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Foto: reprodução/Instagram @zacharygray

A vulnerabilidade como pista de dança: conheça o novo álbum de Hayley Williams

Ego Death at a Bachelorette Party chegou às plataformas digitais na última semana de agosto trazendo um lado mais ousado da cantora 

Seria este o melhor trabalho solo de Hayley Williams até agora? Independentemente da sua resposta, o novo álbum da cantora, que também é vocalista do Paramore, traz vulnerabilidade explícita, críticas sociais precisas e uma mistura de gêneros que mostra uma etapa mais livre no processo de criação e, por isso, uma obra como nenhuma outra que ela já tenha lançado. Será que isso é o suficiente para que o álbum ocupe um espaço no seu coração?  

Este é o terceiro álbum solo de Hayley Williams. A cantora de 36 anos lançou Petals For Armor em 2020 e Flowers for Vases/Descansos em 2021, mas seu lançamento mais recente é o primeiro, de fato, totalmente independente. Livre de seu contrato, que durou 20 anos, com a Atlantic Records, nesta nova fase fica claro o quanto a cantora se permitiu explorar novas possibilidades.  

Foto: reprodução/Rolling Stones/Zachary Gray

O álbum chegou às plataformas digitais em 28 de agosto, mas já vem fazendo barulho na Internet desde julho, quando Hayley disponibilizou as faixas em seu site por meio de um web player retrô. Outro aspecto que deixa claro a liberdade criativa do novo trabalho, é o fato de o álbum ser encarado como 17 singles ao invés de uma produção tradicional. 

De acordo com Williams, ela não começou o projeto pensando em um novo álbum, apenas precisava escrever, e quando finalizou esse processo tinha 17 singles. No site de divulgação, as faixas podiam ser ouvidas na ordem em que os fãs quisessem, bem no estilo anos 2000. 

Em uma conversa com o The Zane Lowe Show no youtube da Apple Music, a vocalista do Paramore falou sobre o tipo de experiência que queria proporcionar aos fãs e sobre como foi divertido incentivá-los a criarem seu próprio contexto para o álbum e qual seria a melhor sequência para interpretar tudo aquilo que a obra entrega.  

Eu realmente queria me esquivar da responsabilidade [de montar a tracklist]. Eu meio que estava interessada na perspectiva de outras pessoas também, porque chega um ponto em que você está no olho do furacão, tipo fazendo coisas e passando por coisas, e realmente não consegue ter perspectiva. Então tem sido muito interessante”, disse Williams.   

A vulnerabilidade nas letras 

Sem dúvidas, a necessidade de escrever e expurgar de alguma forma os sentimentos transparecem nas faixas, principalmente em letras como Glum, True Believer, Blood Bros e Parachute.

Em Glum, Hayley fala sobre sentimentos de solidão, desconexão e invisibilidade. Em trechos como When you look around and nobody’s home. But you wanna go back to wherever we’re from”, isso fica ainda mais transparente. E os vocais aos dois minutos e 41 segundos da música parecem liberar toda a frustração de lutar com esses sentimentos. 

O vazio se reflete inclusive no videoclipe da música, onde é possível interpretar a forma como os espaços dão eco a todas as palavras ditas e não ditas. 

Em True Believer a letra bate de frente com o racismo ainda frequente não apenas no sul dos EUA. Neste caso em específico, o alvo é a região em que a cantora cresceu,Tennessee. “They say that Jesus is the way, but then they gave Him a white face. So they don’t have to pray to someone they deem lesser than them”, esse trecho resume bem o tom da faixa que não deixou de fora as críticas a algumas práticas religiosas também.  

Parachute é uma das faixas com maior número de reprodução no Spotify e traz uma letra cheia de acontecimentos íntimos da vida amorosa da cantora. Motivo suficiente para que alguns chegassem a especular o fim do relacionamento de Hayley com Taylor York (guitarrista do Paramore), e como esse suposto fim poderia impactar o futuro da banda. A letra demonstra uma vulnerabilidade que precisa ser sentida, não explicada, e a catarse demonstrada na segunda estrofe é o ponto alto de tudo.

Passos ousados como artista independente 

O álbum foi bem recebido pela crítica especializada e principalmente pelos fãs que acompanham o trabalho de Hayley há décadas. A repercussão faz jus a toda raiva, miséria, luto, frustração e solidão que cada música traz e sem dúvida foi uma ótima forma de expressar todas as fases da cantora como integrante de uma das maiores bandas de pop-punk da última década, mas também sua evolução com toda essa experiência e com o fim de uma longa jornada com a Atlantic Records. 

Com a inserção de estilos e elementos como synth-pop, indie e trip-hop, que são diferentes de seus trabalhos anteriores, era de se esperar alguma estranheza, mas de certa forma é possível passar por cada faixa e ainda sentir a essência da cantora e as referências que integraram seu repertório musical ao longo dos anos. 

A liberdade criativa de expor esse lado, já é em si, uma porta de entrada para a vulnerabilidade que é tema presente em toda a obra. 

Ser tão independente me permitiu escolher as pessoas com quem quero me sentir mais próxima ao longo do projeto, e, quero dizer, o Paramore tem tanta sorte. Já trabalhamos com muitas pessoas incríveis, mas a maioria delas é da gerência”, disse a cantora ao The Zane Lowe Show.  

Em entrevista ao The Fame, Hayley condensou tudo o que esse álbum significa em uma frase que sem dúvida marcou todos os fãs. “De muitas maneiras, escrever este álbum deu uma voz à versão de 15 anos de mim, que sentiu que havia perdido muito de seu poder ao assinar com uma grande gravadora. Isso a libertou.

Um mergulho radical na dor e libertação 

De certa forma EDAABP é exatamente o álbum que aquela geração que cresceu com Paramore precisava para descarregar, talvez na privacidade de seus quartos, todas as frustrações, luto, decepções amorosas, profissionais e até sociais. É um álbum que faz o ouvinte querer pular, chorar, gritar a plenos pulmões e expurgar tudo o que sente e não consegue nomear na maioria dos dias. E isso diz mais sobre a qualidade da entrega do que qualquer crítica, prêmio ou número de reprodução em um streaming. 

Então, no fim, a obra parece fazer um convite para que todos saiam do modo automático, que muitas vezes as rotinas impõe sem que se perceba, e se permitam realmente ouvir ao álbum, não como um pano de fundo para qualquer outra atividade, mas apenas ouvir as músicas por inteiro e colocar as próprias sensações e interpretações em cada faixa.

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Texto revisado por Angela Maziero Santana 

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