Companhia Ensaio Aberto recebe espetáculos do coletivo paraibano em apresentações gratuitas entre 24/10 e 3/11, abrindo no Rio o Circulação Petrobras, do projeto Em Boa Companhia
A Causa Secreta é livremente inspirada no conto de Machado de Assis. A dramaturgia elege uma das mais sombrias narrativas do autor carioca com o interesse de levar à cena uma reflexão sobre o sadismo, afecção que secretamente se infiltra nas relações sociais de modo a transformar o “outro” em objeto de dominação e gozo hedonista. A montagem explora as regiões obscuras e inexplicáveis do comportamento humano para denunciar a opressão de gênero que assola a sociedade brasileira.
A partir de um insólito triângulo amoroso entre um jovem médico, uma mulher que padece de uma doença incurável e seu marido (obcecado por experimentos científicos em torno da anatomia dos seres vivos), a peça investiga os limites éticos da ciência e do conhecimento.
No conto, o autor dá a notícia de um teatro de má reputação, localizado nas franjas da cidade, em São Januário. Esta referência pauta a encenação, que cria uma fictícia Companhia São Januário de Extravagâncias para discutir em chave burlesca as relações de dominação na atualidade brasileira, com ênfase à condição histórica de subalternidade do gênero feminino.
O recuo para o interior da maquinaria teatral permite operar as cenas como números de um roteiro de extravagâncias. Uma solução no campo alegórico para falar das perversões que intoxicam as relações sociais na atualidade. A encenação reproduz o programa de uma noite de variedades, oferecendo ao público números de atirador de facas, desaparição e escapismo, entremeados por cenas que narram a história.
Como forma de colocar em primeiro plano a discussão sobre a opressão de gênero numa sociedade patriarcal, a dramaturgia faz referência a poemas de Cecília Meireles e Pagu, autoras brasileiras que expressam em sua obra o inconformismo com a desigualdade entre homens e mulheres. Também se vale de um fragmento de cena da tragédia Titus Andronicus, de Shakespeare, e de poemas em prosa de Charles Baudelaire.
A peça é uma reflexão sobre a perversão que preside as relações de dominação presentes em nossa sociedade e que se manifestam não apenas no âmbito das relações públicas, mas também no cotidiano das relações privadas.
Desertores será encenada no fim do mês
Desertores é um experimento cênico livremente inspirado na obra inacabada “O Declínio do egoísta Johann Fatzer”, de Bertolt Brecht, reunião de cenas, poemas e apontamentos teóricos que o autor alemão produziu durante o período de 1926 a 1930.

Nesta obra monumental, Brecht reflete dialeticamente sobre a catástrofe da Primeira Grande Guerra, como também sobre o impasse dos movimentos sociais revolucionários e o prenúncio do Nazismo. O conjunto de fragmentos é organizado em cinco fases de trabalho denominadas “Fatzer Documento”, acrescidas de um conjunto de notas teóricas a que Brecht nomeou “Fatzer Comentário” e que constitui uma espécie de programa para um “teatro didático-político-poético”.
De todo o material produzido, Brecht chegou a publicar em vida o fragmento que corresponde à quinta fase do trabalho, no primeiro caderno dos Versuche (Tentativas). O restante do material somente veio a público a partir das décadas de 1970 e 80. A dramaturgia de Desertores parte da tradução, na íntegra, do “Complexo Fatzer”, realizada por Pedro Mantovani.
A história narra a trajetória de quatro soldados que, após a sangrenta Batalha de Verdun, abandonam seu tanque de guerra e decidem desertar. Tidos como mortos, os quatro homens permanecem em clandestinidade em Mülheim, bairro fabril na Alemanha, sob a constante ameaça de serem presos e fuzilados como desertores. Apesar das dificuldades, os clandestinos lutam para conseguir comida e pactuam nunca se separar. Os desertores têm a esperança de que uma ação coletiva consiga pôr fim à guerra. Eles acreditam poder tomar parte na desejada revolução.
A montagem lança um olhar crítico sobre os impasses da atualidade, marcada pelo avanço mundial dos extremismos patrocinados por uma classe predatória, que se utiliza do medo coletivo para avançar contra as liberdades democráticas e as conquistas sociais já em vias de destruição.
Serviço
A Causa Secreta
Quando: Dias 24, 25, 26 (com intérprete de libras) e 27 de outubro. Sexta, sábado, domingo e segunda,
Horário: às 20h (a casa abre às 18h30 e não é permitido entrar após o início do espetáculo)
Onde: Teatro Vianinha, Armazém da Utopia (Cais do Porto, Armazém 6, Rio de Janeiro)
Duração: 70 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Desertores
Quando: Sexta, sábado, domingo e segunda, dias 31 de outubro, 1, 2 (com intérprete de libras) e 3 de novembro
Horário: Às 20h (a casa abre às 18h30 e não é permitido entrar após o início do espetáculo)
Onde: Teatro Vianinha, Armazém da Utopia (Cais do Porto, Armazém 6, Rio de Janeiro)
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
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Texto revisado por Larissa Couto @larscouto









