Como saímos da maquiagem forçada e dos estereótipos para o topo da cultura pop mundial, redefinindo o que significa ser latino nas telas
Na semana do Oscar, em que celebramos marcos históricos para o cinemal, vamos falar sobre a conquista latina em Hollywood.Em Amor, Sublime Amor (1961), Rita Moreno precisava usar maquiagem pesada para escurecer sua pele e forçar um sotaque carregado para conquistar seu espaço na “Era de Ouro” de Hollywood.
Décadas depois, Pedro Pascal se tornou um sex symbol mundial sem precisar se encaixar em molde nenhum. Essa mudança não é apenas sobre prêmios, mas sobre o direito de existir como seres humanos complexos.
Para conquistar seu lugar, Rita Moreno precisou se espremer em um sistema que só aceitava estereótipos, limitando latinas a papéis de domésticas ou amantes “ardentes”. A indústria exigia que ela fosse a “latina imaginária”.

Sua vitória no Oscar não foi sorte: Rita atingiu o status EGOT (Emmy, Grammy, Oscar e Tony). Após o marco, ela disse não para papéis caricatos, ficando anos sem atuar para não perpetuar preconceitos.
Graças a essa resistência, gerações seguintes construíram a própria entrada. Salma Hayek produziu Frida (2002) e levantou o projeto quando estúdios diziam que histórias latinas não eram atraentes. Ela provou justamente o contrário com a indicação ao Oscar.
Enquanto isso, Sônia Braga quebrou a barreira da língua. Indicada ao Globo de Ouro e ao BAFTA, Sônia mostrou em O Beijo da Mulher-Aranha (1985), Aquarius (2016) e Bacurau (2019) que a mulher latina é política e densa, não um “enfeite”.
Essa mudança abriu espaço para o blockbuster global. Rodrigo Santoro provou isso em 300 (2007), como o rei Xerxes. Já Wagner Moura foi do estereótipo em Narcos (2015-2017) ao jornalista americano na superprodução Guerra Civil (2024).
Recentemente, Wagner elevou o patamar ao vencer o Globo de Ouro em 2025 como Melhor Ator pelo filme brasileiro O Agente Secreto. A obra também rendeu a ele uma indicação histórica ao Oscar 2026 de Melhor Ator.
Já Oscar Isaac, também vencedor do Globo de Ouro, liderou franquias como Star Wars e Duna. Em todas elas, sua etnia é um detalhe e não o foco principal da trama.
Diferente do passado, Pedro Pascal pode ser 100% ele mesmo. Ao encarnar o “Daddy” em The Last of Us (2023-presente) e The Mandalorian (2019-2023), Pascal quebra o clichê do latino agressivo e subverte o estereótipo do “machão”.
Seus personagens são letais, mas também vulneráveis. O reconhecimento veio com o SAG Awards e indicações ao Emmy. A internet o abraçou como um ídolo acessível, provando que o público quer conexão, não caricaturas.
Se Rita Moreno usou uma máscara para ser aceita, Pedro Pascal e sua geração conquistaram o luxo de tirá-la. Hoje, a latinidade em Hollywood é parte indissociável e poderosa da cultura pop mundial.
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Texto revisado por Kalylle Isse









