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Foto: reprodução/ O TEMPO

Especial | Do pop romântico ao alternativo, relembre os 10 anos de ANAVITÓRIA

Duo formado pelas cantoras araguainenses coleciona prêmios e hits conhecidos pelos brasileiros

O ano era 2016: músicas como Trevo (tu), Agora Eu Quero Ir e Singular chamavam atenção nas rádios nacionais, especialmente pela melodia calma e pelas vozes contrastantes, até então, desconhecidas na música. De um lado, Ana Caetano, do outro, Vitória Falcão, duas araguainenses que juntas davam início ao duo de sucesso, ANAVITÓRIA

De música tema de casal da Malhação até álbuns vencedores de Grammys latinos, “as ANAVITÓRIA”, como são chamadas pelos fãs, colecionam ao todo quatro álbuns de estúdio autorais e quatro EPs. O primeiro EP autointitulado veio ao mundo há dez anos, em março de 2015. Já o primeiro álbum chegou às plataformas digitais no dia 19 de agosto de 2016, (completando, esse mês, nove anos). Desde então, o resto é história — e o Entretê separou uma linha do tempo especial para quem tem interesse em saber mais sobre a dupla! 

Do Youtube para o mundo: o começo de tudo
Foto: reprodução/ Maria Lage

Ana Clara Caetano Costa nasceu no dia 5 de outubro de 1994 em Goiânia (GO), mas cresceu em Araguaína (TO). Por meio da influência da mãe, Ana aprendeu a tocar piano quando pequena, o que a fez se apaixonar pelo mundo da música, compondo a sua primeira aos 12 anos. Em 2012, aos 18, passou a postar suas composições no YouTube, mostrando que além de cantar e compor, também tocava violão.

Vitória Fernandes Falcão nasceu no dia 2 de maio de 1995 e cresceu em Araguaína (TO). Desde pequena, por influência do pai baterista de uma banda, começou a apreciar a música e, mais especificamente, o canto. Essa admiração fez com que a mini Vi começasse a cantar na igreja aos 10 anos e, consequentemente, a postar covers no Youtube em 2014, aos 19. 

A história do duo se conecta já no ensino fundamental, no Colégio Santa Cruz, em Araguaína. Mas, apesar de crescerem no mesmo ambiente, Ana e Vitória só viraram amigas por conta de uma amizade em comum (Alô, Flávia. Muito obrigada!), que apresentou as duas ao saber que ambas compartilhavam o mesmo interesse pela música.

Nessa época, Ana iniciava a faculdade de medicina em Minas Gerais e Vitória havia trancado a faculdade de direito, com planos de fazer teatro em São Paulo. Apesar da paixão em comum, nenhuma das duas idealizava uma carreira musical. 

O encontro da dupla resultou em covers de canções, como Toxic (da cantora Britney Spears) e Let Her Go (da banda Passenger). No entanto, foi em 2014, com a gravação do cover de Um Dia Após o Outro (2013), de Tiago Iorc, que Vitória teve uma ideia genial: enviar o vídeo para Felipe Simas, o produtor musical do cantor. O que parecia com um plano despretensioso mudou a vida delas para sempre. 

Foto: reprodução/ @oanavitlovers
Preto, branco e pés descalços: primeiros sucessos

Com a gravação do EP marcada em São Paulo junto do produtor de um dos maiores cantores nacionais da época, a desconfiança rolava por ambos os lados, inclusive, das próprias famílias:

“No primeiro dia de estúdio, chegamos lá acanhadas. Tocamos o interfone, fomos até a porta e o cara disse ‘Não, aqui não tem nenhum estúdio, não’. Na mesma hora, meu pai me falou ‘Tá vendo, trouxa! Tomou na cara.’ E aí falei, ‘Tomei’. Mas o moço do estúdio, na mesma hora, falou: ‘É mentira, o estúdio é aqui mesmo’.” — conta Ana em entrevista ao The Noite com Danilo Gentili, em 2016.

Essa história rendeu a gravação do primeiro EP autointitulado, que contava com as primeiras versões das composições de Ana, Chamego Meu e Singular, além das músicas Tententender e Cores, escritas por outros compositores. ANAVITÓRIA foi lançado no YouTube no dia 29 de março de 2015.

Foto: reprodução/ @simasfelipe

O lançamento do EP veio acompanhado de gravações ao vivo no estúdio. O vídeo de Singular logo chamou atenção ao ser compartilhado em uma página no Facebook, atingindo 1 milhão de visualizações em três dias. A repercussão foi tanta que, pouco mais de um ano depois, em 19 de agosto de 2015, era lançado em todas as plataformas digitais o primeiro álbum do duo que também levava o nome ANAVITÓRIA.

