Cultura e entretenimento num só lugar!

Foto: reprodução/TVN

Por que os dramas asiáticos amam tanto a reencarnação? A gente foi atrás dessa resposta!

O fascínio por amores que atravessam séculos tem raízes na cultura e espiritualidade asiática – e rende histórias inesquecíveis

Se tem uma coisa que não falta nos dramas asiáticos, é história de amor que atravessa séculos. K-dramas e C-dramas vivem reciclando a ideia de personagens que se reencontram em diferentes vidas, tentando corrigir erros do passado ou finalmente ficando juntos depois de um destino trágico. Mas por que essa obsessão por reencarnação? O que faz esse tema ser tão presente nas produções asiáticas?

A resposta vai muito além de um bom roteiro de romance. O fascínio pela reencarnação tem raízes profundas na cultura e na espiritualidade asiática, além de ser um prato cheio para criar histórias emocionantes. E a gente foi investigar esse fenômeno!

Reencarnação não é só coisa de roteiro – tem base cultural

Quando a gente fala de reencarnação, não é só um recurso dramático para deixar a história mais interessante. Esse conceito faz parte da base espiritual de várias culturas asiáticas, principalmente no budismo, taoismo e hinduísmo. A ideia central? A vida é um ciclo contínuo de nascimento, morte e renascimento, e a forma como você vive determina seu destino na próxima vida.

Diferente do Ocidente, onde a visão predominante é a de uma única vida e um final definitivo, na Ásia a noção de continuidade é muito mais forte. E isso impacta diretamente o jeito que histórias são contadas. Em vez de um amor que acaba, os roteiristas trabalham com a ideia de que o destino pode dar uma nova chance, seja para corrigir erros, seja para reviver tragédias.

Além disso, o confucionismo – que influencia fortemente a cultura da China e da Coreia – valoriza a conexão entre gerações e o legado que cada pessoa deixa. Isso se traduz em roteiros onde os personagens carregam karmas e responsabilidades de vidas passadas, o que dá um peso ainda maior para as escolhas.

Ou seja, quando um drama traz um casal que se ama há séculos ou alguém pagando pelos erros de outra vida, ele está refletindo uma visão de mundo que muita gente na Ásia realmente acredita. Não é só fantasia – é parte da cultura.

Por que a reencarnação deixa qualquer drama mais emocionante?

Pensa no impacto emocional: um casal que se ama em uma vida, mas é separado pelo destino. Anos (ou séculos) depois, eles renascem e precisam lutar para ficar juntos. Como não se envolver com uma história dessas? A reencarnação adiciona um peso dramático que faz o público sentir cada encontro e cada despedida como se fosse definitivo.

Além disso, esse tema permite misturar vários gêneros dentro do mesmo drama. Romance, fantasia, ação, até suspense – tudo cabe quando você brinca com vidas passadas e segundas chances. Quer um herói que era um general na dinastia Joseon e agora é um CEO frio? Um casal que foi separado por um feitiço e precisa se reencontrar no mundo moderno? Tudo isso faz sentido dentro desse conceito.

E tem também o fator “será que já nos conhecemos em outra vida?”, que rende diálogos e cenas icônicas. Muitas histórias brincam com esse mistério, deixando pistas ao longo dos episódios até o grande momento de revelação. O público adora criar teorias e caçar detalhes escondidos, o que só aumenta o envolvimento com a trama.

No fim, a reencarnação é uma forma genial de fazer o espectador se importar ainda mais com os personagens. Não é só um romance qualquer – é um romance que desafia o tempo. E quem resiste a isso?

K-dramas vs. C-dramas: quem faz reencarnação melhor?

Apesar de ambos adorarem esse tema, K-dramas e C-dramas usam a reencarnação de formas bem diferentes. E isso tem muito a ver com a maneira como cada cultura absorveu essas crenças ao longo dos séculos.

Nos K-dramas, a reencarnação geralmente está ligada ao romance trágico. Os protagonistas viveram um grande amor no passado, mas foram separados de forma cruel. Agora, em uma nova vida, eles precisam superar barreiras (e traumas) para finalmente ficarem juntos. A viagem no tempo também é um elemento recorrente, adicionando ainda mais drama para o casal principal.

Já nos C-dramas, a pegada é mais mitológica.

