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“Era só uma piada”: como Hollywood ajudou a normalizar o racismo recreativo

Entre o riso e o constrangimento, a indústria do cinema mais poderosa do mundo transformou o racismo em entretenimento, exportando preconceitos disfarçados de cultura pop

Hollywood sempre foi um reflexo fiel do que os Estados Unidos escolheram acreditar sobre si mesmos. Desde os primeiros rolos de filme, o país que se vendia como o símbolo da liberdade também produzia narrativas que definiam quem merecia ser visto e de que forma. O racismo, ao invés de ser um erro isolado do passado, foi um dos pilares da cultura cinematográfica americana, uma estrutura que moldou o olhar do público mundial. Quando o cinema virou uma linguagem global, também exportou o preconceito, disfarçado de humor e de normalidade. O riso se tornou uma forma de violência invisível, e o espectador, cúmplice sem perceber.

O chamado racismo recreativo – aquele que se disfarça de piada, que busca amenizar o preconceito com a desculpa da intenção – nasceu ali, entre roteiros escritos por homens brancos e uma plateia ensinada a rir do diferente. Quando um personagem negro era o alívio cômico, o asiático era o excêntrico estranho, o latino era o bandido e o indígena era o inimigo selvagem, o público não via um ataque, mas um estereótipo confortável. Era o racismo transformado em costume, em fórmula. As risadas preenchiam o silêncio da opressão.

Ao longo do século XX, a indústria do entretenimento norte-americana se consolidou como o padrão de cultura global. E esse padrão sempre teve cor, sotaque e rosto definidos. Filmes, séries e programas de humor criaram arquétipos que pareciam inofensivos, mas que se enraizaram profundamente na cultura popular. A mídia ensinou gerações inteiras a achar graça de corpos marginalizados e a enxergar a diferença como objeto de riso. Foi assim que Hollywood construiu um império sobre a dor, mascarando o preconceito como tradição cultural.

Quando o entretenimento decide quem é humano e quem serve apenas como alívio cômico

O humor foi o escudo mais eficiente de Hollywood. Quando a sociedade começou a questionar as representações abertamente racistas, o cinema apenas trocou a agressividade pela ironia. O blackface perdeu espaço, mas a lógica permaneceu intacta. Agora, o preconceito vinha disfarçado de piada. Era o “não leve tão a sério”, o é só comédia”. Filmes dos anos 1980 e 1990 como Uma Escola Muito Louca (1986), em que um estudante branco se pinta de negro para conseguir uma bolsa universitária, são retratos de uma era em que o racismo era tratado como mal-entendido cômico. A audiência ria da situação, sem perceber que ria de um sistema que negava oportunidades a pessoas negras na vida real.

racismo recreativo
Foto: reprodução/imdb

A piada se tornou um modo de sobrevivência da ideologia racista. Quando se ri do outro, o riso opera como mecanismo de despolitização. Ele anula a gravidade da desigualdade e transforma o conflito em entretenimento. O público não se vê como parte do problema porque está apenas se “divertindo. Hollywood entendeu isso cedo e criou uma indústria de estereótipos disfarçados de sátira. Filmes como Trovão Tropical (2008), em que Robert Downey Jr. interpreta um ator que faz blackface, são exemplos de como a autocrítica hollywoodiana tenta ser moralmente ambígua. O filme ironiza o racismo, mas ainda se apoia no gesto racista para gerar humor. A intenção é diferente, mas o resultado permanece desconfortavelmente o mesmo.

racismo recreativo
Foto: reprodução/google play

Nas sitcoms e comédias dos anos 1990 e 2000, o racismo recreativo se tornou uma linguagem padrão. Séries como Friends (1994-2004) ignoravam completamente a diversidade racial, enquanto outras como Two Broke Girls (2011-2017) transformavam personagens asiáticos em caricaturas. O humor televisivo, herdeiro direto do cinema clássico, manteve a tradição de rir de quem não pertencia ao centro. Era um riso previsível, domesticado, que reforçava a ideia de que a diferença só é aceitável se for engraçada. A piada passou a funcionar como um anestésico moral.

racismo recreativo
Foto: reprodução/the hollywood

A partir do momento em que o público aprendeu a rir do preconceito, o racismo deixou de ser percebido como violência. O humor virou o disfarce perfeito para o controle simbólico. A piada desarmava a crítica e reforçava a estrutura. Ao rir do outro, o espectador reafirmava sua posição confortável no mundo. Hollywood vendeu isso como liberdade de expressão”, quando, na verdade, era a reafirmação da liberdade de humilhar. O riso, que poderia unir, virou ferramenta de hierarquia.

O império dos estereótipos e a fabricação industrial de identidades “exóticas” para consumo branco

Nenhum outro tipo de humor foi tão persistente em Hollywood quanto aquele construído sobre o corpo racializado. Desde o início, a indústria aprendeu a lucrar com a exotização. As mulheres latinas eram filmadas como seres fogosos e indomáveis, figuras como Carmen Miranda foram transformadas em ícones caricatos, reduzidas à performance da alegria tropical. A sensualidade era enquadrada como elemento de inferioridade, algo a ser consumido, nunca respeitado. A cultura se tornava fantasia e o corpo, objeto narrativo.

O mesmo se aplicava a personagens asiáticos, frequentemente retratados de maneira desumanizada ou cômica. Filmes como Gatinhas & Gatões (1984) apresentaram figuras como Long Duk Dong, o estudante estrangeiro ridículo, com sotaque forçado e comportamento infantilizado. Ele era considerado o contraponto engraçado dos personagens brancos, uma presença que existia apenas para o público rir. Aquilo que era apresentado como leve e inofensivo era, na verdade, uma forma de reafirmar que certos corpos não pertenciam ao centro da narrativa americana.

Foto: reprodução/imdb

Os personagens negros também foram reduzidos a corpos funcionais. O amigo engraçado, o atleta talentoso, o dançarino espontâneo. Sempre exuberante, mas nunca profundo. O corpo negro, na lógica hollywoodiana, é sempre físico, nunca intelectual. Essa representação criou um ciclo vicioso em que atores negros eram escalados apenas para papéis limitados, perpetuando o estereótipo de que o humor e a vitalidade são as únicas linguagens possíveis para eles. Mesmo quando a indústria começou a incluir atores negros em papéis principais, como em Histórias Cruzadas (2011), a estrutura se manteve: a branquitude continuava sendo o eixo moral da narrativa.

racismo recreativo
Foto: reprodução/imdb

Ao transformar o corpo racializado em piada, Hollywood criou uma pedagogia visual do preconceito. A plateia aprendeu a rir daquilo que não compreendia. O corpo, que deveria ser presença, virou metáfora da diferença. A sensualidade latina, a timidez asiática, a exuberância negra, todas moldadas por olhares brancos e roteiros que reforçavam a hierarquia. A representação nunca foi inocente. Era um método de controle, uma forma de definir quem podia ser protagonista e quem deveria permanecer como paisagem cômica.

