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Foto: divulgação/Daniel Tonetto

A Cor que nos Separa: o rosto do racismo por trás das máscaras

Em novo romance, o advogado gaúcho Daniel Tonetto expõe as feridas históricas do preconceito racial no Sul do país

Em 2026, Theodora Borges, após uma vida dedicada à Medicina, à Física Quântica e ao estudo do comportamento humano, é consagrada mundialmente ao receber o Prêmio Nobel. No discurso de agradecimento, ela revisita a trajetória da família, especialmente do tio Stéfano Veras, que nasceu pobre e foi criado em uma fazenda marcada pelo racismo. A partir dessa narrativa, Tonetto entrelaça passado, presente e futuro para denunciar as cicatrizes deixadas pelo racismo estrutural no Brasil.

Foto: reprodução/Avec Editora

O leitor é levado ao século XX, às planícies dos pampas gaúchos, onde Stéfano cresceu. Filho de uma benzedeira e de um tratador de animais, o jovem se destacava por sua inteligência e bondade. Contudo, logo se deparou com as desigualdades sociais e o preconceito, materializados na figura de Eunice, uma mulher rica conhecida por sua crueldade. Fugindo da violência e em busca de novas oportunidades, Stéfano muda-se para Santa Maria, mas encontra novos obstáculos e mais discriminação.

— O preconceito precisa ser vencido, e para isso acontecer não será através das sombras da violência ou de xingamentos.
— E como seria, então? — perguntou, indignado.
— Através do perdão! Acreditem, as pessoas realizadas e felizes jamais serão preconceituosas. Esse sentimento mesquinho nasce das frustrações daqueles que não alcançam o sonho que almejam.
(A Cor que nos Separa, p. 131)

Inspirado pela professora Suilnira — cujo principal objetivo de vida era combater a violência racial por meio dos livros —, Stéfano mostra como a educação pode ser uma ferramenta de libertação, mesmo quando tudo parece conspirar contra ele. Em contrapartida, Eunice representa como o ódio é perpetuado de geração em geração. Assim, ao entrelaçar a trajetória de personagens marcados pela dor e pela resistência, Daniel Tonetto convida os leitores a enxergarem as feridas históricas do Brasil que ainda permanecem abertas.

Misturando elementos de fé, cultura popular e luta social, o livro também homenageia figuras reais como Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela. A Cor que nos Separa apresenta uma narrativa tocante e necessária, que nos lembra: para construir um futuro mais digno, é preciso reconhecer os fantasmas do passado e enfrentá-los com coragem, verdade e humanidade.

A história de Theodora, Stefano e Eunice é, em muitos aspectos, um espelho das contradições que encontrei ao longo da vida: a brutalidade do preconceito, o peso da herança familiar, a força da redenção e o silêncio que habita tantos afetos interrompidos. Ao situar parte da narrativa nos pampas gaúchos, revisitei não apenas geografias físicas, mas memórias ancestrais, de terra, de luta, de sangue e de amor”, conclui o autor.

A Cor que nos Separa, de Daniel Tonetto, é publicado pela AVEC e pode ser adquirido em e-book na Amazon ou em formato físico no site da própria editora.

Sobre o autor

Graduado em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria, o escritor Daniel Tonetto é advogado criminalista, sócio fundador do MMT Advogados e professor universitário. Especialista em Ciências Criminais e mestre em Direito pela Universidade Autónoma de Lisboa, atualmente é doutorando pela histórica Universidade de Salamanca, na Espanha. É membro da Academia Santa-Mariense de Letras e da Academia de Letras e Artes de São Sepé-RS. A Cor que nos Separa já é considerado pela crítica seu melhor livro, entre obras de sucesso como a trilogia Crime em Família e Dois Caminhos. Para conhecer melhor o trabalho do escritor, não deixe de segui-lo no Instagram.  

Foto: divulgação/Daniel Tonetto

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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