Depois de uma segunda temporada morna, a parte final da série sul-coreana chegou ao streaming e já vem dividindo opiniões
[Alerta de spoiler por todo o texto]
Em 2021, com o lançamento da série conhecida como um dos maiores sucessos da Netflix, Round 6 ficou marcada pela trama que consegue, com exatidão, mesclar nostalgia, suspense psicológico e questões sociais que vão além das fronteiras da Coreia do Sul. No entanto, apesar do sucesso ao redor do mundo, o que parecia ser o final definitivo da série deixou alguns fãs frustrados com o seu desfecho.
A terceira parte se inicia com o desenvolvimento do conflito entre os jogadores e os guardas, dado aos acontecimentos do último episódio da temporada anterior. Sem deixar de lado o protagonismo de Seong Gi-hun (Lee Jung-jae), traumatizado pela morte do amigo Jung-Bae (Lee Seo-Hwan), a temporada também foca em tramas como a trajetória do detetive Hwang Jun-Ho (Wi Ha-Joon) em busca do local em que os jogos acontecem – que engana o espectador com a sua aparente inutilidade para, no final, ainda se tornar milionário e ser nomeado pai de uma menina – e o nascimento da filha de Jun-Hee (Jo Yu-ri), que passaria a ser um dos principais arcos até o final dos episódios.
Mesmo próximo ao final do jogo, os jogadores ainda são submetidos a três novas brincadeiras tradicionais muito conhecidas: esconde-esconde, pula-corda e o jogo da lula – que dá título à série em coreano. Todas as brincadeiras, claro, completamente adaptadas para se encaixarem com o objetivo do jogo.
Ao longo das dinâmicas assustadoras, o que a falsa Márcia Sensitiva, a mãe que decide matar o próprio filho para proteger o filho dos outros, um pai incompetente e um jovem alucinado têm em comum? Todos eles são personagens que foram vítimas da produção coreana, que não possui piedade em matar seus protagonistas de forma chocante, triste e, de vez em quando, previsível – menção honrosa à jogadora 120, Cho Hyun-ju (Park Sung-hoon).

Entre os nomes memoráveis da lista fatal, a estrela da série também não passa despercebida. Com a frustração de seu falido plano revolucionário, o jogador 456 desiste da sua ideia de mudar o mundo e passa a ser o protegido do próprio Front Man (Lee-Byung-hun). Apesar do carisma e da sua vontade de tentar sempre fazer o certo, a sua personalidade, assim como o resto da série, gira em torno da recém-nascida 222, que mesmo em situações precárias, sobrevive quase milagrosamente ao jogo. Tudo isso resulta em um sacrifício em prol da vida da futura bebê milionária, com direito a um discurso curto, repleto de frases de efeito, que deixa seu significado em aberto.
Por mais contraditório que pareça, um assunto em comum é abordado diversas vezes ao longo da temporada: a vida. É possível visualizar isso por meio da importância que a ganhadora 222 passa a ter para a trama do começo ao fim, além do gancho do jogador Park Gyeong-seok (Lee Jin-wook), salvo pela Guarda 011 Kang No-eul (Park Gyu-young), que arrisca sua própria vida para salvá-lo por conta da filha que precisa do pai para tratar a sua doença. Além disso, Kang No-eul ainda possui uma filha desaparecida que, como ficou subentendido no final, teria sido encontrada na China. Coincidência ou não, as crianças foram protagonistas de desfechos importantes da temporada.
Ademais, nessa temporada, também surgem os VIPs, um grupo de pessoas ricas que usam suas fortunas para apostar e assistir aos jogos. Embora pudessem apresentar algum potencial para a crítica social permanente em toda a série, os mascarados caricatos causaram estranhamento para o público devido ao desdobramento dos personagens que não fizeram diferença na história.

Apesar de algumas surpresas desagradáveis, nada prepara o espectador para o que estava por vir no final do último episódio. Justamente quando tudo indicava ser a última cena do bonito desfecho envolvendo a filha do jogador 456, Front Man sai pelas ruas dos Estados Unidos e se depara com ninguém menos que Cate Blanchett vestida como a Vendedora dos jogos (papel antes interpretado por Gong Yoo), dando indícios de um spin-off norte-americano que absolutamente ninguém pediu. Esse desfecho representa mais um grande furo na indústria hollywoodiana, que não se contenta em realizar produções fora da bolha estadunidense, buscando sempre “melhorar” roteiros originais.
Diante disso, ainda que frustrante em alguns pontos, nada tira os méritos memoráveis da série sul-coreana: a fotografia marcante, os atores completamente entregues a um roteiro repleto de desafios e a direção espetacular de Hwang Dong-hyu. A produção original de Round 6 marca uma geração, conquistando grande relevância entre as obras coreanas que ganham o mundo.
E aí, qual a sua opinião sobre o final de Round 6? Comente nas redes sociais do Entretetizei — Insta, Facebook e X — e siga a gente para não perder as notícias do mundo do entretenimento e da cultura.
Leia também: Precisamos falar sobre o embranquecimento das produções asiáticas
Texto revisado por Sabrina Borges de Moura









