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Foto: divulgação / Festival Panorama

Festival Panorama abre temporada 2025 e convoca os apaixonados por dança contemporânea

Evento recebe neste fim de semana, entre os dias 10 e 12, os artistas Dorothée Munyaneza, Natasha Pasquini, Maurício Lima, Laís Castro e Myriam Birara

O Festival Panorama, um dos mais relevantes e longevos de dança contemporânea do Brasil, chega ao Rio de Janeiro em outubro e novembro de 2025. Celebrando mais de três décadas de trajetória, o Panorama é um espaço de experimentação, diversidade e circulação artística, conectando o Brasil ao mundo e o mundo ao Brasil.

A programação desta semana, dos dias 10 a 12 de outubro, reúne espetáculos nacionais e internacionais na Casa Brasil. Os ingressos são gratuitos. 

Programação

Na sexta, dia 10 de outubro, às 19 horas, o Panorama abre com Toi, Moi, Tituba…, aclamada criação coreográfica de Dorothée Munyaneza, que transforma a dança em um ato de resistência e filiação. Inspirada no romance Eu, Tituba: bruxa negra de Salem, a obra é uma investigação visceral sobre as marcas do colonialismo e do apagamento histórico.

No palco, Munyaneza, artista multidisciplinar e vencedora do Prêmio Europeu de Dança SALAVISA 2024, usa seu corpo como um arquivo vivo para convocar e dar visibilidade às presenças ausentes e silenciadas, afirmando a permanência da memória onde a história oficial deixou apenas lacunas. O show também acontece no sábado, dia 11, às 20h30. 

No sábado, às 19h30, Natasha Pasquini apresenta Zumbidos de Ayo, uma performance literária multissensorial sobre a inscrição da alegria em corpos negros como força estética, política e relacional. Com música de Rach Araújo e direção de Maurício Lima, a obra transforma a palavra em corpo e pulsação, resgata memórias de prazer e alegria e ecoa vozes como as de Lélia Gonzalez e Conceição Evaristo.

Pasquini, que é artista, psicóloga, pesquisadora e mestranda em Artes da Cena (UFRJ), utiliza a coreoescrita para investigar poéticas de bem-viver a partir de rastros contracoloniais, o que oferece um encontro poético e potente ao público.

“Nessa performance, desejo me aproximar de outros (e novos) imaginários sobre mulheridades negras, fazendo reverberar frequências de alegria, muitas vezes inaudíveis, que afirmam a(s) existência(s) negra(s) em fuga e deslocamento das violentas narrativas coloniais de dor e sofrimento”, diz Natasha. 

No domingo, dia 12, às 17 horas, o artista Maurício Lima, indicado ao Prêmio Shell 2024, apresenta Debaixo de um teto todo chão é cama, um ensaio sobre o sono, o sonho e a floresta. O trabalho convida o público a habitar uma cama coletiva no chão, partindo de memórias do Complexo do Alemão e da cosmovisão Yanomami.

A performance propõe um encontro com a Serra da Misericórdia, última área de Mata Atlântica localizada na zona norte do Rio de Janeiro.

“O trabalho visa elaborar questões ligadas ao corpo-floresta e ao corpo-favela”, explica Maurício. “Quando a gente olha para essas questões, a gente olha para o adensamento populacional, para o modo que as pessoas vivem e em como a maneira que nós dormimos interfere na nossa capacidade de sonhar”, sintetiza. 

Para encerrar a programação deste fim de semana, no domingo, às 20 horas, Dorothée Munyaneza, Laís Castro e Myriam Birara dão vida a Amazi. Palavra que significa água em diversas línguas bantas, o título é o ponto de partida para um encontro poético entre as artistas negras. A performance-instalação utiliza corpo, imagem e som para refletir sobre o Oceano Atlântico como um arquivo vivo na memória afro-diaspórica.

A água surge como um elemento de ruptura, migração e reinvenção, carregando histórias de dispersão e continuidade. Integrante do Panorama Mar e da Temporada França-Brasil 2025, Amazi convida o público a um espaço imersivo que cuida de memórias e ancestralidades.

O trabalho une africanos e afrodescendentes e abre caminhos para a invenção de novas formas de existência. “Aqui, a água se coloca tanto como imagem literal quanto num lugar de imaginação e de simbolismo, em que pode representar ruptura e desconexão, mas que também interliga nossas experiências subjetivas”, conta Laís. “Nesse sentido, nós apresentamos ‘Amazi’ nos relacionando corporalmente com as imagens de mar e de água, e também com textos e sons que entrelaçam as nossas histórias”. 

Há mais de 30 anos em atividade, o Festival Panorama é um pilar da memória da dança no Rio de Janeiro. Pioneiro em associar arte contemporânea de ponta a preços populares, o evento ocupa a cidade com uma programação diversa, que explora corpo, espaço e movimento.

O Panorama atua como uma plataforma vital para a projeção de artistas brasileiros e latino-americanos. Iniciado em 1992, o evento se reinventa continuamente, conjugando dança, tecnologia e novas dramaturgias, e se firma como um ponto de encontro cultural essencial na cidade.

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