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Entrevista | Stefany Nunes fala sobre A Melhor Surpresa

Em entrevista exclusiva ao Clube do Livro do Entretetizei, a autora discute o núcleo emocional do romance, a dinâmica do casal protagonista e a recepção da obra

Antes de conquistar leitores com uma história sobre recomeços improváveis e afetos construídos nos detalhes, Stefany Nunes já carregava consigo o hábito silencioso de imaginar mundos e personagens. Em A Melhor Surpresa (2026), a autora transforma dores íntimas em encontros luminosos e prova que a comédia romântica pode ser, ao mesmo tempo, leve e profundamente humana – um equilíbrio que desperta curiosidade não apenas sobre seus protagonistas, mas também sobre quem está por trás da narrativa.

Nascida em Sorocaba, em 1992, Stefany Nunes é formada em Letras e Direito. Leitora apaixonada desde a infância, sempre cultivou o hábito de criar histórias, ainda que por muito tempo não as colocasse no papel. A mudança para Londres foi decisiva para que transformasse esse desejo em realidade, impulsionada pela atmosfera criativa da cidade. Além de sua atuação no mercado brasileiro, a autora também é publicada no Reino Unido, com o romance Falling on a Duke (2025), lançado pela editora The Book Guild.

Foto: reprodução/Portal GeekPop News

Em A Melhor Surpresa, Stefany apresenta uma comédia romântica que combina as tropes strangers to lovers, convivência sob o mesmo teto e a clássica situação de só tinha uma cama. Após um período turbulento, Willow Hamilton deixa Londres rumo a Peonyshire, uma charmosa vila no interior da Inglaterra, onde passará cinco semanas em busca de um recomeço. Acostumada a manter o controle sobre cada aspecto de sua vida, ela não esperava dividir o chalé com Jake Ashton, um homem reservado, de passado conturbado e avesso a surpresas. Entre silêncios compartilhados, incentivo dos moradores locais e uma conexão que ultrapassa a atração imediata, ambos descobrem que algumas surpresas têm o poder de reorganizar destinos e colar corações antes partidos.

Foto: divulgação/Lavanda Literária/Entretetizei

Mais do que um romance leve, o livro se destaca pela forma como equilibra humor e sensibilidade ao abordar temas como luto, ansiedade, burnout e maturidade emocional. A construção dos protagonistas privilegia o cuidado cotidiano, os gestos mínimos e a empatia silenciosa, enquanto o cenário acolhedor de Peonyshire e a presença de personagens secundários afetuosos ampliam a sensação de pertencimento. 

Em entrevista ao Clube do Livro do Entretetizei, a autora compartilhou reflexões sobre o processo de criação da obra, suas escolhas narrativas, a construção dos protagonistas e a recepção do público, revelando bastidores que ajudam a compreender como uma comédia romântica pode, ao mesmo tempo, aquecer o coração e provocar um olhar atento sobre as próprias emoções.

Foto: reprodução/Instagram @stefanynunes_

Entretetizei: A Melhor Surpresa gira em torno da ideia de recomeço. Em que momento da construção da história você sentiu que esse tema se tornou o eixo central da narrativa?

Stefany Nunes: Desde o começo, tanto para a Willow como para o Jake. Os dois são personagens que passaram por muito e precisavam seguir em frente, então o tema central ser recomeço foi perfeito para a história que eu queria contar.

E: Os personagens secundários formam uma rede afetiva importante na história. Como você pensou o papel dessa comunidade no desenvolvimento emocional de Willow e Jake?

SN: Eu acho que, em uma trama de cidade pequena, o senso de comunidade é essencial. É o que traz a sensação de abraço na história. Gosto da ideia de que as pessoas ao nosso redor, sejam elas amigos ou família, são fundamentais para formar essa rede de acolhimento. No caso de Jake e Willow, eles receberam o apoio necessário para tomarem passos que somente eles poderiam dar, mas sem precisarem passar por isso sozinhos, mesmo que se sentissem solitários eventualmente.

E: A narrativa faz escolhas formais interessantes, como parágrafos mais longos e densos para Willow, refletindo seu fluxo de pensamento. Essas estratégias narrativas foram planejadas desde o início ou surgiram ao longo do processo de escrita?

