O ator falou como foi sua dupla jornada entre a novela e a série Impuros, além de admitir que a atuação não foi seu primeiro amor
A galera que viveu a infância nos anos 2000 com certeza se lembra do Pedrinho, de João Vitor Silva, e quem nunca mais acompanhou sua carreira depois disso, definitivamente, está chocada com a evolução artística dele. O ator de 28 anos cresceu dentro do audiovisual, amadureceu junto com os colegas de elenco e viveu tudo o que as oportunidades puderam proporcionar.
Hoje, o menino de ontem já mora sozinho, é bastante caseiro e tem sonhos gigantes. De composições próprias a trabalhar fora do Brasil, João Vitor tem certeza do que quer, do que ama fazer e não quer parar por aí. O Entretetizei bateu um papo super divertido com esse ator versátil, confira:
Entretetizei: Você estava gravando Garota do Momento junto com a sexta temporada de Impuros. Você já havia feito isso antes? Como foi o processo de interpretar dois personagens completamente diferentes ao mesmo tempo?
João Vitor Silva: Eu já tinha feito antes, já tinha estado em dois trabalhos ao mesmo tempo, mas acho que foi a primeira vez que eu fiz dois trabalhos com uma carga intensa, tanto de horas, de quantidade de cenas, quanto carga emocional também. Porque Impuros é assim, Tabuada é um personagem que tá ali muito inserido no núcleo principal, já tá há várias temporadas, é um personagem que participa bastante da história, e o Ronaldo também. Acho que, estando em uma novela, eu nunca tinha feito algo simultaneamente, a não ser peça de teatro, mas é mais tranquilo, porque você faz no final de semana. Então foi realmente uma experiência louca, divertidíssima.
Eu, claramente, tive que abdicar muito da minha vida social e estava vivendo só o trabalho mesmo, fiquei algumas vezes gravando um na folga do outro, o que estava tirando a minha própria folga, então fiquei muito focado na minha rotina de exercícios, cuidando da saúdee da alimentação, pra não ficar doente. Além disso, teve essa loucura, também, de brincar com esses dois personagens: um dos anos 50, super quadradão, e o outro um moleque da favela, já no início dos anos 2000. São dois universos muito diferentes, muito gostosos de brincar. Eu acho que para um ator é um grande playground, uma grande oportunidade única, e vivi isso sabendo que estava vivendo um momento muito especial da minha vida, então me dediquei ao máximo pra viver cada segundinho que passou.
Quando acabou, também fiquei feliz de poder descansar um pouco mais, mas foi uma experiência divertida. Cansativa, porém excitante.

E: O Ronaldo é um cristalzinho, principalmente por ser um homem que não tem medo de mostrar sua vulnerabilidade e seus sentimentos. Ele já estava definido assim ou você foi colocando uma pitada de João Vitor nele?
JV: Engraçado, né? Eu acho até que o Ronaldo tem medo de mostrar, não acho que ele seja um cara que pode ser considerado um homem muito vulnerável, emocionalmente falando. O que acho é que ele é um homem naturalmente sensível, mas a sociedade e a vida acabam exigindo dele uma postura mais máscula, mais tóxica, de alguma forma, o que era muito um conceito daquela época. Nós vemos ele muitas vezes explodindo nesse lugar, não cabendo em si, porque é um homem sensível, de fato. Acho que isso é um conjunto de coisas, é algo que já estava no texto, porque não tem como o drama do Ronaldo ser sobre ele ser o filho preterido, se sentir inferior, e não ser um cara sensível. São coisas que não combinam. Então, pra ele sentir esse ciúme, essa inveja do Beto, pra mim, a base disso é que ele é um cara que sente coisas, é um homem sensível.
Tudo isso já estava no texto, mas ao longo do processo vamos juntando mais, na troca com alguém em cena, por exemplo, é um trabalho muito coletivo. Não consigo saber se é algo que eu trouxe ou não, mas tento sempre fazer o Ronaldo sem julgá-lo, nunca, em nenhum momento; eu o acolho muito. Acredito que isso é algo que eu trago, se ele está sentindo uma coisa em cena, por mais que eu, João, ache patético e saiba que o público também vai achar patético, estou sempre com ele, e dando o máximo de verdade naquele sentimento.
E: Você já tem mais de 20 anos de carreira e ainda é muito novo. Tem algum sonho profissional que ainda deseja realizar?
JV: Muitos sonhos. Eu sou muito de deixar as coisas irem acontecendo, mas ao mesmo tempo tenho muitas vontades, muitos anseios. Como você mesma disse, ainda sou muito novo, tenho muitas ambições, ainda quero fazer muitos filmes, trabalhar bastante, fazer coisas fora do Brasil, desenvolver o meu lado músico. Tenho uma grande relação com a música; eu componho, tenho minhas próprias músicas. A minha veia artística nasce a partir da música. A atuação se apresenta ainda criança, mas não foi o que me despertou para esse mundo artístico. A música é algo que está muito presente na minha vida, no meu dia a dia, e eu ainda não mostrei para o público, ainda não abri muito. Venho fazendo pequenos movimentos, fazendo vídeos, mostrando um pouco mais no meu dia a dia, mas um projeto autoral é um sonho muito grande. Estou citando esse como um sonho atual, mas para mim, a vida não tem limites. Quero ter sonhos que eu nem sei que tenho.

E: Deixando o lado profissional um pouquinho de lado, quando não está gravando, o que mais gosta de fazer?
JV: Depende do dia, se eu estou em uma rotina de gravação, às vezes, gosto de ficar em casa, aí me conecto com a minha cachorra, assisto uma boa série, dou uma cuidada da casa, faço umas coisas do dia a dia que me conectam com a vida também, porque nosso trabalho dá uma desconexão com a vida real. Por exemplo, moro sozinho, quando estou trabalhando eu quase não cozinho, quase não tenho ido ao mercado, como muito fora. Então, às vezes, esses pequenos prazeres da vida, de parar um fim de semana e cozinhar, fazer sua comida, dá uma conectada gigantesca com a realidade. Mas também gosto muito de ir à praia, encontrar os meus amigos. Não sou muito de ir a festas, sou mais da resenha em casa, da rodinha de violão, da noite de jogos; gosto muito desse rolê de receber as pessoas ou de ir na casa de algum amigo.
E: Qual livro, série e filme você poderia indicar para o nosso público?
JV: Livro: O Poder do hábito
Série: Adolescência
Filme: Relatos Selvagens
E: O Entretetizei é um portal multicultural, feito 100% por mulheres para todos os públicos. Qual recado você poderia deixar para aqueles que sonham em seguir a profissão artística?
JV: Essa é uma carreira muito linda e muito gratificante, que nos permite viver outras histórias e nos desdobrar em outras personalidades, ter diversas experiências, poder ser aquilo que não poderíamos ser nessa vida. Acho que o meu maior conselho é que se você gosta e acredita, se te move e faz seu coração palpitar, se é o que pulsa dentro de você, se é o seu sonho, então não desista nunca, porque é uma carreira muito difícil. Até chegar no momento, até dar certo, muitas coisas podem acontecer e são coisas que às vezes são desanimadoras, mas quando chegamos lá, temos a oportunidade de fazer um trabalho em que acreditamos, com um personagem legal. Ou se você não for um ator, se for um diretor e conseguir a oportunidade de contar a sua história, ou um autor e puder escrever uma história… enfim, todos os campos do audiovisual. Mas quando está fazendo é algo mágico, e só o audiovisual é capaz de proporcionar isso.
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Texto revisado por Larissa Suellen









