o autor completaria 80 anos em 2025 e sempre será celebrado por seu legado repleto de obras contemporâneas, ironia, refinamento e abordagem crítica em telenovelas
O Balzac Imortal, um dos maiores autores de novelas de todos os tempos, Gilberto Braga, completaria 80 anos no último dia primeiro de novembro e o Entretê preparou um especial sobre esse ícone da teledramaturgia brasileira, que se tornou inesquecível por suas obras contemporâneas, retratos do cotidiano e da classe média alta com um olhar que só ele possuía. Em mais de quarenta anos de carreira como escritor, ele construiu diálogos afiados, únicos e sofisticados, com atenção às diferenças e camadas da sociedade brasileira.
O começo de um ícone

Nascido em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro, filho de um escrivão de polícia e de uma dona de casa, Gilberto Tumscitz Braga estudou no Colégio Pedro II e cursou letras francês na PUC-Rio. Dava aulas na Aliança Francesa e, durante esse período, passou a frequentar a high society da elite carioca, o que aprimorou sua escrita e seus argumentos. Convivendo com várias classes sociais, desenvolveu um olhar crítico sobre a sociedade e o comportamento humano.
Ingressou como crítico de teatro e cinema no jornal O Globo e logo se tornou bastante conhecido entre atores e diretores do meio teatral. Foi assim que surgiu o convite para estrear como autor de televisão em 1972, algo que ele nunca tinha sonhado, mas que lhe daria um certo prestígio e estabilidade financeira. Ele assinou então um episódio de Caso Especial, a adaptação da obra de Alexandre Dumas, A Dama das Camélias (1972), sob direção de Walter Avancini e a supervisão de Oduvaldo Vianna Filho.
A partir daí, em 1973, produziu obras ainda mais especiais, como As Praias Desertas, protagonizado por Dina Sfat, Yoná Magalhães e Juca de Oliveira e Feliz na Ilusão. Sua desenvoltura e rapidez na escrita, além de visão apurada sobre o refinamento e a sofisticação social, chamaram a atenção do diretor Daniel Filho, então chefe de dramaturgia da emissora, que o convidou para assinar junto com Lauro César Muniz a sua primeira novela: Corrida do Ouro (1974). Criada a partir de uma notícia de jornal, a trama era conduzida por cinco personagens femininos, protagonizados por Aracy Balabanian, Sandra Bréa, Renata Sorrah, Maria Luiza Castelli e Célia Biar, que precisavam cumprir tarefas para poderem receber uma herança. Por ainda não estar acostumado ao ritmo da televisão, Gilberto chegou a desistir da trama, mas foi convencido por Daniel a continuar, com a supervisão de Janete Clair, uma das maiores autoras de novela do país. Nascia então uma das mais marcantes parcerias da teledramaturgia brasileira, que renderia diversos clássicos lembrados até hoje. “Janete era um burro de carga para trabalhar, conseguia fazer um monte de coisas ao mesmo tempo, além de dirigir uma casa, criar seus filhos, e paparicar o Dias Gomes como o grande escritor da mansão da rua Tabatinguera. Ela lia a minha novela, fazia uma reunião semanal comigo e ao mesmo tempo escrevia uma novela, Fogo sobre Terra. Graças à sua boa vontade, fiquei mais seguro, até porque Janete tinha um jeito muito hábil de lidar com o supervisionado”, contou o autor sobre a parceria em entrevista no livro Anos Rebeldes, Os Bastidores da Criação de uma Minissérie.
Gilberto foi o primeiro autor brasileiro formado exclusivamente para a televisão, jamais tendo escrito para o teatro. Ele se destacou também por suas adaptações de obras literárias, como Helena, de Machado de Assis, responsável por reinaugurar o horário das 18h na época, e Senhora de José de Alencar, ambas de 1975. Essa última foi exibida em cores e em oitenta capítulos, algo incomum para a época. No mesmo ano, assumiu a autoria de Bravo, escrita inicialmente por Janete Clair, que precisou se ausentar da trama para trabalhar na elaboração de Pecado Capital. Bravo retratou o universo da música clássica e foi exibida no horário das 19h.
Mas o seu primeiro grande sucesso mesmo foi Escrava Isaura (1976), baseada no romance homônimo de Bernardo Guimarães. O êxito foi enorme, com audiência recorde e repercussão internacional, consagrando o autor e a atriz Lucélia Santos, protagonista da trama. A novela foi vendida para mais de 80 países, tornando-se um marco histórico, sendo por muito tempo a novela mais vendida do mundo.
Em 1977, cansado de tramas de época, Gilberto escreveu seu primeiro folhetim contemporâneo: Dona Xepa, baseado na peça original de Pedro Bloch e protagonizada por Yara Cortes. O sucesso foi tanto que motivou a promoção de Braga para a faixa das 20h, horário muito cobiçado pelos autores.
A consagração como fenômeno nacional

