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Imagem: reprodução/28ª Feira do Livro de São Paulo/Communica Brasil

Bienal de São Paulo | Reta final chega com literatura, música, debates sobre saúde mental e investimento inédito

Programação reúne nomes como Mia Couto, Bruna Lombardi e Serginho Groisman, além de encontros sobre bem-estar, cultura coreana e iniciativas de incentivo à leitura

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo entra em seus últimos dias com uma programação além dos lançamentos e das sessões de autógrafos. Entre 8 e 11 de setembro, o Distrito Anhembi, em São Paulo, recebe encontros que atravessam literatura, música, educação, saúde mental e cultura, além de iniciativas que buscam ampliar o acesso aos livros durante o evento.

Entre os destaques estão uma celebração dos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, com Mia Couto e Bruna Lombardi; uma conversa sobre Freddie Mercury conduzida pela biógrafa Lesley-Ann Jones e mediada por Serginho Groisman; e mesas que discutem neurodiversidade, as diferentes narrativas sobre o Brasil, solidão e a expansão da literatura coreana.

A Bienal também oferece incentivo para quem pretende aproveitar os últimos dias da feira para abastecer a estante. De segunda a quinta-feira, após as 17h, o valor integral do ingresso retorna ao visitante em cashback para a compra de livros dentro do evento. Além disso, mais de R$ 20 milhões serão investidos no Vale-Livro, iniciativa que beneficia alunos, servidores municipais e bibliotecários.

Confira alguns dos destaques da reta final desta edição.

Grande Sertão: Veredas completa 70 anos
Imagem: reprodução/28ª Feira do Livro de São Paulo/Communica Brasil

Na terça (8), Mia Couto, Bruna Lombardi e Italo Moriconi se encontraram no Salão de Ideias para celebrar os 70 anos de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa.

A conversa partiu de uma das obras mais importantes da literatura em língua portuguesa para revisitar o sertão criado pelo autor não apenas como espaço geográfico, mas como território de conflitos, escolhas e descobertas. As travessias, o desconhecido e as reflexões sobre a condição humana presentes no romance também entram no debate.

No mesmo dia, o Espaço Saúde e Bem-Estar também recebeu uma conversa sobre neurodiversidade com Thiago Castro, Lara D’Almeida e Pedro Pan, mediada por Luciano Gonçalves. O encontro abordou TDAH, autismo, dislexia e altas habilidades a partir de evidências científicas, além dos limites entre diagnóstico e rotulação e dos desafios da inclusão em áreas como saúde, educação e cidadania.

Diferentes retratos do Brasil

Na quarta (9), o Salão de Ideias recebe Fernando Morais e Felipe Nunes para a mesa Retratos do Brasil. Partindo de perspectivas diferentes, os convidados discutem as narrativas que ajudam a compreender a formação do país e as transformações da sociedade brasileira.

De um lado, entra o olhar biográfico e literário de Fernando Morais; do outro, a análise social e estatística de Felipe Nunes. O encontro coloca passado e presente em diálogo para pensar os acontecimentos que ajudam a construir diferentes interpretações sobre o Brasil.

A programação do dia também abre espaço novamente para saúde mental. Bia Garbato e o psiquiatra Tulio Richinho participam de Bipolaridade: Uma Vida que Vai Além do Diagnóstico, conversa inspirada no livro Bipolar, Sim. Louca, Só Quando Eu Quero.

Além dos desafios relacionados ao diagnóstico e ao tratamento do transtorno bipolar, a mesa discute estigmas e preconceitos e propõe olhar para autonomia, humor e qualidade de vida sem reduzir a identidade de uma pessoa a um diagnóstico.

Freddie Mercury para além dos palcos

Na quinta (10), um dos nomes mais conhecidos da música ganha espaço na Arena Cultural. Lesley-Ann Jones apresenta uma nova leitura sobre Freddie Mercury a partir de materiais inéditos, relatos íntimos e diários escritos pelo cantor durante os últimos 15 anos de sua vida.