O mito da neutralidade cultural que mascara a violência simbólica das grandes produções

Um dos pilares mais sutis do racismo recreativo em Hollywood sempre foi o mito do herói branco. Enquanto personagens racializados eram moldados como alívio cômico ou ameaça, o homem branco era apresentado como mediador moral, aquele capaz de entender e corrigir as injustiças do mundo. Essa lógica se repete desde os épicos coloniais até os dramas contemporâneos que se dizem antirracistas. Filmes como Um Sonho Possível (2009) e Green Book: O Guia (2018) vendem a ideia da bondade branca como ferramenta de redenção, transformando histórias de opressão em oportunidades para o público branco se sentir virtuoso. O racismo, mais uma vez, é diluído em emoção.

racismo recreativo
Foto: reprodução/ plano crítico

O herói branco também serve como filtro de interpretação. Ele garante que o público majoritário nunca precise se confrontar com o desconforto real da desigualdade. A dor do outro é sempre mediada, traduzida, suavizada. Quando personagens negros ou latinos aparecem, é através do olhar salvador. A história nunca é deles, mas sobre eles. Hollywood aprendeu a transformar o trauma em espetáculo emocional, uma catarse que reafirma o privilégio. O riso, nesse contexto, não é o da piada, mas o do alívio, a sensação de que “tudo terminou bem porque o branco compreendeu a lição.

Mesmo quando há boas intenções, a estrutura narrativa se mantém a mesma. A diversidade aparece, mas a perspectiva continua unidirecional. Filmes como Crash: No Limite (2004) tentaram abordar o racismo de forma corajosa, mas acabaram reforçando o discurso de que o preconceito é apenas um mal-estar coletivo, sem raiz histórica. É a mesma estratégia de sempre: transformar o conflito racial em um mal-entendido humano, e não em uma estrutura de poder. O racismo recreativo, nesse caso, não vem do riso, mas do esvaziamento. Tudo é igualado, tudo é passível de perdão.

racismo recreativo
Foto: reprodução/O Globo

A figura do outro funcional – o personagem não branco que existe para ensinar, inspirar ou humanizar o branco – é a versão moderna do blackface. Ele não é mais objeto de escárnio, mas de utilidade narrativa. Serve à empatia seletiva, aquela que conforta o público sem desestabilizá-lo. Hollywood se orgulha da representatividade que não ameaça, das histórias que mantêm o equilíbrio simbólico. A indústria aprendeu a lucrar com o discurso da inclusão, mas continua filmando sob a mesma lente. O racismo apenas trocou de roupa.

A indústria que ensinou o mundo a rir do trauma alheio enquanto chamava isso de representatividade

A força do racismo recreativo está na sua capacidade de se esconder atrás da normalidade. O humor não precisa ser escancarado para ferir. Ele pode se manifestar em expressões, gestos e enquadramentos que repetem séculos de hierarquias raciais. Quando um personagem asiático fala com sotaque exagerado, quando um negro reage com euforia desproporcional, quando um latino é enquadrado de forma agressiva, a mensagem é sempre a mesma: há uma fronteira entre “nós” e “eles”. O público ri, mas o riso é condicionado. Ele surge porque o cinema ensinou que aquele comportamento é o desvio.

Filmes como A Hora do Rush (1998) e As Branquelas (2004) evidenciam como o humor se tornou ferramenta de anestesia. No primeiro, a dupla formada por Jackie Chan e Chris Tucker se apoia em estereótipos raciais para criar química. O público ri do contraste, mas o contraste é o próprio preconceito. No segundo, o papel se inverte – atores negros caricaturam mulheres brancas – e o filme é vendido como sátira, mas o resultado não rompe o ciclo. Ele apenas o inverte temporariamente. O riso continua sendo o mecanismo que impede a reflexão.

Foto: reprodução/plano crítico

O problema é que, quando o riso é contínuo, ele vira hábito. O público se acostuma com a violência simbólica, e a ausência dela passa a parecer censura. Essa reação é evidente nas discussões atuais sobre o politicamente correto. A nostalgia por um humor livre é, na verdade, a resistência ao desconforto. É o medo de perder o privilégio de rir sem pensar. Hollywood alimentou essa mentalidade por décadas, transformando o racismo em um entretenimento culturalmente aceitável. A indústria ensinou o mundo a rir do opressor e do oprimido com o mesmo tom, como se o contexto não importasse.

O riso, nesse sentido, é anestésico. Ele impede a cicatrização porque disfarça a ferida. Cada piada, cada estereótipo repetido, reforça a ideia de que o preconceito é algo superável pelo humor. O público se acostuma a ver a violência como leveza e a confundir o desconforto com exagero. Hollywood não criou apenas personagens, criou reações condicionadas. A plateia aprendeu a rir quando deveria sentir vergonha.

A nostalgia por um passado “inocente” que na verdade foi uma escola de preconceitos globais

Apesar de tudo, o próprio cinema também foi espaço de resposta. O incômodo, quando não silenciado, vira linguagem. Nos anos 2010, cineastas negros, asiáticos e latinos começaram a desmantelar o racismo recreativo de dentro da própria indústria. Jordan Peele, com Corra! (2017), inverteu a lógica do horror: o riso nervoso do público era parte da denúncia. O desconforto virou estética. Em Sorry to Bother You (2018), Boots Riley satirizou a branquitude corporativa, expondo como o racismo pode ser performático e utilitário. Esses filmes não propõem conforto, e é justamente por isso que incomodam.

Foto: reprodução/mubi

A diferença está na autoria. Quando o olhar muda, o riso muda também. O humor feito a partir da vivência não é o mesmo humor que nasce do privilégio. Ele se torna ferramenta de enfrentamento, não de dominação. Filmes como Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (2022) mostraram que é possível construir humor e emoção com corpos asiáticos no centro da narrativa, sem caricaturas, sem exotização. A pluralidade estética e temática dessas obras é uma forma de resistência contra um século de padronização branca.

Foto: reprodução/omelete

Ainda assim, o sistema resiste. A diversidade é celebrada quando é palatável. O mercado abraça o discurso antirracista desde que ele não desestabilize o lucro. O sucesso de filmes independentes ou alternativos não significa uma mudança estrutural em Hollywood, mas um tensionamento. A indústria continua sendo guiada por grandes estúdios que determinam o que é comercialmente viável. E, frequentemente, o desconforto ainda é visto como um risco.

Mesmo assim, o incômodo se espalha. As novas gerações de criadores e espectadores já não aceitam o riso fácil. A internet e as plataformas de streaming abriram espaço para histórias fora do eixo tradicional. O riso começa a ser devolvido, não como submissão, mas como ironia política. Hollywood talvez ainda seja o centro do poder, mas não é mais o único narrador. O riso mudou de lado.

O país que exportou o riso racista agora ergue muros reais contra quem ousa atravessar a fronteira

Há algo de revolucionário em recusar a piada. O silêncio diante do racismo recreativo não é censura, é reação. Depois de um século de risadas cúmplices, talvez a ausência do riso seja o primeiro passo para o real debate. A plateia precisa reaprender a assistir. Isso significa perceber que certas imagens não são neutras, que a leveza pode carregar violência e que o humor, em Hollywood, sempre teve dono.

A desintoxicação do olhar exige um processo coletivo. Significa revisitar clássicos, reavaliar o que foi chamado de inofensivo e reconhecer que boa parte da história do cinema é construída sobre a exclusão. Significa também aceitar que o desconforto é pedagógico. Quando o espectador deixa de rir, não é porque perdeu o senso de humor, mas porque começou a entender do que estava rindo. Filmes como Banzé no Oeste (1974), que já tentavam ironizar o racismo, mostram como o contexto muda o impacto. O que antes parecia provocativo, hoje soa datado. E isso é um sinal de avanço.