O conceito de imortais, deuses e reinos celestiais é muito mais explorado, e os personagens normalmente passam por múltiplas vidas, cumprindo missões ou pagando por pecados do passado. Muitas vezes, a reencarnação não é só uma questão de amor, mas de equilíbrio cósmico – tem algo muito maior em jogo.

Enquanto os K-dramas apostam na emoção e na conexão entre os personagens, os C-dramas mergulham fundo em mundos fantasiosos, cheios de efeitos visuais e regras próprias. No fim, a escolha entre um ou outro depende do tipo de história que você prefere: um romance emocionante e cheio de sofrimento ou uma jornada épica com toques de magia?

Dramas que levam a reencarnação a outro nível

Se você quer entender por que esse tema faz tanto sucesso, nada melhor do que conferir alguns dos dramas mais icônicos que exploram reencarnação de jeitos diferentes. Aqui vão alguns exemplos que valem a maratona:

  • Moon Lovers: Scarlet Heart Ryeo (K-drama) –  Talvez o exemplo mais famoso, esse drama joga uma garota moderna no meio da dinastia Goryeo, onde se envolve com príncipes e precisa lidar com um amor marcado pelo destino.
reencarnação
Foto: reprodução/mubi
  •   Alchemy of Souls (K-drama) – Mistura reencarnação com magia e ação, contando a história de almas que trocam de corpo e pessoas que tentam desafiar as regras do universo.
reencarnação
Foto: reprodução/Netflix
  •   Eternal Love (C-drama) – Uma das histórias de reencarnação mais populares da China, cheia de deuses, traições e um amor que atravessa milênios.
Foto: reprodução/Netflix
  •   Ashes of Love (C-drama) – Outro clássico do gênero, mostrando um romance épico entre seres imortais que precisam enfrentar inúmeras provações em diferentes vidas.
Foto: reprodução/soompi
  •   Goblin (K-drama) – Embora não seja exatamente sobre reencarnação, esse drama brinca com destino e vidas passadas de um jeito emocionante, garantindo muitas lágrimas.
Foto: reprodução/soompi

Cada um desses dramas tem um jeito único de tratar a reencarnação, seja pelo viés romântico, trágico ou místico. Mas todos têm uma coisa em comum: fazem o público sofrer (e amar cada segundo disso).

A obsessão com destino e conexões que nunca morrem

Se tem uma coisa que dramas asiáticos amam tanto quanto a reencarnação, é o destino. Os dois temas andam de mãos dadas, porque, no fundo, a reencarnação nada mais é do que o destino insistindo para que certas pessoas se reencontrem, não importa quantas vidas precisem passar. E convenhamos, quem não ama a ideia de que algumas conexões são fortes demais para serem apagadas pelo tempo?

Essa fixação pelo destino aparece o tempo todo nos diálogos dos personagens. Quem nunca ouviu frases como “Nos conhecemos em outra vida” ou “Eu sinto que já te amei antes” em um drama? A crença de que algumas almas estão predestinadas a se encontrar é um conceito forte na cultura asiática, reforçado tanto pelo budismo quanto pelo taoismo. E os roteiristas sabem exatamente como usar isso para fazer o público torcer (e sofrer) pelo casal principal.

Além disso, o destino também adiciona um toque de tragédia. Porque, se duas pessoas são predestinadas a se encontrar, também podem ser predestinadas a se perder. Muitos dramas trabalham com esse jogo de vai e vem entre vidas, onde os personagens finalmente ficam juntos, apenas para serem separados de novo. E essa montanha-russa emocional mantém o público grudado na tela até o último episódio, torcendo por um final feliz.

Outra coisa que faz esse tema ser tão envolvente é o fato de que, mesmo sem acreditar literalmente em reencarnação, muita gente gosta da ideia de que algumas conexões são especiais. Quem nunca conheceu alguém e sentiu uma afinidade instantânea, como se já se conhecessem há anos? Os dramas asiáticos transformam essa sensação em histórias épicas – e é por isso que a gente não cansa de assistir.

Qual o seu K-drama favotiro dessa temática? Conta pra gente nas redes sociais do Entretê– Instagram, Facebook, X – e nos siga para ficar atualizado sobre a indústria do entretenimento

 

Leia também: Pelo direito de ser fã! – xenofobia, machismo e a seletividade do que é ‘aceitável’ gostar

 

Texto revisado por Angela Maziero Santana 

plugins premium WordPress

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Acesse nossa política de privacidade atualizada e nossos termos de uso e qualquer dúvida fique à vontade para nos perguntar!