Os turcos comemoram neste dia (15) o fracasso de uma tentativa de golpe militar no país
Em memória à resistência turca contra um golpe militar no país, que aconteceu em 15 de julho de 2016, foi instituído o Dia da Democracia e da Unidade Nacional (Demokrasi ve Milli Birlik Günü). O feriado nacional marca o dia em que alguns militares ocuparam alguns locais estratégicos (pontes e aeroportos) no país, em prol da ordem democrática.
A ação foi motivada por tensões políticas e a discordância deste grupo de militares com a forma de governar do presidente da Turquia.

O que aconteceu?
Na noite do dia 15 de julho de 2016, alguns militares turcos se dirigiram até pontos estratégicos do país, como pontes em Istambul e os principais aeroportos, tomando estes lugares. Nesse momento, anunciaram que iriam assumir o poder na Turquia.
Na capital turca, Ancara, além de helicópteros e caças bombardearem partes do Parlamento e da sede da polícia local, aconteceram ataques próximos ao Palácio Presidencial.
O presidente na época, Recep Tayyip Erdoğan, que ainda se encontra no poder, pediu então que o povo turco, muito patriota, fosse às ruas lutar pelo país. Após horas de confrontos, nas quais a violência preencheu as ruas das principais cidades da Turquia, a população conseguiu barrar o avanço dos militares e estes foram presos.

Quem foram os responsáveis?
O governo da Turquia atribuiu o golpe militar frustrado ao líder religioso islâmico Fethullah Gülen e seus seguidores. Antes aliado de Erdoğan, o pregador turco e fundador do Movimento Hizmet (em português: Serviço) tornou-se um opositor do presidente. Gülen, que em 1999 se exilou nos Estados Unidos, negou envolvimento.
Filho de um também pregador islâmico, o movimento que criou tinha como objetivo propagar o islamismo de forma moderada, promover educação no estilo ocidental, mercados livres e uma comunicação respeitosa entre pessoas de diferentes tradições religiosas. Após a tentativa de golpe, o movimento perdeu força na Turquia e fora do país.
Pessoas que simpatizam com o movimento liderado por Gülen não acreditam que o líder religioso foi responsável pelo golpe fracassado. Sob estas acusações por parte do governo turco nos últimos anos de vida, Fethullah Gülen faleceu em outubro de 2024.

Consequências
De acordo com dados oficiais, os confrontos no dia 15 de julho, que duraram poucas horas, acarretaram em cerca de 300 mortos e mais de 2 mil feridos, entre eles civis, policiais, soldados e pessoas que tentaram o golpe de estado.
Na sequência do ocorrido, milhares de pessoas foram detidas e o governo deu início a uma massiva demissão e suspensão de funcionários públicos, profissionais no exército, na magistratura, no ensino e na economia. Tudo isso alegando que estas pessoas eram simpatizantes de Fethullah Gülen.
O presidente da Turquia, poucos dias após o acontecido, declarou estado de emergência por três meses, o que permitia assinar novas leis antes de obter aprovação do Parlamento, bem como limitar ou suspender os direitos e liberdades que julgar necessários.

Além disso, várias instituições de ensino tiveram seus fechamentos decretados e professores foram suspensos até ser averiguado se tinham vínculos com Gülen. Dentre os meios de comunicação locais e também alguns de audiência nacional, jornais, emissoras de televisão e estações de rádio foram ordenadas a fechar.
A repressão do governo turco posterior ao golpe que falhou teve um saldo de pelo menos 77.000 pessoas presas e 150.000 funcionários públicos (que incluía professores, juízes e soldados) suspensos sob o regime de emergência. Buscando como alvo os seguidores do líder religioso, tais prisões e a repressão à imprensa foram motivo de preocupação para os opositores do presidente.
Feriado nacional
Como forma de lembrar o ocorrido, o dia 15 de julho se tornou um feriado nacional. Foi oficializado pelo presidente da Turquia no mesmo ano da tentativa do golpe, em 29 de outubro, data em que se comemora o Dia da República da Turquia — fundada em 1923 por Mustafa Kemal Atatürk. A cerimônia oficial ocorreu em Ancara, no Mausoléu dedicado a ele.

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Texto revisado por Simone Tesser