Foto: reprodução/imdb

Hollywood, que ensinou o mundo a rir do diferente, agora precisa aprender a ouvir. A indústria, acostumada a domesticar a crítica, tenta se adaptar, mas a transformação real não virá de dentro. Ela virá de quem foi silenciado, de quem aprendeu a criar nas margens. O futuro do humor não será sobre rir do outro, mas com o outro. A igualdade não será atingida pela ausência de conflito, mas pela presença de complexidade.

O riso não precisa morrer, mas precisa mudar de direção. O público precisa entender que rir pode ser um ato político – tanto de resistência quanto de opressão. O que Hollywood fez foi usar o riso para normalizar o preconceito. O que vem agora é o contrário: usar o humor para expor a estrutura. A comédia pode continuar existindo, desde que reconheça a quem ela serve. E talvez o cinema, finalmente, possa se livrar da risada que sempre veio do lugar errado.

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Leia também: Yellowface: o que é e por que devemos falar sobre isso já!

 

Texto revisado por Alexia Friedmann

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Cultura turca Notícias

Beklenen Mehdi: Bensu Soral e Alperen Duymaz formam casal em nova série

Produção da TRT Tabii confirma rumores de contratação

 

Sob produção de İbrahim Elma e assinatura da Medyafikir Kulübü, a dizi revela Bensu Soral como parceira de Alperen Duymaz, formando o casal protagonista da trama. O roteiro fica a cargo de İbrahim Elma, Kemal Çelik e Pınar Uysal, contando com dez episódios em sua primeira temporada.

Foto: reprodução/Instagram @1birsenasaltuntas
Nova Série

Em Beklenen Mehdi (tradução livre: Esperando Mehdi), Duymaz interpreta Ahrar Zakirov, um agente de inteligência de origem uzbeque, enquanto Soral dá vida a Rana, uma professora doutora em História das Religiões na Universidade de Harran. O encontro entre os dois personagens acontece por causa da especialidade acadêmica de Rana. 

A história, que terá início em Urfa e se deslocará para Istambul ao final da temporada, promete uma mudança de cenário e de tom. Atualmente, o elenco participa das leituras e dos ensaios.

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Leia também: Especial | Os papéis mais relevantes de Bensu Soral

 

Texto revisado por Sabrina Borges de Moura 

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Cultura Entretenimento Musicais

Tiago Abravanel anuncia personagem em um novo musical

A produção tem padrão internacional e  é referência no mercado 

O espetáculo Shrek chegará aos palcos do Teatro Renault, em São Paulo Interpretando o ogro mais amado das telinhas, Tiago Abravanel dará vida ao personagem no musical que estreia em abril de 2026.

Tiago, ator e cantor, tem grandes expectativas de levar muita energia e amor ao público. O personagem é reconhecido pelo ator como um ícone muito querido perpassando gerações “cheio de humor, coragem e coração”.

Foto: divulgação/Carolina Demper @carolinademper

O filme Shrek (2001), vencedor do Oscar de Melhor Filme de Animação em 2022, encanta pelo enredo de um conto de fadas nada tradicional. Os personagens autênticos enfrentam os preconceitos pelos seus  estereótipos, mas todos os desafios são enfrentados ao lado de seus amores e amigos, com muita gargalhada e música. 

O musical é original da Broadway, mas já esteve em lugares tão tão distantes, como na Espanha, França, Itália, Holanda, Alemanha, México, Argentina, Israel e Austrália.

Agora, no Brasil, o espetáculo será  assinado pelo Instituto Artium, em coprodução com o Atelier de Cultura. Os produtores são referências em qualidade técnica e artística com padrões internacionais. Trouxeram ao Brasil entretenimentos inéditos como o show de  A História Não Contada das Bruxas de Oz e a Fantástica Fábrica de Chocolate.

 

O musical, baseado no filme de animação da DreamWorks, não poderia ser diferente. O Instituto acredita que “cada nova produção é uma oportunidade de elevar o padrão técnico e artístico do teatro musical brasileiro”. O espetáculo conta com diversos investimentos com o intuito do espectador ter a melhor experiência.  

Foto: divulgação/Carolina Demper @carolinademper

Os ingressos já podem ser adquiridos no site. A estreia de Shrek acontece no dia 8 de abril. Além disso, para os fãs de carteirinha, a produção oferece cinquenta passaportes para o Ogro Pass que inclui tour pelos bastidores do espetáculo.

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Leia também: Rodrigo Santoro surge como Crisóstomo em trailer de O filho de mil homens  

 

Texto revisado por Karollyne de Lima

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Cultura asiática Moda Música

7 idols do K-pop que estão trazendo de volta o glamour da Velha Hollywood

De Miyeon a V, conheça os artistas que estão transformando o brilho clássico dos anos dourados em tendência moderna, com veludo, pérolas e muita atitude

O charme e o mistério das estrelas da Velha Hollywood são atemporais e, agora, o K-pop está resgatando esse brilho de forma ousada e moderna. Enquanto as divas dos anos 1950 exibiam vestidos de cetim e diamantes no tapete vermelho, os idols de hoje reinventam o glamour com novas texturas, cores e conceitos. De peles coloridas a ternos de veludo, esses sete nomes estão provando que o estilo Old Hollywood nunca sai de moda, ele apenas ganha um toque coreano.

Miyeon (I-DLE): luxo com assinatura própria

Em seu primeiro álbum solo, Miyeon transformou cada clique em uma aula de elegância à la old Hollywood. Casaco de pele, luvas de veludo e diamantes reluzentes, a cantora parecia saída de um filme estrelado por Audrey Hepburn. Mas o toque moderno veio nas cores vibrantes e na maquiagem contemporânea, provando que o clássico também pode ser ousado.

Velha Hollywood
Foto: reprodução/instagram
Seonghwa (ATEEZ): o galã fora dos padrões

De tricôs com botões vintage a cabelos prateados cuidadosamente desalinhados, Seonghwa entrega uma estética que mistura o charme dos astros antigos com um toque rebelde. O estilo que, um dia, seria reservado aos tapetes vermelhos, agora aparece no cotidiano do idol, que transforma qualquer look em um ato de pura confiança.

Velha Hollywood

Yeji (ITZY): entre o red carpet e o street style

Yeji domina tanto o visual de estrela de cinema fora de cena quanto o glamour de tapete vermelho. O vestido preto básico ganha nova força, com brincos de diamante enormes e sandálias plataforma com pegada retrô. Um equilíbrio perfeito entre o clássico e o moderno, como se Grace Kelly tivesse encontrado o K-pop.

Velha Hollywood
Foto: reprodução/instagram
Jaemin (NCT): alfaiataria com alma retrô

O padrão pied-de-poule nunca sai de moda, e Jaemin sabe disso. O idol combina ternos bem cortados com jaquetas varsity e penteados despretensiosos, mantendo o ar sofisticado, mas sem rigidez. É o tipo de visual que mistura o galã de cinema dos anos 50 com a leveza do estilo coreano atual.

Velha Hollywood
Foto: reprodução/instagram
Jang Wonyoung (IVE): musa entre eras

Com visuais inspirados em quadros renascentistas e red carpets da Hollywood clássica, Wonyoung traz o melhor dos dois mundos. Seus looks combinam tecidos ricos, unhas quadradas e maquiagem colorida, pequenos detalhes que atualizam o vintage e o transformam em algo digno das passarelas modernas.

