Veja os enredos das campeãs e destaques dos desfiles
A apuração dos desfiles das escolas de samba consagrou a Mocidade Alegre como campeã do Carnaval de São Paulo, seguida por Gaviões da Fiel, Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé e Barroca Zona Sul. No Rio de Janeiro, o título ficou com a Unidos do Viradouro, tendo como vice a Beija-Flor de Nilópolis, seguida por Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Salgueiro e Imperatriz Leopoldinense. Os enredos exaltaram ancestralidade, identidade cultural, religiosidade e questões sociais, com forte impacto visual e desempenho consistente em harmonia e evolução.

A campeã paulista apostou em um enredo de forte identidade cultural e espiritualidade: Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra, uma homenagem à trajetória da atriz Léa Garcia, que morreu em 2023, aos 90 anos. O samba-enredo exaltou o pioneirismo e o protagonismo negro da artista, destacando sua relevância histórica no Brasil e no exterior, com menções a trabalhos marcantes como a novela Escrava Isaura.
Vice-campeã por apenas um décimo de diferença, a Gaviões da Fiel apresentou o enredo Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã, exaltando a resistência, a luta e o legado dos povos indígenas. O samba-enredo teve forte caráter político e poético, defendendo a preservação da natureza e os direitos dos povos originários, com refrões de fácil comunicação e mensagem direta.

Completando o top cinco do Carnaval paulistano, a Dragões da Real, terceira colocada, apresentou um enredo sensível sobre mitos e lendas da Amazônia, destacando as Icamiabas, mulheres guerreiras e protetoras da floresta, em uma narrativa de superação e esperança. Já a Acadêmicos do Tatuapé, em quarto lugar, levou à avenida o enredo Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra sem Gente e Muita Gente sem Terra, transformando o desfile em um manifesto de valorização da agricultura familiar. Fechando a lista, a Barroca Zona Sul exaltou Oxum em um enredo de forte espiritualidade e riqueza visual, celebrando a orixá das águas doces com simbologia, delicadeza e potência cênica no Anhembi.
A grande campeã do Carnaval carioca de 2026, a Unidos do Viradouro emocionou a Marquês de Sapucaí com o enredo Pra Cima, Ciça, uma homenagem em vida ao lendário Mestre Ciça, referência absoluta entre os mestres de bateria. Celebrando 65 anos de dedicação ao samba, o desfile transformou o homenageado no centro da narrativa, exaltando sua resistência, carisma e capacidade de inovação, consolidando-o como uma lenda viva da folia.
Houve quem comparasse o impacto do samba-enredo ao histórico Explode Coração, eternizado pelo Acadêmicos do Salgueiro em 1993, tamanha a força e comunicação com o público. Mais do que um título, a Viradouro levou para a avenida uma mensagem poderosa: é preciso reconhecer e homenagear, ainda em vida, aqueles que constroem nossa história.

Vice-campeã, a Beija-Flor de Nilópolis apresentou o enredo Bembé do Mercado, exaltando a tradicional celebração de matriz africana realizada desde 1889 em Santo Amaro da Purificação, na Bahia. Ao retratar o maior candomblé de rua do mundo como ato de fé, liberdade e resistência cultural, a escola destacou a ancestralidade negra no Brasil, levando para a Sapucaí rituais, pescadores e a força de orixás como Oxum e Iemanjá, em um desfile marcado por espiritualidade e potência simbólica.

Fechando o top cinco carioca, a Unidos de Vila Isabel conquistou o terceiro lugar com o enredo Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África, homenagem a Heitor dos Prazeres, exaltando sua visão da África e a conexão entre o samba e as tradições de matriz africana na cultura popular.
O quarto lugar ficou com o Acadêmicos do Salgueiro, que apresentou A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora que não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau nem do Pirata da Perna de Pau, tributo à carnavalesca Rosa Magalhães, transformando a Sapucaí em uma biblioteca imaginária que percorreu seus universos criativos. Já a Imperatriz Leopoldinense encerrou a lista na quinta colocação com o enredo Camaleônico, homenagem a Ney Matogrosso, celebrando sua ousadia estética, versatilidade artística e contribuição à diversidade cultural brasileira.

Ainda sobre os desfiles do Rio de Janeiro, vale um adendo. A Mocidade Independente de Padre Miguel levou à Sapucaí o enredo Rita Lee – A Padroeira da Liberdade, homenageando a cantora e compositora em um desfile vibrante, irreverente e profundamente artístico. Cada verso do samba ganhou força em alegorias e fantasias marcadas por crítica, cor e ousadia, traduzindo a essência libertária da artista e sua resistência em estado puro.
A apresentação foi amplamente aplaudida pelo público e reverberou dentro e fora da Avenida, mas o resultado na apuração reacendeu debates sobre critérios e subjetividade nas avaliações, com questionamentos sobre um possível conservadorismo dos jurados. Entre elogios e controvérsias, ficou a certeza de que a arte apresentada foi maior que qualquer nota e que o carnaval, como a própria Rita, segue livre e provocador.

E para você, qual foi a sua escola preferida este ano? Também é do time que não perde um desfile e canta cada samba como se estivesse na avenida? Não deixe de seguir o Entretê nas redes sociais– Facebook, Instagram e X– e ficar por dentro de mais notícias do mundo da arte e do entretenimento.
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Texto revisado por Gabriela Fachin









