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Foto: divulgação/Ju Coutinho/Globo

Entre manipulação e suspense, ‘Eu Não Era Louca, Era Casada’ chega ao streaming expondo os perigos do gaslighting

A novela vertical promete abordar a violência psicológica por meio de uma narrativa densa e verossímil, trazendo à tona debates e aprofundamento sobre o tema, mesmo em um formato mais curto 

Com um thriller dramático repleto de reviravoltas e suspense psicológico, Eu Não Era Louca, Era Casada, novo microdrama do Globoplay, promete impactar! Longe dos clichês românticos de contos de fadas, presentes em grande parte dos microdramas verticais disponíveis nas plataformas de streaming, a produção aposta em uma proposta diferente e interessante ao colocar no centro da narrativa um debate social importante sobre o gaslighting, um tipo de manipulação silenciosa que faz a vítima questionar sua própria sanidade e, aos poucos, perder a percepção de si mesma. 

Foto: divulgação/Beatriz Damy/Globo

Para Fernanda Rodrigues, que interpreta Beatriz, protagonista da trama, o formato da produção é ideal para uma discussão tão intensa justamente por sua curta duração: “É muito pesado e desgastante, eu não sei se conseguiria ir até o fim atuando assim com essa abordagem em uma novela inteira, pelo tamanho da intensidade, o formato curto é super o ideal para essa narrativa mesmo”, admitiu.

A atriz revelou que a experiência exigiu bastante dela emocionalmente durante as gravações. “A gente viveu cenas muito difíceis, que me sugaram muito, me abalaram psicologicamente. Eu tive dias muito difíceis, como atriz, de gravar 30 cenas de choro. Foi algo que exigiu muito de mim emocionalmente. É realmente muito pesado”, lembrou Fernanda em coletiva de imprensa realizada na última segunda (5) para a apresentação da trama à imprensa. 

Criada e escrita por Ecila Pedroso e dirigida por Adriano Melo, a história acompanha Beatriz (Fernanda Rodrigues), uma galerista de sucesso que, após uma série de acontecimentos misteriosos, passa a questionar a própria sanidade enquanto vê sua vida ruir completamente aos poucos.  

Foto: divulgação/Beatriz Damy/Globo

Cercada por manipulação, lapsos de memória e situações imprevisíveis e inexplicáveis, ela se torna alvo de um plano cruel arquitetado pelo marido, Vitor (Ricardo Pereira), com a ajuda da amante, Lucia (Barbara Reis), movidos por interesses financeiros. No decorrer da trama, Beatriz é levada cada vez mais para um espiral de insegurança e perda de controle, enquanto tenta provar sua lucidez e recuperar a própria vida. Do outro lado, Vitor sustenta a ideia de que nada está acontecendo e de que tudo não passa de uma loucura inventada por ela.

Responsável pelo roteiro de Eu Não Era Louca, Era Casada, a autora Ecila Pedroso vê nas novelinhas uma boa ferramenta para explorar temas ainda pouco discutidos dentro da violência doméstica e, ao mesmo tempo, promover um debate social que vai além do engajamento. “Acho que se fala muito de violência física, e é extremamente necessário, mas o gaslighting também precisa ser debatido. E, como o drama vertical exige rapidez e muitas mudanças, nos permite abordar isso com sutileza”, explicou.

Para o diretor Adriano Melo, a agilidade do formato também se transforma em uma vantagem para a narrativa: “Todas as discussões se encaixam dentro do microdrama. Ele é um espaço de muita velocidade. E nós somos grandes contadores de história. Só adaptamos isso para o formato”.

Foto: divulgação/Beatriz Damy/Globo

Ricardo Pereira ressaltou a preparação da equipe para as gravações e comemorou a oportunidade de repetir a parceria com Fernanda Rodrigues, com quem trabalhou em Negócio da China (2008).

“Tínhamos um time muito bom, [o] que facilita muito, mas ajuda mais ainda ter alguém com quem se tem intimidade. Até porque não tivemos muito tempo de preparação, mas todo mundo sendo capacitado e eu e Fernanda acostumados um com o outro, facilitou demais”, afirmou.

O ator também comentou a experiência de atuar pela primeira vez em um formato vertical e destacou a vontade do elenco de experimentar a nova linguagem: “Todo mundo queria experimentar esse novo formato, acho fantástico que todo mundo faz com muita vontade. Todos tinham feito um pouco de tudo, mas queríamos algo novo, e adoro que a gente como artista busca coisas diferentes que nos instigam e inovam”. 

Foto: divulgação/Ju Coutinho/Globo

Danielle Winits usou a própria experiência para refletir sobre a violência contra a mulher e a importância de discutir o tema por meio da dramaturgia. Na trama, ela interpreta a psiquiatra Doutora Regina, que inicialmente acredita na versão apresentada pelo abusador de Beatriz e pensa estar conduzindo o caso da maneira correta.

Com o passar do tempo, porém, a personagem começa a identificar inconsistências nos depoimentos do paciente, questiona suas próprias decisões e percebe que também estava sendo influenciada por Vitor.

“O gaslighting é parte da violência contra a mulher, e necessita estar dentro da dramaturgia. Minha personagem, eu pude entender que sofria algum tipo de gaslighting do personagem do Ricardo também e isso foi sendo aos poucos desmascarado por ela”, disse Winits.

A atriz também refletiu sobre os impactos da violência contra a mulher. Ela contou que já enfrentou diferentes tipos de violência ao longo da vida e afirmou que o trabalho acabou contribuindo para um processo pessoal de cura e para que pudesse olhar novamente para as dores que carregava consigo. “Eu, como mulher, que já sofri diversos tipos de violência, de todas as formas que vocês podem elencar, vejo que nada mais necessário hoje em dia do que colocar esse assunto dentro da dramaturgia. São luzes do que acontece de fato… Me curo ao longo do tempo devido a tantas violências que já sofri. Me sinto de certa forma mais curada com esse trabalho”, refletiu.

Para Danielle, levar essas situações para uma obra de ficção pode ajudar muitas mulheres a reconhecerem o ciclo da violência e identificarem os comportamentos abusivos sutis que, muitas vezes, não são percebidos no início dos relacionamentos. A intenção, segundo ela, também é mostrar, principalmente, que determinadas situações não precisam ser enfrentadas em silêncio.

A atriz destacou ainda a importância de discutir o assunto de maneira ampla e acessível, algo que, para ela, também é favorecido pelo formato vertical. “Fico feliz de estar no formato vertical. É mais curto, rápido. A pessoa que está no transporte público pode assistir e pensar em sua própria vida, o homem não pensa no que ele pode fazer com uma mulher. Eu acho que a gente está oferecendo um serviço dentro deste trabalho, porque é no meio do caminho que as pessoas podem consumir e refletir, temos que colocar isso em debate, é muito importante para que as mulheres se reconheçam ali naquela narrativa e reconheçam esse ciclo de violência”, afirmou. 

Eu Não Era Louca, Era Casada estreia nesta terça (6) no Globoplay. Produzida pelos Estúdios Globo, a trama tem no elenco Fernanda Rodrigues, Ricardo Pereira, Barbara Reis, Danielle Winits, Daniel Rocha e Ilvio Amaral. Os sete primeiros capítulos serão abertos para não assinantes do streaming. A produção chega com a proposta de explorar uma temática delicada por meio de uma narrativa ágil, mas sem abrir mão da discussão abrangente e importante sobre os efeitos da violência psicológica e do gaslighting. Está imperdível!

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Texto revisado por Alexia Friedmann

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