Cancelamento da 59ª edição do evento foi noticiado nesta segunda-feira (10) devido a falta de verba
Após repercussão, nesta segunda-feira (10), sobre o cancelamento da 59ª edição doFestival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, foi à rede social X confirmar que o evento será realizado.
“Está confirmada a realização da 59ª edição do Festival de Cinema de Brasília, evento marcado para 11 a 19 de setembro. Já determinei que a Secretaria de Economia providencie os recursos necessários para o evento”.
Foto: Reprodução/Agência Brasília
O cancelamento do festival veio à tona inicialmente reportado pela Rádio CBN e depois confirmado por outros veículos da mídia. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa relatou falta de verba como justificativa. O repasse esperado era de R$ 3 milhões.
O evento estava previsto para ocorrer entre os dias 11 e 19 de setembro no Cine Brasília, porém, de acordo com o Correio Braziliense, uma nova rodada de discussões ocorre nesta quarta-feira (12) para determinar os próximos passos e se a data será de fato mantida.
Considerado o festival de cinema mais antigo do país, com seis décadas de atuação, o evento só não ocorreu entre 1972 e 1974 devido à ditadura militar. Desde 2007, é considerado patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal e já premiou filmes como A Hora da Estrela (1985) e É Proibido Fumar (2009).
Foto: Reprodução/Nina Quintana/Metrópoles
Em depoimento ao Jornal de Brasília, o diretor-geral de produção do festival, Henrique Rocha, que foi informado pessoalmente sobre a situação pela Secretaria, expressou seu descontentamento: “É inacreditável”.
O cancelamento vinha sendo especulado desde a última sexta-feira (7), após fala da própria governadora, em uma coletiva de imprensa, afirmando que a realização do festival não seria prioridade. A declaração se refere à crise financeira do Banco de Brasília (BRB), maior patrocinador do festival, que enfrenta problemas decorrentes de sua associação ao escândalo do banco Master.
A edição faz parte de um acordo de três anos que previa a realização dos festivais de 2024, 2025 e 2026, com orçamento aprovado para o período. As inscrições para o festival estavam abertas desde março e 80 projetos já haviam sido selecionados para exibição.
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Sozinho como nunca, o personagem aprende que ser Peter Parker e Homem-Aranha é o que o torna inteiro
[Contém spoiler]
No último mês, o Universo Cinematográfico da Marvel (UCM) lançou o quarto filme da franquia de um dos super-heróis mais amados da cultura pop. Dirigido por Destin Daniel Cretton, mesmo diretor de Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, Homem-Aranha: Um Novo Dia veio como uma brisa de ar fresco para aqueles que são fãs do cabeça de teia desde as páginas dos quadrinhos.
O filme é a sequência de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021) e acompanha a nova realidade de Peter Parker (Tom Holland) após o feitiço lançado por Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) para proteger o multiverso. Em sua nova versão, Parker vive uma vida solitária, em completo anonimato por trás da máscara do “amigão da vizinhança”, uma vez que nem seus amigos mais próximos, MJ (Zendaya) e Ned Leeds (Jacob Batalon), se lembram dele.
Imagem: reprodução/Sony Pictures
Homem ou aranha?
Homem-Aranha: Um Novo Dia mergulha na melancolia do personagem, se aproximando da essência do Parker das HQ’s. Ao viver uma vida anônima e solitária, e após sofrer uma série de acontecimentos, Peter começa a sentir os efeitos físicos de uma mutação entre seus hormônios humanos e aracnídeos.
A escolha de abordar esse processo de mudança interna funciona ao transmitir a ideia de que o protagonista já não é mais o mesmo adolescente de antes, ainda mais quando as mudanças são representadas visualmente para os espectadores – através de elementos como a transformação dos olhos negros. Agora, ele parece sentir verdadeiramente os efeitos das responsabilidades que acompanham o fato de ser um super-herói.
Imagem: reprodução/Sony Pictures
Novo rosto
Durante seus afazeres de vigilante mascarado, Peter encontra a ameaça da trama: Jean Grey (Sadie Sink), telepata conhecida das histórias dos X-Men. É empolgante ver uma personagem tão querida pelos fãs ganhar as telas, mas colocá-la sob o título de vilã, como o início do filme sugere, é questionável. Isso porque, carregada de mágoa, assim como o próprio Peter, tudo o que Jean busca é a irmã, também telepata, raptada pelo Departamento de Controle de Danos em uma tentativa de replicar os poderes das duas.
O problema é que essa introdução parece pouco costurada ao restante do universo Marvel. Diferente do usual modus operandi do estúdio de plantar sementes claras para personagens de peso, através de cenas pós-créditos, por exemplo, Um Novo Dia faz com que Jean simplesmente desapareça da trama sem qualquer sinal de seu paradeiro ou de seu papel no que vem a seguir. Sua chegada soa mais como uma aparição pontual do que uma peça que vem para se encaixar em algo maior.
Imagem: reprodução/Sony Pictures
O que a máscara esconde
Poeticamente, os primeiros três filmes do cabeça de teia, estrelados por Holland e dirigidos por Jon Watts, traziam um lado mais ingênuo e adolescente do personagem. Já nessa versão de Destin Daniel Cretton, podemos enxergar uma aproximação maior da persona de Parker dos quadrinhos: alguém maduro, cuja personalidade reflete todas as perdas e lutos já vivenciados – mas ainda assim muito jovial e cômico.
Desde a ironia clássica do Homem-Aranha, até as turbulências emocionais do dia a dia de Peter Parker, é revigorante ver como Tom Holland consegue trazer um grande equilíbrio entre as duas personalidades do herói. Não é à toa que o britânico foi escolhido para interpretar o personagem. E isso se confirma na tensa cena de batalha em que, ao ser questionado por Jean Grey se escolheria ser Peter Parker ou Homem-Aranha, Holland consegue emocionar o público ao afirmar:
“Eu sou os dois”.
Imagem: reprodução/Sony Pictures
Amigão da vizinhança
O longa é perfeitamente equilibrado, do jeito que um personagem emblemático e especial como o Homem-Aranha merece. Ao se encaminhar para o desfecho, com Parker anonimamente caminhando para fora do hospital após ser baleado como Homem-Aranha e se deparando com uma horda de pessoas aguardando notícias da recuperação do herói, o filme mostra a força e o impacto que o personagem carrega.
A trama parece reunir distintamente os momentos de um clássico filme de super-herói, com cenas de ação cativantes e capazes de deixar o público com a respiração presa, mas também trazendo uma mensagem de humanidade, bondade e altruísmo por trás de um personagem tão amado pelos fãs quanto o cabeça de teia.
Talvez pela primeira vez em toda a saga de Tom Holland como Homem-Aranha, o foco está inteiramente em Peter Parker e seus dilemas. Não nas ameaças ao multiverso, nem nos vilões de peso, mas no próprio personagem. É essa escolha que permite a Um Novo Dia alcançar um nível de dramaticidade que nenhum capítulo anterior havia atingido, construindo uma jornada crível e que se relaciona genuinamente com o público.
E é curioso perceber que essa seja, talvez, a versão mais humana já vista do Homem-Aranha, muito embora também seja a versão em que ele passa mais tempo escondido atrás de sua máscara. Como definiu Stan Lee, criador do personagem:
A razão pela qual o Homem-Aranha é tão popular é que todos nós nos identificamos com ele”.
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