SN: A Willow é uma mulher que pensa demais, o tempo todo. O cérebro dela funciona dessa forma analítica e acelerada, então achei condizente que, nos momentos de reflexão, esse ritmo também desacelerasse para que ela tivesse uma visão mais ampla da situação. Isso foi essencial para que ela parasse de se cobrar tanto e também entendesse que tinha progredido muito até então.

Foto: reprodução/Instagram @kittyliteraria

E: A playlist que acompanha o livro amplia a experiência emocional da leitura. Como foi o processo de seleção das músicas? Tem alguma composição que seja a trilha sonora oficial do casal?

SN: Eu adoro ouvir músicas durante o processo de escrita e elas acabam se encaixando na vibe da história. Acho que, se eu tivesse que escolher uma música para os dois, seria Willow, da Taylor Swift.

E: A obra apresenta protagonistas que estão em uma fase da vida em que não há mais tempo para enrolação. O quanto a maturidade emocional foi uma preocupação consciente na construção dos diálogos e conflitos?

SN: Foi uma preocupação grande. Os dois protagonistas têm mais de 30 anos e eu queria que eles passassem essa maturidade para o leitor, para que a história não parecesse juvenil e fosse condizente com o momento mais maduro em que eles se encontram.

Foto: reprodução/Instagram @neglariiart

E: Peonyshire tem um papel importante no processo de reconstrução emocional dos protagonistas. Como você pensou esse cenário e a atmosfera da cidade dentro da narrativa?

SN: Eu criei Peonyshire após uma visita a Cotswolds, mais de um ano atrás. Estava passando por um período em que me sentia muito exausta, e essa viagem foi um presente, voltei de lá renovada. Atribuí isso ao charme do lugar e acabei incorporando na história.

E: Antes mesmo de reconhecerem o amor, Willow e Jake já constroem uma relação baseada em cuidado, escuta e empatia. Para você, por que foi importante mostrar que o afeto pode existir antes da declaração do sentimento?

SN: Eu gosto da ideia de que problemas de comunicação não são exatamente uma questão com os dois. Acho que isso tem a ver com a idade deles também, o momento em que estão na vida e a personalidade de Willow, que sempre prefere falar de mais do que de menos.

Acho que, para a história deles, essa sinceridade sobre o que estavam sentindo foi

essencial na construção da relação, principalmente porque ela existiu desde o início. A declaração acaba sendo apenas a confirmação do que acompanhamos no decorrer do livro.

Foto: reprodução/Instagram @kittyliteraria

E: Por fim, qual tem sido a recepção de A Melhor Surpresa entre os leitores e como você avalia o impacto emocional de Willow e Jake?

SN: Eu estou muito feliz e satisfeita com a recepção, pois os leitores me transmitiram muito amor e receberam exatamente a mensagem que eu queria passar, sobre recomeços e seguir em frente após um período difícil. Esse feedback é essencial, me dá a sensação de dever cumprido. Foi melhor do que eu esperava, com certeza.

Aproveito para agradecer a entrevista e convidar os leitores que curtem comédias

românticas e livros ambientados em cidade pequena a conhecerem a história de A Melhor Surpresa. Tenho outras comédias românticas, todas elas podem ser lidas como livros únicos. Eu sou bem ativa nas redes sociais, como o Instagram e o TikTok, e adoro receber os feedbacks e mensagens.

Foto: divulgação/Lavanda Literária

Ao compartilhar bastidores, escolhas narrativas e percepções sobre a recepção do público, Stefany Nunes evidencia que A Melhor Surpresa nasce de um olhar atento às emoções humanas e aos pequenos gestos que constroem vínculos duradouros. Entre recomeços, silêncios e afetos cotidianos, o romance reafirma o poder das histórias que acolhem e convidam o leitor a enxergar, com mais gentileza, as próprias experiências. Uma leitura que permanece mesmo depois da última página – e que continua ecoando nas conversas que ela inspira.

Foto: reprodução/Stefany Nunes Escritora

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Leia também: Crítica | A Melhor Surpresa e a delicadeza de recomeçar

 

Texto revisado por Alexia Friedmann

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