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Foto: reprodução/Netflix

Crítica | Guerreiras do K-pop diverte com clichês enquanto questiona a pressão de manter as aparências

Entre performances musicais potentes e personagens cativantes, a animação mostra como medos e inseguranças podem nos consumir

Você já escutou um álbum do seu artista favorito e sentiu como se todos os demônios da sua vida tivessem sumido, mesmo que só por um instante? Em Guerreiras do K-pop (2025), esse sentimento é justamente o propósito das idols Rumi (Arden Cho), Mira (May Hong) e Zoey (Ji-young Yoo), que, além de integrarem o grupo HUNTR/X, também caçam demônios e protegem o mundo com sua voz.

No filme, que já está disponível na Netflix, o trio carrega o legado de gerações anteriores de caçadoras, assim como sua missão: finalmente selar a Honmoon, uma barreira invisível que protege os humanos do mundo dos demônios. Contudo, essa tarefa se torna ainda mais difícil com o debut dos Saja Boys, uma boyband formada por cinco demônios e liderada por Jinu (Ahn Hyo-seop).

Confira o trailer:

A trama, dirigida por Maggie Kang e Chris Appelhans, acompanha a luta de Rumi contra a própria identidade e seu esforço para manter as aparências e os segredos em um mundo que exige perfeição, no qual nossas “faltas e medos nunca devem ser vistos”.

Se a animação sofre com um roteiro excessivamente expositivo e personagens secundários subaproveitados, Guerreiras do K-pop compensa com números musicais deslumbrantes, clichês bem executados que nos envolvem e protagonistas apaixonantes  com conflitos cativantes.

A amizade entre as integrantes da HUNTR/X é outro ponto alto do filme (ainda que as personagens de Mira e Zoey implorem por mais tempo de tela), assim como o contraste na dinâmica entre Rumi — que controla neuroticamente a forma como é vista para que somente suas qualidades sejam expostas — e Jinu — que não é enxergado além de seus defeitos.

Zoey, Rumi e Mira em cena de Guerreiras do K-pop
Foto: reprodução/Netflix
Por um K-pop mais esperançoso

A animação traz uma cena em slow motion e um romance tirados diretamente do seu K-drama favorito, além de vários cenários e elementos familiares para quem acompanha grupos de K-pop, como os music shows, programas de variedade, fansigns e as lightsticks.

As sutis diferenças, contudo, oferecem uma versão mais auspiciosa da indústria do entretenimento coreano: gerentes cuja única preocupação é o bem-estar de suas artistas, mesmo que isso signifique cancelar uma apresentação em um music show faltando dez minutos para a abertura dos portões; uma relação positiva com a comida, que não é vilanizada em dietas extremas, mas necessária para o bom funcionamento do corpo; e grupos diferentes participando de fansigns juntos, sem competição ou rivalidade.

Rumi, Zoey e Mira comendo em cena de Guerreiras do K-pop
Foto: reprodução/Netflix

A animação também promove uma desidealização de seus idols, que descem do pedestal onde muitas vezes são colocados para revelar dores, admitir defeitos e buscar ajuda.

De certa forma, o mundo que conhecemos em Guerreiras do K-pop, mesmo ameaçado por demônios, é um mundo mais encorajador para os idols.

Vale chamar atenção também para a música Your Idol, que faz uma crítica às relações parassociais com artistas, mas sem soar condescendente ou ridicularizar as fangirls.

Guerreiras do K-pop mostra como medos e inseguranças podem nos consumir quando rejeitamos a nós mesmos, e desafia a ideia de que o caminho para superar problemas (ou demônios) é fingir que eles não existem ou apagá-los da memória. Assim, o filme ressalta a importância de questionar narrativas que nos são ensinadas como incontestáveis e de acolher a nossa identidade.

É preciso se esforçar para não se divertir.

 

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura

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