Velha Hollywood
Foto: reprodução/instagram
V (BTS): o verdadeiro herdeiro do jazz e do glamour

Veludo, luvas de camurça e gravata de seda, V incorpora o espírito do jazz e da sofisticação como ninguém. Inspirado por músicos e atores da era dourada, o cantor mostra que elegância é sobre atitude, não tendência. Em seu universo artístico, o clássico não é revival: é identidade.

Velha Hollywood
Foto: reprodução/instagram
Jennie (BLACKPINK): o novo rosto da sofisticação Chanel

Presença constante no Met Gala, Jennie é praticamente a embaixadora do old Hollywood no K-pop. Seu visual, assinado pela Chanel, mistura feminilidade e força: vestidos delicados, pérolas e, ao mesmo tempo, jaquetas e chapéus de alfaiataria. É Marilyn Monroe com um toque de girlboss, o equilíbrio perfeito entre eras.

Velha Hollywood
Foto: reprodução/instagram

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Leia também: TWICE completa 10 anos e prova que continua no topo do K-pop

 

Texto revisado por Ketlen Saraiva @lapidando_palavras

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Entretenimento Especiais Livros

Especial | A arte do medo: 10 mangás de terror para não ler à noite

Do psicológico ao grotesco, explore as formas mais inquietantes do horror japonês

 

[Contém gatilhos]

 

Bem-vindo ao mês do horror, aquele período soturno do ano em que as sombras parecem se alongar mais do que o normal, os sussurros se escondem nos cantos da casa e até o vento carrega algo de sinistro. É o momento perfeito para mergulhar em histórias que mexem com o psicológico, desafiam a lógica e invocam o desconforto com traços grotescos e atmosferas opressoras. 

E, quando falamos de terror no mundo dos mangás, não estamos falando apenas de sustos baratos, mas de experiências viscerais, que gritam nos olhos e ecoam na mente.

Foto: reprodução/Instagram @kimamariaama

O mangá de terror se destaca por sua capacidade de tornar o horror quase palpável — seja através da loucura que cresce página a página, da obsessão que consome personagens, ou das imagens que grudam na retina como pesadelos acordados. 

Nesta lista, o Entretetizei separou dez títulos aterrorizantes. Então, se você é do tipo que gosta de sentir aquele arrepio inesperado e adora uma boa leitura sombria, prepare-se: essas obras vão te fisgar… com ou sem aviso.

Fragmentos do Horror (2020) – Junji Ito
Foto: divulgação/Entretetizei

Junji Ito retorna ao horror com uma coletânea de nove contos que exploram o grotesco, o surreal e o bizarro, mantendo sua estética perturbadora e imaginativa. Em histórias que vão do erótico ao repulsivo, o autor nos apresenta desde casas que giram sobre seus próprios moradores até turmas de dissecação com propósitos sinistros. O equilíbrio entre o cômico e o aterrorizante cria uma experiência única, onde cada página revela o desconforto por trás do cotidiano. 

Foto: reprodução/DarkSide Books

Publicado pela DarkSide Books, o volume marca a estreia do autor na editora e celebra a sua habilidade de capturar o terror em sua forma mais visceral e inesperada. 

Contos de Terror da Mimi (2022) – Junji Ito
Foto: divulgação/Entretetizei

Nesta antologia, inspirada em relatos reais extraídos do livro Shin Mimibukuro, Junji Ito reinterpreta histórias sobrenaturais com a sua marca única de horror psicológico e visual. 

A protagonista Mimi é uma jovem universitária que vive uma rotina que seria comum, se não fossem os eventos macabros que insistem em cruzar o seu caminho. Envolvida por aparições, presságios e vizinhos sinistros, ela se vê cada vez mais convencida da existência de forças ocultas, o que a coloca em conflito com seu namorado, um cético convicto. 

Foto: reprodução/DarkSide Books

Entre os contos, destaca-se O Boneco de Assombração, em que uma mulher revive memórias de infância ao criar uma figura perturbadora para uma casa de terror. 

Com atmosfera densa e elementos clássicos do kaidan japonês, a obra mostra como a realidade pode ser mais assombrosa do que qualquer invenção ficcional.

Pedacinhos (2024) – Shintaro Kago
Foto: divulgação/Entretetizei

Em meio a uma onda de assassinatos brutais em Tóquio, onde vítimas femininas são encontradas esquartejadas, Pedacinhos alterna entre a investigação desses crimes e a jornada criativa de um mangaká em crise: o próprio Shintaro Kago, que se insere na narrativa em uma ousada autoficção.

Enquanto o garçom Kotaro e a sua colega Fujioka investigam os assassinatos por conta própria, a linha entre a realidade e a ficção se desfaz, revelando uma teia de mistérios que desafiam a lógica. 

Foto: reprodução/DarkSide Books

Misturando elementos do body horror, do grotesco erótico e do humor surreal, Kago cria um mangá que é, ao mesmo tempo, um quebra-cabeça narrativo e um metacomentário sobre o próprio ato de contar histórias. 

Além da trama principal, o volume traz quatro contos que exploram a alienação, o trauma e o desconforto físico e psicológico — todos embalados em um estilo visual chocante e inconfundível.

Anamorfose (2024) – Shintaro Kago
Foto: divulgação/Entretetizei

Shintaro Kago apresenta mais uma obra provocadora, que ultrapassa os limites da narrativa tradicional, combinando mistério, humor ácido e horror gráfico. 

Em Anamorfose, uma pegadinha televisiva, que deveria simular uma clássica cena de tokusatsu — com monstros gigantes e efeitos especiais retrôs —, termina de forma catastrófica quando a brincadeira com um jovem artista sai completamente do controle. 

A gravação do desastre, mantida em sigilo, é exibida anos depois, como parte de um jogo chamado Ana Morphosis, onde os participantes precisam sobreviver dentro de cenários realistas, inspirados em acidentes e assassinatos. Em paralelo, um diretor de cinema se dedica a ressuscitar a magia do tokusatsu, ampliando a tensão entre ficção e realidade. 

A obra ainda inclui nove contos que exploram o estilo ero guro nansensu (tradução livre: erótico, grotesco e absurdo), com temas grotescos, eróticos e absurdos, em uma coletânea sangrenta e ousada que brinca com os limites da moralidade e da narrativa visual.

MADK: Volume 1 (2024) – Ryo Suzuri 
Foto: divulgação/Entretetizei

Makoto é um jovem marcado pelo isolamento e pelas repressões que cercam seus desejos mais obscuros. Visto como alguém anormal por conta de seu fetiche macabro, ele decide realizar um ritual de invocação demoníaca, mas sem acreditar de verdade em seu sucesso. 

No entanto, o Grão-Duque J, um demônio de presença imponente e charme sinistro, atende ao chamado. O pacto entre os dois é selado: em troca de sua alma, Makoto poderá realizar seus desejos mais reprimidos. A partir daí, ele renasce como um demônio e mergulha em um mundo de prazeres extremos, violência e transformações radicais. 

Esta é uma história intensa e gráfica, que lida com temas sensíveis e perturbadores, misturando erotismo e horror sobrenatural em uma trama que explora os limites da identidade, do desejo e da monstruosidade. É uma leitura recomendada para o público adulto.

