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Filme Se Eu Fosse Você 3
Imagem: divulgação/BCBiz

RESENHA | Se Eu Fosse Você 3: colocar-se no lugar do outro é o primeiro passo para enxergar o mundo com outras lentes

Gloria Pires e Tony Ramos estão de volta e, agora, dividem a troca de corpos com uma nova geração. Ao lado de Cleo Pires e Rafael Infante, a franquia retorna com uma comédia sobre relacionamento, empatia, superação e, claro, amor

Duas décadas depois da última troca de corpos, Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Gloria Pires) vivem uma nova fase da vida ao lado da filha Bia (Cleo Pires), agora adulta, mãe e casada com Aquiles (Rafael Infante).

Enquanto Cláudio e Helena aproveitam uma segunda lua de mel do outro lado do mundo, Bia e Aquiles atravessam uma crise no relacionamento. E, como uma espécie de herança de família, acabam vivendo uma situação que remete diretamente ao que seus pais enfrentaram anos atrás.

A premissa de Se Eu Fosse Você já é conhecida do público brasileiro: um acontecimento inesperado coloca um casal em uma situação inusitada e, a partir daí, eles precisam embarcar em uma jornada de descoberta para entender melhor um ao outro. Em Se Eu Fosse Você 3, a diretora Anita Barbosa entende que a principal atração da franquia continua sendo justamente o clichê da troca de universos e perspectivas e consegue atualizar essa fórmula para uma nova geração.

Um “vale a pena ver de novo” com uma nova geração

Foto: divulgação/Eny Miranda

É impossível assistir a Se Eu Fosse Você 3 sem sentir uma certa nostalgia. O filme mantém elementos que fizeram os anteriores funcionarem, mas encontra novas possibilidades ao colocar Bia e Aquiles no centro da história.

A química entre Tony Ramos e Gloria Pires continua funcionando como se o tempo não tivesse passado. Ao mesmo tempo, Cleo Pires e Rafael Infante assumem o protagonismo com uma dinâmica própria, deixando claro que cada relacionamento tem suas particularidades.

E, talvez, uma das mudanças mais interessantes esteja justamente na forma como os personagens lidam com a situação. Diferentemente dos filmes anteriores, Bia e Aquiles não precisam enfrentar tudo sozinhos. A família participa, conversa e tenta encontrar soluções junto com eles.

É aí que a diferença entre as gerações ganha espaço na narrativa. De um lado, Cláudio e Helena, representantes de uma geração acostumada a resolver seus conflitos sozinhos e de outra maneira. Do outro, Bia e Aquiles, que encontram apoio na família e na filha, além de uma relação mais aberta ao diálogo. A mensagem acaba sendo simples, mas funciona: conversar, confiar e pedir ajuda também fazem parte de um relacionamento.

Trocar de corpo para trocar de perspectiva

Bia é uma chef renomada e extremamente dedicada ao trabalho, enquanto Aquiles têm um perfil mais aventureiro, ligado ao esporte, às viagens e à vida ao ar livre. Os dois são diferentes em vários aspectos, o famoso “os opostos se atraem”, e é justamente aí que a troca de corpos encontra seu espaço para funcionar.

O filme aproveita a situação para brincar com as expectativas sobre o que significa ser homem e mulher, além de colocar os personagens diante de experiências que normalmente não viveriam. Mas Se Eu Fosse Você 3 não tenta simplesmente dizer que um deve se tornar igual ao outro. Pelo contrário, a principal descoberta está em perceber que não existe apenas uma forma correta de agir.

A mulher não precisa ser perfeita o tempo inteiro no trabalho. O homem não precisa estar sempre no controle ou corresponder a determinado modelo de masculinidade. É possível ser mais sério em alguns momentos, mais descontraído em outros, confiar no próprio time, mudar de ideia e reconhecer que nem sempre precisamos dar conta de tudo sozinhos.

O poder da adaptação, nesse caso, está justamente em entender que não é tudo ou nada. E mostrar esses dois lados da moeda é um bom caminho para identificação, menos autocobrança e pré-conceitos do dia a dia. 

Menos estereótipos, mais empatia

Foto: divulgação/Eny Miranda

As questões levantadas pelo roteiro passam por relacionamento, confiança, trabalho, superação, aprendizado e, principalmente, empatia.