Foto: reprodução/@simasfelipe

O disco, inteiramente escrito por Ana Caetano (com exceção de  Tocando em Frente, releitura da música do cantor Almir Sater), trouxe sucessos estrondosos, como Agora Eu Quero Ir e Trevo (Tu) — parceria com Tiago Iorc. A primeira música resultou no primeiro videoclipe do duo, indo parar na trilha sonora da novela da Globo Malhação — Pro Dia Nascer Feliz (2016–2017), tema do casal Joana (Aline Dias) e Giovane (Ricardo Vianna). 

A repercussão do hit Trevo (Tu) foi tanta que rendeu um Grammy Latino de Melhor Canção em Língua Portuguesa no ano seguinte, em 2017. A música chiclete até hoje é a queridinha de muitos brasileiros, ganhando até uma versão com o cantor português Diogo Piçarra

Foi por meio do primeiro álbum que “as ANAVITÓRIA” adotaram pela primeira vez uma estética visual que marcaria os próximos quatro anos de seus shows: pés descalços, cabelos soltos, roupa branca (para Ana) e roupa preta (para Vitória). Essa escolha de cores não foi planejada inicialmente, e sim baseada na cor predominante no guarda-roupa de cada uma. No entanto, o contraste pegou tão bem, que virou marca registrada do duo.

Além disso, o som da dupla por muito tempo foi reconhecido como o gênero Folk-pop, ou Pop Rural, que até então trazia em suas composições somente voz, violão e letras que falavam sobre o amor romântico de forma mais cuidadosa e delicada. 

Ainda em 2017, a dupla lançou o seu segundo EP em comemoração ao dia das crianças, nomeado Anavitória Canta Para Pessoas Pequenas, Pessoas Grandes e Não Pessoas Também. Ele conta com faixas como Mistério, autoral de Ana, Vitória e do cantor Mike Túlio, integrante da banda OUTROEU e O Leãozinho, releitura da famosa música escrita por Caetano Veloso.

Foto: reprodução/ @anavitoria

No mesmo ano, os hits Linda, em parceria com o rapper Projota, e Fica, parceria com a dupla sertaneja Matheus e Kauan, fizeram sucessos estrondosos nas rádios, alavancando ainda mais a carreira do duo.

Já em fevereiro de 2018, o terceiro EP, Anavitória Canta Para Foliões De Bloco, Foliões De Avenida E Não Foliões Também foi lançado em comemoração ao carnaval, e contava com releituras de músicas como Me Abraça, escrita por Jorge Xareu e Roberto Santos Moura, e a música autoral Clareiamô, escrita por Ana, Vitória e pelo cantor Saulo. A música foi tema do segundo videoclipe da dupla.

O Tempo É Agora (2018)
Foto: reprodução/Universal Music Store

Se o primeiro álbum trouxe notoriedade para as cantoras, os atuais (e futuros) fãs — apelidados carinhosamente de Passarinhos — não estavam preparados para o que viria a seguir. O segundo álbum de estúdio, O Tempo É Agora, lançado dia 3 de agosto de 2018, foi pré-lançado junto com um filme musical nos cinemas. 

Ana e Vitória (2018) estreou nas telonas de todo o Brasil um dia antes da estreia do álbum nas plataformas digitais. A trama conta a história do duo enquanto apresenta músicas do disco, de forma que as letras conversem com as cenas. O elenco conta com nomes como Thati Lopes, Victor Lamoglia e Clarissa Müller. Além disso, Ana Caetano e Vitória Falcão fazem o papel delas mesmas.

Com letras mais profundas que apresentam o amor romântico de forma mais madura, o álbum trouxe hits como Aí, Amor, Porque Eu Te Amo, Dói Sem Tanto e Cecília — considerada até hoje pelos fãs a música mais dolorida da carreira do duo. O feat do disco é com a banda OUTROEU, que também faz uma pontinha no filme logo nos primeiros takes. A parceria resultou na música Outrória, uma junção dos dois nomes.

Diferente do primeiro disco, O Tempo É Agora traz uma versatilidade de instrumentos, como piano, guitarra e bateria. Dessa vez, não apenas uma música ganhou o Grammy Latino, mas o álbum inteiro foi vencedor da categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro

Ainda em 2018, iniciou-se a parceria do duo com o cantor Nando Reis, que permanece até os dias de hoje. A amizade rendeu a regravação da música N, composição de Nando, que em 2019 evoluiu e transformou-se em um álbum que apresenta músicas do compositor nas vozes das cantoras. Nele, estão presentes faixas como Relicário, All Star e Espatódea. Além disso, a parceria também gerou a famosa Turnê dos Namorados, que acontece todos os anos no mês de junho, e traz o duo junto com Nando em um show intimista.

Foto: reprodução/ @anavitoria

Já em 2019,  mais dois feats explodiram nas rádios: Partilhar, em parceria com Rubel, e Pupila, em parceria com Vitor Kley, ambas com clipes de sucesso. A primeira, inclusive, obteve participação especial da atriz Marina Ruy Barbosa. 