No ano seguinte, estreou no horário nobre com tudo! O sucesso inimaginável e fenômeno de audiência e comportamento, Dancin Days (1978), criada a partir de um tema sugerido por Janete Clair. A novela foi protagonizada por Sônia Braga e Joana Fomm e trouxe a febre das discotecas para o Brasil. A trilha sonora dançante foi um sucesso estrondante de vendagem, mais de um milhão de cópias foram vendidas, estimulando o crescimento e a abertura de casas de dança de discotecas pelo Brasil inteiro, além de lançar moda com as meias de lurex usadas com sandália e os voos de asa delta feitos pelos personagens. A novela alcançou altos índices de audiência e chegou a ganhar uma reportagem na revista norte-americana Newsweek em 1978, que destacava sua influência no comportamento e na moda de toda uma década, um feito e tanto! Ela foi reexibida em 1980 no Festival 15 anos com apresentação de Glória Pires e numa versão compacta, com sucesso semelhante. Um ícone atemporal.
Em 1980, escreveu Água Viva, ao lado de Manoel Carlos. A novela mostrava a história de dois irmãos, Miguel e Nelson Fragonard, vividos por Raul Cortez e Reginaldo Faria, que disputam o amor da mesma mulher, Lígia, interpretada por Betty Faria. A trama abordou o cotidiano da classe média alta, algo que ficaria marcado como traço marcante de Gilberto em suas tramas futuras, além de abordar também o windsurfe, um esporte não muito explorado por tramas brasileiras e causou polêmica por conta do topless e por mostrar pela primeira vez o uso da maconha recreativa na televisão brasileira. Essa novela também abordou o divórcio, algo que não era discutido pelas tramas nacionais, aumentando os pedidos de divórcios no país, mostrando que Gilberto amava intrigar, causar discussões sociais, impactar a sociedade e que estava muito à frente do seu tempo!
Depois desse sucesso, veio Brilhante (1981), que enfrentou criticas e censuras, mas foi a pioneira ao tratar de homossexualidade e de amores entre pessoas de idades diferentes. “Não podíamos usar a palavra homossexual nos diálogos da novela, a censura dificultava muito o desenvolvimento da trama, um dos eixos centrais era o personagem Inácio, um homossexual.“ Contou o autor em entrevista à Memória Globo. A trama enfrentava problemas constantes com a censura e o público do horário. O tema de abertura da novela era Luiza, composta por Tom Jobim especialmente para a trama, e cuja letra menciona o cabelo loiro e comprido da protagonista, Vera Fischer. Quando ela apareceu de cabelo curto, o compositor não gostou nadinha. Esse polêmico fato foi bastante criticado, e a figurinista Marília Carneiro deu a ideia de a atriz usar uma bandana no pescoço, acessório que virou febre entre o público feminino. Apesar de todos os problemas, a novela foi vendida para mais de 20 países, entre eles França e Itália. A novela também foi exibida em Marrocos e alcançou grande sucesso por lá.
Nos anos seguintes, Gilberto continuou inovando: Louco Amor (1983) e Corpo a Corpo (1984) exploravam temas como ascenção social, vingança, racismo, romance interracial e os dilemas da juventude em meio às transformações políticas do Brasil.
Em 1986, Gilberto começou a escrever para minisséries na Globo com Anos Dourados, uma reconstituição de época primorosa. A trama se desenvolveu com histórias de amor e conflitos familiares, com o governo de Juscelino Kubitschek de plano de fundo. A minissérie com 20 capítulos foi um marco na teledramaturgia brasileira. Além de realizar pesquisas de época e recorrer à própria memória, Gilberto também se reuniu com amigos e conhecidos que viveram os anos dourados e aproveitou suas histórias. Anos dourados marca a estreia de Felipe Camargo na TV Globo, que recebeu inúmeros elogios pelo seu trabalho como o doce e apaixonado Marcos. O desempenho como Lurdinha também rendeu elogios à atriz Malu Mader. “De Anos Dourados lembro muito. Ambientei a minissérie no instituto de educação, local que passei a infância, fundamental para minha formação”, contou o autor em entrevista ao Memória Globo. A produção impecável em ambientação e texto abriu caminho para a consagração definitiva que viria a seguir: o sucesso Vale Tudo (1988).
Vale Tudo: A crítica social e política