PTSD Radio: Frequências de Terror (2025) – Masaaki Nakayama
Foto: divulgação/Entretetizei

Um dos mangás de horror mais cultuados da última década, PTSD Radio: Frequências de Terror se constrói a partir de narrativas fragmentadas que percorrem diferentes tempos e lugares, todas conectadas por uma presença maligna e inexplicável. Cada capítulo carrega o nome de uma frequência de rádio, como se estivéssemos sintonizando pesadelos, transmitidos a partir dos traumas vividos pelos personagens. 

Inspirado por lendas urbanas e elementos do terror psicológico japonês, o autor Masaaki Nakayama cria um mosaico de histórias perturbadoras que parecem atravessar o tempo — e até mesmo a realidade. 

Foto: reprodução/Pipoca & Nanquim

A produção do mangá foi cercada de incidentes bizarros na vida real, com relatos de sombras no estúdio do autor e doenças misteriosas que tornaram a obra ainda mais lendária entre os fãs. Com edições caprichadas pela Pipoca & Nanquim, o primeiro volume compila os dois encadernados originais japoneses em uma publicação primorosa. Uma leitura para quem deseja sintonizar na frequência do medo absoluto.

Fobia: Volume 1 (2025) – Yukiko Gotou
Foto: divulgação/Entretetizei

Fobia reúne cinco histórias intensas que exploram o terror psicológico com uma atmosfera sufocante e perturbadora. A coletânea mergulha em diferentes manifestações do medo, confrontando o leitor com situações que testam os limites da mente humana — desde a ansiedade silenciosa ao pânico absoluto. 

Cada narrativa revela personagens à beira da ruptura, presos em realidades onde a sanidade vacila e a ameaça pode surgir a qualquer momento. 

Uma leitura envolvente que provoca arrepios e desafia o leitor a não desviar os olhos, mesmo diante do mais íntimo e incontrolável dos horrores: o medo.

Sleeping Dead: Volume 1 (2025) – Nemui Asada
Foto: divulgação/Entretetizei

O professor Sada leva uma vida aparentemente comum, sendo querido por colegas e alunos. Tudo muda quando ele é vítima de um assassinato brutal. Contudo, a morte não é o fim: ele é trazido de volta à vida como zumbi por um excêntrico cientista chamado Mamiya, tornando Sada refém de uma existência oculta e grotesca. 

Mamiya, que enxerga no sucesso de sua experiência a salvação de sua carreira, força Sada a viver ao seu lado, em um pacto de dependência mútua. Enquanto tenta lidar com sua nova condição e com os dilemas morais de sua existência pós-morte, Sada descobre que o retorno à vida pode ser ainda mais desumano que a própria morte. 

Sleeping Dead é uma obra que mistura drama, horror e crítica social em uma narrativa incomum sobre identidade e sobrevivência.

Gaia (2025) – Asagi Yaenaga
Foto: divulgação/Entretetizei

Em sua estreia como autor, Asagi Yaenaga apresenta uma obra visualmente marcante e filosoficamente provocadora. 

Gaia se passa em um mundo onde o tempo e as leis da natureza colapsaram, e uma jovem desperta de um sono profundo para iniciar uma jornada em busca do sentido de sua existência. 

Guiada por instintos e acompanhada por outras mulheres com dons especiais, ela precisa alcançar a mítica Terra de Origem. Nesse caminho, ela enfrenta horrores surreais e provações emocionais, enquanto o equilíbrio entre esperança e desespero define sua luta pela sobrevivência. 

Com traço detalhado e narrativa subjetiva, a obra é inspirada na Hipótese de Gaia — teoria que propõe a Terra como um organismo vivo — e reflete sobre a destruição ambiental, a espiritualidade e o destino humano. Uma leitura intensa que transforma o horror cósmico em crítica ecológica e emocional.

Pesadelos Completos (2025) – Hideshi Hino
Foto: divulgação/Entretetizei

Nesta coletânea perturbadora, o mestre do mangá de horror, Hideshi Hino, convida o leitor a adentrar um universo onde o grotesco, o surreal e o desespero coexistem em perfeita dissonância. 

Pesadelos Completos apresenta histórias marcadas por degeneração física, loucura e obsessões artísticas, como no conto A Doença Bizarra de Zōroku, em que um pintor recluso é abandonado em um pântano e, mesmo sendo consumido por uma doença terrível, continua criando arte com os próprios fluidos corporais.

Outra narrativa apresenta um artista que mutila a si mesmo em busca de beleza no sofrimento, revelando um mundo onde a estética e a dor caminham lado a lado.

Com desenhos que se estendem do infantil ao grotesco, Hino rompe as barreiras da moral e da sanidade para oferecer uma experiência literária incômoda, visceral e inesquecível. Seu horror não busca apenas entreter: ele invade, marca e transforma o leitor.

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Texto revisado por Ketlen Saraiva @lapidando_palavras

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Nova comédia romântica da Intrínseca retrata a gravidez e os dilemas de uma mulher diante das mudanças do amor e da vida

Uma leitura para enxergar a chegada de um bebê como uma jornada de autoconhecimento, amor e recomeços, com charme e humor

Imagem: reprodução/Editora Intrínseca

Quando Menos se Espera (2025) é a nova comédia romântica de Cara Bastone, ambientada em Nova York, e que chega às livrarias brasileiras em outubro pela Intrínseca.

Trazendo de volta a atmosfera de caminhadas pelo Brooklyn, conversas em cafés e o charme cotidiano de uma cidade que nunca dorme, mas também carregado do tom leve e das situações bem-humoradas, a autora explora temas delicados como gravidez inesperada, amizade, amadurecimento e a redescoberta do amor.

A história acompanha Eve, uma mulher que leva uma vida tranquila até descobrir que está grávida após uma noite de sexo casual. A notícia, inesperada e transformadora, abala seus planos e suas relações, especialmente com Willa, sua melhor amiga, que tenta engravidar há meses sem sucesso. De repente, Eve precisa lidar com o turbilhão de emoções, as mudanças no corpo e o medo de não estar pronta para ser mãe solo, enquanto encara a difícil tarefa de contar a notícia ao pai do bebê, Ethan.

Entre enjoos, dúvidas e descobertas, Eve e o irmão mais velho de Willa, Shep, se aproximam. Ele se mostra um homem gentil, atencioso e sempre disposto a ajudar e, aos poucos, o que começa como amizade ganha contornos de algo mais profundo. O romance entre os dois surge de forma natural, revelando que, mesmo em meio ao caos, o amor pode florescer quando menos se espera.

Com uma escrita envolvente e diálogos afiados, Cara Bastone cria uma narrativa que equilibra humor, ternura e reflexões sobre os papéis das mulheres e as expectativas impostas pela maternidade. Mais do que uma história sobre gravidez, Quando Menos se Espera é um retrato sincero e sensível das transformações emocionais que acompanham o amor, a amizade e o amadurecimento – tudo isso com o charme irresistível de uma comédia romântica à moda nova-iorquina.

