Neste 25 de julho, uma homenagem a quem faz da escrita um gesto de existência e resistência
Por trás de cada poema que nos emocionou, de cada história que nos transformou ou de cada tragédia literária que nos rasgou por dentro, há alguém. Um alguém que pensou, riscou, reescreveu, duvidou, apagou e insistiu. A essas pessoas dedicamos o Dia do Escritor.
Ser escritor é carregar o desafio de imaginar mundos, criar personagens, dar forma ao que parece indizível. É fazer da linguagem uma ponte entre o sentir e o entender. Também celebramos hoje quem se dedica à escrita didática: aqueles que constroem caminhos de aprendizagem e compartilham o saber com generosidade.
Escrever é muito mais do que juntar palavras: é oferecer ao mundo novas formas de ver, viver e sonhar.
Dia do Nacional do Escritor
O Dia Nacional do Escritor é comemorado em 25 de julho. Ele foi escolhido e celebrado pela primeira vez em 1960, pelo ex-ministro da Educação e Cultura Pedro Paulo Penido. Desde então, é uma data usada para lembrar dos grandes nomes da literatura brasileira e homenagear quem faz do Brasil sua morada.
A escolha do dia foi pensada já que o I Festival do Escritor Brasileiro, patrocinado pela União Brasileira de Escritores (UBE), que tinha como vice-diretor Jorge Amado, estava marcado para 25 de julho.
Grandes nomes da literatura nacional
Machado de Assis
Nome central na consolidação da literatura brasileira, Machado de Assis rompeu com os moldes do romantismo e deu início a uma escrita mais crítica, irônica e psicológica. Seu estilo único e a potência de suas obras seguem sendo valorizados no Brasil e no exterior.
Entre seus livros mais marcantes está Memórias Póstumas de Brás Cubas, obra que, segundo a Britannica School, sustenta sua reputação como um dos maiores escritores brasileiros, ao lado de seus contos e de dois romances posteriores: Quincas Borba (1891) e sua obra-prima Dom Casmurro (1899), um mergulho perturbador na mente de um homem corroído pelo ciúme.

Reconhecida como uma das maiores autoras da literatura brasileira e uma das vozes mais originais do século 20, Clarice construiu uma obra profundamente marcada pela introspecção, pela linguagem experimental e por uma intensa exploração existencial das emoções humanas.
Sua escrita, frequentemente centrada em personagens femininas em momentos de crise, transcende fronteiras e gerações, proporcionando ao leitor experiências de autoconhecimento e reflexão.
Seu romance de estreia, Perto do Coração Selvagem (1944), publicado aos 24 anos, foi amplamente elogiado pela crítica por sua abordagem sensível da juventude. Em livros posteriores, como A Maçã no Escuro (1961), A Paixão Segundo G.H. (1964), Água Viva (1973), A Hora da Estrela (1977) e Um Sopro de Vida: Pulsações (1978), Clarice dá voz a personagens alienados e em busca de sentido, que pouco a pouco despertam para si mesmos e para sua existência em um mundo arbitrário, mas persistente.

Graciliano Ramos
Foi um dos principais romancistas regionais do Brasil, com uma obra profundamente ligada à realidade árida e sofrida do Nordeste. Suas narrativas dão voz a personagens marcados pela pobreza extrema e pela luta por sobrevivência em meio à seca.
Em Infância (1945), suas memórias revelam as dificuldades econômicas da família, a educação precária e sua formação autodidata, construída a partir da leitura de autores como Émile Zola, Eça de Queirós, Fiódor Dostoiévski e Maxim Gorki. Seu romance mais célebre, Vidas Secas (1938), retrata a trajetória de uma família de retirantes em fuga da seca. Já Memórias do Cárcere, publicado postumamente em 1953, oferece um poderoso testemunho de sua experiência como preso político durante o Estado Novo.