Em 1988, Gilberto Braga uniu forças com Aguinaldo Silva e Leonor Basséres para criar Vale Tudo (1988), um dos principais marcos da história da teledramaturgia brasileira, considerada até hoje como uma das maiores novelas de todos os tempos.
Através da disputa entre uma mãe honesta, vivida por Regina Duarte, e sua filha mau caráter, inescrupulosa e com horror à pobreza, interpretada por Glória Pires –, que logo nos primeiros capítulos da novela chega a vender a única propriedade da família e foge com o dinheiro para o Rio de Janeiro para se tornar modelo –, a trama abordou a questão da integridade ética no Brasil, uma novela carregada de crítica social e moral, além de política, com um motim épico: Vale a pena ser honesto no Brasil? A resposta, ou a ausência dela, ecoa até hoje. O autor construiu uma narrativa que refletia o Brasil dos anos 80, a desigualdade, a corrupção e o jogo de aparências da elite carioca. Ele parou o Brasil com o mistério em torno da morte de Odete Roitman, vilã épica interpretada magistralmente por Beatriz Segall, que tornou-se símbolo da maldade elegante, enquanto Raquel e Maria de Fátima representavam polos opostos de caráter e ambição.
Os autores escreveram cinco versões diferentes para o último capítulo, ao qual o elenco só teve acesso durante a gravação da cena. O mistério sobre quem matou Odete Roitman povoou as conversas pelo país, a trama virou um clássico que ultrapassou décadas e obteve uma enorme repercussão. “Vale tudo é o retrato da hipocrisia nacional e da elite retrógrada brasileira”, declarou Gilberto em entrevista ao Memória Globo.
O último capítulo obteve a maior audiência já conquistada, com 86% dos televisores ligados. A expectativa era tamanha que a marca de caldos de galinha Maggi fez um concurso em que premiava quem acertasse o assassino recebendo mais 4 milhões de cartas. Segundo Aguinaldo Silva, a escolha de Leila (Cássia Kis) como a assassina de Odete foi uma decisão tomada de última hora. Odete Roitman conquistou enorme popularidade e se transformou em uma das mais emblemáticas vilãs da teledramaturgia.
As minisséries dos anos 90

Nos anos seguintes, Gilberto apostou em projetos mais curtos, mas igualmente marcantes. Ainda em 1988, escreveu outro destaque, a primorosa minissérie O Primo Basílio adaptada da obra de Eça de Queiroz, com colaboração de Leonor Basséres e direção de Daniel Filho. No elenco, brilhavam nomes como Tony Ramos, Marcos Paulo, Giulia Gam, entre outros.
Em 1990, colaborou na autoria da novela Rainha da Sucata, outro grande sucesso de Silvio de Abreu. No mesmo ano, foi convidado para cuidar da produção musical da minissérie A, E, I, O… Urca, de Doc Comparato, e assinou a supervisão de Lua Cheia de Amor, novela de Ana Maria Moretzsohn inspirada em Dona Xepa.
Fim da trilogia