Sobre a autora
Foto: reprodução/Cara Bastone

Cara Bastone é escritora e mora no Brooklyn com o marido, os filhos e o cachorro, que por pouco não é um goldendoodle. O objetivo dela no trabalho é encontrar momentos em histórias de amor que lhe roubam o ar. No ensino médio, encontrou uma sacola com livros antigos que pertenciam à sua avó, e desde então é fã de romances. Gosta de pretzel, de passear por horas no Prospect Park e de livros românticos com homens que não se deixam limitar pela própria masculinidade.

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Texto revisado por Alexia Friedmann

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Coletivo Alfenim apresenta as peças A Causa Secreta e Desertores no Teatro Vianinha

Companhia Ensaio Aberto recebe espetáculos do coletivo paraibano em apresentações gratuitas entre 24/10 e 3/11, abrindo no Rio o Circulação Petrobras, do projeto Em Boa Companhia

A Causa Secreta é livremente inspirada no conto de Machado de Assis. A dramaturgia elege uma das mais sombrias narrativas do autor carioca com o interesse de levar à cena uma reflexão sobre o sadismo, afecção que secretamente se infiltra nas relações sociais de modo a transformar o “outro” em objeto de dominação e gozo hedonista. A montagem explora as regiões obscuras e inexplicáveis do comportamento humano para denunciar a opressão de gênero que assola a sociedade brasileira.

A partir de um insólito triângulo amoroso entre um jovem médico, uma mulher que padece de uma doença incurável e seu marido (obcecado por experimentos científicos em torno da anatomia dos seres vivos), a peça investiga os limites éticos da ciência e do conhecimento.

No conto, o autor dá a notícia de um teatro de má reputação, localizado nas franjas da cidade, em São Januário. Esta referência pauta a encenação, que cria uma fictícia Companhia São Januário de Extravagâncias para discutir em chave burlesca as relações de dominação na atualidade brasileira, com ênfase à condição histórica de subalternidade do gênero feminino.

O recuo para o interior da maquinaria teatral permite operar as cenas como números de um roteiro de extravagâncias. Uma solução no campo alegórico para falar das perversões que intoxicam as relações sociais na atualidade. A encenação reproduz o programa de uma noite de variedades, oferecendo ao público números de atirador de facas, desaparição e escapismo, entremeados por cenas que narram a história.

Como forma de colocar em primeiro plano a discussão sobre a opressão de gênero numa sociedade patriarcal, a dramaturgia faz referência a poemas de Cecília Meireles e Pagu, autoras brasileiras que expressam em sua obra o inconformismo com a desigualdade entre homens e mulheres. Também se vale de um fragmento de cena da tragédia Titus Andronicus, de Shakespeare, e de poemas em prosa de Charles Baudelaire.

A peça é uma reflexão sobre a perversão que preside as relações de dominação presentes em nossa sociedade e que se manifestam não apenas no âmbito das relações públicas, mas também no cotidiano das relações privadas.

Desertores será encenada no fim do mês

Desertores é um experimento cênico livremente inspirado na obra inacabada “O Declínio do egoísta Johann Fatzer”, de Bertolt Brecht, reunião de cenas, poemas e apontamentos teóricos que o autor alemão produziu durante o período de 1926 a 1930.

Foto: reprodução/Alessandro Potter

Nesta obra monumental, Brecht reflete dialeticamente sobre a catástrofe da Primeira Grande Guerra, como também sobre o impasse dos movimentos sociais revolucionários e o prenúncio do Nazismo. O conjunto de fragmentos é organizado em cinco fases de trabalho denominadas “Fatzer Documento”, acrescidas de um conjunto de notas teóricas a que Brecht nomeou “Fatzer Comentário” e que constitui uma espécie de programa para um “teatro didático-político-poético”.

De todo o material produzido, Brecht chegou a publicar em vida o fragmento que corresponde à quinta fase do trabalho, no primeiro caderno dos Versuche (Tentativas). O restante do material somente veio a público a partir das décadas de 1970 e 80. A dramaturgia de Desertores parte da tradução, na íntegra, do “Complexo Fatzer”, realizada por Pedro Mantovani.

A história narra a trajetória de quatro soldados que, após a sangrenta Batalha de Verdun, abandonam seu tanque de guerra e decidem desertar. Tidos como mortos, os quatro homens permanecem em clandestinidade em Mülheim, bairro fabril na Alemanha, sob a constante ameaça de serem presos e fuzilados como desertores. Apesar das dificuldades, os clandestinos lutam para conseguir comida e pactuam nunca se separar. Os desertores têm a esperança de que uma ação coletiva consiga pôr fim à guerra. Eles acreditam poder tomar parte na desejada revolução.

A montagem lança um olhar crítico sobre os impasses da atualidade, marcada pelo avanço mundial dos extremismos patrocinados por uma classe predatória, que se utiliza do medo coletivo para avançar contra as liberdades democráticas e as conquistas sociais já em vias de destruição.

Serviço

A Causa Secreta

Quando: Dias 24, 25, 26 (com intérprete de libras) e 27 de outubro. Sexta, sábado, domingo e segunda,

Horário: às 20h (a casa abre às 18h30 e não é permitido entrar após o início do espetáculo)

Onde: Teatro Vianinha, Armazém da Utopia (Cais do Porto, Armazém 6, Rio de Janeiro)

Duração: 70 minutos

Classificação indicativa: 14 anos

 

Desertores

Quando: Sexta, sábado, domingo e segunda, dias 31 de outubro, 1, 2 (com intérprete de libras) e 3 de novembro

Horário: Às 20h (a casa abre às 18h30 e não é permitido entrar após o início do espetáculo)

Onde: Teatro Vianinha, Armazém da Utopia (Cais do Porto, Armazém 6, Rio de Janeiro)

Duração: 90 minutos

Classificação indicativa: 16 anos

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Texto revisado por Larissa Couto @larscouto

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Comportamento Cultura Latina Entrevista Entrevistas Livros Notícias

Entrevista | Da música clássica à Charlie Brown Jr.: Felipe Habib comenta o trânsito por diferentes linguagens artísticas

O artista falou com o Entretê sobre o livro Amundo, que escreveu com Marina Palha, e seu trabalho na cinebiografia do Chorão

Entre os palcos, o cinema, as palavras e a música, Felipe Habib está em uma fase de bastante atividade em sua carreira. Por trás das câmeras, o artista esteve conduzindo a performance musical do ator José Loreto para o papel de Chorão em Se não eu, quem vai fazer você feliz? e, no começo de outubro, encerrou a nova montagem do espetáculo infantil musical Zaquim, que idealizou em parceria com sua esposa, Marina Palha, há quatro anos.

Além disso, ao longo das últimas semanas, Felipe e Marina também têm viajado pelo país para os eventos de relançamento do livro Amundo, escrito em parceria entre o casal e publicado pela Marisco Edições.

A obra de não-ficção atravessa diferentes registros e formas para recontar as memórias do casal durante a gestação e os primeiros meses após o nascimento do seu primeiro filho, Joaquim, quando os dois ainda processavam a novidade da parentalidade.

Foto: reprodução/Marisco Edições

Oito anos depois das experiências descritas no livro, e com a segunda filha do casal, Cora, já com dois anos, Felipe contou para o Entretê em uma entrevista exclusiva sobre a mudança na sua visão de paternidade nos últimos anos, sua relação com a música e quais são seus próximos desejos como um artista que explora tantas expressões diferentes.

Confira a entrevista completa abaixo:

Entretetizei: Como você e a Marina organizaram a escrita do livro em parceria? O que vocês levaram em consideração para dividir os trechos e as perspectivas?

