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Drácula: Uma História de Amor Eterno
Foto: reprodução/O Universo da TV

Crítica | Drácula: Uma História de Amor Eterno não entende o seu protagonista

Se mais uma adaptação de Drácula parecia desnecessária, Luc Besson faz questão de confirmar a suspeita 

[Contém spoiler]

Em 1992, Francis Ford Coppola dividiu com o mundo o seu olhar sobre o icônico personagem de Bram Stoker. A pergunta que conduziu o projeto era simples: e se Drácula fosse um filme de romance? 33 anos depois, Luc Besson decide mergulhar nessa proposta com Drácula: Uma História de Amor Eterno (2025), mas sem o mesmo charme e complexidade de seu antecessor.

Após o assassinato de sua esposa, o príncipe Vlad Dracul (Caleb Landry Jones) renuncia a Deus e é amaldiçoado com a vida eterna. Séculos mais tarde, na Paris oitocentista, Drácula encontra Mina (Zoë Bleu), uma noiva com o rosto e as memórias de sua falecida princesa.

Drácula: Uma História de Amor Eterno tem duas horas e nove minutos – e você sente cada segundo (o tradutor responsável pelo título do filme no Brasil foi premonitório). O filme dedica boa parte do primeiro ato à sugestão do que Drácula teria feito ao longo dos 400 anos que separam seu reencontro com o amor de sua vida, e é aqui que surge uma das piores novidades dessa adaptação: o perfume.

Convencido de que uma mulher tão pura quanto Elisabeta com certeza reencarnaria (o que, em si, já é anticlimático), Drácula elabora uma estratégia sem sentido para garantir que, ao retornar, sua amada seja atraída até ele: um perfume com o poder de seduzir e hipnotizar todas as mulheres que estejam por perto. Além de absurda, essa ideia reduz uma das principais características da mítica do vampiro, que é seu magnetismo sexual e a intrínseca representação do pecado e da tentação, a uma fragrância que, no fim, nem é útil para atrair Mina.

Drácula: Uma História de Amor Eterno
Foto: reprodução/Host Geek

Aliás, todos os temas caros à mitologia do personagem, como a sexualidade e a religião, tornam-se símbolos desperdiçados e vazios no roteiro de Besson, que por vezes parece tentar sabotar o próprio projeto com momentos de humor deslocados, que enfraquecem a carga dramática do filme, e um contexto histórico inconsequente (para que fim o filme se passa na França durante o centenário da Revolução Francesa? Poderia facilmente ter se passado em São Paulo durante o Carnaval que pouco faria diferença).

A articulação da religião no filme merecia uma discussão à parte. Drácula: Uma História de Amor Eterno claramente é uma adaptação da obra de Coppola, não de Bram Stoker, mas falha em entender a tensão que existe entre seu protagonista e a religião, o meio-termo entre crítica e devoção que assola o personagem e ajuda a tornar o romance tão visceral.

Aqui, a despeito de já duvidar da vontade de Deus mesmo antes do assassinato de sua esposa e passar séculos desprezando a religião, bastam umas cinco palavras sobre salvação e arrependimento de um padre (vivido por Christoph Waltz) para Drácula desistir de passar a eternidado ao lado de sua recém-encontrada Elisabeta e receber uma estaca no peito. Enquanto Zoë Bleu chora sobre as cinzas de Drácula, ao público, resta torcer para que essa seja a última cena.

Drácula: Uma História de Amor Eterno
Foto: reprodução/FilmoFilia

No fim, há pouco a se aproveitar em Drácula: Uma História de Amor Eterno. Fora uma trilha sonora memorável e um design de produção encantador, as péssimas escolhas narrativas não ajudam a compor um romance impactante, o roteiro fraco frustra as atuações e o filme se perde entre homenagem e sátira.

 

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Texto revisado por Ana Carolina Loçasso Luz @anadodll

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