Jorge Amado
Um romancista brasileiro cujas histórias sobre a vida no estado da Bahia, no litoral leste do Brasil, conquistaram reconhecimento internacional. Publicou seu primeiro romance aos 19 anos.
Três de suas primeiras obras tratam das plantações de cacau, enfatizando a exploração e a miséria dos migrantes negros, mulatos e brancos pobres que colhiam o fruto, geralmente expressando soluções comunistas para os problemas sociais. A mais famosa dessas obras, Terras do Sem Fim (1942; A Terra Violenta), sobre a luta entre fazendeiros rivais, tem a grandeza primitiva de uma saga popular.
Foi preso em 1935 e exilado periodicamente por suas atividades de esquerda, e muitos de seus livros foram banidos no Brasil e em Portugal.
Continuou produzindo romances com facilidade, a maioria deles picarescos, narrativas irreverentes da vida urbana baiana, especialmente das classes populares racialmente mestiças. Gabriela, cravo e canela (1958) e Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966; filme em 1978) preservam a atitude política de Amado em sua sátira.
Suas obras posteriores incluem Tenda dos Milagres (1969), Tieta do Agreste (1977), Tocaia Grande (1984) e O Sumiço da Santa (1993). Amado publicou suas memórias, Navegação de Cabotagem, em 1992.

Carlos Drummond de Andrade
Considerado um dos maiores escritores do Brasil, Drummond fez parte da segunda geração modernista. Foi precursor da chamada poesia de 30 com a publicação da obra Alguma Poesia.
Um de seus poemas mais conhecidos é No meio do caminho. Ele foi publicado na Revista de Antropofagia de São Paulo em 1928. Na época, foi considerado um dos maiores escândalos literários do Brasil.

Conceição Evaristo
A obra de Conceição Evaristo é marcada por uma escrita crítica, sensível e profundamente comprometida com a história do povo negro no Brasil. Esse posicionamento já se evidencia em seu romance de estreia e título mais conhecido, Ponciá Vicêncio (2003), que coloca em foco a experiência da negritude com densidade e lirismo.
Sua contribuição para a formação cultural brasileira é incontestável, tendo sido reconhecida com o título de Personalidade Literária do Ano pelo Prêmio Jabuti, em 2019.
Inspirada por suas vivências, Evaristo constrói narrativas que abordam questões como o racismo, as desigualdades de classe e de gênero, oferecendo um retrato potente e necessário das realidades enfrentadas por grande parte da população brasileira.

Carla Madeira
Nascida em Belo Horizonte em 1964, Carla sempre esteve ligada às palavras. Jornalista e publicitária, é diretora de criação da agência Lápis Raro. No entanto, sua incursão na literatura aconteceu quase por acaso.
Um exercício de escrita resultou em Tudo é Rio, seu primeiro romance, publicado em 2014.
Agora, sua trajetória ganha um novo capítulo: a adaptação de uma de suas obras, Véspera, para uma série da Max, estrelada por Gabriel Leone, Bruna Marquezine e Camila Márdila.
Os romances de Carla são intensos e mergulham na complexidade da experiência humana. Para ela, a conexão com o leitor é essencial. Seus enredos surgem de acontecimentos que a intrigam.

Raphael Montes
Um dos principais nomes atuais do thriller e do suspense psicológico brasileiro. Destacou-se por explorar o lado mais sombrio da mente humana, criando narrativas inquietantes, repletas de tensão, violência e dilemas morais.
Sua escrita é direta, envolvente e cheia de reviravoltas que prendem o leitor do início ao fim, sempre com um olhar crítico sobre a sociedade. Entre suas obras mais conhecidas estão Dias Perfeitos e Bom Dia, Verônica.

Itamar Vieira Junior
Em seu romance de estreia, Torto Arado, narra a história de duas irmãs que vivem em uma comunidade rural no sertão da Bahia, revelando as dificuldades da vida no campo, a ancestralidade afro-brasileira e a luta pela terra.
Com uma linguagem poética e marcada pela oralidade, o livro tornou-se um fenômeno literário, conquistando os prêmios Jabuti, Oceanos e LeYa.
Sua obra destaca a resistência dos povos tradicionais e expõe a realidade de um Brasil invisibilizado, reafirmando a importância da literatura como instrumento de denúncia e afirmação identitária.

Jeferson Tenório
É escritor e professor cuja obra se dedica às questões raciais, identitárias e sociais, com uma narrativa sensível e profundamente humana.
Em O Avesso da Pele, seu romance mais conhecido, o protagonista rememora a história do pai, um professor negro assassinado pela polícia, enquanto busca reconstruir sua própria identidade.
A obra expõe o racismo estrutural, a violência policial e as heranças emocionais que atravessam gerações de famílias negras no Brasil. Com uma escrita lírica e reflexiva, Tenório apresenta um retrato comovente da experiência negra, reafirmando seu lugar como uma das vozes mais potentes da literatura brasileira contemporânea.

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Texto revisado por Larissa Couto