Felipe Habib: Na verdade, antes de decidirmos fazer um livro em conjunto, eu tinha uns escritos meus e tinha o desejo de lançá-los. Mas eu comecei a organizar o material e eu me cansava um pouco das minhas angústias, das minhas próprias questões.

Eu não me lembro exatamente quando, mas em algum momento conversando com a Nina eu perguntei sobre os escritos dela, e começamos a fazer um exercício de misturar os relatos desse momento que a gente tinha vivido, da chegada do nosso primeiro filho. Quando fizemos isso foi muito bonito, porque começou a aparecer uma perspectiva muito diferente de cada indivíduo vivendo o mesmo momento.

Foto: reprodução/Instagram/@felipehabib

Aquilo pareceu ser o melhor caminho para comunicar para os outros aquela experiência, e começamos a trabalhar nessa mistura dos textos. Fomos descobrindo uma dança muito bonita entre essas trajetórias tão individuais. Amundo fala muito sobre essa jornada, que é tão singular e ao mesmo tempo em parceria, de quando você tem a experiência de ter um filho em dupla.

E: Vocês escreveram Amundo principalmente sobre a gestação e os primeiros meses do Joaquim, e estão relançando agora depois do nascimento da Cora. A sua visão sobre a paternidade mudou com a chegada dela? Pode compartilhar mais sobre?

FH: Mudou radicalmente. A chegada do segundo filho é uma nova experiência, é uma outra paternidade. Mas eu acho que o primeiro filho é bem mais impactante porque realmente é aquele momento na vida, pelo menos para mim, de uma mudança de lugar mesmo: até então eu era filho, e naquele momento eu virei pai. Essa mudança é realmente muito importante.

Eu gosto de dizer que tem uma coisa que acontece que é a mais difícil e é a mais maravilhosa, que é o fato de você deixar de ser o centro da sua vida quando você tem um filho.

Foto: reprodução/Instagram/@felipehabib

Acho que a principal diferença é que, para a gente, no primeiro, o desafio foi descobrir como esse casal virava uma família. Agora, com o segundo filho, é descobrir como essa família, que já é um triângulo – Eu, Nina e Joaquim – vira um quadrado, ganha mais uma pessoa. Então esse trio precisa viver essa nova adaptação.

Além do fato do Joaquim ser um menino, e isso é uma experiência, uma relação, com questões que eu talvez já conhecesse um pouco mais pela própria trajetória enquanto homem. A chegada da Cora, uma menina, muda bastante várias perspectivas dentro dessa sociedade que a gente vive, em que as experiências do feminino e do masculino são muito diversas. Me ilumina e me questiona em vários novos sentidos também.

E: A conversa sobre parentalidade tem mudado muito. O que você enxerga como mais transformador nessa mudança, comparando com a época em que você era criança?

FH: Muita coisa, né? A relação que eu tive com meus pais, se pensar em parentalidade (que era um termo que nem existia na época, né?), comparada à relação que eu tenho com meus filhos hoje, é realmente muito diferente.

Por outro lado, tem muitas coisas da minha experiência com meus pais, com quem eu tinha uma relação muito bacana de diálogo, de afeto, de presença, que eu sinto que são muito inspiradoras para mim na minha paternidade hoje.

Mas também acho muito diferente em vários aspectos. Nós, pelo menos eu e Marina, damos um passo ainda maior na direção da comunicação. A gente conversa muito com as crianças – com Joaquim, que já tem 8 anos, então… Ainda elabora muito os sentimentos, dá espaço para questionamentos que há um tempo os pais não davam muito.

Foto: reprodução/Instagram/@felipehabib

Nós permitimos que ele sinta, que ele verbalize coisas e damos espaço para elaborar esses sentimentos que ele encontra de uma maneira muito nova, e eu sinto que isso forma um indivíduo mais complexo e talvez, por conta disso, mais empático. Não acho que seja mais fácil para ele, nem para nós, mas eu sinto que tem um caminho muito positivo nisso, de poder habitar complexidades e exercitar, elaborar questões de maneira mais profunda.

E: Você transita por várias linguagens; cinema, TV, música e literatura. Como essas formas de expressão se diferenciam pra você? Com qual delas você se sente mais em casa?

FH: Eu venho da música erudita, cantava no coral quando era criança, estudava música clássica, cantava música sacra, porque cantava todos os domingos na igreja, e vivia em concertos.

Depois, fui estudar canto lírico, mas eu sempre me senti um cara muito interessado por assuntos que a maioria ali não se interessava: eu era um cara do coral, mas eu curtia muito MPB. Na época da relação mais profunda com a música erudita, eu me interessava muito pelas questões cênicas, interpretativas, e pras pessoas aquilo não fazia muito sentido. Quando fui para o teatro também, como vinha com essa bagagem da música, sempre achava que podia ter um refinamento diferenciado que também não encontrava.

Foto: reprodução/Instagram/@felipehabib

Então sempre me interessou muito esse olhar mais completo sobre as práticas artísticas, e acho que isso me faz transitar entre as linguagens, de alguma forma sempre fazendo essa brincadeira de pegar um pouco de uma e levar para outra.

Acho que pela experiência que eu tive na minha vida, acaba que a música é muito central, é um elemento que está sempre muito presente, mas eu gosto muito de me relacionar com a palavra, de me relacionar com o corpo também. Diria que me sinto à vontade transitando entre as linguagens, mas certamente a música é um lugar de conexão.

E: Já tendo participado de tantos projetos especiais e em diferentes frentes, o que você ainda não fez e tem vontade de tentar?

FH: Sou um constante desbravador, adoro ir fazendo coisas novas. Tudo me interessa.

Eu falo com a Nina que acho que eu me vejo dirigindo, e talvez a música seja uma coisa que conduza isso, mas me interessa muito o olhar estético da fotografia. Eu me vejo dirigindo uma peça de teatro, me vejo dirigindo coisas no ambiente da música clássica, da música erudita também. Me imagino dirigindo uma ópera e agora, por estar mais conectado com cinema, me vejo nesse lugar de fazer um filme. Eu acho que me interessa todos esses caminhos, sabe?

Acho que o fato de ser uma pessoa que transita por tantas linguagens, e que se interessa por elas, é uma característica que vai me alimentando de uma maneira muito positiva, me nutrindo mesmo, me formando com o olhar mais aguçado para direção. Eu acho legal isso de exercitar do varrer o chão à iluminar a sala, sabe?

Foto: reprodução/Instagram/@felipehabib

Uma vez alguém me perguntou “se você não fosse o que você é, o que que você faria?” Eu falei: “cara, sei lá, várias coisas”. Eu poderia ser zelador também, por ter um prazer mesmo em fazer as coisas. Gosto de cuidar do jardim, gosto de cozinhar, gosto mesmo de varrer a sala, tenho prazer em arrumar as coisas, e acho que isso tem a ver um pouco com dirigir também, um olhar total sobre as coisas.

E: Sabemos que você assinou a direção de performance musical e vocal na cinebiografia do Chorão, que finalizou as gravações recentemente, ajudando a preparar o José Loreto para o papel. Sobre esse projeto, pode dar algum spoiler para o Entretetizei sobre o que podemos esperar?

