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Homem-Aranha
Imagem: reprodução/Sony Pictures

Crítica | Homem-Aranha: Um Novo Dia encontra a humanidade por trás da máscara

Sozinho como nunca, o personagem aprende que ser Peter Parker e Homem-Aranha é o que o torna inteiro

[Contém spoiler]

No último mês, o Universo Cinematográfico da Marvel (UCM) lançou o quarto filme da franquia de um dos super-heróis mais amados da cultura pop. Dirigido por Destin Daniel Cretton, mesmo diretor de Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, Homem-Aranha: Um Novo Dia veio como uma brisa de ar fresco para aqueles que são fãs do cabeça de teia desde as páginas dos quadrinhos.

O filme é a sequência de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021) e acompanha a nova realidade de Peter Parker (Tom Holland) após o feitiço lançado por Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) para proteger o multiverso. Em sua nova versão, Parker vive uma vida solitária, em completo anonimato por trás da máscara do “amigão da vizinhança”, uma vez que nem seus amigos mais próximos, MJ (Zendaya) e Ned Leeds (Jacob Batalon), se lembram dele.

MJ e NED
Imagem: reprodução/Sony Pictures

Homem ou aranha?

Homem-Aranha: Um Novo Dia mergulha na melancolia do personagem, se aproximando da essência do Parker das HQ’s. Ao viver uma vida anônima e solitária, e após sofrer uma série de acontecimentos, Peter começa a sentir os efeitos físicos de uma mutação entre seus hormônios humanos e aracnídeos.

A escolha de abordar esse processo de mudança interna funciona ao transmitir a ideia de que o protagonista já não é mais o mesmo adolescente de antes, ainda mais quando as mudanças são representadas visualmente para os espectadores – através de elementos como a transformação dos olhos negros. Agora, ele parece sentir verdadeiramente os efeitos das responsabilidades que acompanham o fato de ser um super-herói.

Peter Parker
Imagem: reprodução/Sony Pictures

Novo rosto

Durante seus afazeres de vigilante mascarado, Peter encontra a ameaça da trama: Jean Grey (Sadie Sink), telepata conhecida das histórias dos X-Men. É empolgante ver uma personagem tão querida pelos fãs ganhar as telas, mas colocá-la sob o título de vilã, como o início do filme sugere, é questionável. Isso porque, carregada de mágoa, assim como o próprio Peter, tudo o que Jean busca é a irmã, também telepata, raptada pelo Departamento de Controle de Danos em uma tentativa de replicar os poderes das duas.

O problema é que essa introdução parece pouco costurada ao restante do universo Marvel. Diferente do usual modus operandi do estúdio de plantar sementes claras para personagens de peso, através de cenas pós-créditos, por exemplo, Um Novo Dia faz com que Jean simplesmente desapareça da trama sem qualquer sinal de seu paradeiro ou de seu papel no que vem a seguir. Sua chegada soa mais como uma aparição pontual do que uma peça que vem para se encaixar em algo maior.

Jean Grey
Imagem: reprodução/Sony Pictures

O que a máscara esconde

Poeticamente, os primeiros três filmes do cabeça de teia, estrelados por Holland e dirigidos por Jon Watts, traziam um lado mais ingênuo e adolescente do personagem. Já nessa versão de Destin Daniel Cretton, podemos enxergar uma aproximação maior da persona de Parker dos quadrinhos: alguém maduro, cuja personalidade reflete todas as perdas e lutos já vivenciados – mas ainda assim muito jovial e cômico.

Desde a ironia clássica do Homem-Aranha, até as turbulências emocionais do dia a dia de Peter Parker, é revigorante ver como Tom Holland consegue trazer um grande equilíbrio entre as duas personalidades do herói. Não é à toa que o britânico foi escolhido para interpretar o personagem. E isso se confirma na tensa cena de batalha em que, ao ser questionado por Jean Grey se escolheria ser Peter Parker ou Homem-Aranha, Holland consegue emocionar o público ao afirmar: 

“Eu sou os dois”.

Peter Parker
Imagem: reprodução/Sony Pictures

Amigão da vizinhança

O longa é perfeitamente equilibrado, do jeito que um personagem emblemático e especial como o Homem-Aranha merece. Ao se encaminhar para o desfecho, com Parker anonimamente caminhando para fora do hospital após ser baleado como Homem-Aranha e se deparando com uma horda de pessoas aguardando notícias da recuperação do herói, o filme mostra a força e o impacto que o personagem carrega.

A trama parece reunir distintamente os momentos de um clássico filme de super-herói, com cenas de ação cativantes e capazes de deixar o público com a respiração presa, mas também trazendo uma mensagem de humanidade, bondade e altruísmo por trás de um personagem tão amado pelos fãs quanto o cabeça de teia.

Talvez pela primeira vez em toda a saga de Tom Holland como Homem-Aranha, o foco está inteiramente em Peter Parker e seus dilemas. Não nas ameaças ao multiverso, nem nos vilões de peso, mas no próprio personagem. É essa escolha que permite a Um Novo Dia alcançar um nível de dramaticidade que nenhum capítulo anterior havia atingido, construindo uma jornada crível e que se relaciona genuinamente com o público.

E é curioso perceber que essa seja, talvez, a versão mais humana já vista do Homem-Aranha, muito embora também seja a versão em que ele passa mais tempo escondido atrás de sua máscara. Como definiu Stan Lee, criador do personagem:

A razão pela qual o Homem-Aranha é tão popular é que todos nós nos identificamos com ele”.

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Texto revisado por Crystal Ribeiro

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