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Especial | Dia dos Namorados: 5 mudanças em séries e filmes quando se trata de amor

Muitas transformações aconteceram para o amor e os relacionamentos ao longo dos anos, o que se reflete também na maneira como eles são retratados no audiovisual

O Dia dos Namorados chegou e, com ele, as relações amorosas se tornam uma pauta ainda maior. Seja com as comédias românticas no top 10 dos streamings ou as decorações de coração enfeitando seu restaurante favorito, essa data traz o amor para o centro das discussões e, nessa conversa, não tem como não pensar em filmes e séries que souberam representar com fidelidade esse tema universal. 

O audiovisual sempre retratou relacionamentos amorosos sabendo que histórias onde o amor é o foco principal, ou até uma parte menor da trama, interessam a muita gente. Existe essa animação inquestionável em torcer por aquele casal fictício que nós sabemos que seria perfeito junto, ou muitas vezes sonhar que aquele romance perfeito pudesse ser real para a gente também, né?

Mas a maneira como essa retratação do amor acontece sofreu diversas alterações ao longo das décadas, seguindo as mudanças da sociedade em que vivemos. Quando os casais e as formas de se relacionar mudam, as produções se transformam também, acompanhando esse ritmo das novas gerações até chegar aos dias de hoje. 

Por isso, quando se trata de amor, não existe fórmula única para construir os romances que vemos na TV, mas é possível separar as cinco principais mudanças que inovaram as relações dentro das séries e filmes até aqui. 

Fim do “felizes para sempre”? 

Histórias de amor clássicas como Diário de Uma Paixão (2004) cumprem o papel fundamental de mostrar aqueles relacionamentos que superam tudo. Quando não se tem aprovação familiar e as circunstâncias não conspiram a favor, e mesmo assim os protagonistas conseguem ficar juntos no final. Apesar de triste, é lindo ver a representação de duas pessoas tão apaixonadas terminando casadas e envelhecendo juntas, mesmo quando o tempo e as circunstâncias da vida parecem lutar pelo oposto.

Foto: reprodução/Warner

Mas esta retratação do amor idealizado de almas gêmeas e, principalmente, do casamento como ponto-chave e objetivo principal perdeu espaço com o passar dos anos. Conforme o matrimônio deixou para trás seu aspecto unicamente de “feliz para sempre” com as mudanças da sociedade, esse enredo no audiovisual também mudou. 

Hoje, o foco costuma estar muito mais no amadurecimento emocional das personagens, no amor-próprio e na autodescoberta. O amor deixou de ser o único objetivo, até porque se em uma história atual as personagens tivessem todos seus problemas consertados por meio de um relacionamento, ficaria a sensação de que falta algo, porque na vida real não é isso que acontece. 

Considerar que o casal feliz é aquele que se provou unido apesar das adversidades da história, e que conseguiu crescer individualmente tanto quanto em conjunto se torna muito mais atrativo na atualidade. É justamente com esse tipo de pensamento que surgiram histórias fortes e envolventes protagonizadas por e para as novas gerações.

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Séries de romance como Heartstopper (2022) ganham grande destaque entre os jovens como produções atuais que passam longe dos temas clássicos de casamento e “felizes para sempre”. Em vez disso, a trama dá espaço a temas de amadurecimento, autodescoberta e como navegar diferentes relacionamentos quando o amor verdadeiro não conserta questões como amor próprio e saúde mental, jornadas que precisam ser trilhadas também de maneira individual. 

Imperfeição como elogio

Especialmente a partir dos anos 90, as séries e filmes começaram a buscar uma retratação mais real de seus personagens, acompanhando as mudanças da sociedade. Como exemplo, à medida que os casamentos perdiam sua qualidade de inquebrável, os divórcios se tornaram pauta cada vez mais comum na TV. 

Personagens como Rachel, de Friends (1994), que começam sua história já com uma fuga do próprio casamento e lidam com as dificuldades do mundo real de ascensão lenta na carreira ou tentativas falhas de relacionamento, representam uma nova onda de histórias que trazem personagens mais reais, que erram e acertam tanto na vida quanto no amor, e esse tipo de retratação se tornou uma receita de grande sucesso.

Foto: reprodução/HBO Max

Narrativas mais reais e cruas de personagens imperfeitas continuam sendo as preferidas de muitos porque são identificáveis. Essas personagens encontram o amor de maneira mais verdadeira, em meio a tentativas, términos, desencontros, dúvidas e voltas. 

E apesar de ser uma delícia assistir aquele filme clichê de amor mesmo sabendo que aquilo nunca aconteceria na realidade, existe também um grande prazer em acompanhar episódios de um casal feito por personagens que têm defeitos, mas que conseguem encontrar o equilíbrio que os torna perfeitos juntos, ao final. 

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Nessa mesma onda de mostrar personagens verdadeiras, as séries e filmes mais atuais equilibram junto com o amor outro tema específico cada vez mais falado: a saúde mental. Uma pauta tão importante e presente dos dias de hoje, não teria como ela ficar de fora das histórias contadas pelo audiovisual também. 

Quando se quer retratar um relacionamento amoroso identificável, é cada vez mais comum que questões como traumas, ansiedade e a própria ida à terapia sejam integradas ao desenvolvimento dos personagens e de suas relações, à medida que essas dificuldades estão cada vez mais intrínsecas ao dia a dia da maioria das pessoas, seja diretamente ou como um assunto comentado.

Séries de amor como Young Royals (2021) são exemplos que souberam retratar muito bem cenas de terapia. Nelas, você como público sente o alívio em ver o príncipe Wilhelm admitindo em voz alta os dilemas que geram nele tanta ansiedade e impedem seu maior desejo de estar junto de Simon, por quem ele é apaixonado. 