FH: Sobre o Chorão, acho que eu posso falar que o trabalho foi muito legal, muito profundo, e o [José] tá arrebentando. O que a gente vivenciou ali do processo com as canções do Chorão e a preparação do Zé para estar ali performando como Chorão foi muito bonito, muito bacana.

Todo mundo que entrou em contato no processo, com nosso trabalho, que visitou a nossa sala de ensaio, sempre ficava muito tocado e emocionado.

Teve aquele evento especial, que foi o show com o DZ6, que acho que já deu um gostinho para o pessoal do que pode aparecer nas telas. Acho que é isso, o trabalho está bem bonito, e estamos bem felizes e ansiosos para ver o resultado.

Foto: reprodução/Rolling Stone

 

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Texto revisado por Karollyne de Lima

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Cinema Livros Notícias

Adaptação cinematográfica de Colleen Hoover ganha trailer e primeiras imagens oficiais

No trailer de Uma Segunda Chance, acompanhamos Kenna em sua jornada em busca de perdão

Foram divulgados nesta terça-feira, 21 de outubro, o primeiro trailer e cartaz oficial do filme Uma Segunda Chance, adaptação cinematográfica do livro de mesmo nome da autora Colleen Hoover. A produção tem estreia prevista para março de 2026 e conta com a direção de Vanessa Caswill, de Adoráveis Mulheres (2019).

O longa, que narra uma comovente história sobre maternidade e perdão, acompanha Kenna (Maika Monroe), que comete um erro que a leva à prisão. Sete anos depois, ela retorna à sua cidade natal, no estado de Wyoming, esperando reconstruir a sua vida e conquistar a chance de se reencontrar com sua filha, Diem (Zoe Kosovic).

Em meio às tentativas de aproximação, impedidas pelos avós da criança, que possuem a guarda da menina, Kenna encontra apoio e compaixão em Ledge (Tyriq Withers), ex-jogador da NFL e dono de um bar local. À medida que o romance entre os dois se desenrola, também aumentam as dificuldades.

Assista ao trailer oficial:

O elenco da adaptação reúne outros grandes nomes, como Lauren Graham (Gilmore Girls, 2000-2007), Rudy Pankow (Outer Banks, 2020) e a sensação da música country, Lainey Wilson (Yellowstone, 2018). 

Com uma equipe criativa totalmente feminina, Vanessa Caswill dirige o filme a partir do roteiro escrito por Colleen Hoover e Lauren Levine. Ambas também assinam a produção, ao lado de Gina Matthews, com produção executiva de Robin Mulcahy Fisichella. Distribuído pela Universal Pictures, com produção da Heartbones Entertainment e Little Engine.

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Texto revisado por Cristiane Amarante @cris_tiane_rj 

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Cinema Notícias Resenhas

Crítica | Se Não Fosse Você: adaptação da obra de Colleen Hoover é uma grata surpresa para o público além do Booktok

Sob a direção de Josh Boone, o filme entrega uma história simples, mas repleta de nuances que exploram temas como luto, descobertas da juventude e maternidade

Matéria por Mayara Pereira

Adaptações literárias, sejam para o cinema ou para a televisão, não são nenhuma novidade no universo audiovisual. Com o fenômeno do Booktok, esse tipo de projeto tem se mostrado uma aposta segura para os estúdios – um caso conhecido é o da atriz Reese Whiterspoon, que usa seu clube do livro como uma espécie de termômetro para futuros projetos da produtora Hello Sunshine. Contudo, a pergunta que fica é: ter um texto-base e um público garantido é o suficiente para fazer um bom filme ou série? 

Em Se Não Fosse Você, adaptação da obra homônima de Coleen Hoover, dirigida por Josh Boone (A Culpa é das Estrelas, 2014), o espectador é apresentado à história de Morgan Grant (Allison Williams – Girls, 2012) e de sua família, composta por seu parceiro desde o colegial, Chris (Scott Eastwood – Uma Longa Jornada, 2015); sua filha adolescente, Clara (Mckenna Grace – Ghostbusters: Mais Além, 2021); sua irmã caçula, Jenny (Willa Fitzgerald – Pulse, 2025); e seu amigo e cunhado, Jonah (Dave Franco – Truque De Mestre, 2013). 

Contudo, um acidente trágico que vitima sua irmã e seu marido se torna um evento catalisador da trama, virando suas vidas pacatas de cabeça para baixo ao revelar que até as famílias mais perfeitas têm seus segredos.

Foto: reprodução/Paramount+

No aspecto narrativo, Se Não Fosse Você, por mais que tenha uma premissa densa, em que os personagens precisam reaprender a viver após um evento traumático, segue o caminho oposto ao se aprofundar na dinâmica entre as personagens de Allison Williams e McKenna Grace.

Esse movimento é feito de forma bem-humorada – com poucos momentos dramáticos –, apresentando dilemas que toda adolescente já viveu ao lado de sua mãe, como, por exemplo, a superproteção, as diferentes perspectivas de vida e as desaprovações amorosas – elementos que ganham forma através da relação de Clara com Miller (Mason Thames – Como Treinar o Seu Dragão, 2025). 

Em paralelo, é possível observar Morgan lidando com questões mais íntimas, como a dupla traição que vinha sofrendo há anos, os sentimentos romanticamente confusos em relação ao cunhado Jonah e as próprias reflexões sobre si mesma enquanto indivíduo. 

Foto: reprodução/Paramount+

No quesito técnico, a direção faz um bom trabalho ao ambientar os flashbacks da juventude do núcleo adulto, utilizando uma fotografia mais vibrante para representar a vivacidade e despretensão da adolescência, enquanto a linha atual é mais sóbria. 

Vale ressaltar o uso de uma trilha sonora característica para cada período. Enquanto a jovem Morgan é representada por Stereophonics e The Killers, Clara é o retrato da adolescente de 2025, que escuta Role Model e Phoebe Bridgers.

Quanto às atuações, o elenco desempenha seus papéis de forma satisfatória e a química dos casais principais é palpável, mesmo que sejam tipos totalmente diferentes de amor.

Com Clara e Miller, temos a impulsividade e o calor da paixão – algo que pode ter sido potencializado pelo relacionamento dos atores na vida real. Já com Morgan e Jonah, tem-se a carga emocional de uma vida inteira de sentimentos contidos, aliada à culpa por enxergar na morte dos parceiros a chance de recomeçar com quem realmente se amava, tudo sutilmente transmitido por Williams e Franco. 

 

A única ressalva da adaptação é a falta de desenvolvimento dos personagens secundários, que acabam reduzidos ao papel de suporte de cena dos protagonistas ou alívio cômico.

Foto: reprodução/Paramount+

Em resumo, Se Não Fosse Você não se apresenta como um longa que valha um Oscar, mas cumpre com competência o que se propõe: trata-se de um filme com ritmo leve e envolvente para se assistir sozinho ou na companhia da família e  de amigos, tem personagens cativantes que despertam interesse pelo desenrolar de suas histórias e promove reflexões sobre relações afetivas. 

Se Não Fosse Você estreia dia 23 de outubro nos cinemas.

E aí, deu vontade de assistir? Conta pra gente e não deixe de seguir o Entretetizei nas redes sociais – Instagram, X e TikTok – para não perder as novidades do mundo do entretenimento. 

 

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Texto revisado por Sabrina Borges de Moura @_itsbrinis

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