Após o estrondoso sucesso de Vale Tudo, em 1991, Gilberto escreveu a segunda novela da trilogia sobre corrupção e honestidade, O Dono do Mundo, protagonizada por Antônio Fagundes e Malu Mader. A novela abordava temas polêmicos, como a ética médica e o machismo, ao contar a história do cirurgião Felipe Barreto (Antônio Fagundes), um homem arrogante e sedutor que aposta com amigos que conseguirá seduzir a recatada professora Márcia (Malu Mader), recém-casada. O desenrolar da trama chocou o público, o que Gilberto não esperava, e dividiu opiniões, mas a crítica elogiou o texto ousado e a profundidade dos personagens.
Em 1992, Gilberto substituiu Glória Perez da condução da novela De Corpo e Alma em parceria com Leonor Basséres. Glória se afastou da trama devido ao assassinato da atriz Daniela Perez, sua filha que atuava na trama.
Em 1994, Gilberto retornou com a última obra da trilogia sobre corrupção: Pátria Minha (1994), que teve uma produção sofisticada e enfrentou conflitos como as questões de moradia, racismo, adultério e virgindade, uso de preservativos e diálogo familiar aberto. A novela enfrentou cortes e censuras, mas manteve o tom de crítica social, marca registrada do autor. A trama ainda teve que enfrentar os conflitos intensos entre os atores Vera Fischer e Felipe Camargo, então casados, que foram afastados do elenco após diversas brigas e atrasos constantes.
Grandes sucessos

Em 1998, o autor escreveu um projeto que acabou sendo abortado mas que teve algumas tramas aproveitadas na minissérie policial Labirinto, estrelada por Malu Mader e Fábio Assunção, sendo sua última minissérie escrita. Um ano depois, o mesmo par de atores foi protagonista de Força de um Desejo (1999), uma novela de época ambientada no século XIX, uma obra-prima eternizada na teledramaturgia brasileira inspirada nos contos do autor Visconde de Taunay que contava a história do casal Ester Delamare e Inácio Sobral, com fotografia deslumbrante e diálogos refinados.
O autor voltaria a escrever novelas somente em 2003 com o grande sucesso Celebridade, que tinha o título provisório de “Fama”, voltando a retratar a elite carioca com uma trama vibrante sobre fama, inveja e ambição, contando a história da vingança de Laura (Cláudia Abreu) contra a ex-modelo e produtora Maria Clara Diniz (Malu Mader). A novela explorou o universo das celebridades, da mídia e do poder, e conquistou o público com seus diálogos afiados, trama ágil e trilha sonora marcante. A vilã Laura entrou para o hall das maiores vilãs da teledramaturgia, com sua dissimulação e frieza, e sua parceria com Marcos (Márcio Garcia) foi icônica.

Em 2007, Gilberto retornou com Paraíso Tropical, produção de menor duração de sua carreira. Foi escrita junto com Ricardo Linhares, mostrando temas importantes e polêmicos, como homossexualidade, turismo sexual, prostituição e alcoolismo. A novela fez bastante sucesso com o casal Bebel (Camila Pitanga) e Olavo (Wagner Moura), que roubaram a cena com o famoso bordão “de catiguria” e a química grandiosa dos dois em cena. A trama foi protagonizada por Fábio Assunção e Alessandra Negrini, que vivia as gêmeas Paula e Taís. Negrini substituiu Cláudia Abreu que precisou deixar o trabalho por conta de uma gravidez. A novela seguiu o suspense habitual de Braga com o famoso “quem matou?” dessa vez usado na morte de Taís Grimaldi (Alessandra Negrini). A trama foi indicada ao Emmy Internacional 2008 na categoria Melhor Novela e foi um sucesso de público e crítica.
Quase quatro anos depois, Braga estreou outra novela, Insensato Coração (2011), novamente ao lado de Ricardo Linhares. A trama abordava temas como homofobia, corrupção policial e ambição, mantendo o estilo elegante e crítico de Gilberto. No ano seguinte ele supervisionou Lado a Lado com João Ximenes Braga e Cláudia Lage.

