De forma independente, autora publicou seu primeiro livro em agosto
Em 2025, a escritora Samantha Vieira realizou o sonho de publicar seu primeiro romance. Engenheira de formação, sempre gostou de escrever e contar histórias, mas tinha dificuldades de escrever uma trama até o final. Porém, estabeleceu uma meta para este ano: participar do Prêmio Kindle de Literatura. Foi assim que nasceu o livro Até que Seja Verdade.
Na obra, o leitor será apresentado a um enemies to lovers e fake dating. Aqui, conheceremos Beatrice e Nathan, que, embora dividam a melhor amiga, são rivais declarados. Eles trocam farpas a cada encontro, mostrando para quem quiser ver que não se suportam.
Quando Beatrice recebe o convite de casamento da irmã mais nova, ela precisa encontrar uma solução rápida para não passar pelo constrangimento de aparecer sozinha, ainda mais porque a festa será justamente no Dia dos Namorados. Sem opções, ela acaba decidindo levar um namorado, nem que esse seja o seu maior inimigo.
Em entrevista ao Entretetizei, Samantha Vieira discorre sobre as convergências entre engenharia e literatura, seu processo de escrita e perspectivas como escritora independente. Confira!

Entretetizei: Além de escritora, você também é engenheira. Existe algum ponto de contato entre as duas profissões tão distintas?
Samantha Vieira: Não são duas áreas muito correlatas, mas existe sim um ponto de contato que me ajudou bastante. Como eu sempre gostei de escrever, durante a minha formação em engenharia tive facilidade em desenvolver relatórios técnicos e trabalhos escritos, algo que muitos engenheiros não gostam tanto. Já na escrita, minha experiência na engenharia me ajuda a descrever a experiência de personagens engenheiros, como Beatrice e Nathan, de Até que Seja Verdade.
E: Na sua trajetória, quais foram os autores que mais inspiraram ou inspiram a sua escrita?
SV: Sempre gostei muito das obras da Jane Austen. De autores contemporâneos gosto bastante da Lynn Painter e da Jenny Han, e uma autora nacional que gosto muito também é a Babi A. Sette.
E: Quais são os maiores desafios e oportunidades na carreira como escritora independente?
SV: Ser uma autora independente significa ser responsável por absolutamente tudo do seu livro, desde a escrita até a publicação e o marketing. As oportunidades e os desafios vêm justamente daí. Quando o autor é o responsável por tudo, tem a autonomia e a liberdade de gerir sua carreira da forma que desejar, mas com isso também vem grandes responsabilidades.
Muitos autores independentes, assim como eu, possuem outra profissão, o que dificulta conciliar as agendas. Além disso, ganhar visibilidade sem estar vinculado a grandes marcas, como editoras tradicionais, é mais desafiador. Outro ponto é que, como autores independentes, todos os investimentos, como revisão de texto, leitura crítica e capa, saem do nosso próprio bolso, e nem sempre o retorno financeiro é suficiente para suprir esses gastos.
E: Seu primeiro livro é um enemies to lovers. De onde surgiu a ideia para escrevê-lo?
SV: Enemies to lovers sempre foi o tipo de livro que eu mais gostei de ler, então acho que naturalmente é o que eu tenho mais facilidade de escrever. Eu sempre quis publicar um livro, mas tinha muita dificuldade de escrever as minhas histórias até o final. Em 2025, coloquei como uma das minhas metas participar do Prêmio Kindle de Literatura, da Amazon, e criei a história de Até que Seja Verdade. A minha ideia era que fosse um romance leve, mas envolvente, com dinâmicas divertidas entre as personagens e capaz de prender o leitor do início ao fim.
E: Você tem vontade de escrever outros gêneros além do romance romântico? Quais?
SV: Tenho sim. Eu tenho muito interesse em desbravar o mundo da romantasia ou da fantasia, mas sei que vai dar um pouco mais de trabalho pelo fato de ter toda a parte de construção de um mundo ou universo novo, então essa ideia vai ficar para o futuro. Acho que também gostaria de escrever um suspense um dia.
E: Em algum momento, você já sentiu medo de investir na carreira de escritora? Por quê?
SV: Sim, muitos medos. Inicialmente, eu tinha muito medo de me expor, porque essa era uma parte minha que muitas pessoas não conheciam, mas, como era algo com que eu sonhava desde pequena, trabalhei esse medo para superá-lo. Depois, tive do investimento financeiro. Como comentei antes, nem sempre temos retorno o suficiente para supri-lo. Em geral, infelizmente, livros nacionais de autores independentes são mais baratos, mas não possuem visibilidade e reconhecimento tão grande quanto os de editoras tradicionais. Outro medo que tive foi de não ter leitores, mas acho que esse é um medo que qualquer escritor tem, independente ou não.
E: Como é o seu processo de escrita?
SV: Procuro ser o mais organizada possível. Gosto de colocar em uma planilha todas as características básicas dos meus personagens, como nome, cor dos olhos, cor de cabelo, idade, traços de personalidade, etc. Depois faço um resumo de como serão os acontecimentos de cada capítulo. Após ter toda a parte das personagens e dos capítulos estruturada, começo o meu processo de escrita. Mudanças acontecem durante a jornada de escrita, é inevitável, então eu volto e reestruturo os capítulos. Outra coisa que eu gosto de fazer é criar um bom ambiente para escrever, escutar músicas que me inspirem, acender uma vela aromática, tomar um café superfaturado, entre outras coisas.
E: Qual foi a sensação ao ver que o seu primeiro livro havia sido publicado e que já havia pessoas lendo?
SV: Isso foi mágico, sério. Acho que não ter leitores é o maior medo de qualquer escritor, independente ou de grande editora. Quando escrevemos, doamos parte do nosso tempo e trabalhamos para construir uma narrativa no intuito de alcançar outras pessoas. Então publicar e ver que havia leitores acompanhando, comentando e avaliando meu livro me fez sentir que eu tinha cumprido o meu papel como escritora. Eu só me lembro de pensar: “Uau, tem mesmo gente lendo o meu livro. Tem pessoas gostando de algo que eu escrevi!”. Foi quando deixou de ser um sonho para se tornar realidade. Agora, quero sonhar ainda mais alto e espero poder alcançar cada vez mais pessoas com a minha escrita.
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Texto revisado por Alexia Friedmann









