Entre o preconceito e o sucesso, o gênero se multiplica no país
Em 12 de julho o Brasil celebra o Dia Nacional do Funk, data que reconhece, valoriza e reverencia um dos gêneros musicais mais populares do país. Para além das BPMs, o funk é uma poderosa ferramenta de expressão cultural, resistência periférica e transformação social, que gera a sensação de pertencimento para uma camada da sociedade que é constantemente marginalizada.
O ritmo nascido nas comunidades do Rio de Janeiro, na década de 1980, se consolidou como um movimento artístico que retrata inúmeras vivências de moradores de favela. Em suas letras, os MCs abordam temas como preconceito, desigualdade, violência, superação e amor. Desde seu surgimento, o ritmo vem ganhando o país e o mundo, sendo reinventado a cada nova geração.
Furacão 2000
Não tem como contar a história do funk sem mencionar a Furacão 2000, uma das principais responsáveis pela difusão e popularização do gênero no país. A Furacão é uma equipe de som, produtora e gravadora carioca, criada por Rômulo Costa, popularmente conhecido como O Paizão.
Nos anos 1990, a produtora foi pioneira na realização de bailes de grandes proporções e, a partir disso, a equipe ganhou espaço na TV aberta com um programa diário.Inicialmente apresentada por Verônica Costa, a Mãe Loira, a atração foi comandada depois por Priscila Nocetti e Rômulo Costa. A Furacão também tinha seu próprio programa dentro de algumas emissoras do sistema de rádio FM do Rio de Janeiro, que foi consolidado quando começou a ser transmitido na FM O Dia.
A Furacão 2000 foi responsável por lançar grandes nomes do funk brasileiro, como Mc Marcinho, Tati Quebra Barraco, Anitta, Claudinho e Buchecha, Valesca Popozuda, Mr Catra, MC Carol de Niterói, entre muitos outros. A equipe abriu caminhos para que o gênero ultrapassasse o território das comunidades cariocas e conquistasse o mundo.
Rio Parada Funk
Um dos principais movimentos da cultura funk na atualidade é o Rio Parada Funk, evento anual que acontece desde 2011 e reúne milhares de pessoas nas ruas cariocas. No palco, MCs, DJs e dançarinos consagrados exaltam o funk e ocupam espaços antes negados para o ritmo.
Mais do que uma celebração, o evento é um ato político e cultural que reivindica respeito, visibilidade e o fim da criminalização do funk e das favelas, reafirmando que o gênero, embora marginalizado, também é arte.
#estudeofunk
Provando que o funk é um espaço de conhecimento, dedicação e aprendizado, o #estudeofunk promove aceleração artística para MCs, dançarinos, DJs e beatmakers.
O projeto fica localizado no coração da Lapa, no Rio de Janeiro, e conta com uma estrutura profissional que, semestralmente, abraça novos talentos, promove shows, experiências artísticas e oficinas, unindo educação, produção cultural e cidadania.
Funk além do Rio de Janeiro
Embora o Rio seja o berço do funk, o gênero se espalhou por todo o Brasil e ganhou características específicas nas diferentes regiões em que se faz presente, ganhando assim outras vertentes e novos estilos.
Alguns exemplos dessas misturas são o Brega Funk, o MTG e o Funk Consciente. O ritmo se reinventa constantemente e mistura influências de sotaques, vivências e pluralidades, carregando em cada batida a história e a luta das regiões a que pertencem.
Mais do que música: um movimento social
Celebrar o funk vai muito além do som, é uma forma de reconhecer a importância desse gênero na transformação social. O funk é arte, cultura, linguagem, voz coletiva, pertencimento e sabedoria passados de geração em geração.
Em um cenário em que o gênero ainda é censurado e criminalizado, datas como o Dia Nacional do Funk se tornam essenciais para a afirmação de identidades e reconhecimento das potências culturais que nascem nas periferias.
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Texto revisado por Gabriela Fachin