Com mediação de Serginho Groisman, a conversa passa pelos bastidores do Queen, relações pessoais, medos e revelações que ajudam a olhar para o homem por trás do ícone. Legado, privacidade e as histórias que continuam cercando Mercury décadas após sua morte também fazem parte do encontro.

A educação também aparece na programação de quinta. Leonardo Bento, com mediação de Hubert Alquéres, discute quais conhecimentos e competências a escola precisa oferecer diante das transformações do mundo contemporâneo. A conversa passa pela formação dos estudantes, pelas novas demandas educacionais e pelo equilíbrio entre transmissão de conhecimento e formação humana.

Do amor à literatura coreana

Amor e solidão dividem a mesma conversa na sexta (11). Alexandre Coimbra Amaral e Ana Suy partem dos livros A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão e Cuidar da Solidão até Virar Abraço para discutir duas experiências que nem sempre são tão opostas quanto parecem. O encontro aborda pertencimento, relações afetivas e a maneira como a solidão aparece em uma sociedade cada vez mais conectada pelas telas. 

E a onda coreana também chega aos livros. Em Além dos K-dramas e do K-pop: a Literatura na Onda Coreana, a escritora Lee Hong discute como a Hallyu (Onda Coreana)  ultrapassou música, séries, cinema e moda e passou a aproximar leitores de diferentes países da literatura produzida na Coreia do Sul.

A autora lança seu primeiro livro no Brasil durante a Bienal e conversa sobre o espaço da literatura dentro desse movimento e sobre como as histórias coreanas vêm atravessando fronteiras culturais.

Mais de R$ 20 milhões para ampliar o acesso aos livros
Imagem: reprodução/28ª Feira do Livro de São Paulo/Communica Brasil

Além da programação cultural, a edição de 2026 também traz um investimento voltado diretamente à formação de leitores. O Vale-Livro, iniciativa da Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Educação, em parceria com a Bienal, passa de R$ 60 para R$ 100 por beneficiário, aumento de aproximadamente 67% em comparação com 2024.

O investimento ultrapassa R$ 20 milhões e alcança mais de 52 mil alunos, 154 mil servidores municipais e 2 mil bibliotecários. Cada participante pode escolher diretamente nos estandes as obras que deseja levar para casa.

E a literatura, aqui, aparece em diferentes formatos. O benefício também pode ser utilizado para gibis, mangás, histórias em quadrinhos, revistas e publicações infantis enquadradas na Política Nacional do Livro. Nesta edição, o sistema utilizado para as transações será o mesmo do cashback dos ingressos.

Para Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), a possibilidade de escolher o próprio título ajuda a prolongar a relação com a leitura para além da passagem pela feira: “O Vale-Livro transforma a visita à Bienal em uma experiência ainda mais significativa, porque permite que cada beneficiário escolha a obra que deseja levar para casa e dê continuidade a esse encontro com a leitura.” 

A Bienal também apoia a campanha Meu Livro, Meu Estilo, iniciativa da Câmara Brasileira do Livro (CBL) que aproxima leitura, identidade e estilo de vida e busca reforçar o livro como parte do cotidiano e da cultura brasileira.

Bienal ocupa 86 mil metros quadrados no Anhembi

Realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e organizada pela RX, a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo acontece até 13 de setembro. A edição ocupa 86 mil metros quadrados do Distrito Anhembi, reúne 269 expositores e conta com 350 autores nacionais e internacionais, 3.450 horas de programação e 11 espaços culturais.

Outros 120 mil estudantes são esperados por meio do Programa de Visitação Escolar, enquanto a Espanha, Convidada de Honra desta edição, participa com uma delegação de 50 autores.

Serviço

28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Data: 4 a 13 de setembro de 2026
Local: Distrito Anhembi
Endereço: Avenida Olavo Fontoura, 1209 – Santana, São Paulo/SP
Ingressos: disponíveis pela plataforma oficial de venda da Bienal

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Texto revisado por Ludimila Rodrigues

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