Apesar de seguir uma fórmula previsível, afinal, estamos falando de uma franquia cuja premissa já conhecemos, o filme atualiza a maneira como seus personagens lidam com os conflitos. Há menos espaço para piadas baseadas em estereótipos de gênero e mais espaço para conversas, apoio e construção coletiva.

Isso não significa que o filme abandone completamente algumas convenções. Em determinados momentos, ele ainda recorre à própria inversão de papéis para provocar humor. A diferença é que, desta vez, essa inversão também serve para questionar algumas expectativas que colocamos sobre homens e mulheres.

E esse talvez seja um dos pontos mais interessantes da produção: a troca de corpos deixa de ser apenas uma ferramenta para criar situações engraçadas e passa a funcionar como uma metáfora bastante direta para a empatia. Afinal, como seria viver por um dia a rotina, as cobranças e os desafios de outra pessoa?

O filme poderia explorar mais o reencontro entre as gerações

Se existe algo que senti falta foi de uma participação maior de Cláudio e Helena na jornada de Bia e Aquiles. Tony Ramos e Gloria Pires aparecem pouco em comparação ao novo casal e, embora isso permita que Cleo Pires e Rafael Infante desenvolvam sua própria história, fica aquela vontade de ver uma troca mais direta entre as duas gerações.

Foto: divulgação/Eny Miranda

Seria interessante acompanhar um verdadeiro déjà-vu familiar: os pais reconhecendo nos filhos situações que eles mesmos viveram e, talvez, oferecendo algum conselho a partir da própria experiência. Ainda assim, a presença de Tony Ramos e Gloria Pires cumpre uma função importante. Eles trazem nostalgia, continuidade e aquele sentimento de reencontro com personagens que já fazem parte do imaginário do público brasileiro.

Falando em continuidade, há também algumas escolhas que deixam pequenas lacunas. O filho de Cláudio e Helena é citado como estando em intercâmbio, mas nunca aparece ou sequer interage com Bia. É um detalhe que chama atenção justamente porque o filme aposta tanto na dinâmica familiar e na passagem de bastão entre gerações. Não chega a comprometer a trama, mas deixa aquela sensação de que esse núcleo poderia ter sido mais bem aproveitado. 

Amor também é aprender, superar e se adaptar

Os melhores momentos do filme estão justamente nas situações em que os personagens precisam sair da própria zona de conforto. Medos, falta de familiaridade com determinadas atividades, desafios profissionais e até mudanças nos planos colocam o casal diante da necessidade de se adaptar.

E talvez essa seja a principal mensagem de Se Eu Fosse Você 3: relacionamento não é apenas encontrar a sua “tampa da panela”. É também apoiar o outro quando os planos mudam, entender seus sonhos, reconhecer suas dificuldades e aprender a caminhar junto mesmo quando a vida, literalmente, coloca você no lugar da outra pessoa.

Ou até que a troca de corpos nos separe. Amém.

No fim, Se Eu Fosse Você 3 funciona como uma celebração de uma franquia que já faz parte da memória afetiva de muita gente. Mantém sua fórmula, seus desafios e o humor que o público já conhece, mas atualiza a maneira de falar sobre relacionamentos, família e diferenças entre gerações.

É nostálgico mesmo sem viver apenas do passado e consegue abrir espaço para uma nova geração contar sua própria história. Talvez não seja uma reinvenção completa da franquia e nem precisa ser. É, antes de tudo, um convite para olhar para o outro de uma perspectiva diferente.

E, no universo da franquia, isso significa levar o “se colocar no lugar do outro” um pouquinho mais a sério.

Foto: divulgação/Eny Miranda

A produção é da Total International, em coprodução e distribuição da Buena Vista International, selo para Produções Locais da TWDC. Se Eu Fosse Você 3 estreia em 8 de outubro, exclusivamente nos cinemas.

Um quase “vale a pena ver de novo”. E, dessa vez, com uma nova geração no comando.

E você, está na expectativa para assistir essa sequência? Conta pra gente, siga o Entretetizei nas redes sociais – Facebook, Instagram e X – e não perca as novidades do mundo do entretenimento.

 

Resenha por: Paloma Ferreira de Sousa

 

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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