Foto: reprodução/Netflix

Além da mensagem positiva sobre a importância de buscar ajuda, é enriquecedor para a narrativa assistir a uma personagem tratar questões que estão interferindo diretamente em sua felicidade e seu relacionamento de maneira tão aberta e construtiva para a trama. 

Independência feminina

Outra pauta importantíssima que foi ganhando destaque com o passar dos anos é a independência feminina, e nas séries e filmes isso não foi diferente. A divisão em papéis de gênero saíram de moda nos relacionamentos do audiovisual, e que bom! 

As protagonistas femininas desde os anos 90 para cá já não existem mais apenas pelo amor do outro, pelo beijo perfeito ou o casamento ideal. Elas têm suas próprias metas, sonhos e individualidade, sendo cada vez mais comum ver tramas onde o relacionamento amoroso entra como bônus na vida de uma personagem que é independente e busca coisas para si, muito mais do que o amor ser aquilo que conserta tudo na vida da mulher, como em histórias de antes.

O consentimento também se torna uma pauta cada vez mais valorizada nas narrativas. Seja de maneira naturalizada e sutil, com uma única pergunta de permissão, ou mais enfatizado, é cada vez mais presente entre casais em séries e filmes que suas cenas de intimidade tenham essa “pausa” para garantir o consentimento de prosseguir.

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Além desse fato não se restringir às histórias heterossexuais, o que é ótimo, ele também se torna um fator relevante em séries virais do momento, como a famosa Off Campus: Amores Improváveis (2026), que trata o consentir como algo importante e bastante sexy, o que gera vários debates positivos e necessários sobre o tema para fora das telas. 

Novas formas de se relacionar

As formas de construção das relações amorosas também sofreram diversas mudanças dos filmes de amor clássicos até as narrativas de hoje. Enredos como os romances que começam como uma relação sem compromisso ou que o casal se conhece por aplicativos de relacionamentos são cada vez mais comuns para refletir as mudanças na construção de relacionamentos hoje. 

Existem diversas maneiras já muito conhecidas e amadas de se construir um romance: da amizade ao amor ou da rivalidade ao amor, de um namoro falso que se transforma em sentimentos verdadeiros até as clássicas tramas de “aposta”. As fórmulas de execução de uma história de amor sempre foram várias, com muitas sendo apenas reformuladas com o passar do tempo para se adaptar aos novos costumes da sociedade, como ter a internet mais presente na narrativa. 

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Rivalidade Ardente (Heated Rivalry – 2025) é grande exemplo de uma série atual que virou febre mundial sabendo executar uma receita perfeita de rivalidade que se torna amor (rivals with benefits), em que se tem uma relação que começa sem compromissos, como é tão comum atualmente, mas que floresce em um forte e honesto amor entre Shane e Ilya, em uma trama que se passa ao longo dos dez anos de encontros escondidos desse casal em sua primeira temporada. 

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Por isso, seja com os amigos Alex e Poppy em De Férias com Você (2026) ou os namorados de mentira Lara Jean e Peter Kavinsky de Para Todos os Garotos que Já Amei (2018), as comédias românticas estão sempre renovando em seus começos e suas tramas, para dançar conforme a música e respeitar as novidades de uma sociedade que sempre se atualiza. Mas, em meio a tantas mudanças divertidas de enredo, nós sabemos que o final permanece o mesmo: amor na certa. 

Foto: reprodução/Netflix
A diversidade nas telas

Não teria como terminar essa lista sem falar de um tema tão atual, necessário e que cresce cada vez mais nos romances do audiovisual. A representação de diferentes formas de relacionamentos, gêneros e sexualidades se concretiza cada vez mais nas telas para demonstrar a diversidade que existe e merece espaço também nos filmes e séries que amamos. 

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São anos de lutas e conquistas que permitiram que casais não-heteronormativos e a comunidade LGBTQIAPN+ como um todo protagonizem os novos, e cada vez mais em alta, romances do audiovisual. O que começou com filmes como O Segredo de Brokeback Mountain (2005), que na sua época foi considerado disruptivo, hoje tem uma grande variedade de histórias, em séries modernas como Sex Education (2019), Adultos (2025) e Entrevista com o Vampiro (2022), ou filmes como o novo Quinze Dias (2026), e muitos mais títulos conquistando o coração de fãs de todas as idades.

Foto: reprodução/Netflix

Com enredos emocionantes de paixão e desejo, ou de relacionamentos divertidos e mais leves, é ótimo ver o gênero das comédias românticas abrindo espaço para narrativas mais diversas, em um momento mais acolhedor, criativo e abrangente do audiovisual, sem precisar também que essas histórias de amor tão importantes acabem só em tragédias, como era mais comum antes, o que reflete também uma sociedade de avanços para mais inclusão e amor. 

Foto: reprodução/Manequim Filmes

Do “felizes para sempre” à diversidade na tela, a retratação do amor no audiovisual passou por diversas fases ao longo de tantos anos de produções amadas. Os filmes e séries mudam em suas tramas e personagens de acordo com a sociedade em que vivemos, e isso não significa que os clássicos não tenham mais espaço nas listas de favoritos.

Significa que as novas histórias, com suas pautas de inclusão, igualdade e até saúde mental, chegam para agregar com formas de amor mais saudáveis, mas também sem perder a sensação reconfortante de assistir os romances clichês que a gente tanto ama e que não poderiam faltar nesse Dia dos Namorados! 

Você percebeu alguma outra mudança na retratação do amor nos seus filmes e séries preferidos? Conta para a gente nas redes sociais do Entretetizei  (Facebook, Instagram e X) e nos siga para não perder nenhuma novidade no mundo do entretenimento e da cultura! 

 

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Texto revisado por Kalylle Isse

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