Em 2015, por fim, estreava sua última novela: Babilônia, também escrita com Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, com 143 capítulos. Apesar das boas intenções e do elenco estrelado, a novela acabou sendo considerada forte pela critica, pois abordava temas como homossexualidade e racismo, coisas que Braga sempre abordou em suas novelas, mas que, dessa vez, foram rejeitados pela parcela mais conservadora do público, que não aceitava o casal composto por Natália Timberg e Fernanda Montenegro, especialmente os seguidores da bancada evangélica do país, incluindo deputados que chegaram a promover um boicote à produção. Além disso, a trama abordava a prostituição e a ninfomania pela personagem de Glória Pires. A novela teve a menor audiência do horário das 21h em São Paulo. “Basicamente, a novela chocou por causa do beijo gay e porque tinha pouco amor e muito sexo. Mas não foi só o beijo. Foi incontável o número de pessoas com quem a Gloria Pires fez sexo. O primeiro capítulo tinha coisas chocantíssimas. Mas depois das mudanças, a audiência não subiu em São Paulo. Até agora eu sofro a humilhação pública diária de perder para a novela das 19h, “I love Paraisópolis”, contou o autor sobre os problemas da novela em entrevista ao jornal O Globo. Seus problemas de audiência não foram atribuídos somente aos temas abordados, mas também ao roteiro inconsistente pela imprensa, o autor chegou a refazer algumas tramas e a audiência subiu. As apostas foram a dupla cômica formada por Marcos Veras e Juliana Alves, algo inédito para o autor que nunca havia feito comédia escrachada e o casal jovem formado por Luisa Arraes e Chay Suede. Depois de Babilônia, ele não conseguiu emplacar mais outras tramas na TV, tendo algumas novelas barradas e inacabadas, como Feira das Vaidades, prevista para a faixa das 18h, inspirada na obra literária Vanity Fair. Oitenta capítulos já estavam prontos. Um remake de Brilhante também estava sendo planejado, com o nome de Intolerância. A trama nunca foi aprovada pela Globo.
Legado e impacto nacional

Segundo o site Bem Paraná, o autor e o decorador Edgar Moura Brasil ficaram noivos dia 26 de dezembro de 2013 em Paris, celebrando a união no restaurante L’Entrecôte. Vieram a oficializar a união no próprio apartamento de ambos, no Arpoador, no Rio de Janeiro, em 2014. O longo relacionamento durou quase cinquenta anos de amor, união e força mútuas, regados a jantares e viagens pela Europa.
Com foco na alta sociedade carioca e contemporânea, as tramas de Gilberto traziam temas à frente de seu tempo e nada conservadores, levando a discussão para as ruas sobre tramas como vingança, corrupção, homossexualidade, racismo e diferença social. O legado de Gilberto é imensurável. Ao longo de quatro décadas de carreira, ele se consolidou ao unir elegância, beleza, crítica social e sensibilidade em cada uma de suas obras.
Suas novelas se tornaram verdadeiros clássicos e retratos da alma brasileira, expondo contradições, paixões e dilemas morais com a maestria que só ele possuía. Gilberto entendeu o Brasil como poucos. Soube transformar o cotidiano da classe média alta em arte, sem deixar de lado debates sociais cruciais que marcaram cada época que ele narrou em seus trabalhos.
Entre seus maiores méritos está a capacidade de criar personagens femininas complexas e memoráveis como Júlia Matos, Odete Roitman, Laura Prudente da Costa e Maria de Fátima, mulheres fortes, ambiciosas, humanas e dúbias, complexas. “Eu sei fazer vilã, é o que mais gosto de fazer”, contou o autor em entrevista ao jornal O Globo. E sabia mesmo, como ninguém, com poder, sabedoria e liberdade feminina. Sua escrita refinada, inteligente e irônica marcou gerações. Ele sabia como poucos unir drama e crítica social com leveza e humor ácido, tornando suas novelas não apenas entretenimento puro e simples, mas um comentário lúcido, político e contemporâneo sobre o Brasil.
O autor morreu em 26 de outubro de 2021, no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro, vítima de complicações decorrentes do mal de Alzheimer e de uma infecção decorrente de uma perfuração no esôfago. Sua morte deixou uma lacuna enorme na televisão e na cultura nacional, mas seu nome e sua obra permanecem vivos, como um grande cronista do cotidiano nacional, ecoando na memória e no coração de todos, um verdadeiro Balzac Imortal da teledramaturgia brasileira que transformou a arte em espelho de todo um país.
E aí, gostou de saber mais sobre esse grande ícone brasileiro? Conta para gente nas redes sociais do Entretê! Nos siga no X, no Facebook e no Instagram e não perca as novidades.
Leia também: 6 motivos para assistir Rainha da Sucata no Globoplay
Vale Tudo: relembre novela que ganhará remake
Beatriz Segall e a travessia da terra vermelha: Quando a arte encontra a memória
Texto revisado por Simone Tesser @simone_alleotti