Passado um ano desde o lançamento de O Tempo É Agora, o duo lançou o clipe de A Gente Junto, iniciando uma nova fase: a era das cores e das coreografias, dando um spoiler sem querer, do que vinha pela frente.

COR (2021)
Foto: reprodução/@anavitoria

O álbum COR chegou no primeiro dia de um ano pandêmico, quebrando os padrões visuais estabelecidos por elas anos atrás. Dessa vez, o visual do duo apresentava cores vivas e contrastantes, com destaque para azul, vermelho, amarelo, branco e cores terrosas. 

O terceiro disco de estúdio trouxe visualizers de todas as músicas e foi produzido por Tó Brandileone (do grupo 5 a Seco) e Ana Caetano. A obra foi preparada durante a pandemia da COVID-19 e possui uma sonoridade diversa que traz uma sensação de brasilidade. Isso fica ainda mais evidente em faixas como Amarelo, Azul e Branco, homenagem do duo à terra natal, Tocantins — que possui versos de Simone de Beauvoir citados por Rita Lee —, Te Amar É Massa Demais, que traz elementos do samba, e Cigarra, composição inspirada no cantor Saulo, com quem as meninas cantaram anos atrás. 

A coreografia da vez apareceu nos visualizers de Amarelo, Azul e Branco, Selva e Terra (que apresentou a própria coreógrafa do duo, Marcella Landeiro, ao lado das cantoras).

COR foi vencedor de duas categorias do Grammy Latino: Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa e Melhor Canção em Língua Portuguesa, com a música Lisboa, sucesso do duo com o cantor Lenine, escrito por Ana e Paulo Novaes. A música ainda ganhou uma versão em espanhol, com o cantor uruguaio Jorge Drexler, nomeada Lisboa-Madrid.

Além do álbum de sucesso, 2021 trouxe as músicas Aguei, feat com a banda alternativa Jovem Dionísio, e Geleira do Tempo, feat com a dupla sertaneja Jorge & Mateus. 

Tempos depois, em agosto de 2022, o EP Trilhas foi lançado com regravações de músicas que seriam usadas como temas de filmes, série e publicidade. Trilhas conta com regravações de músicas como Aí Já Era, de Jorge & Mateus, João e Maria, de Chico Buarque, e a composição de Ana, Espalhe amor, usada como jingle de campanha publicitária de uma marca de roupa. 

Foto: reprodução/ @anavitoria

O mesmo ano ainda trouxe as faixas Universo de Coisas que eu Desconheço e Caixa Postal, parceria das cantoras com a banda Lagum. As músicas compõem uma sequência dupla de clipes que demonstram o começo e o fim de um relacionamento. 

Esquinas (2024) 
Foto: reprodução/@anavitoria

Três anos e meio depois, com uma estética diferente e com músicas que, mais uma vez, destacaram a versatilidade do duo em comparação aos outros projetos, Esquinas veio ao mundo. 

O quarto álbum de estúdio chegou às plataformas digitais no dia 12 de dezembro de 2024 junto de visualizers com os quais formavam um filme. Com direção criativa de cena por Felipe Fonseca, o dilema do “e se” é utilizado como plano de fundo para todo cenário visual e todas as composições do álbum. Faixas como Se Eu Usasse Sapato, que abre o disco, e Navio Ancorado no Ar, evidenciam muito bem isso. 

O disco traz novamente Marcella Landeiro como coreógrafa, dessa vez, no visualizer da faixa Espetáculo Estranho, e apresenta um feat com Jorge Drexler na faixa Não Sinto Nada.

Além disso, há colaborações de Ana Caetano com os cantores e compositores João Ferreira (da banda DAPARTE), em faixas como Se Eu Usasse Sapato, Minto Pra Quem Perguntar, Espetáculo Estranho, Água-viva e Quero Contar pra São Paulo, Paulo Novaes em Eu, você, ele e ela e Pedro Calais e Zani (da banda LAGUM) na faixa Doce Futuro.

Em julho desse ano, foi lançado no Youtube uma live session que apresenta versões ao vivo das músicas do álbum e, consequentemente, a nova formação da banda do duo. Entre os nomes destaca-se Pedro Lacerda na Bateria, Mari Jacintho no teclado, Janluska na guitarra e Pegê no baixo.

Com turnês previstas para setembro no Brasil, o duo encontra-se no momento na internacional TURNÊ DAS ESQUINAS. Com apenas oito meses de lançamento, o álbum Esquinas promete ainda mais novidades, seja nos shows em terras brasileiras ou nas redes sociais. Há uma teoria dos fãs de um DELUXE vindo por aí – e queremos muito que seja verdade!

E aí, gostou de ficar sabendo um pouco mais sobre a trajetória da dupla de sucesso da música brasileira? Comente nas redes sociais do Entretetizei — Instagram, Facebook e X — e siga a gente para não perder as notícias do mundo do entretenimento e da cultura.

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Texto revisado por Cristiane Amarante

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