para entregar sua performance na pressa dos diálogos e da trama.

Também por causa desse ritmo acelerado, os sentimentos e as reviravoltas da história se baseiam muito mais em confissões ditas do que em qualquer possível pista nas atitudes de algum personagem envolvido, tirando o suspense. 

Foto: reprodução/MUBI

Com um elenco composto em sua grande maioria por pessoas negras, o filme traz representatividade e trabalha bem questões de racismo e outros preconceitos, como a misoginia, nas falas do protagonista para desencorajar discriminações. Mas é importante ressaltar que, como uma comédia, este não é um filme que se leva muito a sério e, por isso, faz sentido que não aborde tão a fundo esses temas.

Como um filme que se vende como uma comédia, ele tem seus momentos engraçados, especialmente quando Jax e Money compartilham a tela. Os dois formam uma dupla de personalidades que se complementam e têm uma entrega de humor muito natural quando trabalham juntos para resgatar Jahari, o que quase compensa pelas cenas que falham em entregar humor ao longo da narrativa. 

Foto: reprodução/DREA NICOLE PHOTOGRAPHY

É nítida a homenagem que No Rastro do Perigo faz às artes marciais. Em tantas sequências de luta corpo a corpo, o filme se estende em demonstrar tipos diferentes dessa arte nas brigas de Jax, e chega até a trazer esses conhecimentos às falas do protagonista.

Porém, especialmente após a sequência final de luta, é impossível não sentir que esse tributo às artes de combate é diversas vezes ofuscado pela má execução dos efeitos especiais. Tela verde aparente, cortes súbitos e efeitos especiais extremamente falsos, a edição prejudica muito a qualidade cinematográfica do filme, fazendo momentos de ápice da narrativa se tornarem brigas anti-climáticas. E a trilha sonora é neutra em cenas de tão grande ação.

No Rastro do Perigo é, portanto, bom o suficiente para ser assistido sem muitas expectativas ou seriedade. Jaxen não é o novo James Bond e este não será o trabalho mais famoso de Michael Jai White, mas o filme de ação tem seus bons momentos e muitos atores talentosos, só contidos por um roteiro mal executado e uma edição que deixa a desejar. 

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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