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Crítica | Digger faz sátira política e alerta sobre crise ambiental

Comédia dramática de Alejandro González Iñárritu provoca reflexões sobre poder, responsabilidade e crise ambiental

 

Estrelado por Tom Cruise e dirigido por Alejandro González Iñárritu, Digger estreia nesta quinta (1). Com distribuição da Warner Bros. Pictures, a comédia dramática gira em torno de Digger Rockwell, um magnata texano visto como o homem mais poderoso do mundo. Narcisista e arrogante, o personagem vê seu império entrar em crise após uma de suas bases de exploração provocar uma catástrofe ecológica de proporções globais.

Foto: divulgação/Warner Bros./Woo-Magazine

Antes de colocar o bilionário diante de uma crise que ameaça o planeta, o filme apresenta uma de suas poucas demonstrações de afeto: os cuidados paliativos com sua gata Maggie, de 30 anos. A relação funciona como uma tentativa de humanizar o personagem.

Digger se vê diante de situações adversas que colocam em jogo todo o seu controle e poder. A primeira delas é pessoal. Mesmo com acesso aos melhores profissionais e recursos financeiros, ele não consegue salvar seu animal de estimação.

A segunda é muito maior: encarar a responsabilidade por ter ignorado os alertas de cientistas e engenheiros que trabalhavam para sua empresa. A partir daí, o magnata precisa encontrar uma maneira de conter os efeitos da tragédia enquanto presta contas ao presidente dos Estados Unidos e ao alto escalão militar.

Foto: divulgação/Warner Bros.
Sátira política expõe disputas de poder

O filme não entrega piadas inovadoras, mas brinca com protagonismo estadunidense e utiliza o humor ácido para satirizar a concentração de poder, o excepcionalismo norte-americano e a maneira como autoridades e grandes empresários tentam controlar a narrativa quando uma crise foge do controle.

Os longos diálogos abordam ainda temas como machismo, militarismo, fanatismo religioso, xenofobia e a rivalidade dos Estados Unidos com China e Rússia.

A narrativa estabelece paralelos com o cenário político norte-americano contemporâneo, inclusive por meio da representação do governo dos Estados Unidos. A referência a Donald Trump é perceptível para o público atual, embora a sátira funcione mais como uma caricatura de estruturas de poder do que como uma reprodução literal da política real.

Entre os personagens que ajudam a confrontar essa lógica está o Dr.Ganesh, interpretado por Riz Ahmed. Cientista de origem indiana, ele assume a função de explicar à cúpula norte-americana – e ao próprio Digger – a dimensão da catástrofe para homens brancos que questionam sua cidadania e insistem em minimizar o problema, resistindo às informações científicas que contrariam suas certezas.

Foto: divulgação/Warner Bros.

A meia-irmã de Digger, vivida por Sandra Hüller, segue um caminho diferente. Embora tenha menos espaço na narrativa, a personagem é menos caricata e funciona como um contraponto ao protagonista. Sua presença ajuda a revelar que o universo construído ao redor do magnata não é formado apenas por pessoas dispostas a concordar com ele.

Visual e caracterização reforçam o tom exagerado

Se a sátira nem sempre consegue equilibrar todos os assuntos que pretende abordar, o aspecto visual encontra maior consistência. A construção dos cenários é um dos pontos altos da produção. Os ambientes são grandiosos, detalhados e carregados de uma teatralidade que combina com o tom exagerado da história. Os efeitos sonoros também ajudam a criar um clima tenso e desconfortável, capaz de provocar ansiedade no espectador.

A transformação de Tom Cruise também chama atenção: as próteses, o cabelo branco e a caracterização envelhecida afastam o ator de sua imagem habitual e ajudam a construir um personagem visualmente excêntrico.

Foto: divulgação/Warner Bros.

No final, Digger deixa uma reflexão sobre os limites do poder diante das consequências das próprias escolhas. Ao provocar uma discussão sobre a responsabilidade dos governantes, a exploração ambiental e o estilo de vida da população, o filme aponta para problemas que já fazem parte do presente, mas que podem se tornar ainda mais graves no futuro.

Mesmo que algumas dessas questões sejam abordadas de maneira superficial, a sátira encontra força ao mostrar como interesses políticos e econômicos podem influenciar a forma como uma crise é enfrentada

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Texto escrito por Mayara Passos

Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz

Foto de capa: divulgação/Warner Bros.

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